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Visitas às bibliotecas centrais de Guarujá crescem em 20%

Por Prefeitura de Guarujá

Mais de 282 mil atendimentos foram realizados nas bibliotecas centrais de Guarujá no último biênio. Entre 2017 e 2018, houve um acréscimo de 31 mil atendimentos no último ano. Além de um acervo de livros e revistas, os visitantes podem conferir gibiteca, acervo museológico sobre a Revolução de 1932 e uma horta fitoterápica, com diversidade de ervas e plantas medicinas.

Tudo isso em um ambiente moderno, climatizado e com wi-fi gratuito nas Bibliotecas centrais: Geraldo Ferraz (Rua Ceará, s/n – Vila Alice), em Vicente de Carvalho; e Martins Fontes (Rua Quintino Bocaiúva, 183, no Centro). Neste período de férias, as bibliotecas têm chamado a atenção não só de estudantes residentes, mas também de turistas.

Leitor assíduo da Biblioteca Martins Fontes, o estoquista Marcos Santana, gosta de conferir os jornais diários. “Desde pequeno frequento o local. Costumo vir na hora do almoço ou após o trabalho”. Quem conheceu a Biblioteca do Centro pela primeira vez foi Lucas Teixeira, estudante, 24 anos, que é da Cidade: “Estava buscando uma biblioteca. E achei aqui um local bem diferente, com bastante variedade”, apontou.

Além das centrais, a rede municipal de ensino ainda conta com as bibliotecas anexas às escolas de ensino fundamental, que representam um apoio pedagógico importante dentro das unidades. Até o momento, Guarujá já tem 19 bibliotecas anexas, de um total de 26 unidades a serem contempladas.

Para se tornar um sócio das Bibliotecas centrais é necessário se dirigir a uma das Unidades, munido de documentos pessoais (no caso de menores, o do responsável); 2 fotos 3×4 e comprovante de residência. Horário de atendimento é de segunda a sábado, das 9h às 17h, somente no período de férias, e das 8h às 18h, no decorrer do ano.

Quem efetuar a retirada de livro com 100 folhas pode ficar o título por 10 dias; já para um título de 200 folhas, por exemplo, o período é de 20 dias. As doações de livros e gibis também são bem-vindas. Aqueles que desejam colaborar na ampliação dos acervos poderá fazer a sua doação somente na Biblioteca Geraldo Ferraz, em Vicente de Carvalho.

Biblioteca de Itanhaém será palco de lançamento de livro de crianças

Por Prefeitura de Itanhaém

Toda criança tem um mundo de sonhos. Por que não transformá-los em livros? Pensando nisso a escola de idiomas CNA realizará nesta sexta-feira (7), às 18 horas, na Biblioteca Municipal Poeta Paulo Bomfim, a 1ª Noite de Autógrafos. Na ocasião, as obras dos alunos serão exibidas na Biblioteca, que está localizada na Rua Cunha Moreira, 71, no Centro.

O projeto intitulado ‘Oficinas Literárias’ envolve a participação de alunos de 9 a 12 anos. O projeto foi dividido em três etapas: a criação dos enredos de cada aluno, a transformação da história em um livro de verdade e o lançamento do livro para a família e amigos.

“Podem acreditar que quando se sonha tudo é permitido, quando nos dispomos a realizar o que sonhamos, tudo é possível. Afinal, realidade é sonho de alguém que acreditou”, finaliza Marcelo Casagrande, diretor do CNA.

 

Susana Ventura: ‘Aliar o interesse da comunidade com o incentivo à leitura’

Susana Ventura é Doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, lecionou em universidades do Brasil, Portugal e França. Com atores, músicos e artistas visuais, realizou projetos de democratização da literatura. Foi consultora do Programa Mais Cultura do MinC (formação de bibliotecas) e curadora da exposição “Linguaviagem” (Itamaraty/Museu da Língua Portuguesa).

No seminário “Olhares da Gestão Cultural”, realizado pelas Oficinas Culturais do Estado de São Paulo em junho em Limeira, Susana abordou sobre sua trajetória, como também ações de formação de público na área da literatura. Um exemplo foi o programa Versos e Provas, do Sesc Santos, que reunia um público de 90 pessas em eventos mensais de literatura com alunos de Ensino Médio, tendo apoio principalmente da ONG Educafro. “Houve a criação de um ciclo de leitores com ações de integrar a literatura pedida nos vestibulares com bate-papo, rodas de conversas, e junção com artes cênicas”.

Ela também conta de outra iniciativa, sobre uma ação de leitura continuada por uma semana, “em que havia pessoas de boa vontade fazendo leituras e contação na Pinacoteca, na Orla da Praia. Esse tipo de ação simples muda as pessoas. Acredito muito em equipes multidisciplinares para as ações culturais. Não se trata de inventar a roda, mas de chegar a formatos possíveis que se mostram bem relevantes”. A seguir, o relato de Susana Ventura.

Relato de Susana Ventura

Penso que a área da literatura, onde comecei a trabalhar desde 2007, é uma das mais difíceis de trabalhar no segmento cultural, mas é uma das áreas que pode propiciar grandes alegrias. Lembro que, numa vez, uma secretária de cultura disse com ar triste que no município de 4 mil pessoas, apenas 70 participavam das ações de incentivo à leitura. Nossa, na capital, a gente comemora se houver o mesmo público, porque em cidades grandes, a gente divide o mesmo público com centenas de atividades simultâneas.

Na área de incentivo à leitura, a adesão espontânea é ainda pequena e um grande desafio, porque há outras atividades lazer a diversão. Na área da literatura, essa relação deve ser construída por várias razões. Uma delas é que a sociedade brasileira vem fortemente ligada à oralidade, não somos um sociedade fundada na escrita. Por exemplo, na Alemanha, que é uma sociedade mais ligada ao universo letrado, é muito comum ver que os livros de lá mais procurados são tutoriais, que ensinam a fazer coisas. Há livros que ensinam desde a fazer redes de pesca, a cozinhar, conservar o pescado, fazer comportas. No Brasil, este suporte é muito mais visto na área audiovisual.

Unir acervo com interesse do público

Um tipo de desafio, portanto, é descobrir o interesse do seu público na sua cidade e criar atividades a partir desses anseios, tentando construir pontos entre o que é desejado e o que é ofertado. Baseando-se nos versos de Gilberto Gil – “o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe” -, é preciso ter esse olhar nas bibliotecas. O equipamento cultural não precisa ter toda uma coleção de autores, mas um da Thalita Rebouças, outro do Paulo Coelho, outro da Zíbia Gasparetto, e depois trabalha com o acervo que ele tem. Por exemplo, ouvi outra vez de um bibliotecário: “Olha, descobri que uma pessoa vinha procurar sempre o romance da Zíbia. Gostava tanto que montei uma estante com os livros dela, e também de romances históricos, porque na próxima vez que a pessoa vier, pode buscar um similar”.

E é importante também encontrar aquele agente cultura, aquele professor mais animado, que te ajude a detectar esse público. Talvez você tenha um escritor morando na sua região, por exemplo, que pode vir a participar de um encontro na sua biblioteca. Num programa em Ribeirão Preto, por exemplo, começou chamando Lucília Junqueira de Almeida Prado, depois noutro ano Tatiana Belinky, depois Ricardo Azevedo, entre outros. Há também rodas de leitura, clubes de leitura, piqueniques de leitura, este como ocorre na Biblioteca Monteiro Lobato em São Paulo, além de lançamento de livros com apresentações, palestras.

Bom uso das redes sociais

Agora estão voltando à tona os saraus poéticos, e também oficinas, como de leitura em voz alta, de interpretação de textos, de leitura de imagens, de escrita criativa. Um empurrãozinho bacana é o bom uso das redes sociais e blogs para divulgar as atividades nestes equipamentos culturais, e gerar interesse, impulsionar público. Isso ajuda muito a comunidade a sair de casa para ir às atividades, desde que haja um bom uso antes, durante e no pós-evento, postando aquilo que está acontecendo ou que já aconteceu. Funciona e funciona mesmo.

*Lincoln Spada