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Sérgio Duarte leva o melhor do blues ao Sesc Santos

Com grandes talentos e festivais, o Brasil tem conquistado cada vez mais espaço no cenário do blues mundial e encontrou em São Paulo um de seus maiores palcos e também um de seus maiores músicos, o gaitista, cantor e compositor Sérgio Duarte. Ele estará no Sesc-Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136), nesta quinta-feira (8/jan), às 21h30. Ingressos: R$5,00 a R$17,00.

Esse paulistano é um dos pioneiros e um dos maiores divulgadores do Blues e da Harmônica no Brasil e tem participação nos mais importantes festivais de blues do País. Com grande influência do Blues Tradicional dos grandes mestres da harmônica e tocando com um estilo que poderíamos chamar de ¨old school¨ Sérgio lança seu terceiro CD o ¨Acoustic Blues Harp¨, apresentando o que só 20 anos na estrada do Blues são capazes de ensinar.

Extraindo de sua harmônica timbres puros e limpos e explorando as sonoridades de instrumentos acústicos como do Dobro de Celso Salim e do Baixo Acústico de Rodrigo Mantovani. O resultado é um tributo aos grandes mestres do estilo com músicas que trilham pelos caminhos das sonoridades marcadas pelas raízes do blues.

Sérgio Duarte

02Com 20 anos de carreira, dois CDS e o terceiro em fase de produção, Sérgio Duarte é considerado um dos pioneiros e mais importantes gaitistas do Brasil. Tem influenciado as novas gerações de gaitistas e seu trabalho é elogiado por figuras referenciais do blues mundial, como James Cotton, Sugar Blue e Mark Hummel e o lendário guitarrista Buddy Guy, para quem já abriu shows.

Sérgio começou na música aos 12 anos, tocando violão por influência de bandas de rock como Led Zeppelin e Rolling Stones. Quando passou a se apresentar com grupos em São Paulo, optou pelo contrabaixo. No entanto, numa viagem a Minas Gerais, teve um encontro inusitado – e ponha inusitado nisso: ouviu o som de gaita vindo de uma caverna. Até hoje se pergunta quem era a aquele desconhecido que tocava o pequeno instrumento.

Mas isso já não importa muito. Tão logo voltou para São Paulo. Tratou logo de comprar uma gaita blues. E nunca mais se separou dela. Com o cantor Nasi, integra a banda “Nasi e os Irmãos do Blues” e até hoje participa dos projetos paralelos do ex-vocalista do Ira!.

Além sido, tem em seu currículo importantes festivais, como o de Rio das Ostras (RJ), Guaramiranga (CE), Natu Blues (SP), Sesc in Blues (SP) e Brasília (DF), entre outros. E ainda organiza o evento anual Harmônica & Blues Projeto Brasil, que reúne músicos do País inteiro em uma grande convenção nacional, com workshops e shows.

*Sesc-Santos

 

Jota Quest fará dois shows durante 469º aniversário de Santos

A banda Jota Quest fará show gratuito no dia 25 de janeiro (domingo), às 20 horas, na Praia do Gonzaga (Santos). A apresentação faz parte da programação comemorativa pelos 469 anos da Cidade. Aliás, no dia anterior, Rogério Flausino e sua trupe agitarão o Baile da Cidade 2015.

O evento realizado no dia 24 é promovido pelo Fundo Social de Solidariedade (FSS) e ocorrerá no Mendes Convention Center (Avenida Francisco Glicério, 206). Os convites custarão R$ 300,00 e estão à venda a partir de 2 de dezembro na sede do FSS, à Avenida Conselheiro Nébias, 388, das 8h às 18h.

Serão colocados à venda 1,4 mil convites (arrecadação projetada de R$ 420 mi). O dinheiro será revertido para a ampliação da Vila Criativa, equipamento da Secretaria de Assistência Social (Seas) que oferece qualificação para o mundo do trabalho. Além de ajudar um serviço que atende quem vive em situação de vulnerabilidade social, quem comprar o convite vai concorrer ao sorteio de uma viagem internacional.

Prestação de contas

A arrecadação do Baile da Cidade deste ano foi de cerca de R$ 400 mil e os recursos investidos na construção de um centro de convivência no Morro Santa Maria. A presidente do Fundo Social, Maria Ignez Pereira Barbosa, prestou contas desse trabalho. Mostrou que a obra vai beneficiar cerca de 3 mil pessoas e que o equipamento será entregue antes do próximo Baile da Cidade.

A secretária de Assistência Social, Rosana Russo, disse que a comunidade do Morro Santa Maria é carente de vários serviços públicos e o centro de convivência vai ajudar na proteção social desses jovens.

*Prefeitura de Santos

Festival Frutos da Terra agita Itanhaém

O Verão 2015 de Itanhaém está repleto de novidades na sua programação. Uma delas é o “Festival Frutos da Terra”, no qual artistas da Cidade apresentam seu talento e divulgam seu trabalho, garantindo boa música e diversão para todos. Com uma gama variada de estilos da música poular, como pagode, rock e sertanejo, a atração começa no dia 1° e vai até o dia 4 de janeiro. Os shows serão realizados em quatro pontos do Município: Suarão, Praia do Sonho, Cibratel e Gaivota.

 Os shows do Suarão acontecerão na Praça Nossa Senhora do Sion. Já os shows da orla acontecerão nas praias do Sonho, Cibratel e Gaivota. James Santos, Patrícia Mendes, Novos Praianos, Toque de Sedução, Simples & Funcional, Márcio Moura e Débora & Tassinho são os artistas que se apresentarão nesses locais. Confira a programação completa no Link.

Confira a programação completa:

Praia do Sonho
1° de janeiro 2 de janeiro 3 de janeiro 4 de janeiro
14h-Toque de Sedução 14h-James Santos 14h-Simples & Funcional 14h-Toque Sedução
16h-Patrícia Mendes 16h-Novos Praianos 16h-Novos Praianos 16h-James Santos
18h-Novos Praianos 18h-Débora & Tassinho 18h-Patrícia Mendes
Praia do Gaivota
1° de janeiro 2 de janeiro 3 de janeiro 4 de janeiro
14h-James Santos 14h-Toque de Sedução 14h-Débora & Tassinho 14h-Patrícia Mendes
16h-Débora & Tassinho 16h-Simples & Funcional 16h-James Santos 16h-Novos Praianos
Praça do Suarão
1° de janeiro 2 de janeiro 3 de janeiro 4 de janeiro
19h-Simples & Funcional 19h-Patrícia Mendes 19h-Toque de Sedução 19h-Débora & Tassinho
Praia do Cibratel
1° de janeiro 2 de janeiro 3 de janeiro
15h- Márcio Moura 15h- Márcio Moura 15h- Márcio Moura

 *Prefeitura de Itanhaém

Orla Musical leva entretenimento em Bertioga

Os espaços públicos do Centro de Bertioga receberão intervenções culturais durante o mês de janeiro. A programação do ‘Orla Musical’ elaborada pela Prefeitura de Bertioga, por meio da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura, tem início nesta sexta-feira (02) e envolve atividades musicais, culturais e circenses que acontecerão simultaneamente nos quiosques 1 e 2, na orla da Praia da Enseada, e no jardim do Canal de Bertioga.

As apresentações são gratuitas e o objetivo é garantir entretenimento para todos os públicos, em locais de fácil acesso e ao ar livre. A programação está sendo divulgada semanalmente no Boletim Oficial do Município (BOM) e no site http://www.bertioga.sp.gov.br. O horário para a realização dos eventos foi estabelecido pela secretaria de forma a não interferir na programação de shows que acontecem na Praça de Eventos, dentro do Verão Azul 2014/2015, aos finais de semana, durante o mês de janeiro.

01Algumas apresentações acontecem no mesmo horário, uma vez que ocorrem de forma intercalada entre os grupos, possibilitando intervenções variadas. O destaque na primeira semana do ‘Orla Musical’ são as apresentações dos índios da etnia Pataxó. De 03 a 10 de janeiro eles vão realizar exposição de artesanato e apresentações culturais sempre no Quiosque 1. Confira as próximas atrações:

Sexta-feira (02)
– Musicando e apresentação Cultural da Tribo Pataxó (no intervalo nas apresentações musicais) – 19 horas – Quiosque 1
– Ong Onda Sonora (Grupo 1) – 19 horas – Quiosque 2
– Ong Onda Sonora (Grupo 2) – 19 horas – Canal de Bertioga

Sábado (03)
– Exposição de artesanato indígena da tribo Pataxó – das 10 às 22 horas – Quiosque 1
– Musicando e apresentação Cultural da Tribo Pataxó (no intervalo nas apresentações musicais) – 17 horas – Quiosque 1
– Ensaio Circense (oficina de circo, malabarismo, tecido acrobático e trapézio) – 17 horas – Quiosque 1
– Apresentação cultural Pataxó – 17 horas – Quiosque 1
– Ong Onda Sonora – 17 horas – Quiosque 2
– Felipe Castro – 17 horas – Canal de Bertioga

Domingo (04)
– Exposição de artesanato indígena da tribo Pataxó – das 10 às 22 horas – Quiosque 1
– Musicando (Grupo 1) e apresentação cultural Pataxó – 17 horas – Quiosque 1
– Musicando (Grupo 2) – 17 horas – Quiosque 2
– Projeto Harmonia – 20 horas – Quiosque 2
– Tom Vieira – 17 horas – Canal de Bertioga

Sexta-feira (09)
– Exposição de artesanato indígena da tribo Pataxó – das 10 às 22 horas – Quiosque 1
– Ong Onda Sonora – 19 horas – Quiosque 1
– Felipe Castro – 19 horas – Quiosque 2
– Luiz Moreaux – 19 horas – Canal de Bertioga

*Prefeitura de Bertioga

Arismar do Espírito Santo é o próprio instrumento musical

O santista Arismar do Espírito Santo era um baterista em potencial aos 20 anos, um baixista impecável aos 30, e um dos guitarristas mais prestigiados aos 40, a tal ponto que hoje, aos 57, já não se define como um músico: “Chega uma hora em que o instrumento sou eu”.

E esse senhor instrumento da MPB compôs nas últimas quatro décadas uma trilha versátil, passando pelo xote, afoxé, choro-canção, samba e valsa. Todos esses ritmos culminam no último CD ‘Roupa na Corda’, que ele lançou em 2013 no 40º aniversário de sua carreira.

01Bem, seu primeiro lar já era envolvido em música lá pelos anos 50. Seu pai, um então representante comercial, que dedilhava instrumentos de corda nas horas vagas, encantou-se pela voz de uma cantora de rádio da Cidade. Na emissora, reconheceu-a pelo timbre e logo os dois se apaixonaram e formaram família. Daí, a herança de voz e violão de Arismar, que nasceu em 9 de julho de 1956.

Nos primeiros anos de vida, já brincava com os acordes. “Mas toda criança toca um violão como um contrabaixo, porque puxa a corda”, diz em meio a risadas altas e gostosas. Ele conta animado que, antes dos 10 anos, já tinha um violão para chamar de seu, “era uma delícia viver treinando nas esquinas do Canal 1 e da Rua Quintino Bocaiúva com a praia, no Gonzaga”.

Por gostar demais do compasso das escalas musicais, decidiu pesquisar as batidas da bateria como autodidata: “Arranjava tempo entre a escola e o trabalho em uma livraria”.

Improvisando como Pelé

Estava bem claro para ele que seu único rumo seria a carreira artística. Aos 17, aceitou o convite para ser baterista de uma banda na Baiúca, então famosa casa noturna de São Paulo. “Às 17h30, já subia a serra de ônibus e só voltava para Santos de manhãzinha. De segunda a segunda”. E essa foi sua rotina de jazz, blues e samba até meados da década de 70.

Dessa prática diária agitando casais e rodas de amigos, passou a improvisar com os instrumentos. Inspirava-se tanto nos shows de samba do Wilson Simonal e de bossa nova de Dick Farney, quanto nos treinos do Peixe, na Vila Belmiro.

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“Para mim, aquele time era a orquestra sinfônica da bola. Os adversários queriam morrer com o jeito moleque do Pelé, o regente negro”, empolga-se Arismar com sua fala tão ligeira quanto sua memória. “Ele levantava o braço, e ao receber a bola no peito, já driblava e chutava para o gol. Fazia o futebol parecer fácil, por ser tão criativo dentro de campo”.

O fã santista é tão criativo quanto o jogador. “É porque, como diziam bastante em Santos, tenho ‘alegria nos dedos’”, comenta. “A música tem um lado saudável, pois os cientistas dizem que a sensação de escutá-la faz com que o nosso córtex (uma das camadas do cérebro) pule de felicidade. Como uma oração, um reiki, uma energia boa que gera paz”.

Assim, compara a música como o “passaporte de sua vida”. Foi ela quem o conduziu a uma caminhada de sucesso tocando piano, guitarra e outros instrumentos com Heraldo do Monte, Dory Caymmi, Lenine, Roberto Sion e mais de duas dezenas de artistas e bandas pelos quatro cantos do mundo. Com o seu amigo e também multiinstrumentista Hermeto Pascoal, já viajou em várias turnês por quase dez países da Europa.

02Ele é só elogios ao colega. “O ilustre Hermeto me deixava à vontade para tocar”. O santista também se mostra agradecido a Dominguinhos, que lhe rendeu a projeção nacional. “Em meados dos anos 80, tocamos jazz juntos num festival da Globo. Durante a apresentação na tevê, assobiei por uns dois minutos. Foi impressionante como as pessoas me reconheciam no dia seguinte”.

Raciocínio cruzado

Todos que acompanham Arismar já entendem seu raciocínio cruzado. Não apenas porque cada instrumento que toca é influenciado por outro, mas porque “já teve uma vez, em uma gravação, que errei, tocando baixo pensando que era guitarra. Mas não é que até assim a banda gostou do som?”.

Para ele, os 40 anos de carreira nos ombros só melhoraram sua arte. “Ensaio quatro horas por dia. Essa experiência faz com que minhas mãos sejam mais leves, ágeis. Como se me cansasse menos nos arranjos”. Aliás, arranjos feitos em inspirações quase intuitivas.

“De repente, como uma brincadeira o ritmo vem na cabeça, e começo a causar um ‘pera aí, dá pra criar uma música daí’, e vou buscando harmonizá-la, independente do gênero. A cada dia, aprendo mais”, anima-se o artista, que relaciona o seu trabalho com o de um cozinheiro, que vive testando temperos para novos pratos.

É com essa dedicação que ele produziu as 16 faixas de seu mais recente disco, ‘Roupa na Corda’. Uma obra-prima gravada em apenas três dias, numa fazenda em Itapetininga (SP) – rendendo a segunda indicação consecutiva para o célebre Prêmio Governador do Estado para a Cultura.

Publicado originalmente na A Tribuna em 19 de março de 2014

 

Fé faz a diferença no álbum de Alexandre Colla

De terno, o santista Alexandre Colla, de 41 anos, gasta sola de sapato andando pelas comunidades de todo o Brasil. Na mala, uma bagagem de histórias e canções de superação, “que nos curam, salvam e libertam”. E boa parte delas estará no mais recente CD, Chuva de Benção.

A carreira de Alexandre é marcada em três momentos. O primeiro foi aos 11 anos, quando o menino desfilava em escolas de samba e acompanhava os ensaios de pagode na casa do primo. Logo envolveu-se com a alegria do lar e ritmava no Samba de Fato.

02“O batuque, o pandeiro, o repique me contagiaram”, sorri Alexandre, que cresceu no Grupo Ousadia e, aos 19, tornou-se ritmista da banda Da Melhor Qualidade, onde estourou na carreira gravando quatro discos e colecionando prêmios em festivais.

Eis a fase de seu auge. Por anos, tocou no mesmo palco com Dudu Nobre, Beth Carvalho e gente de renome do pagode. “Mas aquela felicidade foi passageira”, pois foi nessa gandaia de sucesso que ele se iludiu e perdeu os passos.

E lá estava ele, aos 35, sozinho, consumindo drogas no seu barraco. “Vi uma bíblia em casa e me apeguei nos salmos 23 e 91. Orei forte por 10 meses e Deus inclinou o ouvido para mim”. É assim que ele descreve a reviravolta de sua vida para fiéis e dependentes químicos em casas de reabilitação, cantando em suas palestras.

01“Deus me deu paz, felicidade, saúde, uma família e até um CD gratuito”, ele ri. Sim, o produtor musical Pezinho ligou para ele e falou: “Olha, quero financiar um disco para você”. O mesmo produtor do Belo e Thiaguinho bancou o primeiro álbum de pagode gospel de Alexandre Colla.

Além da participação das bandas destes artistas, o Grupo Pixote e a Turma do Pagode, o CD Chuva de Benção também conta com a presença de sua filha Nicolly (na música ‘Papai’) e da esposa Adriana Souza (‘Chuva de Bênção’), ambas de sua autoria com Pezinho. “Deus também tem um bom plano em sua vida”, finaliza. Contato para o jantar e agendar shows: 98804-9785

*Publicado originalmente no Expresso Popular em 11 de junho de 2014

O jeito manso do metaleiro Roddy B., da Abaddon

Do quarto chapado de pôsteres de bandas no Gonzaga para o estrelato no heavy metal britânico, Rodrigo Bevevino deu um pulo na carreira. Um salto de mais de três décadas que será celebrado em sua nova turnê como cantor da banda inglesa Abaddon. O ex-Avenger também integra o rock de Axxed Alysum.

Em seu aniversário de 7 anos, Rodrigo ganhou dois discos de seu padrinho. Trocou as canções inocentes do Balão Mágico para vibrar com os riffs violentos de Killers (Iron Maiden) e Creatures of the Night (Kiss). E ironiza sem dó: “joguei todos os outros discos pela janela”.

02De início, a trilha sonora do quarto não animou seus pais, mas o garoto se aplicou ainda mais nas aulas bilíngues da extinta Escola Americana. Dedilhando a guitarra e o baixo na adolescência, compôs suas primeiras músicas aos 12 anos.

Todas em inglês, “porque o bom rock tem que ser inglês. A gente vai se condicionando à língua ao escrever a letra”. Esclarece que a inspiração dos versos não segue metodologias. “Penso, começo uma frase e já faço a música de uma vez”. Confiante, inaugurou o palco do ginásio do Colégio Estadual Canadá com seus colegas. Entre aplausos escolares, surgia a Megaforce em 1986.

Assim, o jovem roqueiro abreviou o sobrenome: Rodrigo BV. As batidas de sua banda ritmaram o primeiro disco demo Epidemic (1988). No ano seguinte, detonou no rock de Dr. Die. Em sequência, tocou solos nas bandas locais Big Fish, Carnal Desire e KvorK. Com o microfone na mão, ganhou espaço nos programas de auditório reverenciando em cover os famosos Judas Priest, Scorpions (com a banda The Ripper) e Nevermore (Born), apresentando-se sob os holofotes do Brasil afora.

Rumo à Inglaterra

04Em 2008, largou a orla calorosa de Santos rumo às praias de 6ºC da Berwick-upon-Tweed, na Inglaterra. A opção pelo frio britânico não foi decorrência da música, mas para morar na mesma cidade dos sogros. Por lá, adotou o pseudônimo de Roddy B.

Diz não sofrer preconceito europeu. “Pelo contrário, eles elogiam bastante o Brasil. O tratamento é top. Só não entendem porque faço heavy metal se nasci na terra do samba”. Do outro lado do planeta, ele precisou reiniciar a carreira.

“Criei o BV.Inc, onde gravo músicas cantando e tocando todos os instrumentos”, comenta. Pelo notebook, sincronizou os sons nas faixas do seu CD virtual. Em uma semana, o projeto musical subiu ao topo do ranking de heavy metal num site de artistas independentes.

Em pouco tempo, arrepiou no baixo da Thick Skinned e migrou para a banda de covers Life Crisis, recebendo o convite da Maiden England de interpretar as canções do grupo que o inspirou na infância: o Iron Maiden. O tributo lançou-o a um novo patamar: tornou-se vocal da célebre The Avengers.

E em março de 2012, os fãs consagraram Roddy B em seu show de estreia na banda. “Costumo dar muito de minha apresentação, independentemente da quantidade do público”. Naquela vez, em Newcastle, era uma legião de 30 mil espectadores entusiasmados acompanhando em coro o repertório do santista.

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Cuidador de idosos nas horas vagas

Ser alto, voz potente e ter tatuagens pelo corpo são as raras semelhanças de Roddy B. com outros cantores do metal. Alheio a bebida alcoólica, cigarro e drogas ilícitas, ele nem gosta de som alto, principalmente quando está no volante. Entre risos: “Tento evitar ao máximo, porque, com o tempo, todo músico costuma se tornar surdo”.

Assim, resta três vícios ao vocalista: maçãs, água mineral – ele come até meia dúzia de frutas e bebe de três a quatro litros antes do show – e se dedicar a terceira idade. Se de noite ele é um rockstar, durante o dia, Roddy é um empenhado cuidador de idosos em uma clínica de repouso há quatro anos. Enumera os afazeres: “Ajudamos eles em seus exercícios físicos, damos banho, alimentação”.

Para ele, é mais difícil cuidar de 36 senhores e senhoras do que cantar para multidões. “Só que com eles, aprendi a ter compreensão, paciência”. Valores que reforçam o desejo de Roddy continuar na profissão. Sorte do seu filho, de cinco anos, que conta sempre com um pai capaz de oferecer o devido alento. “E ele curte rock, já está aprendendo bateria”, anima-se o pai coruja.

*Publicado originalmente em 5 de maio de 2013