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No Braz Cubas, 8º Facult é tema de tira-dúvidas nesta quinta

Por Lincoln Spada

Novos segmentos artísticos devem compor o Conselho de Cultura de Santos (Concult), no biênio 2019-2021. É que em janeiro, a atual gestão do órgão endossou indicações à Prefeitura para alterações das representatividades da sociedade civil já a partir do primeiro trimestre.

Assim, estão previstas as vagas exclusivas para Artes Urbanas (hip hop, artistas de rua, festas urbanas, etc.) e Cultura da Diversidade (expressões artísticas relacionadas a questões de diversidade sexual, identidade racial, etc.). As eleições dos representantes ocorrem na 10ª Conferência Municipal de Cultura, no dia 16/mar.

Os outros segmentos representados no Concult serão: Música; Audiovisual e Multimeios; Literatura; Teatro e Circo; Artes Visuais; Dança e Movimento; Patrimônio Cultural; Carnaval e Cultura Popular; Produção Cultural. Tanto o conselho quanto a 10ª Conferência pautam o ‘Painel: Facult + Políticas Culturais’.

O painel

A iniciativa realizada pelo Concult e pela Prefeitura via Secult também será um tira-dúvidas sobre o regulamento do 8º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes no Município de Santos, o Facult. O evento será nesta quinta-feira (dia 7), às 19 horas, no Teatro Braz Cubas (Av. Sen. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias). Não há inscrições prévias para o painel com entrada franca.

CAIS Vila Mathias recebe seminário do Plano de Cultura de Santos

O Centro de Artes Integradas (Cais) Vila Mathias recebe no próximo sábado e domingo o Seminário do Plano Municipal de Cultura (PMC), ‘Construção das Metas’. O encontro terá como pauta a elaboração das metas e ações, seguindo orientação do Ministério da Cultura.

Organizado pelas comissões interna e organizadora do PMC, contará com a presença da Ouvidoria Municipal e representantes das demais secretarias municipais, da comissão legislativa de cultura, do conselho de cultura e convidados da sociedade civil.

O PMC consiste em uma ferramenta para regular no prazo de 10 anos a implementação e fortalecimento de ações e programas das políticas culturais da cidade, através de um planejamento estratégico e participativo. O plano terá como base as propostas aprovadas na Conferência Municipal de Cultura, e como referências o Plano Municipal de Fortaleza e o próprio Plano Nacional de Cultura.

*Talita Fernandes

 

Os diálogos de Fabião em 100 dias na Secult de Santos

Talvez o secretário da Cultura de Santos, Fabião Nunes, não conte mais o tempo em que assumiu a pasta a partir desta quinta-feira (23/abr). Será o fatídico 100º dia, tempo de reflexão e experiência suficiente para adaptação na nova morada. Com a cabeça em praças e artemídia, as mãos sujas de grafite e os pés agitados ao discotecar, o político mantém o bom costume de prestigiar as artes.

07Já com passagem no Legislativo e Executivo, conhece a teoria da boa vizinhança a ponto de aplaudir a posse do petista Ministro da Cultura Juca Ferreira e tratar parcerias com o tucano gestor estadual da pasta, Marcelo Araújo. Os diálogos constantes têm sua razão: nesta última década, é o primeiro secretário da Cultura que difere da sigla do prefeito em Santos.

Militante no PSB, recebeu o cargo em um rearranjo político com o partido apoiando Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). Apesar de chefiar um batalhão de mais de 200 funcionários, não nomeou sua equipe e a secretaria alcança 1,5% dos cofres municipais. Em seus 100 dias, reabriu a reformada Concha Acústica e dá continuidade às conversas com a classe artística com o Plano, a Conferência e a posse do Conselho Municipal de Cultura. Estes dois últimos foram realizados recentemente.

06Por sua vez, o plano é uma de suas metas ao longo da gestão. Ainda uma quinzena de dias após a sua posse, Fabião discursou na Vila do Teatro o que norteará os seus próximos 100, 200, 300 dias enquanto secretário da Cultura. Registro aqui as palavras de Fabião entre os versos do próprio político em sua juventude.

Do nada, tudo veio

Quando alguém falou de movimentos sociais, meu cérebro imediatamente abriu uma busca, tentei escanear o que a gente tem hoje de movimento social legítimo em nosso território. Ou seja, a nossa cidade está numa zona de conforto absurda no ponto de vista da Urbis. Não só do pensamento da arte e da cultura, mas de toda Urbis. Estou tentando me lembrar qual foi o último grande edifício construído, espaço construído, que me falou ‘nossa, adorei esse prédio. Algum arquiteto fez’. A gente não tem isso. Ou seja, existe um apagão da percepção do nosso espaço territorial, que é o que a gente escolheu para viver. (…)

01Essa nebulosidade que a gente vive na cultura santista, ela tem uma origem que é a falta de transparência. (…) É uma falta de transparência nas decisões (do Poder Público). (…) Então seja, quanto a falta de critérios, o Plano vai construir. Ele vai dar uma segurança para o secretário de Cultura de Santos, que talvez não seja eu.

Provavelmente não serei eu, porque espero cumprir meu papel e quando achar que esse papel for cumprido, posso ir embora. Pode ser daqui a dois dias, daqui a cinco anos, daqui a dez anos. Não sei. Isso vai depender do tipo que a gente vai conduzir. O que quero deixar bem claro pra vocês é que a falta de clareza e do diálogo é que gera essa área nebulosa.

Sempre tudo tento explicar

[Na sua avaliação enquanto secretário na época] Existe um desarranjo, uma desordem, é, laboral, onde várias pessoas estão, por exemplo, lotadas em funções que não exercem. Logo alguns segmentos não vão pra frente em nenhum sentido, porque não existe uma cooperação à altura. (…)

Eu estava no MISS (Museu da Imagem e do Som de Santos), que foi a atividade de lançamento de uma exposição, e estava falando com a Carolzinha e com o Felipe do Querô, e falei “Carol, existe vazios culturais”. “Não existe não, Fabião”.

05Vazios culturais no conceito que estou falando é o Estado na sua promoção, no fomento público da cultura ele não chega. Isso existe no Brasil pessoal, não? E existe um vazio onde a cultura produzida nesses lugares não vai a lugar nenhum, fica ali. Então não é que estou falando de um vazio de criação, mas um vazio de comunicação.

E nada creio, nada posso acreditar

Essas respostas (sobre questões culturais) não vai ser o Fabião que vai dar, então estou muito tranquilo, porque a gente vai construir de uma maneira coletiva, de uma maneira colaborativa. E é isso o que pretendo fazer, ou seja, estabelecer critérios. Estou há 16 dias, abri três pastas. É a pasta de demandas individuais, demandas coletivas e demandas internas. São caixas. Porque se eu não tiver essas caixas, eu não tenho como sair da caixa.

Elas são três caixas, mas eu vou ter que conectá-las, porque são tudo a mesma coisa. A demanda individual é a demanda de alguém que quer fazer uma coisa, que tem um entorno, uma família, um filho. Então não ela não é só individual, ela é de um segmento, de um grupo, de um vetor.

08E a demanda coletiva ela é muito mais forte. Aqui, já senti em algumas falas, um anseio maior do cinema – precisamos de mais brasa porque a nossa sardinha não está assando -, porque quem está com a fábrica de carvão é o vetor carnaval. Se a gente estabelecer uma conexão, uma opção de bater de frente com o carnaval, a gente não vai a lugar nenhum.

Porque o carnaval (…) é a maior manifestação cultural do Brasil, ela é. Agora se ela vai continuar, é a gente que vai ter que subverter esta lógica. Eu vejo teatro no carnaval, eu vejo cinema no carnaval, eu vejo artes plásticas no carnaval, ou seja, se a gente ver isso separado, apartado, a gente não vai a lugar nenhum.

Deus é Krishna ou Alá?

03Eu sou um cidadão planetário, não sei se você vai ser, se você quer ser. Hoje estou trabalhando aqui. Acho que a gente tem universidade pública aqui e não é pra santistas, a gente tem universidade pública aqui para entrar no rol das universidades públicas.

Se você for entrar na Unifesp, talvez 2% sejam de pessoas da região, porque nossos santistas estão em Uberaba, em Manaus, na Paraíba. Isso chamo de conexões aéreas, de raízes aéreas, e o mercado é uma coisa que a gente vai ter que debater no plano.

Deus é DNA? Deus sei lá.

02Se vocês me perguntarem: onde tem cultura? A Secult tem o que falar ou não tem? Eu acho que tem. A Escola (de Artes Cênicas Wilson Geraldo) está mal engendrada, está pouca audaciosa, está ruim, precisa melhorar, acho que ela te formou de alguma maneira. (…) Você sabe o que tem que melhorar, você sabe melhor do que eu. Você fez a escola, eu não.

Bem, onde mais tem cultura? Tem no Guarany, tem, deixa eu falar outro lugar bacana, tem no Emissário Submarino? Tem na Vila? Na Arte no Dique? Aí o que eu quero, é eu Secult perguntar para sociedade, onde tem cultura? E aí vai ser uma avalanche de respostas. Aqui tem cultura, aqui tem cultura, aqui tem cultura… Vai ter cultura pra todo lado.

*Lincoln Spada

Trinta das mais de 200 propostas da 8ª Conferência de Cultura de Santos

Exatas 207 propostas. Eis o número de ações levantadas pela sociedade civil durante a 8ª Conferência de Cultura de Santos no último sábado (28/mar), na Prodesan. Os indicativos foram levantados sobre quatro temas: implementação do Sistema Municipal de Cultura; produção simbólica e diversidade cultural; cidadania e direitos culturais; e cultura e desenvolvimento.

Umas confirmam as ações desenvolvidas pela Prefeitura. Outras, cobranças de melhorias. Mais algumas são utópicas no âmbito administrativo ou financeiro. E ainda há as ingênuas, que desconhecem os programas governamentais. Mesmo assim, a maioria foi aprovada e sempre será um avanço a criação de um espaço democrático para discussões sobre políticas culturais. São muitas ideias, elenco abaixo 30 propostas da Conferência que podem nortear a Secult nos próximos dois anos.

Leis, Conselho e Produção Cultural

011) Criar nova Lei de Fomento à Cultura através de fundo único ou benefício/isenção fiscal.

2) Obter isenção fiscal (IPTU) para produtoras estabelecidas na Cidade que tenham contrapartida social, como, por exemplo, eventos e programação gratuita.

3) Ampliar para 24 as cadeiras destinadas aos segmentos culturais no Conselho Municipal de Cultura. (Assim, passaria de metade para dois terços de participação da sociedade civil)

4) Articular junto ao Governo do Estado e Governo Federal a criação de uma Universidade Pública de Artes na Cidade.

Fundo de Assistência a Projetos Culturais Independentes – Facult

025) Segmentar o edital do Facult e segmentar a comissão de análise. Assim, diversificar o valor dos prêmios.

6) Disponibilizar uma plataforma virtual de inscrição para o edital do Facult e de divulgação de projetos contemplados. Disponibilizar uma cartilha virtual de procedimentos para inscrição e elaboração de projetos do Facult e um funcionário que tenha treinamento específico para auxiliar os proponentes.

7) Realizar mapeamento e análise do resultado das primeiras quatro edições: bairros contemplados com atividades artísticas; espaços municipais e privados que receberam atividades de contrapartida; quantidade de iniciativas e de público atingido por cada segmento artístico; histórico de desdobramento de cada projeto já contemplado.

8) Promover medidas administrativas que solucionem os grandes atrasos de repasse e a falta de disponibilidade orçamentária da verba previamente destinada para o edital. (A verba já programada e guardada em 2014 ainda não foi repassada por completo aos contemplados)

Teatro e Circo

039) Promover o mapeamento dos grupos e artistas da Cidade para montagem de um anuário virtual e para geração e indicadores culturais que possam apoiar as políticas públicas da Cidade.

10) Promover um programa de intercâmbio de professores e alunos da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo com outras escolas de artes cênicas. Elaborar um programa de estágio entre alunos e grupos da Região.

11) Elaborar a Lei Municipal que destina um espaço público para montagem de Lona Circense, visando apoiar e baratear a vinda de circos para Santos. Propiciar a criação da Escola Municipal de Circo.

Literatura

0412) Propor um projeto de oficinas literárias voltadas à formação profissional, tendo como objetivo o aprimoramento das técnicas e o conhecimento dos escritores, o agenciamento literário e o aprendizado na elaboração de roteiros de cinema, televisão e teatro. Parcerias e articulações com as universidades, Secretaria de Estado da Cultura, Ministério da Cultura, Sesc, entre outros.

13) Propor a realização de eventos literários no formato de festivais locais nos espaços históricos e turísticos da Cidade. Esses eventos envolveriam performances poéticas, lançamentos literários, debates, como por exemplo, o Fórum das Letras (Ouro Preto) e o Festival Literário Internacional de Paraty. Incentivar a criação da Rua da Literatura, como a Calle de las Huertas (Madri) que tem uma vida noturna intensa nos finais de semana.

14) Promover a criação de um roteiro turístico-literário, com a inclusão e uma linha de bondes e de ônibus, relacionando espaços e lugares à história da literatura e dos escritores santistas, por meio de identificação as ruas e residências onde viveram autores e intelectuais da Cidade. Placas com poemas ou trechos de obras estariam instaladas nesses locais.

História, Memória e Patrimônios Edificados

0315) Tornar o Cemitério do Paquetá ponto de referência cultural e histórica para a Cidade, com o tombamento das sepulturas de pessoas de relevância e história funerária ou tumular.

16) Instalação da Biblioteca Central (hoje na Sociedade Humanitária) em imóvel apropriado e de fácil acesso, incluindo-se a acessibilidade a todos os tipos de deficiências, notadamente a visual.

17) Viabilizar a continuidade e reestruturação de projetos, como Oficina Escola de Restauro e Educação Patrimonial.

18) Disponibilizar acesso digital do inventário dos imóveis tombados e dos imóveis gravados com nível de proteção 1, além de imóveis de interesse histórico e dos sítios arqueológicos do município.

19) Instalação de CR-Code nos monumentos da Cidade.

Audiovisual

0720) Abrir vagas de estágio remunerado no Santos Film Comission com processo de seleção aberto a estudantes, e não ser restrito como é atualmente.

21) Criar a Incubadora Municipal de Projetos de Audiovisual, com suporte artístico e acadêmico, utilizando infraestrutura e local da Prefeitura.

Carnaval

22) Possibilitar licença de comércio para agremiações de carnaval da Cidade, com contrapartida social em festas e eventos de cultura carnavalesca, tendo como exemplo as barraquinhas beneficentes na Festa Inverno.

Dança

0523) Ocupação de espaços públicos ociosos para que artistas independentes, grupos, companhias, coletivos, entre outros possam realizar ensaios de espetáculos de dança em fase de criação, montagem ou apresentação.

24) Realização de uma Mostra Anual de Dança, que contemplem encontros, debates, seminários e workshops fazendo parte do calendário municipal. (Santos perdeu a tradicional Bienal Sesc de Dança em 2014)

Música e Ópera

0225) Elaborar projeto de lei para relacionar e cadastrar todos os instrumentos musicais da Secult. Em caso de empréstimos a alunos ou músicos, deverão ser coletados dados, como nome, CPF e endereço. Estabelecer prazo de devolução.

26) Estudar a criação de uma Orquestra Jovem Municipal (hoje, a Prefeitura mantém o Quarteto Martins Fontes, Camerata de Violões Villa Lobos, Coral Municipal e Orquestra Sinfônica). Promover montagens de óperas aproveitando os corpos estáveis.

Artesanato e cultura popular

27) Criar polos artesanais em uma parceria das Secretarias de Cultura e Turismo.

Artes visuais

0128) Ampliar espaços na Cidade para mostras de artes visuais em pontos estratégicos para o desenvolvimento deste segmento, como: Estação da Cidadania, Museu da Pesca, Instituto Histórico e Geográfico de Santos, Caruara, Ilha Diana, Instituto Arte no Dique, Jardim Botânico Chico Mendes, Monumento Nacional Ruínas do Engenho dos Erasmos, Monte Serrat, morros, etc.

29) Implementar um centro de formação e serviço educativo na Galeria de Artes Braz Cubas, visando a mediação da arte, incentivo, produção e capacitação de artistas, para o desenvolvimento de projetos de linhas de pesquisa, preservação de acervo e formação de público.

30) Criar incentivos para a realização da Bienal de Gravuras e Bienal de Artes Visuais em Santos, sendo esta última com espaços paralelos com artistas locais, incluindo premiação.

*Lincoln Spada