Por Allana Santos | Fotos: Cordel Fernandes

“Quem é você Vila Parisi?” Pergunta que investigamos por meses. “Esse coletivo, a vida toda, filhos de operários que migraram de suas cidades para Cubatão atrás de um sonho. Os jovens desse grupo fazem a migração dos Guarás mas retornam como seus ancestrais, numa ida e vinda eterna”. São as palavras de Lili Monteiro, diretora convidada pelo Coletivo 302 de teatro, para orientar o segundo espetáculo do grupo, que visitou a história da cidade de Cubatão através de depoimentos dos moradores da extinta vila operária, Vila Parisi.

Encenada em frente ao cenário barulhento e iluminado das indústrias de Cubatão, ao ar livre e usando os sons da avenida movimentada como sonoplastia, a peça é um drama experimental inspirado em pesquisas sobre a vida no bairro da cidade de Cubatão (SP), nos anos 70 e 80. O bairro se tornou mundialmente conhecido por se localizar no epicentro da zona industrial na época em que era conhecida como a cidade mais poluída do mundo. A peça narra eventos que foram colhidos em depoimentos com os antigos moradores.

A peça faz parte do ‘Projeto Zanzalá parte I’, aprovado pela secretaria estadual de cultura, através do edital ProAC de montagem inédita, tem ainda o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e foi idealizado pelo Coletivo 302, grupo artístico teatral com mais de 4 anos de atuação na cidade. O projeto também realizou no início do ano o 2º Ciclo de estudos, que trouxe importantes nomes do cenário teatral paulista para palestrar gratuitamente sobre as áreas de figurino, cenário, iluminação e dramaturgia.

“Queremos que nosso público participe de uma experiência, sensorial e histórica, que conheçam mais sobre suas próprias memórias através do olhar lúdico e poético que o teatro pode proporcionar. Nós colocamos músicos com sanfona em cena, reproduzimos as casinhas de madeira no nosso cenário, imitamos as chuvas e enchentes da vila com um caminhão pipa, tudo para que nosso público sinta-se dentro da história. Queremos ver a praça cheia, todos os dias”, confessou Douglas Lima, ator e diretor do grupo.

O espetáculo estreia dia 13/jul e segue em temporada até 11/ago, sempre aos sábados e domingos, às 20h, na Praça do Cruzeiro Quinhentista – em frente a Petrobras. O público deve retirar os ingressos com uma hora de antecedência no local de apresentação, a entrada é gratuita e a classificação indicativa é 14 anos.

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Escrito por Lincaos

Jornalista, ator e cineasta, assessora festivais de manhã, escreve em jornais diários à tarde e aceita farras à noite.

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