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Confira programação do festival Rock nas Areias em Guarujá

A Praia das Pitangueiras em Guarujá recebe de quinta-feira a domingo, a partir das 17 horas, o festival gratuito Rock nas Areias. O evento integra o calendário oficial e traz bandas que terão a oportunidade de apresentar todo o seu talento, além de divertir os turistas e moradores da região.
A programação conta com vinte grupos e tem como objetivo promover um intercâmbio entre público, bandas iniciantes e profissionais, estudantes de música, professores, produtores musicais e interessados em rock. Confira a programação:
Quinta-feira (4/12)
Cãibra Cerebral, Clodô e os Afinadores de Piano, Lei Seca, Xandra Joplin
Sexta-feira (5/12)
Dejavu, Mr Kaos, Shocker, King Of Bones
Sábado (6/12)
Sr. Jones, Os Búlticos, Valentine, Constantine, Burlesca, Sioux 66
Domingo (7/12)
Coquetel, Museu do Esquecimento, Sophia, Velho Jango, Baleia Mutante, Vavá Rodrigues e o Pessoal da Banda

‘O Grande Mestre’ e ‘Vestido pra casar’ nos cinemas públicos de Santos

Os cinemas públicos de Santos vão exibir três longas-metragens gratuitos a partir desta quinta-feira. No Cine Arte Posto 4, estará em cartaz ‘O Grande Mestre’. No Cine ZN, o final de semana contará com a comédia ‘Vestida pra Casar’ e, no sábado à noite, ‘A História de Adèle H’ será o filme da Cinemateca de Santos.

Cine Arte Posto 4: O Grande Mestre

02A beleza dos movimentos e a história do kung fu são os pontos marcantes do filme ‘O Grande Mestre’, em cartaz de quinta-feira (4) ao dia 10, no Cine Arte Posto 4 (orla do Gonzaga). Dia 8 (segunda-feira), o local ficará fechado para dedetização. O diretor Wong Kar-Wai passou oito anos estudando a vida de Ip Man, mentor do lutador e ator Bruce Lee, para mostrar como o kung fu se propagou pela China, numa linguagem que agrega ação, aventura e biografia. Sessões: 16h, 18h30 e 21h. Ingressos: R$ 3,00 (inteira). Classificação: 12 anos.

Cine ZN: Vestido pra casar

O Cine ZN, que fica no segundo piso do Centro Cultural da Zona Noroeste (av. Afonso Schmidt s/nº, Areia Branca), abriga a comédia nacional ‘Vestido pra Casar’, cujo papel principal é interpretado por Leandro Hassum. No dia do seu casamento, Fernando começa uma grande confusão quando rasga um vestido de alta costura de uma mulher que está acompanhada pelo amante. As exibições acontecem sábado (6) e domingo (7), às 15h, 17h e 19h. Gratuito.

Cinemateca: A História de Adèle H

Dentro da mostra ‘30 Anos sem Truffaut’, a Cinemateca de Santos (Rua Xavier de Toledo, 42/Santos) apresenta ‘A História de Adèle H’ neste sábado (6), às 20h. O drama revela as consequências do amor obsessivo da filha caçula do escritor francês Victor Hugo pelo tenente Pinson, que mora no Canadá. Entrada franca.

*Prefeitura de Santos

Confira a Mostra Internacional de Cinema de SP no Roxy

Pelo terceiro ano consecutivo o Cine Roxy receberá a itinerância da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em parceria com o Sesc Santos. As sessões ocorrerão de 4 a 7 de dezembro no Roxy 4 do Pátio Iporanga (Avenida Ana Costa, 465/Santos), que já está com as salas completamente digitalizadas e a tecnologia NEC. Comerciários, dependentes e aposentados terão ingresso livre. A meia-entrada custará R$ 6 e, a inteira, R$ 12.

Quinta, 4 de dezembro

19h30 – Duas irmãs uma paixão
Em 1788, numa pequena cidade alemã, a bela Caroline está num casamento infeliz. Charlotte, sua tímida irmã, sonha em encontrar um marido. As duas são as melhores amigas até que Schiller, um badalado poeta chega à cidade. ALE/AUT/SUI, 2014, 133min. Dir: Dominik Graf.

0122h – Acima das nuvens
No auge da carreira, Maria Enders é convidada para atuar numa remontagem de peça que a tornou famosa há 20 anos. Agora, no entanto, ela fará outro papel, o de Helena. Maria viaja com sua assistente para ensaiar em Sils Maria, uma região remota dos Alpes. O papel de Sigrid, que foi seu na primeira versão, é dado a uma jovem estrela em ascensão em Hollywood com uma inclinação para polêmicas. FRA, 2014, 123 min. Dir: Olivier Assayas.

Sexta, 5 de dezembro

18h30 – O Pequeno Quinquin
O capitão de polícia Van der Weyden e seu parceiro Carpentier investigam a descoberta de uma vaca morta preenchida com restos humanos dentro de um galpão alemão abandonado após Segunda Guerra. Enquanto buscam respostas, eles são seguidos pelo pequeno Quinquin, um menino que cria confusão por onde passa. FRA, 2014, 200 min. Dir: Bruno Dumont.

0322h – Queen and Country
Nesta sequência do aclamado Esperança e Glória (1987), Bill Rohan agora é um feliz jovem de 18 anos que tem os sonhos inter rompidos pela Guerra da Coreia em 1952. No campo militar ele conhece Percy, que se torna um bom amigo. Os dois logo viram instrutores e conspiram contra um sargento desagradável. Enquanto explora o mundo longe de casa, Bill se apaixona por uma jovem indomável. UK, 2014, 115 min. Dir: John Boorman.

Sábado, 6 de dezembro

17 – O segredo das águas
Na ilha japonesa de Amami-Oshima, as tradições envolvendo a natureza são eternas. Durante uma noite de danças tradicionais em agosto, Kaito, de 16 anos, descobre um cadáver flutuando no mar. Sua namorada Kyoko, tenta ajudá-lo a compreender essa misteriosa descoberta. Juntos, Kaito e Kyoko aprenderão o que é se tornar adulto experimentando as delicadas relações entre a vida, a morte e o amor. JAP, 2014, 119 min. Dir: Naomi Kawase.

19h30 – O Cuco e o Burro
Após a morte de sua mãe. Conrad resolve fazer um filme sobre a relação de seus pais. Ele escreve um roteiro e entra em contato com uma emissora de TV, onde conhece Halmer, um produtor que demonstra entusiasmo pelo projeto. Mas depois de 5 anos de troca de emails, novas versões do roteiro e inúmeras alterações. ALE, 2014, 95 min. Dir: Andreas Arnstedt.

22h – A Gangue
Sergey, um jovem surdo-mudo, começa a estudar num internato especializado que abriga secretamente uma rede de crime e prostituição entre os estudantes. Neste novo ambiente é forçado a aceitar as duras regras da gangue e participa de vários assaltos, o que lhe garante respeito. UKR, 2014, 132 min. Dir: Myroslav Slaboshpytskiy.

Domingo, 7 de dezembro

17h – Tsili
Durante a segunda Guerra Mundial, a jovem judia Tsili se esconde nas florestas de Chernivtsi, na Ucrânia, após toda sua família ser deportada para os campos de concentração. Marek, outro refugiado judeu, a encontra e fala com ela em ídiche. com a dificuldade em interagir após as experiências traumáticas, os dois conseguem se entender até o dia em que Marek vai à vila procurar comida e não volta mais. ISR/ITA/FRA/RUS, 2014, 88 min. Dir: Amos Gitai.

19h30 – Força Maior
Ebba e Tomas decidem passar cinco dias de férias esquiando no Alpes franceses com seus dois filhos. Quando os quatro almoçam num restaurante nas montanhas, uma avalanche se aproxima rapidamente e ameaça soterrar o local. Nenhum deles fica ferido , mas a atitude de Tomas durante o incidente pode causar danos irreparáveis. SUE, 2014, 118 min. Dir: Ruben Ostlund.

0222h – Falando com os Deuses
O longa coletivo explora a relação entre diferentes culturas e religiões. Espiritualidade aborígene, catolicismo, islamismo, judaísmo, budismo e xintoísmo, cristianismo ortodoxo, umbanda, hinduísmo, assim como ateísmo encontram expressão no filme. Com os episódios organizados por Mário Vargas Llosa, o filme apresenta diferentes perspectivas sobre a religiosidade, um fenômeno especificamente humano. Vários, 2014, 135 min. Dir: Álex de La Iglesia, Amos Gital, Bahman Ghobadi, Emir Kusturica, Guillermo Arriaga, Hector Babenco, Mira Nair e Warwick Thornton.

*André Azenha/Cine Roxy

 

A cura para as artes visuais na Exponatório Geral

a1Da capa em preto e branco de um cortiço do Centro Histórico até a última página com a pose colorida da modelo Juliana Caldas, de 1,22 metro, já se passaram mais de uma dezena de edições mensais, obras de 360 artistas, 936 páginas e 50 mil visualizações da revista online Sanatório Geral (acesse). Trata-se de um projeto virtual idealizado há um ano e agora disponível na Exponatório Geral, mostra de fotografias que segue até o dia 30 na Oficina Cultural Pagu (Rua Espírito Santo, 17/Santos).

Em fevereiro de 2013, a publicação online e gratuita de artes visuais era uma vontade do estudante de designer gráfico, Betinho Neto. “Queria realizar uma iniciativa que envolvesse os meus estudos, a arte e também se tornasse um projeto colaborativo, livre”. Na época, convidou amigos para escreverem crônicas sobre o ‘lado B’ de Santos e lançou nas redes sociais uma campanha para enviar imagens sobre o tema urbano. Para o próprio idealizador, “um susto”, já que em poucos dias, recebeu trabalhos de 26 fotógrafos – um deles é do Amazonas.

A revista diagramada em cinco dias com pouco mais de 60 páginas foi lançada durante a Vitrolada no Torto MPBar. E quando as páginas digitais eram passadas no telão do ambiente, encantando os frequentadores, a equipe percebeu que o projeto ganhou vida. E crescia uma legião de loucos para acompanhar o site com as novidades da Sanatório Geral.

Aliás, Betinho explica como surgiu o nome: “Pensei em vários nomes e palavras. E uma palavra foi levando à outra. A arte enquanto loucura, o louco então no hospício, o hospício como um Sanatório. E Geral, por causa da quantidade de colaboradores logo na estreia”.

Repercussão

a2Com a repercussão, a insanidade de uma publicação online ganhou contornos mais reais. “Nos meses seguintes, busquei referências e inspirações em revistas impressas de artes para criação das editorias”, ele comenta. A partir daí, além dos textos e crônicas de convidados, ela quase dobra o número de páginas com a Cadeira Elétrica (entrevistas com artistas), Lobotomia (reportagens), entre outras seções e matérias.

Em cada publicação, um novo tema, como o fim, a brincadeira, o teatro, o cinema, a diversidade e o sexy. “Podemos escolher qualquer tema. Até porque a arte não pode ser censurada, desde que haja a estética. Aristóteles já dizia que só é feio aquilo que não cumpre o seu papel”, comenta Betinho. “Queremos instigar, transformar os nossos leitores”.

E a imensidão de pessoas que compartilha dessa mesma vontade provocativa vive a aumentar, com a participação de personalidades. Pela Sanatório Geral, há textos e entrevistas de artistas como Eva Wilma,Beth Goulart e Xico Sá, a cineasta Laís Bodansky, a sexóloga Laura Muller, entre outros.

Betinho complementa: “A nossa equipe diz que a revista nos salvou. Fazemos o melhor por ela, doamos nossa criatividade e sentimento. Esse é um trabalho intenso, guerreiro. Como uma resistência pelas artes visuais, ainda mais numa Cidade que perdeu uma das melhores bienais do ramo”. Ou seja, a arte como um próprio remédio para tantas pessoas.

*Adaptado de texto publicado originalmente no jornal A Tribuna em 2/fev/14
P.S.: Fotos do acervo pessoal do Betinho Neto

A estética da arte e loucura no ‘Projeto Bispo’

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São quase nove da noite quando um ator sussurra para o público “Qual a diferença entre vocês e eles?”, apontando com a lanterna a um bando de nus surtando na Casa da Frontaria Azulejada. E é lá, após duas horas com tantos personagens alienados e anônimos da peça ‘Projeto Bispo’, que se percebe que eles são tão humanos quanto eu, você e o artista plástico Arthur Bispo do Rosário.

As situações encenadas por cada um dos dez artistas de O Coletivo retratam partes da genialidade e loucura do falecido Arthur. Genial, pois ele concebeu mais de 900 objetos de arte contemporânea. Louco, porque o acervo foi criado com retalhos e peças descartáveis que achava no antigo Hospital Nacional dos Alienados, no Rio, onde viveu por 50 anos.

O ex-marinheiro e ex-pugilista sergipano perambulava pelas ruas antes de ser internado. É o mesmo caso da personagem conterrânea no teatro, interpretada por Malvina Costa. Hoje e na próxima segunda-feira, na Praça Mauá, às 20 horas, lá estará ela com um alto-falante chamando a todos para o início da sessão.

Dramas de quem vive na rua

Na primeira parte da obra, o público anda lado a lado com ela e outros moradores em situação de rua que surgem em cena. Palavrões e insultos são constantes e improvisados entre eles, mas justamente essa marginalidade faz os papéis serem críveis, humanos.

Destaque para o encontro dos personagens de Rony Magno e Junior Brassalotti na escadaria da Prefeitura. Enquanto o primeiro veste um similar do Manto da Apresentação (principal peça bordada por Bispo) se nomeando Filho do Pai, o outro faz o papel de um Deus irônico, criticando as exclusões sociais geradas por cor, classe econômica e orientação sexual.

Por vezes, algumas situações até geram risos na plateia. Como quando Wendell Medeiros protagoniza o caso de um indigente que dorme na marquise de uma agência bancária, responsabilizando-a pelo seu fracasso financeiro. E não é que essa cena surgiu quando uma mulher em situação de rua contou esse fato para o elenco?

Aliás, os momentos mais fortes estão nos dramas femininos. Seja com a cena de estupro de Juliana Sucila e Rafael de Souza, ou a revolta de uma prostituta, rejeitada pelos clientes por ser travesti, interpretada por Renata Carvalho.

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Cresce a insanidade

No entanto, a insanidade dos personagens cresce dentro do hospital psiquiátrico ambientado na Casa da Frontaria Azulejada. Lá, as falas realmente perdem força para as ações representadas pelo elenco.

A iluminação apenas por lanternas e a trilha sonora de rock até músicas românticas colaboram nas esquetes, apresentando as técnicas de internação, medicação e choques elétricos nos pacientes, tão comum em antigos hospícios do Brasil.

Todos os espaços da casa se tornam em cenário para a loucura, que também corresponde as vontades de Bispo. Por exemplo, quando os personagens de Cícero Santos e Lucas Oliveira brigam sobre cores e Vanúzia Moreira sonha ter uma faixa e uma coroa. É que a cor predileta de Arthur era o azul, e seu maior desejo era casar com Ieda Maria Vargas, a Miss Universo de 1963.

Enfim, sob a direção de Kadu Veríssimo, é nítido o entrosamento de O Coletivo em mostrar o universo marginalizado de um artista plástico ainda não tão conhecido pelo grande público. O que torna o ‘Projeto Bispo’ em um teatro de forte estética e crítica social, e, nós, espectadores, mais humanos.

*Texto publicado originalmente no jornal A Tribuna em 3/dez/13
Fotos de Patrícia Garoni e Rodrigo MMorales