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Vida e obra de Henfil é tema de cinedebate nesta terça

Por Secult Santos

Nesta terça-feira (18/dez), às 21h, o Cine Arte Posto 4 (orla do Gonzaga/Santos) recebe a sessão especial do documentário ‘Henfil’, que retrata a vida de um dos mais importantes cartunistas brasileiros. A projeção terá a presença da diretora Angela Zoé, que participará de bate-papo mediado pelo jornalista e crítico de cinema André Azenha. Ingressos de R$ 1,50 a R$ 3.

Com depoimentos de cartunistas como Ziraldo, Jaguar, Sérgio Cabral e Tárik de Souza, além de animações realizadas com os desenhos de Henfil, o filme traz também imagens inéditas do artista e de sua família, incluindo seu irmão, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Criador de personagens como Ubaldo, Graúna, Cangaceiro Zeferino e os Fradins, Henfil de Souza Filho é considerado um dos maiores cartunistas do Brasil.

Criado na periferia de Belo Horizonte, Henfil chegou a cursar Sociologia (UFMG), mas logo abandonou. Foi embalador de queijos, contínuo em uma agência de publicidade e jornalista, até se especializar nos anos 60 em ilustração e produção de HQs. Teve seu trabalho publicado por veículos como Pasquim, Realidade, Placar e O Cruzeiro.

O cartunista também atuou com cinema, teatro, TV e literatura, e recebeu os prêmios Cid Rebelo Horta (melhor cartunista, em 1965) e Vladimir Herzog (Artes, em 1981). Destacou-se também pela atuação em movimentos contra a ditadura militar. Hemofílico, após uma transfusão de sangue, contraiu o vírus HIV e faleceu em 1988.

Gapa-BS mantém 20º Bazar de Carnaval até próximo dia 24

Por Nanci Alonso

O Gapa-BS – Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Baixada Santista realizará até o dia 24 de fevereiro, a 20ª edição do Bazar de Carnaval, que acontecerá de segunda a sexta, das 10h às 17h, em sua sede (Rua Colômbia, 44/Santos). O sucesso desse bazar é fundamental para a sobrevivência do GAPA, já que vivemos essencialmente dos eventos que realizamos e de doações da comunidade. Telefone: 3222-3109 (Nanci e Mariana).

A renda será revertida para a reforma e adequação de nossa sede para melhor atendimento dos cadastrados em nossa Instituição no Centro de Apoio ao portador de HIV/Aids e dos Projetos de Prevenção e Educação em DSTs/Aids/Droga/Hepatites Virais.

Além de estar ajudando o Gapa-BS, quem for à feira encontrará boas opções de fantasias, vários tipos e modelos até princesa da Disney para crianças e para adultos feminina e masculina máscaras venezianas, Bambam/Pedrita, piratas, cigana, bailarina, marinheiro, mulher maravilha, palhaços entre outras.

Gapa-BS

Há mais de 29 anos, um grupo de atores da cidade de Santos, se reuniu para homenagear cartunista Henfil que por ser hemofílico, veio a óbito em decorrência da Aids. Foi encenado o espetáculo A Revista do Henfil, e daquele movimento nasceu, no dia 11 de abril, o Gapa-BS, uma instituição sem fins lucrativos, que atende as 9 cidades da Baixada Santista.

Estão cadastradas no Serviço Social da ONG: 257 famílias, onde 56 crianças de zero a 12 anos. Atualmente são distribuídas 45 cestas básicas mensais às famílias cadastradas. A instituição vive essencialmente de doações da comunidade, pessoas que contribuem mensalmente, eventos beneficentes e do Brechó e Lojinha permanente em sua sede do GAPA.

Atualmente desenvolve o Projeto Viva Melhor Sabendo de testagem rápido por fluido oral para HIV/Aids entre a população jovem de 14 a 25 anos cujo resultado sai em 20 minutos, além de outro projetos na área de educação e prevenção às DSTs/Aids/Droga e Hepatites Virais. E também desenvolve o Projeto de Atendimento Jurídico aos portadores de HIV/Aids e seus familiares, Projeto de Inclusão Digital para crianças/adolescentes e adultos, Oficinas de artesanato, bolsa, peças para decoração, arranjos natalinos etc também para essa população em sua sede.

 

Beto Volpe e Realejo Livros fazem pré-venda de ‘Morte e Vida Posithiva’

O ativista Beto Volpe e a Realejo Livros iniciam uma campanha de financiamento coletivo para a pré-venda da autobiografia ‘Morte e Vida Posithiva’. A campanha oferece cotas de R$ 15 a R$ 580, e tem, entre recompensas, agradecimentos nas redes, download em PDF, livro autografado e pacotes com descontos. Acesse: http://kickante.com.br/campanhas/morte-e-vida-posithiva-adquira-ja-seu-livro

“O livro narra a minha trajetória desde minha infecção pelo vírus HIV no ano de 1989 até os dias de hoje, permeado de fatos da infância e juventude que colaboraram para os acontecimentos futuros”, afirma Beto.

“Mesclar tragédia e comédia no mesmo contexto é minha marca registrada, o que provoca uma profunda reflexão sobre os vários aspectos envolvidos na epidemia de AIDS e também em questões de cidadania e de foro íntimo. A minha obra se revela uma potente ferramenta para desenvolver a resiliência do leitor e impactar positivamente não somente a vida das pessoas, como também na compreensão coletiva sobre aspectos não divulgados da epidemia”.

CONFIRA TRECHO DO LIVRO

“Fingindo voltar do trabalho, cheguei em casa e logo depois chegou a noite, que levava a crer que tudo seria como todos os dias, com um lanche noturno seguido de alguma programação televisiva. Mas tudo foi completamente diferente, aquela noite foi uma das mais angustiantes de toda a minha vida. Eu e meu irmão nos entreolhávamos como quem procura coragem para dizer alguma coisa. Até que consegui proferir:

– Tenho uma coisa séria pra falar pra vocês…

Pelo seu olhar, tive a nítida impressão de que minha mãe sabia do que se tratava. Mães… Elas são bruxas, adivinham nossas intenções, pressentem nossas dificuldades e são capazes de mover o mundo por nós. Por onze anos fui o filho único de dona Aída, nome dado por meu avô em homenagem a sua obra favorita de Verdi. Mãe torcedora do Santos Futebol Clube, filho santista. Mãe adorava uma peruca argentina, o filho também. Ou seja, eu sempre fui o filhinho da mamãe e ela o meu porto seguro, a bóia que é lançada quando o fôlego está acabando. Nem ela e nem eu tínhamos noção o quanto essa “coisa séria” nos aproximaria e nos uniria como nunca em nossas vidas.

0Uma vez mais em um único dia me senti um covarde em levar essa tristeza às pessoas que mais amava. Mas tinha que ser feito, esse segredo nunca se manteria por muito tempo. E, naquele momento em que estava prestes a dar a notícia, foi a primeira vez que eu senti a presença dela, a tal da Morte, com sua capa e alfanje espalhando-se por todos os cantos do aposento. É terrível ver que a morte criou vida e está em seu encalço, sob a forma de um ar irrespirável, denso… Foi como dar uma notícia de falecimento de alguém muito querido e, de certa forma, era mais ou menos isso. Minha mãe, olhando com um pedido de “não conte” perguntou o que estava acontecendo. E eu, na lata, respondi:

– Estou com AIDS.

Meu Deus, como pode um simples gota arrasar tanto a alma de uma pessoa? Aquele ar irrespirável passou a ser sufocante… E aquele olhar triste de minha mãe deixou escapar uma lágrima. Uma única e furtiva lágrima que escorreu lentamente pelo seu lindo rosto fazendo com que eu me sentisse o pior dos mortais, o lixo do lixo, desejando um raio fulminante em minha cabeça. Ou uma complicação séria que me levasse o mais rapidamente possível desse mundo. Uma lágrima e um olhar triste, se os homens guerreassem assim… Meu pai Geraldo, figura proeminente do cenário político de São Vicente, cortou o clima perguntando como eu havia contraído. Respondi que havia sido através de sexo sem camisinha, que não curtia drogas injetáveis. Quem diria que meu pai, com o qual sempre tive sérias diferenças políticas e íntimas, seria o primeiro estímulo para continuar em frente? Prático e sempre presente nas situações difíceis, ele determinou:

– Agora é ver o que se pode fazer e olhar para frente.

Mas minha atenção ainda estava naquela pequena grande guerreira que sabia que teria um verdadeiro desafio pela frente. Já não foi fácil aceitar a homossexualidade do filho, agora o HIV. Meu irmão a todo instante intervinha como meu fiel parceiro, tentando amenizar a situação, enquanto aquela lágrima ainda rolava dentro de mim, corroendo todos os meus órgãos, ossos, veias, com um poder de destruição maior do que o do HIV. Eu sabia que a brincadeira estava apenas começando, muita coisa ainda iria acontecer no pega pega entre a Morte e a Vida. A Morte e Vida Posithiva.

*Beto Volpe/Realejo Livros

 

Gibiteca tem bate-papo sobre quadrinhos ao ritmo de jazz

A Gibiteca Municipal de Santos ‘Marcel Rodrigues Paes’, localizada no Posto 5, na orla do Boqueirão, realiza no próximo dia 30, a partir das 17h30, lançamento coletivo com bate-papo, autógrafos e música. Participam da atividade Rafael Moralez, Caeto Melo, Tiago Judas e Renato Machado. Na ocasião, o grupo ‘Orquestra Sonora do Homem Polvo’ anima o público com repertório de jazz e bossa nova.

Rafael Moralez é formado em Filosofia e durante anos produziu o fanzine ‘Produto do Ócio’, publicação ainda ativa, com edições esporádicas. Também lançou dois livros de história em quadrinhos. Já Caeto Melo é o autor de ‘Memória de Elefante’, relato autobiográfico que levou quatro anos para ser feito.

Abordando das dificuldades que enfrentou quando chegou a São Paulo até momentos delicados, como a luta de seu pai contra a AIDS, também traz o relato das dificuldades enfrentadas por quem deseja fazer quadrinhos no Brasil. Caeto foi editor, junto com Ulisses Garcez, do fanzine Sociedade Radioativa.

O artista plástico e ilustrador Tiago Judas é eclético e, por isso, manifesta-se por meio de fotografia, vídeo, instalações e histórias em quadrinhos, uma constante em sua produção. Com uma opção por temas sérios e reflexivos, Judas é colaborador em publicações como as revistas Trip, Vida Simples, Caros Amigos e Jornal Folha de S.Paulo.

Outro participante é o cartunista carioca Renato Machado, que já publicou seus trabalhos em jornais como Gazeta Mercantil, Diário de São Paulo e Jornal do Brasil. Atualmente trabalha para o Jornal Extra, do Rio de Janeiro, e está lançando a revista independente de humor ‘Uma Coisa’.

A Gibiteca, equipamento da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), fica no Posto 5, na orla do bairro Boqueirão, em frente à Rua Oswaldo Cruz. Mais informações pelo telefone 3288-1300. Entrada franca.

*Prefeitura de Santos

 

Opinião: ‘Até o Fim’ diagnostica despreparo emocional dos médicos

Entre a luta de pacientes contra o incontornável e a insensibilidade médica ao tratar os males, o livro-reportagem ‘Até o Fim’ (Ateliê de Palavras) é um diagnóstico do despreparo emocional da maioria dos profissionais de saúde do País. As jornalistas Beth Soares e Jessika Nobre refazem as avaliações dos hospitais, humanizam as donas de doenças incuráveis e, inevitavelmente, tocam na desinformação de quem segue o ofício de “promover qualidade de vida”.

Uma hematologista foi seca: “Achamos que é mieloma múltiplo (…). Se for, não há cura”. Outro cardiologista disse tão somente “essa menina tem lúpus”, sem maiores explicações à família da garota e, assim, não relevaram suas palavras. Quando adulta, ela sofreu preconceito de médicos, como uma perita do INSS, que debochou de suas limitações: “quem quer trabalhar, trabalha até deitado”.

Num diálogo absurdo, um profissional diz à examinada: “Você tem esclerose múltipla. Mas fique tranquila, daqui a alguns anos a esclerose será como a Aids”. Mais, garante que seria melhor se fosse soropositiva. Ainda há um professor universitário que se aborrece com necessidade de medidas paliativas. Paliar é um termo bélico, para evitar os efeitos de uma intempérie, assim como soldados há milênios precisavam sobreviver a diferentes climas.

03E nesta batalha por um trabalho humanizado, os alívios vêm de depoimentos do presidente da Comissão de Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas, Ricardo Tavares de Carvalho, e da presidente da ONG Casa do Cuidar, Ana Claudia Arantes. Para assumir cuidados paliativos, o primeiro provara que a unidade tinha menor custo que uma UTI desnecessária. Já Ana treinou uma equipe de profissionais para melhor atendimento, e ao se perceberem úteis, enfim, até diminuíram as faltas no expediente.

Tais cenas são tangenciadas pela obra até porque seu foco são os dramas de Eguimar, Fabíola, Sandra e Sílvia, mulheres que nos tornam amigas ao partilharem a dor de seus males. As autoras mesclam bem dados pessoais, dados médicos, fatos principais de suas vidas e de suas famílias e, principalmente, as emoções desencadeadas pelo quarteto com uma riqueza vocabular que concreta o subjetivo.

02Há tais cenas em quase todas as páginas, como “esqueceu que a lembrança é uma cicatriz” e “pensa nos milhares de recomeços que costuram suas memórias”. Entretanto, pesam ao adjetivar tanto os pensamentos de Sílvia. Em parte do capítulo que cabe a Sandra, estranho o ritmo por repetir demais os nomes. Mas o apuro, o cuidado ao versar os dramas acumulados logo na primeira história, de Eguimar, demonstra que vale indicar o livro como um todo. Completo.

Dividido em capítulos intitulados por filmes, a sinestesia de ‘Até o Fim’ é fruto da pesquisa acadêmica de Jornalismo de Jessika e Beth. Um bom portfólio para ambas e um atestado de luta ainda maior para Beth, também assistente social que revela vencer o lúpus cinco vezes em sua trajetória. A publicação batalhada pode ser muito uma nova vitória ao conscientizar mais médicos e pacientes de difundir o tratamento humanizado pelo País.

*Lincoln Spada