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No Brasil, pesquisas abordam baixa representatividade de negros nas artes e entretenimento

Por Lincoln Spada

No Brasil, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) sempre vale à uma reflexão da população sobre as formas de desigualdade racial ainda presentes na sociedade. Em um país escravocrata até menos de 130 anos, é comum ainda observar que os negros tenham pouco espaço para apresentar suas narrativas, trajetórias e identidades culturais no universo das artes e do entretenimento.

Se despontam eventualmente negros no mainstream musical, além de toda a contribuição da cultura negra nos ritmos que movem o país, faltam indicadores no segmento e também nas artes cênicas sobre a questão racial. No teatro, o máximo encontrado foi o recente repúdio de artistas à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, que ao divulgar em maio a curadoria do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH), não continha sequer um ator negro no elenco das 25 apresentações anunciadas.

Televisão

Ainda em 2001, no livro ‘A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira‘, o cineasta e roteirista Joel Zito Araújo aborda que, na constatação de sociólogos e acadêmicos, a falta de representatividade do negro na TV, maior veículo de comunicação de massa do país, “influencia ativamente na constituição da identidade desta população e na forma como ela é vista pelos demais”.

Assim, pelos entrevistados da pesquisa, a teledramaturgia nacional em relação aos negros observa: o reforço de estereótipos negativos; a cultura negra enquanto folclore, e não como parte da cultura popular e do imaginário brasileiro; o negro como elemento de diversão para os brancos; além do noticiário reforçar o negro como pobre e favelado.

“Ao persistir retratando o negro como subalterno, a telenovela traz, para o mundo da ficção, um aspecto da realidade da situação social da pessoa negra, mas também revela um imaginário, um universo simbólico que não modernizou as relações interétnicas na nossa sociedade”, avaliou a antropóloga da USP, Solange Martins Couceiro de Lima na revista universitária em 2001.

Segundo o economista da USP, o professor Hélio Santos, a TV da Dinamarca e da Europa em geral têm mais negros que a do Brasil. E de acordo com Paulo Rogério Nenes, o publicitário e diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, em 2007, pesquisas “mostram que as televisões têm apenas 5,5% de apresentadores e profissionais que aparecem no vídeo que são negros”. Até em TVs públicas, foi constatado que 9,4% dos apresentadores e 6,7% dos jornalistas são negros ou indígenas, em levantamento no mesmo ano organizado por Joel Zito, em relação às TV Cultura, TVE e TV Nacional.

Cinema

Em 2014, ganhou destaque a pesquisa ‘A Cara do Cinema Nacional‘, conduzida pela UERJ. A análise dos lançamentos brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012 concluiu que o cinema nacional tem cor e gênero: é branco e masculino. Com dados da Ancine e critérios do IBGE, apenas 31% dos filmes avaliados tinham atores negros (quase sempre em estereótipos de pobreza ou criminalidade).

Ao todo, 59% dos atores são homens (destes, 14% são negros). As mulheres são 41% (4% são negras). No caso da direção, 84% dos filmes foram dirigidos por homens brancos; 13% por mulheres brancas; 2% por homens negros. Nenhum dos filmes foi dirigido por uma mulher negra. Entre os roteiristas a diferença permanece: 74% deles são homens; destes, 4% são negros. Entre o restante, de mulheres roteiristas, não há sequer uma negra.

“Os dados notabilizam o problema da questão racial no país. Se as mulheres brancas encontram participação desigual em relação à predominância dos homens de cor branca, os negros e as negras são ainda mais atingidos por esse contexto assimétrico”, comenta uma das responsáveis pela pesquisa, a mestre em ciência política, Marcia Rangel Cândido.

Literatura

No universo literário, a acadêmica Regina Dalcastagnè, da UnB, lançou a pesquisa ‘Literatura Brasileira Contemporânea — Um Território Contestado’ sobre 258 romances publicados entre 1990 e 2004 pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco. A pesquisa revelou que os autores, na maioria, são brancos (93,9%), homens (72,7%), moram no Rio de Janeiro e em São Paulo (47,3% e 21,2%, respectivamente).

O perfil médio dos escritores se assemelha à representação dos personagens nos romances brasileiros contemporâneos. Eles são, em sua maioria, homens (62,1%) e heterossexuais (81%). A assimetria prossegue no que diz respeito à cor. Os personagens negros são 7,9% e têm pouca voz: são apenas 5,8% dos protagonistas e 2,7% dos narradores.

No levantamento, os negros são retratados geralmente como bandidos ou contraventores (20,4%), empregados(as) domésticos(as) (12,2%) ou escravos (9,2%). A violência contra negros também está nas páginas das publicações. Enquanto a maioria dos brancos morre, na ficção, por acidente ou doença (60,7%), os negros são geralmente vítimas de assassinato (61,1%).

Abertas inscrições para festival Cinema de Fronteira até dia 12

A 7ª edição do Festival Internacional Pachamama – Cinema de Fronteira, que visa criar um espaço de trocas e diálogos socioculturais entre as regiões da Bolívia, Brasil e Peru por meio da linguagem audiovisual, acontece entre os dias 19 e 26 de novembro no Acre. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 12 de agosto. O evento conta com três seções competitivas: longa-metragem, curta-metragem e cinema comunitário. O regulamento completo está disponível no site cinemadefronteira.com.br.

Nas Mostras Competitivas Latinoamericana de Longas-Metragens e Curtas-Metragens, serão admitidos filmes de ficção e documentários produzidos em digital ou película e que tenham sido finalizados depois de 1º agosto de 2015. A duração deve ser de no mínimo 60 minutos para os longas e de no máximo 40 minutos para os curtas.

Na Mostra Competitiva de Cine Comunitário Stefan Kaspar, estará compreendida toda produção vídeo comunitária, ou seja, resultado de um trabalho não profissional de uma comunidade ou grupo de pessoas. São aceitos filmes de ficção e documentários, com duração mínima de 30 minutos e finalizados depois de 1º de agosto de 2014.

Nas três mostras, os filmes selecionados concorrerão ao Troféu Pachamama de Melhor Filme. Nas seções competitivas de longas-metragens e curtas, os selecionados concorrem ainda ao Prêmio do Júri e, se for o caso, a prêmios técnicos (editor, câmera, produção, etc). O festival oferece também o Prêmio Especial – Prêmio do Público, que elegerá em votações livres durante as sessões, o melhor filme, independente da categoria onde tiver sido exibido.

*Ancine

 

Ancine publica estudo sobre mercado de TV por assinatura no Brasil

A Ancine publicou no OCA – Observatório do Cinema e do Audiovisual o estudo “TV por Assinatura no Brasil: Aspectos Econômicos e Estruturais” (confira aqui). Considerando o forte crescimento do segmento no país nos últimos dez anos e a promulgação da Lei nº 12.485/11, que contribuiu para dinamizar a circulação e consumo de conteúdo nacional ao estabelecer um novo marco legal da TV por assinatura, com cotas de conteúdo nacional na grade e pacotes das TVs, o trabalho buscou apresentar as características econômicas e regulatórias que influenciam as dinâmicas deste mercado; e um panorama dos grupos econômicos que atuam nas atividades de programação e empacotamento no mercado brasileiro.

O estudo, em sua primeira parte, expõe os elos da cadeia de valor do mercado de TV por assinatura (produção, programação, empacotamento e distribuição) e os agentes envolvidos em cada elo. Em seguida, apresenta uma breve evolução do marco legal que disciplina o setor, culminando na Lei de TV por Assinatura, que uniformizou os instrumentos normativos que regiam previamente o segmento.

A segunda parte do trabalho se dedica aos aspectos econômicos que influenciam a estrutura de mercado e a competição entre as empresas. Observa-se que as características econômicas da indústria afetam a forma de organização desse setor. A diferenciação dos produtos, reforçada pela importância da marca e da qualidade do conteúdo, a existência de ganhos de escala e de escopo, além da presença de discriminação de preço influenciam o padrão competitivo observado no mercado de TV por assinatura, atribuindo maiores vantagens às firmas que contam com maior audiência ou número de assinantes.

Por fim, é realizado um panorama dos grupos econômicos que atuam na atividade de programação e empacotamento no mercado brasileiro. No mercado de programação brasileiro, observou-se a presença de 39 programadoras que compõem 22 grupos econômicos e oferecem um total de 199 canais em SD e HD.

Há, no entanto, uma grande assimetria entre os agentes que atuam nesse elo da cadeia: cerca de 60% dos canais pertencem a dois grupos econômicos. O mesmo acontece na atividade de empacotamento, onde se observa a proeminência de dois grupos econômicos, que possuem uma participação conjunta em número de assinantes de 81% do mercado.

*Ancine

 

Itanhaém será cenário das gravações de longa-metragem

Conhecida por suas belezas naturais, Itanhaém já foi cenário de uma das novelas de maior sucesso da televisão brasileira: Mulheres de Areia. A trama foi exibida pela extinta TV Tupi entre 1973 e 1974. Desta vez, a Cidade será palco das gravações de um longa-metragem e receberá no próximo domingo (3) a equipe de produção Plateau para iniciar as filmagens do “Corpo Elétrico”.

“Corpo Elétrico” é um filme sobre a passagem da juventude para a fase adulta, dos sonhos distantes para a luta por um lugar no mundo. A história gira em torno de Elias, um rapaz humilde que trabalha em uma confecção feminina e com um grande sonho de ter uma marca própria. Aos poucos cria vínculos de amizade com três funcionários da confecção, que o incentivam a lutar cada vez mais pelo seu sonho. Nas horas de descanso, os amigos exploram a noite, driblando a solidão e buscando inspiração no caos e na alegria ao redor. O filme conta com o apoio da Agência Nacional de Cinema (ANCINE/FSA) e terá sua difusão em circuito de festivais e mostras no Brasil e exterior, salas de cinema e televisão.

As filmagens em Itanhaém ocorrerão entre este domingo (3) e terça-feira (5). A última diária de gravação será na noite de terça (5), com término na manhã de quarta-feira (6) na Praia do Sonho e em outros pontos da Cidade. A produção terá apoio cultural da Prefeitura de Itanhaém, por intermédio do Departamento de Cultura e Guarda Municipal, para acesso e circulação de veículos, bem como apoio da Polícia Militar de São Paulo.

*Prefeitura de Itanhaém

 

Palestra do Oscar com Waldemar Lopes chega ao 21º ano

Controverso, polêmico, divertido. O Oscar pode não ser a premiação mais justa do cinema. Mas com certeza é a principal. Aquela em que os holofotes do mundo se voltam para curtir desde as celebridades no tapete vermelho, até as homenagens e entregas da famosa estatueta.

 E o Cine Roxy repete a iniciativa dos três anos anteriores. Dentro da programação especial do Oscar, que inclui a exibição ao vivo do prêmio, dia 22 de fevereiro, este ano acontece a vigésima  primeira edição da tradicionalíssima “Palestra do Oscar com Waldemar Lopes”.

 O evento, beneficente, ocorrerá na quinta-feira, dia 19 de fevereiro, 20h30, no Cine Roxy 5 (o de rua), promovido pela Open House Idiomas, em parceria com o Roxy e apoio do site CineZen. A entrada é franca, mas pede-se a gentileza de um quilo de alimento não perecível em prol da ACAUSA e da Casa João Paulo II. A retirada de ingressos começará no dia anterior, na bilheteria do cinema. Cada pessoa poderá retirar um ingresso.

Como é costume, serão sorteados vários brindes, como vales para restaurantes, cafeterias, chocolates, ingressos de cinema, livros e DVDs, entre outros.

 Histórico

“A história da origem da palestra é bem interessante”, afirma Waldemar. “Em um dos cursos de inglês que ministro na Open House Idiomas, chamado ‘Brush up’, que criei para pessoas que quisessem aperfeiçoar o idioma e conhecer mais a cultura americana, eu falava sobre o cinema em Hollywood e filmes independentes”, explica. “Nessas aulas, o Oscar começou a se tornar um tema recorrente, por ser talvez o primeiro prêmio criado para destacar os melhores de um setor e se tornar um modelo e inspiração para demais premiações. Quando se fala de qualquer outro prêmio, como o Tony, por exemplo, é comum se referirem a ele como ‘o Oscar do teatro’”, detalhe o artista plástico. “A ideia de fazer a palestra surgiu na sala de aula. Decidi fazer o evento na própria sala de aula da Open House, em inglês, aberta também ao público interessado. Foi um sucesso! O vencedor daquele ano foi ‘Forrest Gump’, e Tom Hanks se tornou uma espécie de amuleto de sorte para mim”, ressalta.

 Até 1997 a palestra foi realizada na Open House Idiomas. No entanto, o evento ia crescendo e o problema de espaço se tornou o primeiro obstáculo. A parceria com a Livraria Martins Fontes foi providencial. “Recebi muito apoio da Solange e Aírton, entre 1999 e 2006, onde pude realizar a palestra na sede da Praça Independência”, lembra Waldemar.

 Com o fechamento daquela unidade, Waldemar recebeu um grande apoio da Associação dos Médicos de Santos (atual unidade da Associação Paulista de Medicina na cidade), onde o evento ocorreu três anos. “Um maior trabalho começou quando, atendendo a muitos pedidos, comecei a fazer uma sessão extra em português”, destaca. “Infelizmente, problemas de horário e gastos me obrigaram a fazer uma escolha, e a palestra em português prevaleceu”.

 Há quatro anos, o Cine Roxy convidou Waldemar para realizar a palestra no cinema. Nessas três edições, realizadas no Roxy 4 do Pátio Iporanga, a sala ficou completamente lotada. Agora, o evento passar a acontecer no Roxy 5, de rua. Waldemar também, nesse período, tem sido o Mestre de Cerimônias do Roxy, nas exibições ao vivo do Oscar.

 *André Azenha

Ancine lança edital para futuras 103 produções em TVs públicas

A Agência Nacional do Cinema – Ancine anunciou no dia 17 de dezembro o lançamento das cinco Chamadas Públicas regionais da Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas, do Programa Brasil de Todas as Telas. Para esta Linha, serão aportados recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) no montante de R$ 60 milhões, distribuídos pelas cinco regiões do País.

Os investimentos fomentarão a produção de 103 obras audiovisuais brasileiras independentes, que corresponderão a 260 horas de programação. As Chamadas públicas regionais poderão ser encontradas desde o dia 23 de dezembro, no site fsa.ancine.gov.br.

A Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas tem como objetivo a regionalização da produção de conteúdos audiovisuais independentes para destinação inicial ao campo público de televisão (segmentos de TV Universitária, Comunitária e Educativa). A Linha será operada através de parceria entre a ANCINE, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), contando com o apoio da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM) e Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais (ABEPEC).

A primeira licença das obras que compõem a programação será destinada para exibição inicial pelos canais do campo público de televisão (universitários, comunitários e educativos), de forma não onerosa, pelo período de 1 ano no Território Brasileiro, com exclusividade de seis meses. A EBC distribuirá a programação que tem estreia prevista para o segundo semestre de 2016.

Antes do lançamento das Chamadas Públicas da Linha foi realizado um estudo georreferenciado que relacionou grades de programação de 218 emissoras e canais de programação do campo público de televisão com vocações de produção regionais de 1.440 empresas produtoras independentes. Foi realizado ainda um Seminário de Programação, com a participação presencial e remota dessas tvs, que determinou a demanda de programação do campo público de televisão, para os públicos infantil, jovem e adulto, sob forma de 90 obras seriadas (ficção, animação e documentário) e 13 não seriadas (documentário) a serem financiadas pela nova Linha. Essa demanda de programação é agora enunciada pelas cinco Chamadas Públicas regionais.

A linha prevê o financiamento do valor integral da produção das obras na modalidade de investimento (aplicação de recursos com participação do FSA nos resultados comerciais dos projetos) a projetos de empresas produtoras brasileiras independentes registradas na Ancine que tenham sede na região em que se inscrever, por no mínimo 02 (dois) anos, ou comprovada atuação de sócio nesta região, por igual período. Serão oferecidas oficinas para formatação de projetos em cada uma das regiões, com apoio de tvs educativas e culturais.

*Ancine – Ministério da Cultura