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Banda Marcial de Cubatão realiza concerto didático em SV

A Banda Marcial de Cubatão leva boa música a estudantes de São Vicente amanhã (26). O concerto didático será às 13h, na Escola Municipal de Educação Fundamental Prefeito Jonas Rodrigues, no Parque Bitarú (Rua Alexandre Sedim, 304).

O maestro Alexandre Felipe Gomes, regente da Marcial, explica que a apresentação será para os estudantes do 1º ao 9º anos. “É muito bom para nós, podermos divulgar a boa música que é feita na cidade de Cubatão, um município com tanta vocação artística”, afirmou Alexandre.

No repertório elaborado especialmente para esta oportunidade, músicas de diferentes compositores, celebrando a maneira eclética da Banda Marcial encantar todos os tipos de público, unindo canções eruditas e populares, na medida certa.

Outros concertos

o1Crianças que estudam na UME Estado do Alagoas, no Pinheiro do Miranda, acompanharam apresentações musicais diferentes no pátio da escola nos últimos dias: a Banda Sinfônica de Cubatão realizou concertos didáticos no colégio do bairro. Mais de 200 alunos conheceram de perto o trabalho desenvolvido pela Sinfônica da cidade.

Sob o comando do regente-assistente Ulysses Damacena, a Banda apresentou um repertório especial, cheio de músicas eruditas. O maestro explicou de uma forma bastante lúdica o que é uma Banda Sinfônica; falou sobre os tipos de instrumentos musicais (sopro e percussão) e a diferença entre um estilo e outro de música (erudita e popular).

No fim da apresentação, as crianças puderam até mesmo “reger” a Banda. O Grupo Artístico conta com apoio da Escola de Idiomas CCAA, que patrocinou as camisetas dos músicos, separadas em cores, por naipes de instrumentos, para melhor visualização da criançada.

*Prefeitura de Cubatão

Comédia Oficina dos Farrandantes animará as praças de Santos

Rodrigo Alves, Letícia Barbosa, Witany Alexandre, Andressa Amaral, Roberto Gomes e Val Nascimento (1)Atrasada pra festa, sozinha dentro de um carro quebrado e, ainda por cima, vítima de um assalto. O que pode ser muito bem um drama para muita gente se torna em uma verdadeira comédia no espetáculo de rua “Oficina dos Farrandantes”, culminando nos próprios ladrões a consertar o veículo da moça. Esta cena um tanto inusitada e outras mais acontecerão nesta segunda-feira, dia 18, às 16h, na Praça da Capela (Vila Gilda), terça-feira, às 16h, na Praça Guadalajara (Nova Cintra) e quarta-feira, às 16h, na Praça José Bonifácio (Centro Histórico).

O humor permeia toda a montagem, resultado da oficina gratuita de iniciação ao teatro popular realizada pelo Projeto Ciclocênico no Mercado Municipal faz uns três meses com os professores Daniel Valverde, Ernani Sequinel e Fabíola Moraes. Em plena praça pública, os sete alunos-atores se revezarão em cinco cenas, envolvendo a farsa, a comédia dell’arte e o melodrama. Portanto, espere um teatro de rua caricato, exagerado e também inteligente, ingredientes mais que suficientes para arrancar risos dos espectadores.

E nada de cenários ou figurinos. Apenas as máscaras dos teatros clássicos restarão como adereços do elenco de roupas neutras em sua semana de estreia ao ar livre. Portanto, a interpretação é o ponto alto das esquetes, que, aliás, foram criadas pelos próprios atores. “O elenco teve uma evolução muito grande com essa iniciação teatral”, anima-se Platão. “Se antes eram tímidos em encenar na rua, hoje eles apresentam com grande energia e vontade a população”.

Mas certamente o entrosamento deles após tantas semanas também se deve ao fato de que o teatro estimula o protagonismo das pessoas. “As discussões, trocas, o estímulo da sensibilidade e da capacidade crítica, além das buscas coletivas e solitárias que envolvem um processo de criação artística… Todos esses são meios de conquista da autonomia e de mudanças no campo individual e social”, já me disse Platão noutra oportunidade.

Entre os alunos-atores, há uma mesca de adolescentes e idosos de várias cidades da Baixada Santista, como Santos, São Vicente e Mongaguá. A proposta é de que eles permaneçam nas companhias teatrais do Ciclocênico. Em breve, novas turmas de teatro popular serão abertas pelo projeto na futura sede da entidade.

O projeto Ciclocênico é uma parceria dos dois grupos Teatro Wídia e Coisas de Teatro Cia. de Arte. A iniciativa criou o espetáculo “Farrandança”, sucesso de público e crítica na Região e que fará temporada em várias escolas dos municípios de São Paulo neste ano. Essa oficina é uma contrapartida da peça contemplada pelo Facult – Fundo de Apoio à Cultura de Santos.

Braz Cubas recebe exposição ‘Liberdade Quarenta e Quatro’

Um dos mais antigos coletivos de artes visuais da Baixada Santista, o Atelier Oficina 44 lança sua exposição Liberdade Quarenta e Quatro hoje (12 de agosto), às 19h, na Galeria de Arte Braz Cubas (Av. Pinheiro Machado, 48/Santos). A exposição estará aberta ao público até o dia 31 de agosto. O horário de funcionamento é das 13h às 21 h de segunda à sexta-feira, e das 10h às 19 h, aos sábados, domingos e feriados.

“A exposição reúne trabalhos em diversas mídias e suportes que expressam a riqueza do fazer artístico. O título da mostra faz uma referência ao endereço do Atelier, Rua Liberdade, número 44, onde o grupo trabalha desde 1995”, explica o coordenador de Museus e Galerias da Prefeitura de Santos, Murilo Netto. “Ao longo de quase 20 anos, passaram pelo coletivo uma série de talentosos artistas plásticos, arquitetos, ourives, músicos e profissionais de teatro. Atualmente, o Atelier continua mantendo sua proposta inicial de funcionar como oficina de criação e iniciativas culturais”. Confira abaixo os artistas que terão seus trabalhos expostos na mostra:

Chico Melo – Utiliza a assemblagem para compor com diversos materiais, cores e formas buscando a tridimensionalidade em todas as suas obras.

Telles – O escultor parte da argila como matriz para desenvolver seu trabalho em diversos materiais, como cerâmica, resina sintética e metais.

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Valério da Luz – Mostrará uma relação entre as várias possibilidades e contextos que as artes visuais oferecem: pintura, assemblagem e grafite. Linguagens que embora distintas, pelas mãos de Valério revelarão um só conceito.  Na noite de abertura, o artista apresentará a performance “Game Over”, com projeções  que espelham sua   pesquisa visual.

Márcia Zanin – Utiliza o desenho como suporte para seu trabalho artístico; e a colagem com papéis diversificados, lápis, aquarela e giz pastel seco, para desenvolver temas figurativos e surreais.

Simone Campos – Seu trabalho se constitui em um universo gestual, figurativo, e se apresenta em vários tipos de papeis, lápis aquarela, canetas coloridas e materiais reutilizáveis como peles sintéticas de instrumentos de percussão e fundos de caixas de papelão.

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Márcia Eliezer – Em sua obra, a técnica ancestral da marmorização fiorentina assume um viés contemporâneo quando aplicada sobre a seda, outros tipos de tecidos ou superfícies, formando seqüências de desenhos abstratos e gestuais, para criar um universo que varia do monocromático ao multicolorido.

Chimenti D. – Da somatória de sua  bagagem cultural e artística européia, e das novas influências sul-americanas do artista, nasce uma pintura contemporânea pessoal, de cores acesas, e uma linguagem que vai do telúrico ao onírico.  A pintura de Daniele Chimenti exalta o amor extremo pela mãe natureza.

Ale Straub – Artista plástico, produtor musical e fotógrafo. Desenvolveu o trabalho “Música Sobre Tela”, que juntamente com parceiros, em apresentações ao vivo, apresentava um mix de música e pintura. Atualmente desenvolve pintura sobre telas de temas ligados aos ritmos musicais.

*Murilo Netto

A cura para as artes visuais na Exponatório Geral

a1Da capa em preto e branco de um cortiço do Centro Histórico até a última página com a pose colorida da modelo Juliana Caldas, de 1,22 metro, já se passaram mais de uma dezena de edições mensais, obras de 360 artistas, 936 páginas e 50 mil visualizações da revista online Sanatório Geral (acesse). Trata-se de um projeto virtual idealizado há um ano e agora disponível na Exponatório Geral, mostra de fotografias que segue até o dia 30 na Oficina Cultural Pagu (Rua Espírito Santo, 17/Santos).

Em fevereiro de 2013, a publicação online e gratuita de artes visuais era uma vontade do estudante de designer gráfico, Betinho Neto. “Queria realizar uma iniciativa que envolvesse os meus estudos, a arte e também se tornasse um projeto colaborativo, livre”. Na época, convidou amigos para escreverem crônicas sobre o ‘lado B’ de Santos e lançou nas redes sociais uma campanha para enviar imagens sobre o tema urbano. Para o próprio idealizador, “um susto”, já que em poucos dias, recebeu trabalhos de 26 fotógrafos – um deles é do Amazonas.

A revista diagramada em cinco dias com pouco mais de 60 páginas foi lançada durante a Vitrolada no Torto MPBar. E quando as páginas digitais eram passadas no telão do ambiente, encantando os frequentadores, a equipe percebeu que o projeto ganhou vida. E crescia uma legião de loucos para acompanhar o site com as novidades da Sanatório Geral.

Aliás, Betinho explica como surgiu o nome: “Pensei em vários nomes e palavras. E uma palavra foi levando à outra. A arte enquanto loucura, o louco então no hospício, o hospício como um Sanatório. E Geral, por causa da quantidade de colaboradores logo na estreia”.

Repercussão

a2Com a repercussão, a insanidade de uma publicação online ganhou contornos mais reais. “Nos meses seguintes, busquei referências e inspirações em revistas impressas de artes para criação das editorias”, ele comenta. A partir daí, além dos textos e crônicas de convidados, ela quase dobra o número de páginas com a Cadeira Elétrica (entrevistas com artistas), Lobotomia (reportagens), entre outras seções e matérias.

Em cada publicação, um novo tema, como o fim, a brincadeira, o teatro, o cinema, a diversidade e o sexy. “Podemos escolher qualquer tema. Até porque a arte não pode ser censurada, desde que haja a estética. Aristóteles já dizia que só é feio aquilo que não cumpre o seu papel”, comenta Betinho. “Queremos instigar, transformar os nossos leitores”.

E a imensidão de pessoas que compartilha dessa mesma vontade provocativa vive a aumentar, com a participação de personalidades. Pela Sanatório Geral, há textos e entrevistas de artistas como Eva Wilma,Beth Goulart e Xico Sá, a cineasta Laís Bodansky, a sexóloga Laura Muller, entre outros.

Betinho complementa: “A nossa equipe diz que a revista nos salvou. Fazemos o melhor por ela, doamos nossa criatividade e sentimento. Esse é um trabalho intenso, guerreiro. Como uma resistência pelas artes visuais, ainda mais numa Cidade que perdeu uma das melhores bienais do ramo”. Ou seja, a arte como um próprio remédio para tantas pessoas.

*Adaptado de texto publicado originalmente no jornal A Tribuna em 2/fev/14
P.S.: Fotos do acervo pessoal do Betinho Neto