Arquivo da categoria: Artes visuais e plásticas

Alexandre Bar celebra mais de 25 anos como ilustrador

Charges políticas, histórias em quadrinhos infantis, livros de RPG e até zumbis em 3D. Nenhum desses temas escaparam das mãos do ilustrador santista Alexandre Valença Alves Barbosa, o Bar, que celebra mais de 25 anos de caminhada profissional.

A paixão com desenhos, claro, vem desde os três anos de idade, segundo Bar. “Meus pais trabalhavam fora e minha babá eletrônica foi a tevê. Desde aquela época, queria copiar os desenhos animados. Tentava fazer caubóis”. Ainda novo, aos 9 anos, foi para um curso de ilustração, mas foi dispensado na aula inicial: “O professor disse para minha mãe que as técnicas limitariam minha criatividade”.

02No fim dos anos 80, pela primeira vez assinou uma obra: foi uma charge publicada em A Tribuna. “Era sobre as eleições municipais, e já que havia o ex-prefeito Paulo Barbosa, portanto, em vez de Barbosa, escrevi Bar”. A tinta borrou levemente a assinatura. E tal erro virou estilo no nome do artista.

Sua assinatura está disseminada em várias imagens, desde títulos de aventuras medievais até gibis. “Prefiro RPG, pela possibilidade de criar o universo das narrativas. Mas ambos os trabalhos têm suas dificuldades, enquanto você precisa ser detalhista em RPG, também tem que fazer o simples e direto ao lidar com crianças, um público muito especial”.

04Mestre em Ciências da Comunicação pela USP, Bar se aprofundou em estudos acadêmicos sobre Quadrinhos Históricos, recriando a vida de José Bonifácio e da colonização de Bertioga em páginas infantis.

Atento na relação das artes visuais com a educação, publicou livros e, hoje, como professor da Unisanta, têm domínio sobre os programas de animação em 3D: “Com plastilina (pasta de plástico), também monto os personagens para mostrar mais da anatomia aos alunos”.

03Aliás, suas miniaturas e bustos esculpidos de 15 centímetros estão dispersos em seu lar e no armário da universidade. “Falta espaço em casa”, brinca. Amante do trabalho, às vezes, passa o dia inteiro entre pesquisas e esboços no computador. Nos anos 90, comprou seu primeiro computador só para aprender a fazer imagens no tablet (mesa digitalizadora).

E Bar vive interagindo com outros profissionais das artes visuais. Diz-se influenciar pelas técnicas de outros artistas. Foi numa vez trocando e-mails com um norte-americano que recebeu a indicação dos livros de Andrew Loomis, sua maior referência. “A minha dica para quem quer trabalhar nessa área é nunca achar que está desenhando bem, senão nunca vai querer melhorar”.

*Publicado originalmente em 27 de julho de 2013

Os quadrinhos de encher os olhos de Ivan Reis

Os poderes do Superman, Mulher Maravilha, Batman, Aquaman, The Flash, Lanterna Verde e de uma legião de super-heróis passam atualmente pelas mãos de um brasileiro. “A cobrança, a pressão e a camisa pesam”, diz Ivan Reis, desenhista da Liga da Justiça, da DC Comics.

Aos 36 anos, ele tem a responsabilidade de esboçar a trajetória de personagens com décadas de histórias consagradas nos quadrinhos. Por exemplo, o Homem de Aço e o Homem-Morcego têm, respectivamente, 75 e 74 anos.

04“É um sonho poder ter a oportunidade de trabalhar com o que tenho prazer”, empolga-se Reis, então envolvido na saga A Guerra da Trindade. Considerada a principal série da DC Comics de 2013, a saga reúne o embate de três gerações de heróis: a tradicional Liga da Justiça, a Liga da Justiça da América e a Liga da Justiça das Trevas. Em janeiro, assinará as capas da Mortal Kombat X.

Carreira sem dinheiro

Nascido em São Bernardo do Campo, Reis passou a adolescência folheando a vida de ‘Conan, o Bárbaro’. As ilustrações de John Buscema enchiam os olhos: “pela questão estética, mesmo. Era preto e branco, diferente das outras revistas”.

01Logo decidiu se aventurar no mundo dos quadrinhos. Aos 14 anos, já desenhava as ‘Histórias Reais de Drácula’, da Bloch Editora, rodeado de contos de horror e de sensualidade por dois anos. Ele ri: “Os moleques sempre pediam para desenhar mulheres na classe”. Aliás, vivia treinando esboços: “No colegial, rabisquei todo o meu caderno de filosofia”.

Os pais se orgulhavam de sua vocação. “Eles me levaram até o escritório de um intermediário da editora, porque ele não tinha me pagado. Depois, me mandou uma carta, para desistir da carreira por não dar dinheiro”. Reis descartou o conselho e trabalhou com o Maurício de Sousa até os 19 anos.

Define a experiência como uma faculdade. “Eu ficava feliz vendo os gibis na banca”. Uma boa lembrança do título infantil foi quando ilustrou o encontro da Turma da Mônica com o Superomão, Batimão e outros heróis parodiados: “O Anjinho salvava todos os heróis, no final, o Diabão o pegava e ele que era salvo pela Mônica. A moral era que todos têm seu anjo da guarda”.

Futuro rascunhado

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De certa forma, sua narrativa favorita da Turma da Mônica era um rascunho de seu futuro: logo foi convidado para trabalhar no mercado norte-americano, passou quatro anos fazendo os traços da revista Ghost, da editora Dark Horse, e outros quatro de Lady Death, da Chaos!. Ao mesmo tempo, ilustrou sagas da Marvel, da Princesa Xena e de O Máscara.

Aos 27 anos, ganhou um contrato da DC Comics, sendo o primeiro brasileiro a desenhar regularmente o Homem de Aço. “Quando fui contratado, fiquei um mês inteiro desenhando o S, porque é o Superman. Ele está no inconsciente coletivo, tem um dos símbolos mais conhecidos do mundo”.

Rabiscar o mais famoso kriptoniano foi a realização de um sonho infantil. “Eu cresci indo aos cinemas, naquelas salas enormes, vendo os filmes do Superman”. Aliás, ao contrário de muitos fãs, ele adora ver os heróis nas telonas: “As adaptações são necessárias. É impossível transportar para o cinema anos de história dos personagens”.

03Na DC, Reis também desenhou a saga do Lanterna Verde por quase cinco anos e, em seguida, escolheu realizar as páginas do Aquaman. “Era um desafio ir de um dos títulos mais importantes para a franquia do Aquaman, porque ele é considerado um herói menor”. Resultado: a revista foi uma das dez mais vendidas por dois meses, batendo as vendas de todas as tiragens da Marvel. Na época, até criou a Ya’Wara, uma heroína brasileira para acompanhar o rei dos mares.

Dos sentimentos para os traços

Apesar de ser desenhista das principais empresas dos Estados Unidos, Reis esboça os personagens dentro de sua própria casa, em São Paulo: “Em média, faço uma página por dia, que leva em torno de 6 a 8 horas”.

Guiando-se no texto do roteirista Geoff Johns, o brasileiro literalmente dirige uma cena: “Quando vou desenhar, de certa forma, vou estar providenciando o elenco, o figurino, a luz, o enquadramento da câmera. Então tenho que saber desde moda até arquitetura”. Assim, repassa o “filme” para Joe Prado, responsável pela arte-final da publicação.

Se na adolescência, tinha problema de desenhar mãos dos personagens, hoje, sua única dificuldade é traduzir sentimentos dos heróis em traços: “Essa é a magia dos quadrinhos”.

*Publicado originalmente em A Tribuna em 7 de julho de 2013

Bruno Bispo e Victor Freundt juntos no universo HQ

“O caminho é o vazio e seu uso jamais o esgota”. São tais versos de Lao Tzé no ‘Livro do Caminho e da Verdade’, datado entre 350 e 250 a.C., que influenciaram Tao, conto em quadrinhos dos santistas Bruno Bispo e Victor Freundt. A breve história foi publicada em terras lusitanas e, de tão aclamada pelo público, concorreu ao 11º Troféu Central Comics de Portugal em 2013. Para Bispo, “só de estrear em concursos, já estamos bastante empolgados”.

O conto autoral surgiu após o convite para a dupla desenhar uma obra de temática oriental na revista Projeto Zona. Era a sétima colaboração dos quadrinistas ao título. Bispo relembra: “As primeiras coisas que nos lembramos era de O Tigre e o Dragão, dos lutadores de artes marciais e do yin-yang (símbolo do taoísmo)”.

04O jeito foi narrar a batalha interior de um monge entre as virtudes e as maldades, representados respectivamente pelos dois animais lendários (o tigre e o dragão). Assim, em três meses, as múltiplas ideias se encaixaram perfeitamente nas seis páginas da revista.

“No início, tinha imaginado um pôster gigante, com um único desenho, mas precisamos nos adequar ao formato. Bem, já é costume idealizar a história de um jeito e, no papel, sair bem diferente”, comenta Bispo. Não por ser um trabalho a quatro mãos, mas porque, “sempre os personagens guiam naturalmente seu caminho”. E nesses dez anos, já existe um universo de tramas e personagens traçados pela dupla.

Arte entre vizinhos

Os dois colegas moram a uma quadra de distância na Avenida Ana Costa. No entanto, conheceram-se pela primeira vez no Sesc, em um curso de histórias em quadrinhos (HQs) nos finais de semana de 1998. Bispo já admirava as ilustrações do Freundt. E vice-versa.

02A proximidade dos lares e a afinidade dos gostos por videogame e filmes de terror resultaram na duradoura parceria pelo mercado independente das HQs. “É uma relação de melhores amigos, quase irmãos”, diz Bispo. A cumplicidade é tamanha que ambos agendaram seus matrimônios no mesmo semestre e, respectivamente, são padrinhos de casamento.

Até mesmo no processo criativo, o roteirista e professor de artes Bispo aceita as ideias do colega ilustrador. Por sua vez, Freundt recebe os palpites do companheiro: “O quadrinho tem de ser feito em parceria. É uma solução agradável, porque muitas vezes o desenhista sabe só desenhar, não faz um bom roteiro”.

Freundt nem reclama de ter que, após o expediente na agência de design, avançar as madrugadas para esboçar as páginas. “Temos muito tesão pela arte”. O primeiro trabalho em conjunto surgiu apenas em 2009. Foram 144 páginas da HQ virtual ‘Ponto Zero’. Os mistérios sobrenaturais envolvendo o detetive Miguel Matoso foram bem recebidos pelos internautas.

01“Estava na plateia de uma palestra e, por alguma razão, citei o ‘Ponto Zero’. Um cara lá se levantou dizendo que era meu fã”, orgulha-se Freundt. Como portfólio, a obra de seis edições rendeu novas histórias para a dupla: os quadrinhos são estudados por alunos da USP, além dos convites para divulgarem suas artes em revistas nacionais Subversos, A3 e no Projeto Zona de Portugal.

Aficionados por filmes de terror, a maior parte dos trabalhos dos dois tende ao gênero, mesclando aliens e zumbis no dia a dia dos centros urbanos. Por exemplo, “Rosa Negra foi a HQ que tivemos mais carinho, dedicação”, cita Freundt. Inspirados no curta-metragem ‘Amor Só de Mãe’, eles traçaram a vida de uma bruxa obcecada por um amado que sofria de envelhecimento precoce.

No entanto, os santistas são abertos a experimentações: já desenharam contos infantis e brincam com a diagramação de suas narrativas. “Certa vez, diagramamos a borda de todos os quadros em forma de letras”.

A diversidade das páginas entusiasma o ilustrador Freundt, que já atuou na Mad e no Mundo Canibal: “É muito maior a satisfação em fazer um trabalho autoral e independente do que ir para o mercado comercial. Veja, The Walking Dead virou até série de tevê. E as feiras e exposições acolhem obras autorais”.

*Publicado originalmente em A Tribuna em 15 de julho de 2013

 

Espaço Tuim e O Frame abrem vagas para curso de fotografia

O Espaço Tuim e o Foto Clube São Vicente – O Frame abrem inscrições para a turma de seu curso de fotografia ampliado, a iniciar em janeiro de 2015. A partir do dia 13, as 20 aulas serão às terças e quintas-feiras, das 19h30 às 22 horas, totalizando 50 horas. Elas serão ministradas pelos fotógrafos Stan e Ivy Freitas. Esta parafraseia Cartier-Bresson para justificar esta capacitação: “De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo”.

A proposta do curso de é que os alunos tenham uma maior experiência com estúdio, efeitos de iluminação, flash, técnicas fotográficas e tratamento básico de imagens. Entre as saídas fotográficas, os participantes também terão noções sobre a história da profissão e a teoria das cores, além de entender movimentos artísticos e seus destaques.

“Admiro o trabalho do pintor italiano Caravaggio, deixando de lado sua vida desregrada, enigmático abusava de sombra e luz em seus quadros. O fotógrafo Sebastião Salgado por suas características retrata uma situação mas também a emoção de pessoas em preto e branco”, explica Ivy que iniciou sua carreira a partir de uma exploração fotográfica há seis anos no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

01A paixão que ela tem pela arte também é compartilhada por dezenas de participantes de outras atividades formativas do Frame. A fotógrafa comenta o seu orgulho de ver o sucesso de muitos alunos que se profissionalizam e abriram seu próprio estúdio em São Vicente e Região.

O curso tem valor de duas parcelas de R$ 350,00. Em parceria com a Secretaria de Cultura, há a cessão de uma bolsa integral para a formação. O interessado pela bolsa deve enviar uma carta ao Frame. A organização reserva o direito de adiar ou cancelar o curso caso não atingir o mínimo de 10 participantes, comprometendo-se a transferir a bolsa para a próxima edição. O Espaço Tuim se localiza na Av. Marechal Deodoro, 705, Vila Valença. Informações: 3323-8053 ou contato@fotoclubesaovicente.com.br.

‘Expressive’ de Helmut Schippers é destaque na Galeria Braz Cubas

O artista plástico Helmut C. Schippers exibirá suas pinturas em coquetel de abertura nesta quinta-feira (10/dez), às 19 horas, na Galeria de Arte Braz Cubas (Av. Pinheiro Machado, 48, 2º andar/Santos). A exposição “Expressive” permanecerá aberta até 9 de janeiro, de segunda à sexta-feira, das 13h às 21 horas, e aos sábados e domingos, das 10h às 19 horas.

01Helmut C. Schippers nasceu em Rheydt, na Alemanha, em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial. Suas primeiras pinturas já denotavam interesse pelos temas atinentes à condição humana. Foi no Brasil, entretanto, para onde ele se mudou em 1979, que foi criada a maioria de suas pinturas de teor expressionista. Na época, já formado em engenharia nuclear e, mais precisamente, após sua aposentadoria como diretor de uma importante empresa alemã, em 2001, ele concentrou sua produção em seus dois ateliês, um em São Paulo e outro em Paraty.

Sua paleta apresenta cores fortes, expressivas, calorosas, circunscritas em áreas determinadas. O projeto Expressive mostra os diversos estudos de Schippers que resultam em um trabalho diferenciado. O artista, que já realizou várias exposições no Brasil, apresenta a integração de todos os pensamentos numa exposição menos comprometida com a realidade e com mais foco na imaginação. Suas pinturas a óleo apresentam diversas nuances de cores intensas que permitem aos visitantes interpretações diversas.

*Murilo Netto – Museus e Galerias da Prefeitura de Santos

Ucho Carvalho revisita aquarelas na Pinacoteca de Santos

Ucho Carvalho tem 63 anos, é santista e  expôs suas pinturas regularmente, desde meados da década de 1970 até o final da década de 1990, em Santos e galerias de São Paulo, onde reside há 43 anos. Ucho é publicitário e, atualmente, trabalha como Consultor de Estratégia Visual para marcas e agências de propaganda, no Brasil e no exterior.

Entusiasmado com a nova coleção, Ucho conta: “Há 17 anos fiz ,aqui na cidade, minha ultima exposição de pintura. Desde então não parei de pintar, mas foi tão esparsa minha produção que considero esta volta às paredes públicas, uma retomada importante e emblemática no meu trabalho. Por isso escolhi voltar via Santos, que foi onde tudo começou”.

01Na exposição que será realizada na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15/Santos), o artista vai apresentar 30 aquarelas produzidas especialmente para o evento, em medidas que variam entre 1,05m x 75cm, 1m x 70, 70 x 70 e 70 x 40.“As imagens que apresento, agora, são resultado de trabalho recente e orientado para ser mostrado em conjunto”.

A água é o tema que une os quadros que serão apresentados. “É a água do mar e da chuva, água que para mim muda a paisagem e o humor. As cenas que pintei são lembranças e visões de lugares e situações, são fragmentos da minha memória marinha que, por ter nascido na praia, em Santos, e ter continuado a me corresponder com o mar, definiram grande parte do meu repertório visual”.

A exposição inaugurada no último dia 3 de dezembro segue até 11 de janeiro, com as obras à venda.

Sobre o artista

Arquideto e artista plástico, Ucho Carvalho é, hoje, um dos mais importantes e prestigiados profissionais brasileiros nas áreas de consultoria visual e de imagem.

Iniciou suas atividades como Designer em meados da década de 80. Fundou e manteve por quase duas décadas o estúdio de criação CVS, que tinha entre seus clientes a Rede Globo, Globosat, Editora Abril, Ralph Lauren,Vogue e Pirelli. A partir de então tornou-se especialista em Artes Visuais nas áreas Editorial, Publicitária e  Televisão.

Hoje, além da direção da Asia Branding, trabalha como Consultor do Grupo ABC e também participa de projetos e grupos semestrais de discussão de Tendências e Imagem Estratégica com os Trend Sources Institutes de Paris e Londres.

*Pinacoteca Benedicto Calixto