A cura para as artes visuais na Exponatório Geral

a1Da capa em preto e branco de um cortiço do Centro Histórico até a última página com a pose colorida da modelo Juliana Caldas, de 1,22 metro, já se passaram mais de uma dezena de edições mensais, obras de 360 artistas, 936 páginas e 50 mil visualizações da revista online Sanatório Geral (acesse). Trata-se de um projeto virtual idealizado há um ano e agora disponível na Exponatório Geral, mostra de fotografias que segue até o dia 30 na Oficina Cultural Pagu (Rua Espírito Santo, 17/Santos).

Em fevereiro de 2013, a publicação online e gratuita de artes visuais era uma vontade do estudante de designer gráfico, Betinho Neto. “Queria realizar uma iniciativa que envolvesse os meus estudos, a arte e também se tornasse um projeto colaborativo, livre”. Na época, convidou amigos para escreverem crônicas sobre o ‘lado B’ de Santos e lançou nas redes sociais uma campanha para enviar imagens sobre o tema urbano. Para o próprio idealizador, “um susto”, já que em poucos dias, recebeu trabalhos de 26 fotógrafos – um deles é do Amazonas.

A revista diagramada em cinco dias com pouco mais de 60 páginas foi lançada durante a Vitrolada no Torto MPBar. E quando as páginas digitais eram passadas no telão do ambiente, encantando os frequentadores, a equipe percebeu que o projeto ganhou vida. E crescia uma legião de loucos para acompanhar o site com as novidades da Sanatório Geral.

Aliás, Betinho explica como surgiu o nome: “Pensei em vários nomes e palavras. E uma palavra foi levando à outra. A arte enquanto loucura, o louco então no hospício, o hospício como um Sanatório. E Geral, por causa da quantidade de colaboradores logo na estreia”.

Repercussão

a2Com a repercussão, a insanidade de uma publicação online ganhou contornos mais reais. “Nos meses seguintes, busquei referências e inspirações em revistas impressas de artes para criação das editorias”, ele comenta. A partir daí, além dos textos e crônicas de convidados, ela quase dobra o número de páginas com a Cadeira Elétrica (entrevistas com artistas), Lobotomia (reportagens), entre outras seções e matérias.

Em cada publicação, um novo tema, como o fim, a brincadeira, o teatro, o cinema, a diversidade e o sexy. “Podemos escolher qualquer tema. Até porque a arte não pode ser censurada, desde que haja a estética. Aristóteles já dizia que só é feio aquilo que não cumpre o seu papel”, comenta Betinho. “Queremos instigar, transformar os nossos leitores”.

E a imensidão de pessoas que compartilha dessa mesma vontade provocativa vive a aumentar, com a participação de personalidades. Pela Sanatório Geral, há textos e entrevistas de artistas como Eva Wilma,Beth Goulart e Xico Sá, a cineasta Laís Bodansky, a sexóloga Laura Muller, entre outros.

Betinho complementa: “A nossa equipe diz que a revista nos salvou. Fazemos o melhor por ela, doamos nossa criatividade e sentimento. Esse é um trabalho intenso, guerreiro. Como uma resistência pelas artes visuais, ainda mais numa Cidade que perdeu uma das melhores bienais do ramo”. Ou seja, a arte como um próprio remédio para tantas pessoas.

*Adaptado de texto publicado originalmente no jornal A Tribuna em 2/fev/14
P.S.: Fotos do acervo pessoal do Betinho Neto

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