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Jornalista, ator e cineasta, assessora festivais de manhã, escreve em jornais diários à tarde e aceita farras à noite.

Cadeia Velha: Câmara de Santos deve realizar audiência pública

A próxima sessão da Câmara Municipal de Santos deve ser pautada pela audiência pública sobre o projeto de uso da Cadeia Velha. Diante da repercussão na imprensa e nas redes sociais, a assessoria do vereador Marcelo Del Bosco (PPS) fez um convite.

E em reunião nesta sexta-feira com o produtor cultural e ator Junior Brassalotti e comigo, ele garantiu enviar um requerimento para o encontro da classe artística, do Governo Estadual e da Prefeitura. Ele solicitará que o debate seja agendado no dia 28 de abril, às 19 horas, na própria Câmara.

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A realização da audiência depende da aprovação dos demais vereadores. Da base governista e ex-secretário municipal, Del Bosco diz não haver resistência de seus colegas, até porque cabe ao Legislativo o papel de fiscalizar e contribuir para este diálogo entre o Poder Público e a comunidade. As secretarias estão à vontade para um possível evento.

O atual secretário municipal da Cultura, Fabião Nunes, já antecipou em encontro nesta semana com o movimento teatral que o destino da Cadeia Velha está aberto. Por sua vez, a Secretaria de Estado da Cultura enviou nota afirmando que o uso do espaço será discutido em conjunto com a classe artística e a Prefeitura, pois a gestão do prédio será compartilhada pelos dois governos.

Ser plural, museu ou escola?

Fechado em 2012, o patrimônio histórico nacional teve anunciado o adiamento de sua reinauguração, prevista para outubro deste ano. A data será próxima do aniversário de Santos, em janeiro de 2016. Durante estes três anos, o uso da Cadeia Velha recebeu duas propostas.

02A antiga sede do programa estadual de formação artística, a Oficina Cultural Pagu, foi esboçada pela Prefeitura como espaço plural, com direito a biblioteca, Museu da Imagem e do Som de Santos e parte do Museu da Língua Portuguesa. A ideia não prosperou sem apoio da classe artística e pelas condições do prédio – a sua umidade não conservaria uma biblioteca, por exemplo.

Mais recentemente, houve rumores em conselhos que o Governo Estadual providenciava a instalação do Museu da Baixada Santista, sendo que o Instituto de Preservação e Difusão da História do Café e da Imigração (INCI) confirmou para a imprensa o interesse em gerenciá-lo.

Atualmente, a Oficina Cultural Pagu mantém a sua unidade em prédio alugado na Rua Espírito Santo, 19, Gonzaga. A instituição que a gerencia, Associação Poiesis, teve corte na verba estadual. Em abril, nove das 21 unidades do local serão fechados.

*Lincoln Spada

Opinião: ‘No Brasil, quem gosta de música é minoria’, diz Ed Motta

‘Cantor e compositor de MPB do Rio de Janeiro’. A auto-descrição de Ed Motta em seu site pessoal é incompleta. Conhecido pelo grande público por ser sobrinho de Tim Maia, alcançou seu auge no final dos anos 80 e manteve seu nome na mídia por sua verve artística em 1999. O hit era a música ‘No meu coração você vai sempre estar’, famosa por acompanhar a animação ‘Tarzan’. Desde então, coleciona uma geração de polêmicas fora dos palcos.

Talvez criticar outros ritmos e o país seja o seu desabafo por não formar públicos no Brasil. Talvez seja sua assessoria o incentivando a conseguir manter seu nome na mídia. A última cutucada veio por Facebook, numa postagem no último dia 9: “agradeço e fico honrado em ser prestigiado pela comunidade brasileira, mas é importante frisar, não tem músicas em português no repertório, eu não falo português no show (…) não venha com um grupo de brasuca berrando ‘Manuel’ porque não tem”. Ok, é sua turnê europeia.

02O problema é quando continua o post. “Verdade seja dita, que meu público brasileiro de verdade na Europa, é um pessoal mais culto, informado, essas pessoas nunca gritaram nada, o negócio é que vai uma turma mais simplória que nunca me acompanhou no Brasil, público de sertanejo, axé, pagode, que vem beber cerveja barata com camiseta apertada tipo jogador de futebol, com aquele relógio branco, e começa gritar nome de time”. O problema é sua clara arrogância de destratar o público e querer conceituar o que é música.

Ed mais uma vez perde a oportunidade de transitar entre o MPB que o alçou a hit e o jazz norte-americano que tanto devota. No contato com os fãs, com o outro, poderia sim convidá-los a apreciar o ritmo que ele leva em seus palcos. Opta por ofender, ironizar e contrariar. Nos comentários do post, ofendeu quem passasse lá: nordestinos, gente do interior, sertanejo, axé e, principalmente, brasileiros. Chamou de carma a sua nacionalidade, xingou o Brasil como ‘país de merda’, ‘terra ignorante’, até xingou ‘indígenas’ e ‘pedreiros’.

Além do intelectual disseminar preconceitos, a frase que guardo ao final é esta: “No Brasil, quem gosta de música é uma minoria, o resto sai pulando igual bicho atrás de um trio elétrico”. Afinal, se a arte é a expressão de alguém ou povo para transcender emoções, instantes, o que não seria um bloco de carnaval, um show de sertanejo universitário ou o Festival de Parintins? É tão música quanto o som do saxofone, só que em vez de erudito é popular. Em pleno século 21, conceituar arte como aquela voltada às elites é mais do que desrespeito ao gosto dos outros. É comprovar que não entende nada de arte.

*Lincoln Spada

 

‘Hoje tem Espetáculo’ com Rosa dos Ventos na Zona Noroeste

O grupo Rosa dos Ventos encena o seu primeiro trabalho teatral ‘Hoje Tem Espetáculo’ nesta sexta-feira (10/abr), às 19h, na Praça da Vila Gilda, em Santos. A atração gratuita e contemplada pelo ProAC celebra os 15 anos da companhia. Com direção e dramaturgia coletiva, o elenco é formado por Fernando Ávila, Gabriel Mundo, Luis Valente, Robson Toma e Thiago Munhoz.

‘Hoje Tem Espetáculo’ é um trabalho criado a partir dos clássicos de palhaço, números, entradas e piadas que são vistas no circo há pelo menos uns 200 anos. Tudo acontece diante das pessoas que vão assistir, a montagem, a maquiagem, a passagem de som, o aquecimento, a troca de roupa, tudo é escancarado e o espetáculo acontece em um jogo que se funde entre atores, personagens e público. O trabalho é apresentado por um músico (Nicochina) e quatro palhaços (Dez Pras Sete, Custipíl, Beterraba e Tiuria) que se revezam nas funções de artistas de circo.

A proposta é divertir o público levando através das caricatas relações entre os palhaços, os conflitos mais distantes da vida cotidiana. O resultado disso é um espetáculo que une elementos da cultura circense como, malabarismo, acrobacias, monociclo e Atirador de Facas a grandes Palhaçadas. Ao propor o resgate dos clássicos do circo tradicional o grupo retoma elementos como as músicas, as entradas de palhaço e as contradições entre o sublime e o grotesco presentes no momento em que o circo construiu no inconsciente coletivo a idéia de universo fantasioso e mágico, provocador de sensações únicas em crianças de qualquer idade.

*Rosa dos Ventos/Vila do Teatro

 

Concha Acústica recebe da MPB ao blues em abril

A programação musical de abril da Concha Acústica Vicente de Carvalho, que ocorre sempre nos fins de semana, a partir das 19h, traz ritmos variados para o público, como blues e MPB. Todos os shows têm entrada franca. Em caso de chuva, as apresentações são reagendadas.

Neste sábado (11), a atração é o cantor e compositor Wylmar Santos, com o show do disco ‘Do Baile ao Jardim’, que mostra canções que falam sobre buscas, relações, mudanças, histórias e fábulas, em ritmos como samba, jazz, rock e funk. A faixa de trabalho é ‘O Beijo’. No palco, o artista estará acompanhado de Guilherme Meduza (guitarra) e Caio Noronha (teclado), com participações especiais de Danilo Nunes e Ploci.

No domingo (12), Theo Cancello (teclado), Bruno Conde (violão) e Kleber Serrado (voz) interpretam canções autorais, além de clássicos como ‘Ponteio’ (Edu Lobo) e ‘Sampa’ (Caetano Veloso).

Blues e sucessos da MPB

Já no próximo dia 18 ocorre o espetáculo de blues ‘Talkin’ about Chicago’, de Giba Byblos. Na apresentação, o guitarrista mostra canções do disco ‘My Duty’, que compôs com influências do também guitarrista norte-americano Freddie King e da música de Chicago. O artista vem acompanhado de Fabio Basili (baixo) e Paulinho Sorriso (percussão).

No dia 19, o destaque é a apresentação ‘Elite Brasileira’, de Marcelo França Trio. O repertório do show, reagendado de março por conta da chuva, traz sucessos de Jonny Alf, Antônio Carlos Jobim, Dolores Duran, Djavan e Ivan Lins, entre outros. O trio é formado por Mano Rito (teclado), Ney Rocha (contrabaixo) e Plínio Romero (percussão).

Balanço e ritmos variados

No dia 25, quem comanda o som na Concha Acústica é o MPBlack Trio, que traz em sua formação LC (voz), Luis Fernando (cajon) e Well (teclados), com participação especial de Álvaro Alves na guitarra. O repertório tem canções de Jorge Ben Jor, Paula Lima, Ed Mota, Seu Jorge, Sandra de Sá e Tim Maia, entre outros.

O Musical Opus é o destaque do dia 26. A apresentação traz ritmos como pagode, bolero, samba e sertanejo, entre outros. O grupo se apresenta com a seguinte formação: Lourival (voz), Sandra Regina (teclado), Leandro Amaral (acordeon) e Jadiel (cajon).

Projeto Conchinha

O projeto Conchinha é o destaque das manhãs de domingo na Concha Acústica. São realizadas, com entrada franca, sempre das 10h30 às 11h30, apresentações infantis de teatro, brincadeiras, contação de histórias e espetáculos musicais com grupos da região e convidados. Em caso de chuva, a programação é reagendada. Mais informações pelo tel. 3226-8000 ou no site http://www.santos.sp.gov.br.

*Prefeitura de Santos

 

Estação da Cidadania abriga ‘Primeira Festa do Livro’

Sábado (11), das 14h às 18h, acontece a ‘Primeira Festa do Livro’ na Estação da Cidadania (Av. Ana Costa, 340, Campo Grande). A iniciativa, que homenageia a jornalista, escritora e poeta Patrícia Galvão, promove a integração de diversas atividades culturais, tendo como fio condutor a literatura.

Entre os destaques da programação, tem o ‘Leia Santos – um incentivo à leitura’, que oferece os já tradicionais ‘Adote um Livro’ e ‘Adote um Gibi’. No estande também acontece o relançamento da edição 88 da ‘Mirante – Revista Literária Santista’.

O evento ainda realiza troca de livros usados para o público adulto e infanto-juvenil, e de objetos em bom estado e de utilidade prática. Além disso, o espaço ainda terá escritores autografando suas obras, debates literários, declamação de poesia e apresentações musicais. A entrada é franca. Apoio: prefeitura de Santos.

*Prefeitura de Santos

 

‘Encenação.Doc’ entra em cartaz nas Oficinas Culturais de SV

Sucesso na estreia no Roxy Brisamar, o curta-metragem ‘Encenação.Doc’ entra em cartaz neste mês em sessões gratuitas nas Oficinas Culturais (R. Ten. Durval do Amaral, 72, Catiapoã). O filme será exibido a partir do dia 10, toda sexta-feira às 20 horas e aos sábados às 16 horas. Com apoio da Secretaria da Cultura, as sessões terão os ingressos entregues a partir de meia hora antes da realização.

“Nós queremos mostrar as pessoas que mudaram suas rotinas para fazer parte da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente”, argumenta o diretor Cássio Santos. O filme foca a vida de alguns dos mais de mil voluntários que participaram do maior espetáculo de teatro em areia de praia do mundo, segundo o Guinness Book.
“Vamos narrar também o dia a dia dos coreógrafos de companhias de dança, dos responsáveis das quadrilhas juninas, pois o espetáculo agrega vários segmentos artísticos da Cidade”, ele complementa.

O documentário tem argumento de Cássio, Victor Luiz e Érica Rodrigues, também produtora da obra. A fotografia é assinada por João Vitor Andrade, a captação de áudio por Kauê Rodrigues, a técnica e elétrica por Valdir Vieira, a edição de Eduardo Bezerra e a trilha sonora pertence a Flávio Medeiros.

*Prefeitura de São Vicente

 

‘Rua da Amargura’ reconta Paixão de Cristo no Parque Vila de SV

De seu nascimento ao batismo. Da Santa Ceia ao julgamento de Pilatos. E, enfim, a sua crucificação. A bimilenar história da Paixão de Cristo é a narrativa interpretada por mais de 80 atores vicentinos em ‘A Rua da Amargura’. Com apoio da Secretaria da Cultura, o teatro de rua fará temporada gratuita aos domingos (dias 12 e 19), às 20 horas, no Parque Cultural Vila de São Vicente (Praça João Pessoa, s/nº).

“O espetáculo buscou conciliar o universo circense ao enredo bíblico. Os antigos circos sempre realizaram encenações sobre a Paixão de Cristo e, assim, inserimos a linguagem da Commedia Dell’arte. Cada personagem possui um perfil, uma máscara, um modo de andar”, comenta o diretor Rodrigo Caesar.

Ainda, fitas acompanham os figurinos e um pano colore o cenário da peça. “Além deles, a união da música, a criação corporal, a interpretação, os trajes… Tudo gera muita emoção, é esta mistura que dá vida a cena”, complementa Rodrigo. Junto a ele, os assistentes Lucas Magalhães e Anderson Avelino dirigem elencos formados pelas companhias Héterus de Teatro, Os Indesejáveis do Telhado, Tartuffo’s Cênicos, em ensaios e produção realizados por meses no Parque Cultural Vila de São Vicente.

*Prefeitura de São Vicente