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Monumento a Braz Cubas receberá intervenção da Secult e Nova Acrópole

Por Secult Santos | Foto: Memória Santista

A Coordenadoria de Museus e Galerias da Secretaria de Cultura de Santos (Secult) recebe os voluntários da organização internacional de filosofia, cultura e voluntariado Nova Acrópole–Santos para a 12ª edição do Projeto Clio. A ação de limpeza ocorrerá no monumento a Braz Cubas (Praça da República, no Centro Histórico), fundador da vila de Santos. A atividade será nesta quinta-feira (24/jan), às 9h, dentro da comemoração dos 473 anos da Cidade.

Além de colaborar no serviço de limpeza, orientado pela Secult, os voluntários também vão expor varal de poesias de poetas santistas e realiza a Roleta das Virtudes, cujo objetivo é trazer, por meio da interação com o público, reflexões sobre valores e princípios humanos baseadas na filosofia.

Feita pelo artista italiano Lorenzo Mazza, a obra em homenagem a Braz Cubas é o primeiro monumento da Cidade. Com 8 metros de altura, a peça carrega vários símbolos. A face de Braz Cubas aparece rodeada de outras figuras humanas que representam o comércio, a navegação e o gênio de Santos.

A ação voluntária de limpeza dos monumentos de Santos realizada pelos alunos e docentes da Nova Acrópole-Santos objetiva valorizar e preservar a memória municipal e nacional, representada pelos personagens exaltados nas obras. Ainda, é uma via de expressão dos alunos filósofos e voluntários, que sabem que o altruísmo pode tornar o mundo um lugar melhor.

 

Fotógrafos já podem participar de exposição coletiva pelos 473 anos de Santos

Prefeitura de Santos

A partir do próximo dia 14, fotógrafos da região podem inscrever trabalhos em exposição coletiva que festeja os 473 anos de Santos, celebrados no próximo dia 26. Cada artista pode participar com uma obra que tenha a Cidade como temática. A mostra também homenageia o Dia do Fotógrafo, comemorado no último dia 8.

As imagens devem ser entregues impressas, em formato mínimo de 30 x 40 cm, na Coordenadoria de Museus e Galerias, localizada no 5º andar da Secretaria Municipal de Cultura (Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias). As inscrições ocorrem até o próximo dia 18.

A mostra terá início no dia 25 de janeiro, com visitação até 8 de fevereiro de 2019, em uma das três galerias do Centro de Cultura Patrícia Galvão. A escolha da galeria será feita de acordo com a quantidade de obras inscritas. Ao término da exposição cada artista deve retirar sua obra no mesmo local de entrega, entre os dias 11 e 12 de fevereiro. Mais informações pelo telefone 3226-8010.

Artistas podem inscrever obras em mostra aos 472 anos de Santos

Por Secult Santos
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Com a proposta homenagear os 472 anos de Santos, a Coordenadoria de Museus e Galerias (Comug), da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), organiza uma exposição coletiva e busca obras para compor parte da mostra, que ocupará a Galeria de Arte Braz Cubas de 25 de janeiro ao dia 9 de fevereiro.
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Os artistas interessados podem participar com duas obras que tenham tema relacionado à Cidade, em qualquer modalidade das artes plásticas, pintura, gravura, fotografia, desenho e esculura.
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Os trabalhos devem ser entregues na Comug (5º andar da Secult – Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias) até o próximo dia 12 de janeiro. Ao término da exibição, cada artista deverá retirar suas obras no mesmo local de entrega, entre os dias 15 e 16 de fevereiro. Mais informações pelo telefone 3226-8010.

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Foto: @clicksdosan

No Centro Patrícia Galvão, mostras abordam resistência feminina e cotidiano urbano

Por Comug Santos
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Desde a última sexta-feira, entraram duas novas exposições no Centro Cultural Patrícia Galvão (Av. Pinheiro Machado, 48/Santos). A primeira, na Galeria de Arte “Braz Cubas” no 2º piso, “Mon Premier Regard III” traz 22 imagens dos alunos da Imago Escola de Artes. Uma série de cenas que demonstra toda a qualidade e sensibilidade do olhar em situações diversas do dia a dia. São pessoas de diferentes áreas demonstrando como é possível retratar o lugar comum, em arte.
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Dirigida por Gino Pasquato (fotógrafo há 30 anos) e Herbert Passos Neto (jornalista  e fotografo há 15 anos), a Imago Escola de Artes tem a sua 16ª turma de fotografia formada no curso extensivo e que acontece duas vezes ao ano. Integrando a exposição dos alunos acontecerá também a mostra “Santos de Todas as Formas” com os fotógrafos Ernesto Papa , Tadeu Nascimento e Gino Pasquato.
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Já na Galeria de Arte “Patrícia Galvão” no 3º piso, a mostra coletiva “Minha força não é bruta, o universo feminino através da fotografia” é um projeto das artistas Fernanda Klee, Juliana Jacyntho, Lucrécia Couso e M. Cecília de São Thiago, e reúne trabalhos que abordam através da linguagem fotográfica, esse ato de resistência que ainda é ser mulher nos dias atuais. Ambas as exposições permanecem até o dia 20 de outubro, de segunda a sexta, das 10h às 18h e sábados e domingos, das 14h às 20h. 

‘Grafias de Luz’ será nova exposição na Galeria Patrícia Galvão

A Secretaria de Cultura de Santos tem o prazer de lhe convidar para a abertura da exposição “Grafias de Luz – Fatos Gráficos”, quarta-feira, 24 de fevereiro, às 13h, na Galeria de Arte “Patrícia Galvão” – 3º piso – Teatro Municipal de Santos – Avenida Pinheiro Machado, 48. A mostra individual de OrdÍ Calder reúne 13 telas, criadas pelo contraponto entre luz e sombra e tem como objetivo compreender a unicidade que permeia toda a vida.

São fotografias em branco e preto que revelam formas geométricas. Segundo OrdÍ Calder, imagens são feitas em momentos harmônicos do real, ocasiões místicas, que transmitem o silêncio e a poesia da vida. Isso acontece quando todos os elementos se harmonizam e sua mente atinge o equilíbrio com o Todo. “Ao compor novas leituras de objetos do cotidiano, e criar beleza estética independente, eu faço um recorte que abstrai as informações canônicas da fotografia apropriada pelos canais de comunicação e sistemas de produção comercial”, descreve.

A ideia da exposição é promover a expansão da consciência do observador e dar um novo significado para a realidade que o cerca. Assim, as “Grafias de Luz – Fatos Gráficos” são projeções estéticas formadas pela luz do Sol em sombras, que incidem sobre as estruturas de um ready-made no meio urbano.

Para o artista, desde a aurora da civilização, as criações humanas incorporam as formas geométricas sagradas e a linguagem da luz reflete propriedades superiores ao homem, ao Planeta e aos Astros. “Por isso, cada fotografia é um estudo de equilíbrio. Ela deve emitir energia primal e informações que transmitam verdades externas indeléveis, porque as buscas de equilíbrio visual e do equilíbrio físico estão presentes em todas as questões da vida”, define Ordí Calder.

Nesse aspecto, a arte criada, ao utilizar formas e propriedades que se espelham nos valores intrínsecos à fundação do mundo, tem o poder de iluminar a busca da harmonia. “Ela emana energias que favorecem a integração entre os dois lados, esquerdo e direito do cérebro, para atingir a reintegração com o todo cósmico”, explica Ordí Calder.

Inspirado nos mestres da fotografia como Ansel Adams, Henry Cartier-Bresson e Elliot Erwitt, Ordí Calder fotografa Natureza, Paisagens, Retratos / Pessoas e Poesia Visual. A outra parte de sua criação é baseada em conceitos abstratos. “Minha poética, subjaz, é inspirada em valores cósmicos imutáveis como a geometria, as cores, as notas musicais, a história e o design gráfico, além da cultura psicodélica e o surrealismo”, conta.

“Grafias de Luz – Fatos Gráficos” já foi exposta em Los Angeles (EUA) na China entre outros países. No Mato Grosso, foi contemplada no edital do SESC Amazônia das Artes. Tanto no exterior quanto aqui no Brasil, a exposição foi sucesso de público e crítica.

Serviço: “Grafias de Luz- Fatos Gráficos”, ficará aberta ao público até 12 de março de 2016, de segunda a sábado das 13h às 19h. Entrada franca. Galeria Patrícia Galvão – 3º piso – Avenida Pinheiro Machado, 48.

*Coordenadoria de Museus e Galerias de Santos

 

Entrevista: Murilo Netto aborda o ‘coração’ da Secult de Santos

Claro que aceito caronas. E embarquei na viagem dele em maio. Após entrelaçar os dedos ao debater políticas públicas com atores e diretores teatrais na Câmara, rodopiava o botão do rádio entre sambas antigos e orquestras antes de assumir o volante para cumprimentar fotógrafos e artistas plásticos em duas exposições lançadas naquela mesma noite. “Pena que saímos tarde da audiência, queria pelo menos dar uma passada num cineclube”, lamentou Murilo Netto abrindo a porta do carro em frente ao meu prédio.

10Não à toa que as mãos desse jornalista pós-graduado em marketing político vivem em sintonia com as diferentes artes. Desde janeiro, elas guiam o ‘coração’ da secretaria da Cultura de Santos. Como chefe do Departamento de Formação e Pesquisa Cultural, Murilo precisa acompanhar todos os cursos – da Fábrica Cultural à Escola de Bailado, da Escola Livre de Dança à Escola de Artes Cênicas, que alcançam mais de 3,5 mil pessoas. Entre outras funções, está à frente do CAIS Vila Mathias e dos Portos de Cultura, das seis bibliotecas municipais, da gibiteca, da hemeroteca, além dos corpos estáveis, como a Orquestra Sinfônica, do Coral Municipal e do Quarteto Martins Fontes.

Aos 30 anos, o santista se prepara e trabalha há tempos na gestão pública de departamentos de uma secretaria que tem a sua mesma idade. Enquanto assessor parlamentar de Paulo Alexandre Barbosa, já articulava e o representava em apoio ao festivais artísticos de Santos. Quando o deputado assumiu a Prefeitura em início de 2013, foi a vez de Murilo colocar as artes plásticas e visuais em evidência como coordenador dos museus e galerias municipais. Em entrevista exclusiva ao blog, o gestor partilha o panorama, as conquistas e os desafios de seu departamento.

Antes de assumir o Deforpec, você já esteve a frente dos museus e galerias da Cidade entre 2013 e 2014. Foram milhares de visitantes e dezenas de exposições. Como você avalia esta experiência e o quanto ela modificou seu olhar sobre as artes visuais e plásticas?

Minha passagem pela Coordenadoria de Museus e Galerias foi uma experiência inesquecível. No período, pude estabelecer conexões com artistas e com os representantes das instituições museológicas. Viver tudo isso me fez valorizar ainda mais o que foi e o que está sendo produzido aqui em terras caiçaras. Procurei romper uma barreira invisível, que ainda existe para muitos artistas, que parece distanciar a relação entre artistas, que se fecham em seus ateliês, e o poder público, que tem por obrigação fomentar a cultura.

02Meu objetivo principal foi incentivar e despertar o interesse dos artistas em voltar a ocupar os espaços públicos e as galerias de arte. As visitas e a imersão nesse universo rendeu muitos frutos. Exposições como a dos coletivos “Garage” e “Ateliê 44”, dos artistas urbanos na mostra “A Galeria é Nossa!” e a que produzimos em homenagem ao artista Luiz Hamem foram especialmente importantes, pois levaram centenas de pessoas ao Centro de Cultura Patrícia Galvão, que até então não era o mesmo desde a paralisação da Bienal de Santos.

Todas as mostras representaram pra mim a certeza de que a cidade permanece ativa no modo de pensar e agir nesse segmento. Pra mim, mais importante que saber conceituar a arte como contemporânea, é poder refletir, produzir e pensar de forma contemporânea a sociedade e a arte. A maioria dos artistas que eu convivi projeta de dentro de si essa lucidez, que é naturalmente sentida quando reproduzida na sua produção artística.

04Os museus são um capítulo à parte. Também procurei ouvir as demandas desse segmento é trabalhar para unir a rede municipal de instituições com a criação de uma comissão municipal de museus, que agora precisa ser ativada. Por tudo isso, somado aos intercâmbios culturais intermunicipais e internacionais, avalio como positiva a minha passagem pela Comug.

Na época, o departamento chegou a abrir a Galeria Braz Cubas para ocupação de grafiteiros da Cidade, como também entre os museus, elaborou o projeto Trem Cultural na Casa do Trem Bélico. Pode descrever mais sobre a idealização e a repercussão destas iniciativas?

06A exposição “A Galeria é Nossa!” foi um grande sucesso. Idealizada em conjunto com o artista Erico Bomfim, convidamos 6 grafiteiros para produzir livremente no ambiente até então formal da Galeria Brás Cubas. Desde o início, minha ideia era vender ao público uma mostra que seduzia pela transgressão, mas que surpreendia pela qualidade artística. Eliminamos os pregos e as molduras, oferecemos os painéis brancos para serem explorados e promovemos uma abertura com os demais elementos do hip hop, a música e a dança. A mostra foi muito elogiada e chegou a servir de cenário para ensaios de moda.

Na Casa do Trem Bélico, desde o início da gestão, em tornar mais conhecido esse que é um dos nossos principais patrimônios históricos edificados do centro da cidade. No primeiro ano, lançamos em parceria com o Instituto Maramar o projeto MarCafé. Eram debates sobre sustentabilidade, meio-ambiente e responsabilidade social. No final de cada encontro quinzenal, músicos locais se apresentavam e podiam apreciar quitutes preparados com ingredientes nativos da região. No segundo ano, iniciamos o Trem Cultural, que abria as portas do museu para apresentações culturais gratuitas nos finais de semana. Ambos levaram centenas de pessoas a conhecer o espaço.

Atualmente você coordena o Deforpec, responsável desde os corpos estáveis, Orquestra, até os cursos livres gratuitos oferecidos à população. Ainda sobre estes cursos, houve um aumento de vagas e espaços para atividades este ano. Pode detalhar como se deu esta ampliação? Ela acarretou em mais investimentos financeiros também?

Desde janeiro, após convite do prefeito, assumi o Departamento de Formação e Pesquisa Cultural, com a missão de manter a mesma filosofia implementada desde o início do meu trabalho na Secult, ou seja, ouvir as demandas da cidade e atende-las por meio da oferta de serviços de fomento à Cultura. Aumentamos as vagas esse ano (3 mil) em aproximadamente 20% comparando com o ano anterior. Mesmo com um aumento, reduzimos o custo mensal em cerca de 25%, com base nos valores gastos nos últimos meses do ano anterior.

02Para alcançar isso, convidamos professores estatutários, que estavam atuando em outras áreas da secretaria, a voltar a ministrar aulas; reorganizamos o uso dos nossos espaço e ampliamos a oferta e a variedade de cursos nos Portos de Cultura na Zona Noroeste e no Morro do São Bento. Além disso, fizemos uma mudança no programa Fábrica Cultural. Antes, alguns cursos mantinham uma proposta de ensino que podiam durar até 7 anos, o que fugia um pouco da proposta de democratizar o acesso à Cultura e oferecer o despertar artístico para um grande número de pessoas.

Essa pequena alteração acabou com o efeito negativo de manter classes de níveis muito avançados que eram reservadas a apenas dois ou três alunos. O programa também foi modificado no ingresso de crianças de 6, 7 e 8 anos. Nessa idade, elas podem se inscrever no curso de artes integradas. A partir dos 9 anos, podem optar por um outro curso específico, como violão, violino ou piano. Há algumas exceções, como no caso dos cursos de dança.

Outra matéria que passou a ser obrigatória para os alunos dos cursos de música é a de Teoria e Percepção Musical, que também abriu vagas para profissionais. Foram pequenos ajustes, que não mudaram a essência do programa Fábrica Cultural, mas que estão sendo importantes para ampliar o atendimento nas outras regiões. O curso de balé clássico na Zona Noroeste, por exemplo, atende hoje mais de 200 meninas no sambódromo, o dobro do ano passado.

A rádio do seu carro é bem eclética, até instrumentais. Afinal, como é a sua relação com a Orquestra Sinfônica e o Quarteto Martins Fontes, como você avalia o panorama atual dela, desde os ensaios dos músicos até a agenda de apresentações? Aliás, há novos planos para esta área?

09A música é o combustível mais sustentável e potente da alma. Às vezes, basta aumentar o volume do som do carro em dois ou três números que o ânimo se restabelece depois de um dia cansativo de trabalho. Temos em Santos verdadeiros patrimônios culturais. Temos o privilégio raro de manter ativa uma Orquestra Sinfônica, que em 2015 completou 20 anos. Temos um coral municipal respeitadíssimo, em atividade há 25 anos. E temos o Quarteto de Cordas Martins Fontes, que há quase 40 anos apresenta seu repertório com qualidade artística de nível internacional. Talvez esse seja um dos meus principais desafios de gestão. Honrar minha passagem pelo departamento deixando um legado de trabalho que fortaleça as bases dessas nossas instituições que tem vida própria.

Nesse primeiro ano, iniciei uma reformulação completa na equipe de produção dos três corpos estáveis. Isso nos deu fôlego para retomar programas que estavam parados, como o educativo “Dó Ré Mi”, e avançar nos projetos artísticos do Coral e do Quarteto. A partir de agosto, ambos passam a ter concertos mensais regulares. O Coral Municipal, que lançou esse ano um repertório inédito com clássicos do Jazz, se apresentará nas últimas quintas-feiras do mês, no teatro Coliseu, na abertura dos concertos da Orquestra. Já o Quarteto de Cordas, terá seus concertos oficiais nas segundas terças-feiras de cada mês tendo como casa o teatro Guarany.

01O primeiro será no próximo dia 11, às 18h30, conforme anunciado pela Revista Relevo. O conjunto, que é formado por músicos instrumentistas da própria Orquestra, também iniciará um novo programa educativo, que consistirá em apresentações didáticas em núcleos do Escola Total, da Secretaria da Educação. Outra ação importante que merece destaque é o aumento de público nos concertos da Orquestra Sinfônica.

A média desse ano é superior a 500 pessoas por concerto, e foi alcançada graças a uma programação qualificada planejada pelo maestro Petri e algumas parcerias estabelecidas por meio do projeto Plateia Inclusiva, criado em fevereiro, que tem objetivo de convidar o público de instituições sociais e serviços municipais de assistência social a assistir às apresentações. Ainda nesse ano, devemos retomar os concertos nas comunidades e nos bairros da cidade.

A dança também é um destaque da Cidade, como a Escola de Bailado de Santos, o Laboratório de Movimento e Pesquisa Corporal e o curso de dança esportiva em cadeira de rodas, sempre levando o nome de Santos em turnês.

No ano passado, o município perdeu a tradicional bienal do segmento feita pelo Sesc. Como equacionar presença das companhias locais com o vazio deste evento, até por ser uma das vontades do atual secretário em incentivar novos festivais? Há possibilidade da Secult assumir algum grande evento do gênero?

01Santos sempre se destaca na área da dança. Além dessas escolas que você citou, temos ainda a Escola Livre de Dança, que brilha nos festivais pelo alto nível nas modalidades de sapateado americano e irlandês. Não podemos esquecer também do projeto Dança de Rua do Brasil, idealizado pelo mestre Marcelo Cirino, que revelou dezenas de coreógrafos numa nova linguagem, ousada e contemporânea. Temos de ter orgulho de tudo isso e trabalhar cada vez mais para que essa área seja ainda mais valorizada.

A mudança da Bienal de Dança do SESC para outra região foi uma grande perda, sem dúvida, mas não ofusca de maneira nenhuma a qualidade do que continua sendo produzido aqui. Não penso ser uma função prioritária do Estado a produção de festivais para todas as áreas, mas defendo que todas as iniciativas desse modelo tenham o apoio irrestrito do poder público, pois reúnem a força coletiva dos segmentos artísticos. A cidade possui a tradição do carnaval, que nada mais é que um festival popular de culto ao samba e às tradições afro-brasileiras.

Essa tendência de investimento para essa área foi definida ao longo das últimas décadas e por mais que o evento não seja uma unanimidade – e nada é – reflete um desejo e uma simpatia da cidade. Paraty escolheu a Flip, Paulínia escolheu o Festival de Cinema, Santos escolheu o Carnaval. Infelizmente, quando se trabalha com um orçamento, não se pode escolher tudo. Nenhuma cidade média tem esse privilégio de sediar muitos festivais. E nós aqui ainda temos o Mirada, o Festa, o Curta Santos, o Fescete, o Festes, a Tarrafa Literária, o Santos Jazz Festival e o Sansex. Estamos muito bem servidos.

A Cidade também tem a Escola de Artes Cênicas (EAC) Wilson Geraldo, que já é referência e capacita centenas de jovens e adultos nas carreiras de ator. Como você avalia este programa e que alternativas vê para expandir o mercado regional deste segmento para que os alunos quando formados continuem a atuar na Baixada Santista?

05A EAC iniciou esse ano uma nova fase, após perdemos o diretor artístico, Roberto Peres, muito respeitado e que certamente deixou um terreno semeado para darmos continuidade ao trabalho de formação de atores e atrizes. A atriz e professora Renata Zhaneta está assumindo a direção artística da escola e trabalha desde março nessa transição de filosofia. A nova coordenadora é extremamente experiente e foi convidada pela sua competência técnica e para atender um anseio do próprio corpo docente. Juntos, assumimos o compromisso de aproximar a escola da cidade e de atender reivindicações antigas dos alunos e da comunidade artística. Em breve, anunciaremos novidades. O trabalho tem sido silencioso, mas muito produtivo.

Por fim, as seis bibliotecas municipais também estão na sua alçada, onde recebem palestras, debates, saraus, lançamentos e até sessões de cinema. Que relatos você já escutou que marcam estes e outros projetos para aumentar o hábito de leitura entre os santistas?

08Neste ano, concluímos a reforma de dois equipamentos: a Biblioteca Mario Faria e a Gibiteca Marcel Rodrigues Paes e trabalhamos para levar melhorias às outras unidades. No entanto, o maior destaque foi o fortalecimento do programa Leia Santos. As ações de doação de livros, até então restritas aos eventos itinerantes nos bairros, foram ampliadas para 20 novos pontos fixos de distribuição. São displays instalados em 10 pontos de ônibus e outras 10 policlínicas.

A equipe ganhou o reforço de uma kombi para garantir a reposição semanal de livros e para buscar doações na casa dos munícipes. Desde o mês de abril, quando foi lançada a nova campanha, foram recebidos pela secretaria mais de 10 mil livros, um recorde para um período tão pequeno. Temos muitas outras metas a longo prazo, como a integração digital do acervo das unidades, a digitalização do acervo da hemeroteca e a busca de um novo espaço para a biblioteca central Alberto Souza.

Como você pode ver, os desafios são muitos, mas o importante é ter foco e continuar a desenvolver o trabalho. É uma honra poder me dedicar para dar continuidade a um maravilhoso processo público de transformação sociocultural e suceder figuras importantes como Beatriz Rota Rossi, Hedda Gratti e tantos outros que passaram pelo Deforpec. É só o começo e espero que no futuro eu possa entregar o bastão para meu sucessor, feliz por ter contribuído com a construção e o fortalecimento de uma política pública tão importante que é a formação cultural.

*Lincoln Spada