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Gisele Afeche publica ‘Amar… Simplesmente… Vida’

Amor de filha, de namorada, de esposa, de amiga. As diferentes formas de um mesmo sentimento da poeta santista Gisele Castro Afeche estão reunidos nos 48 poemas do livro ‘Amar… Simplesmente… Vida’, da Editora Pragmatha, lançado este ano.

Cada poesia é uma página da vida da artista, desde seus escritos para a mãe na infância de 1975 até versos mais recentes do mês passado. Seja assistindo a uma aula na faculdade ou seja caminhando na praia, Gisele aproveitava a inspiração para traçar estrofes em minutos num papel. Declarações de amor às pessoas de seu convívio.

01“Ao todo, escrevi 260 poesias em minha vida, mas serão editadas em quatro livros temáticos”, fala a artista que, por isso, já revela no título do seu primeiro livro o tema da próxima obra: vida.

Também publicará poemas sobre cidade e natureza no decorrer dos anos. A periodicidade varia do estoque. A primeira tiragem será de 200 exemplares. “Se o leitor entender a minha emoção e perceber que já sentiu o amor, estarei realizada”, diz Gisele.

Em diferentes páginas, variados tipos de poesia: versada, sonetos e até concretas, mas todas com a mesma sensibilidade da autora, influenciada desde jovem pelos textos de Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Cecília Meirelles.

02Aliás, Gisele é uma eterna jovem, “porque só envelhece quem não quer se reinventar”. O livro é uma realização pessoal dela, que tem formação e atua como musicista, cantora lírica, pianista, regente de coral, terapeuta holística, chefe de sobremesas gastronômicas e professora de inglês e francês.

Após décadas vivendo na França e Inglaterra, há um ano, Gisele retornou para Santos, dando aula de línguas e regendo corais infantis e para adultos – tudo que ela mais ama, até porque “o amor não se explica, ele acontece”.

*Publicado originalmente no Expresso Popular em 21 de maio de 2014

‘Esquinas do Mundo’ reata literatura e porto em ensaios

O porto em nossa Cidade interfere na rotina de milhares de contêineres, de centenas de trabalhadores e de um quarto da vida do jornalista e historiador Alessandro Atanes. Aos 40 anos, ele lança obra que rendeu uma década de estudos: ‘Esquinas do Mundo – Ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos’.

“Estou muito feliz por compartilhar minhas pesquisas”, entusiasma-se Atanes em seu primeiro livro autoral, embora já tenha traduzido as obras ‘Voo de Identidade’ (do peruano Óscar Limache) e, em um único volume, ‘À Espera do Outono’ e ‘Viagens Imaginárias’ (do também peruano Javier Heraud), ambos pela editora artesanal Sereia Ca(n)tadora.

01É muito nítida para o escritor a imagem do porto como uma esquina, um ponto de encontro dos viajantes: “Até a popularização do avião nos anos 50, as pessoas precisavam viajar de navio. E Santos, ainda importante pela grande produção de café, era uma porta de entrada para o Brasil”. Entre as evidências, cita artistas internacionais que, ao passarem pela Cidade, faziam turnês nas antigas boates da então Boca de Ouro (Centro Histórico).

Porém, aprecia mais a visita dos escritores estrangeiros. Por aqui desembarcaram navios com o suiço Frédéric Louis Sauser, o chileno Pablo Neruda e a norte-americana Elizabeth Bishop, todos recitando a Cidade em seus versos.

Também há as “pratas da casa”, como Rui Ribeiro Couto, Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade e os contemporâneos Madô Martins, Ademir Demarchi e Alberto Martins que entre seus repertórios, dragam o município com sensibilidade aos seus leitores.

“O que tem de textos sobre Santos, que não é uma capital, é um negócio absurdo”, surpreende-se Atanes. “Estou há anos pesquisando e sempre há um texto novo. Recentemente, encontrei um texto de Saramago sobre a viagem de um de seus personagens a Santos”.

02Ciente das dezenas de obras ficcionais sobre o porto, o autor escreve 11 ensaios analisando tal relação: “As narrativas não relatam detalhes históricos, mas elas mostram a mentalidade das pessoas que viviam na época”. Portanto, ele vive a extrair história da literatura.

Origem da extração

Quando adolescente, cresceu entre o Macuco e a Vila Mathias, assistindo de longe aos movimentos dos guindastes dos terminais. Escutava as histórias de seu tio e primo estivadores. No entanto, seu gosto pelo assunto começou em 2001, ao graduar-se no Mestrado em História Social pela USP. Encontrou parte de sua vida atrelada ao porto ao buscar contos da Cidade.

Ao se deparar com um catálogo feito pela historiadora Wilma Therezinha de Andrade de livros sobre o município, comprou em um sebo Navios Iluminados (de Ranulpho Prata) e, desde então, navega atrás de mais narrativas sobre o tema. A análise do romance gerou a dissertação aprovada em 2005.

A partir daí, de modo paralelo, pesquisava e escrevia em uma coluna do site Porto Gente (portogente.com.br). Leu dezenas de obras e reuniu 700 páginas de crônicas. As histórias também foram partilhadas nos últimos anos na Estação da Cidadania de Santos, onde ministra semanalmente um curso literário.

Faltava tornar suas análises palpáveis. Premiado pelo Fundo Municipal de Assistência à Cultura em 2012, debruçou-se no projeto de converter as crônicas em ensaios temáticos entre maio do mesmo ano ate o início de 2013. Prezando a densidade nos textos, ressalta: “prefiro confiar que as pessoas queiram aprender com tamanhas informações”.

Agora, eterniza seus registros em ‘Esquinas do Mundo’. Com 140 páginas, a publicação da Editora Dobra tem capa de Raphael Morone, com prefácio assinado pelo poeta Marcelo Ariel.

*Publicado originalmente em A Tribuna em 5 de abril de 2013

 

Michel Laub, conciso na fala e na escrita

Michel Laub não persegue respostas. Sua fala ágil e breve desafia a acompanhar o raciocínio de um dos autores mais produtivos da última década. Desde 2001, o então jornalista coleciona seis romances – o último lançado em 2013 é “A Maçã Envenenada”.

02A prosa escrita se assemelha à oral: o tom sóbrio e detalhista em vez de adjetivos, sentimentos e até da dúvida do que o leva a redigir, em uma análise quase sem rumo. “Escrevo, cara, provavelmente por uma necessidade de expressão emocional. No fundo, é um mistério”.

Diz não entender o porquê de publicar as palavras. “Não há fundo moral no texto, isso é muito ambíguo entre os personagens”. E é esse jeito sincero e descritivo da narrativa – as ficções são contadas em primeira pessoa – que cativa os leitores.

Um presidiário escreveu uma carta a ele por ter se emocionado com o livro de estreia, “Música Anterior”, sobre a trajetória de um juiz casado com uma mulher estéril e um homem condenado por pedofilia.

Tema jurídico denso que Laub tem propriedade, pois é formado em Direito. Ele não insere suas tramas em cenários desconhecidos. “Ou é porque eu vivi, ou li, ou escutei experiências alheias”. Filho de judeus e craque de futebol na adolescência, ambientou bem os relatos ficcionais “Diário da Queda” e “O Segundo Tempo”.

03O primeiro aborda a relação conturbada de três gerações judaicas, quando o neto reencontra as histórias de seu avô, sobrevivente do Holocausto em Auschwitz. No outro título, um garoto precisa contar ao irmão mais novo sobre os problemas familiares de seus pais em pleno clássico gaúcho Gre-Nal.

Os relacionamentos familiares e amorosos (no caso de “O Gato Diz Adeus”) não são o mote das tramas à toa. Trata-se de fatos íntimos dos heróis com qualidades e defeitos escancarados em páginas, nas quais a escrita é uma solução em meio a uma crise psicológica (como em “Longe d’Água”) para tentar alcançar o amadurecimento. “Sem nossa memória, não nos sobra nada. A vida é feita de escolhas e também depende do passado”, enfatiza.

Leitura desde a infância

O gosto pela leitura vem da infância. Mal se recorda dos livros clássicos de figuras grandes além de “O Patinho Feio”. Daí, pulou para os quadrinhos de terror, depois se voltou para a literatura adulta. Claro que, no meio tempo, divertia-se no skate, surf e em uma banda de rock. No ramo jornalístico, tornou-se editor-chefe da revista Bravo! e assinou coluna no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo.

Cada gênero de texto exige suas próprias técnicas. “Sou colunista desde dezembro, ainda estou aprendendo com os toques dos meus leitores em como escrever assim”. Mas ressalta que o jornalismo contribuiu para redigir rápido. Nas obras, concentra-se demais na trama central, por isso, é sucinto em comparação a outros autores (os romances se limitam a 150 páginas), já que não se preocupa com histórias paralelas.

01Nos primeiros livros, digitava nas horas vagas, em plena redação, com uma letra pequena para evitar bisbilhoteiros. Nas obras mais recentes, por serem feitas em casa, desfez-se de tal mania. No entanto, ainda se importa com cada frase e parágrafo. “Caminho de acordo com a narrativa, é uma angústia a dificuldade de escrever”. Assim, até deduz o início do capítulo, mas o fim dele é arquitetado aos poucos.

Lê e relê por vezes durante a construção da obra, mas pouco se permite a abrir sua publicação pronta. “Todo escritor é perfeccionista. Eu prefiro não ver, porque normalmente acho coisas que gostaria de melhorar”.

Um quarentão comum

Enfim, o gaúcho, ao se especializar em títulos de protagonistas que redescobrem suas memórias, mantém uma carreira diferente de boa parte dos escritores. Lançado em 2011, “Diário da Queda” recebeu o Prêmio Brasília de Literatura, Prêmio Bravo/Bradesco de Melhor Romance e foi traduzido para 19 países, entre eles, Espanha e Inglaterra.

Mesmo assim, recusa-se a considerar que sua vida é incomum. “Sou como qualquer pessoa. Minha vida aos 40 será diferente de quando era adolescente. Eu filtrava as coisas de outro jeito”. Se antes debruçava-se em Agatha Christie e Rubem Fonseca, quando adulto curtiu a narrativa de Albert Camus e Herman Hesse. Não tenta imitá-los ou seguir sua influência, prefere criar, a cada título, seu próprio estilo.

 *Publicado originalmente em A Tribuna em 16 de abril de 2013

Guerra e amor em ‘Danielle’, 1ª ficção de Gilberto Mendes

A suspeita de submarinos alemães em nossa orla, em 1944, disparava uma sirene. Bairro a bairro, eram apagadas as luzes em postes, casas e nos faróis dos bondes. Com o blecaute, um silêncio pairava na Cidade e despertava as reflexões do compositor santista Gilberto Mendes.

As mesmas memórias de Mathias Emanuel, protagonista de “Danielle: Em Surdina, Langsam” (Editora Algol), primeira ficção do maestro de 92 anos. Ele já tinha escrito “Uma Odisseia Musical”, em 94, e “Viver Sua Música com Stravinsky em Meus Ouvidos, Rumo à Avenida Nevskiy”, em 2009.

01O personagem principal atravessa muitas experiências vividas pelo autor nas décadas de 30 e 40, principalmente, os resquícios das batalhas da Revolução de 32 e da 2ª Guerra Mundial. “Uma vez estava sentado na areia quando aviões de guerra trocavam tiros de metralhadora. Em outra ocasião havia pedaços de um navio espalhados pelas praias de Guarujá”, relembra o compositor.

Tempos em que as informações sobre as batalhas se perdiam pelos continentes, a ponto de o nazismo suscitar a admiração dos santistas. “Eram muitos panfletos e propagandas. Imagens muito vistosas do exército alemão, elogiando a recuperação do país após a 1ª Guerra”, detalha ele, na época, sem entender bem o contexto geopolítico.

Já o personagem Emanuel, mais sagaz, envolveu-se cedo como militante político. Mesmo de origem humilde, filho de estivador, aprendeu a tocar piano com uma professora particular. “Já minha maior frustração foi só começar a tocar aos 20 anos”, decepciona-se o autor. Portanto, o protagonista mal alcançava a mocidade quando animava as noites do fictício Bar São Petersburgo.

Inaugurado por dois refugiados russos, o estabelecimento localizado na Praça Barão do Rio Branco era um entre as dezenas que compunham a Boca de Santos, no Centro. Aliás, as páginas do livro traçam um roteiro do bairro com boates e bares em seu pleno auge. Seguindo o estilo de James Joyce, Mendes brinca que jamais recorreu a jornais antigos ou pesquisas para nomear os cenários da obra: “Claro que eu me recordo de lá, moro há cerca de 90 anos em Santos”.

02

O herói preferia as noites boêmias com os amigos da elite (advogados, médicos) aos shows e até mesmo às companhias femininas que atuavam no meretrício. É porque seu coração já pertencia a uma menina de família judia que veio ao município, Danielle. E no vai e vem da rotina artística de Mathias, o tom desse reencontro beira a uma valsa, entre pausas e poesias. Por isso, o subtítulo do livro (do alemão, langsam significa lentidão).

Influências

Desde criança, Gilberto Mendes diz experimentar outras vidas ao se dedicar à literatura. Das fábulas de “Terramarear” assinadas por Monteiro Lobato ao realismo de Machado de Assis e Eça de Queirós, ele herdou da família a paixão pela leitura: “Meu pai era apaixonado por Eça”. Marcou-lhe profundamente a estética de Aluísio Azevedo, em “O Cortiço”. Na lista de prediletos, figuram Tchecov, Dostoiévski e Joseph Conrad. Confessa que não se dedicou aos franceses Balzac e Victor Hugo. Nada impede de lê-los em breve, já que os livros lhe servem de referência, mesmo que nem estejam guardados em casa (por causa da asma, desfaz-se de livros mais antigos, mofados).

“Danielle não foi planejado, aconteceu aos poucos, nos últimos três anos”, revela Mendes. Dependeu inteiramente de inspiração. Às vezes, demorava meses para retornar a escrever em prancheta e repassar o texto para o computador. Somente quando digitou o ponto final, aceitou mostrar as páginas à família e à editora.

*Publicado originalmente na A Tribuna em 11 de março de 2013

Realejo Livros lança ‘Quando os mudos conversam’, de Marcus Vinicius Batista

O livro de crônicas Quando os mudos conversam, do jornalista e professor da faculdade de Jornalismo da Universidade Santa Cecília, Marcus Vinicius Batista, será lançado no sábado (13), a partir das 18 horas, na Realejo Livros (Av. Mal. Deodoro, 2/Santos).

01Para lançar o livro, o jornalista recorreu a um financiamento coletivo (crowdfunding), feita no site Kickante, um dos maiores do setor. A campanha obteve êxito em apenas 60 dias e ultrapassou em 13% a meta, arrecadando a quantia de R$ 12.380,00. Foram 152 doadores, sendo quatro empresas da cidade de Santos. O exemplar custará R$ 34,90.

Segundo Marcus Vinicius Batista, o livro é a tentativa de desenhar histórias que podem nos servir de espelho, de como todos, anônimos ou não, temos uma vida a ser compartilhada. “O livro é, acima de tudo, um pedaço de mim mesmo. É a radiografia de caminhos, meus e de outras pessoas, que inevitavelmente me transformaram no escritor que sou hoje, diferente do que serei na próxima crônica a ser escrita”, explicou o autor de Quando os mudos conversam.

*Santa Portal

Biblioteca de Artes abriga eventos literários nesta sexta

O jornalista e mestre em história social Alessandro Atanes é o participante do projeto ‘O autor e sua obra’, nesta sexta-feira (dia 12), às 19h, na Biblioteca de Artes Cândido Portinari, no Cais ‘Milton Teixeira’ (Av. Rangel Pestana, 150, Vila Matias). No evento, ele descreverá o seu trabalho no livro ‘Esquinas do mundo: ensaios sobre história e literatura a partir do porto de Santos’.

A noite também será abrilhantada com o lançamento da tradicional revista literária Mirante, coordenada pelo poeta Valdir Alvarenga que con01ta com obras de vários autores da Região.

Além dos tradicionais autógrafos, o público poderá acompanhar a conferência ‘Vicente de Carvalho, cineasta’, que é tema do livro de Atanes, ministrada por ele mesmo com o uso de projeção de vídeo e cantação de poemas à guitarra.

O livro ‘Esquinas do mundo’ utiliza contos, romances e poemas como fontes de pesquisa para contar parte da história do Porto de Santos. Foi publicado pela Editora Dobra, com recursos do Facult (Fundo de Assistência à Cultura).

*Prefeitura de Santos