#PraçaDosArtistas: Ouvidor da PM desconstrói versão do B.O. sobre teatro de rua em Santos

Por Lincoln Spada

No último dia 30, cerca de cinco viaturas da Polícia Militar cercaram artistas de rua na Praça dos Andradas – mais conhecida como Praça dos Artistas. Justamente abrindo um sarau que discutia manifestações culturais em espaços públicos, a peça ‘Blitz – O império que nunca dorme’ foi interrompida pela PM com apoio da Guarda Municipal. Para o 1º D.P., o diretor teatral foi algemado sem ser avisado de qual crime teria cometido.

> Entenda o contexto
> Leia a repercussão entre políticos

De acordo com o Boletim de Ocorrência, a PM afirma que a Trupe Olho da Rua cometeu contravenção ao expor bandeiras invertidas na praça, e que o ator levado no camburão desobedeceu às ordens policiais. O jornalista que acompanhava a sessão, Marcus Vinícius Batista, e membros da Polícia Civil já afirmavam que a razão era censura à temática. No dia 7, foi a vez do ouvidor da própria PM, Julio Cesar Fernandes Neves, desmentir a versão apresentada no B.O.

“Bem da verdade, na realidade, o [diretor teatral] Caio não foi detido, e não pararam o espetáculo pelo fato ali das bandeiras, dos símbolos. Até mesmo porque, ali, naquela hora, fiquei sabendo e está retratada, uma voz fardada que soltou a seguinte frase ‘esse espetáculo ali é uma ofensa para o país'”, diz Julio Cesar no programa Metrópolis da TV Cultura. “A gente vê isso aí como uma afronta ao direito de expressão”.

O ouvidor continua contrariando a versão policial e faz um paralelo às censuras dos anos de chumbo: “Realmente, são resquícios da época da ditadura militar. Isso está claro. A prova é que tipificaram depois que houve resistência, e não houve resistência [do ator]. Que existe desobediência, e não houve desobediência”.

Para o programa, conclui que é preciso investir na conscientização dos agentes de segurança, principalmente aumentando a carga horária formativa na corporação em direitos humanos. “Hoje não temos aquela censura da época da ditadura, mas tem militar que ainda não entendeu isso aí. Muito triste, muito difícil para quem admira arte, compreender esta atitude brusca e intolerante da PM”.

Aos 61 anos, o advogado Julio Cesar se vê como ‘ombudsman da PM‘. Nomeado ouvidor pelo governador Geraldo Alckmin, em 2013, ele já atua no órgão desde 2005. “Sou o porta-voz desse cidadão comum que não tinha voz, que não era ouvido (…). O ouvidor representa esse cidadão, negro, pobre, da periferia, que é retratado nessa peça que estávamos discutindo hoje [‘Blitz’, da Trupe Olho da Rua]. Que retrata bem esse cidadão que sofre, morre na periferia, e ninguém fala nada”.

 

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