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Inscrições para workshops no I Encontro Afro em SV já estão abertas

Por Prefeitura de São Vicente
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As inscrições para os workshops do I Encontro Afro em São Vicente já estão abertas. São 25 vagas para os seis workshops, que estarão disponíveis até o preenchimento de todas. O evento será realizado nos dias 18, 19 e 20 de novembro. A entrada é gratuita.
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Para participar, basta preencher os formulários, que constam no link abaixo, e doar um pacote de fralda descartável no local. A arrecadação será destinada ao Fundo Social de Solidariedade.
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O objetivo do evento é divulgar a cultura afro-brasileira na Cidade, especialmente pelo título de Primeira Cidade do Brasil, além de comemorar a Semana da Consciência Negra.
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Confira os links para inscrição:
>> Workshop Amarração de Turbantes – Jacira Rosa https://goo.gl/forms/NndF8nyoV2XaR8qb2
>> Workshop Amarração de Turbantes – Michelle Fernandes https://goo.gl/forms/lUPp1f6dDi9wcyo32
>> Workshop Trança Ghanna – Lucas Braids https://goo.gl/forms/nGhX6bGD6jL4hzRw1
>> Workshop Trança Enraizada – Juliana Máximo https://goo.gl/forms/EegDWRFR0n1yYwGh1
>> Workshop Barbearia – BJ https://goo.gl/forms/CpVi0gsngmxY5R9G3
>> Workshop Maquiagem – Katia Neco https://goo.gl/forms/qhy9JhyMBhoQEGGn2

No Brasil, pesquisas abordam baixa representatividade de negros nas artes e entretenimento

Por Lincoln Spada

No Brasil, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) sempre vale à uma reflexão da população sobre as formas de desigualdade racial ainda presentes na sociedade. Em um país escravocrata até menos de 130 anos, é comum ainda observar que os negros tenham pouco espaço para apresentar suas narrativas, trajetórias e identidades culturais no universo das artes e do entretenimento.

Se despontam eventualmente negros no mainstream musical, além de toda a contribuição da cultura negra nos ritmos que movem o país, faltam indicadores no segmento e também nas artes cênicas sobre a questão racial. No teatro, o máximo encontrado foi o recente repúdio de artistas à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, que ao divulgar em maio a curadoria do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH), não continha sequer um ator negro no elenco das 25 apresentações anunciadas.

Televisão

Ainda em 2001, no livro ‘A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira‘, o cineasta e roteirista Joel Zito Araújo aborda que, na constatação de sociólogos e acadêmicos, a falta de representatividade do negro na TV, maior veículo de comunicação de massa do país, “influencia ativamente na constituição da identidade desta população e na forma como ela é vista pelos demais”.

Assim, pelos entrevistados da pesquisa, a teledramaturgia nacional em relação aos negros observa: o reforço de estereótipos negativos; a cultura negra enquanto folclore, e não como parte da cultura popular e do imaginário brasileiro; o negro como elemento de diversão para os brancos; além do noticiário reforçar o negro como pobre e favelado.

“Ao persistir retratando o negro como subalterno, a telenovela traz, para o mundo da ficção, um aspecto da realidade da situação social da pessoa negra, mas também revela um imaginário, um universo simbólico que não modernizou as relações interétnicas na nossa sociedade”, avaliou a antropóloga da USP, Solange Martins Couceiro de Lima na revista universitária em 2001.

Segundo o economista da USP, o professor Hélio Santos, a TV da Dinamarca e da Europa em geral têm mais negros que a do Brasil. E de acordo com Paulo Rogério Nenes, o publicitário e diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, em 2007, pesquisas “mostram que as televisões têm apenas 5,5% de apresentadores e profissionais que aparecem no vídeo que são negros”. Até em TVs públicas, foi constatado que 9,4% dos apresentadores e 6,7% dos jornalistas são negros ou indígenas, em levantamento no mesmo ano organizado por Joel Zito, em relação às TV Cultura, TVE e TV Nacional.

Cinema

Em 2014, ganhou destaque a pesquisa ‘A Cara do Cinema Nacional‘, conduzida pela UERJ. A análise dos lançamentos brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012 concluiu que o cinema nacional tem cor e gênero: é branco e masculino. Com dados da Ancine e critérios do IBGE, apenas 31% dos filmes avaliados tinham atores negros (quase sempre em estereótipos de pobreza ou criminalidade).

Ao todo, 59% dos atores são homens (destes, 14% são negros). As mulheres são 41% (4% são negras). No caso da direção, 84% dos filmes foram dirigidos por homens brancos; 13% por mulheres brancas; 2% por homens negros. Nenhum dos filmes foi dirigido por uma mulher negra. Entre os roteiristas a diferença permanece: 74% deles são homens; destes, 4% são negros. Entre o restante, de mulheres roteiristas, não há sequer uma negra.

“Os dados notabilizam o problema da questão racial no país. Se as mulheres brancas encontram participação desigual em relação à predominância dos homens de cor branca, os negros e as negras são ainda mais atingidos por esse contexto assimétrico”, comenta uma das responsáveis pela pesquisa, a mestre em ciência política, Marcia Rangel Cândido.

Literatura

No universo literário, a acadêmica Regina Dalcastagnè, da UnB, lançou a pesquisa ‘Literatura Brasileira Contemporânea — Um Território Contestado’ sobre 258 romances publicados entre 1990 e 2004 pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco. A pesquisa revelou que os autores, na maioria, são brancos (93,9%), homens (72,7%), moram no Rio de Janeiro e em São Paulo (47,3% e 21,2%, respectivamente).

O perfil médio dos escritores se assemelha à representação dos personagens nos romances brasileiros contemporâneos. Eles são, em sua maioria, homens (62,1%) e heterossexuais (81%). A assimetria prossegue no que diz respeito à cor. Os personagens negros são 7,9% e têm pouca voz: são apenas 5,8% dos protagonistas e 2,7% dos narradores.

No levantamento, os negros são retratados geralmente como bandidos ou contraventores (20,4%), empregados(as) domésticos(as) (12,2%) ou escravos (9,2%). A violência contra negros também está nas páginas das publicações. Enquanto a maioria dos brancos morre, na ficção, por acidente ou doença (60,7%), os negros são geralmente vítimas de assassinato (61,1%).

Cia do Imaginário encena ‘Negrinha’ nesta sexta-feira no Novo Anilinas

Por Juliana Sousa

Nesta sexta-feira, dia 18, às 20h, acontece no Parque Novo Anilinas o espetáculo ‘Negrinha’, dentro da programação do Dia da Consciência Negra. Com direção de Paula D’Albuquerque, a peça da Cia do Imaginário é criada a partir do conto homônimo de Monteiro Lobato. Entrada franca.

A peça trata da história de uma criança órfã nascida na senzala, que não tem nome e é chamada de Negrinha, em alusão à cor de sua pele. Relatando situações de maus tratos e humilhações, denuncia um Brasil preconceituoso, que mantém preconceitos e segregações ainda nos dias de hoje.

A aparição de uma boneca leva esta criança a descobrir-se pessoa, modificando o curso da história. Ao se ver sem a boneca, objeto que lhe fez despertar à condição humana, Negrinha acaba perdendo o sopro de vida que trazia em si.

 

Confira a agenda cultural de Santos neste fim de semana

Por Secult Santos

‘Legião Sinfônico’
Um concerto popular. Para interpretar as canções imortalizadas na voz de Renato Russo, a sinfônica convidou o cubatense Anderson Borges, fã do grupo brasiliense e tem um tom de voz muito parecido com o do líder da banda. Domingo (20). 20h. Coliseu (R. Amador Bueno, 237). Ingressos a R$ 20.

3ª Mostra de Teatro Musical
Gilberto e Dora, diretores da Cia Acaso, são pressionados por um impaciente produtor para criar um musical em um curto período de tempo. Passam, então, a rever os melhores números de seu repertório e, em meio a este conflito, identificam algo que permeia todas as cenas: os desdobramentos do amor. Ingressos para o espetáculo da cia. Lúcia Millás à venda na escola (R. Minas Gerais, 84), com o preço de R$ 30 (até esta sexta). Ou no dia do espetáculo, na bilheteria do Guarany, a partir das 17h30, por R$ 60 (com meia-entrada para idosos, professores e estudantes).

‘Balé Jovem no País das Maravilhas’
Divididos em três elencos, cerca de 500 alunos do Balé Jovem de São Vicente se apresentam no espetáculo de encerramento de ano. Sessões na sexta-feira (18), às 18h30 e 21h; no sábado (19), às 18h e 20h30; e no domingo (20), às 17h e 19h30. Teatro Municipal Braz Cubas (Av. Pinheiro Machado, 48). Ingressos a R$ 60,00.

Patrulha Show – Aventuras Caninas
O espetáculo infantil traz a aventura dos cães mais bravos e animados do pedaço. Com a ajuda das crianças, eles solucionam o mistério do tesouro pirata. A peça tem o objetivo de transmitir mensagens aos pais e filhos. Sábado (19). 18h e 20h. Coliseu (R. Amador Bueno, 237). Ingressos de R$ 30 a R$ 60.

Festival de Comédia Caiçara
O humorista Rominho Braga traz o seu solo ‘Adivinha Quem É?’. Sexta-feira (18). 21h. Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100). Ingressos a R$ 20,00.

‘Zero Treze Fighting Gamers – Baixada Santista’
O encontro, voltado para os fãs de jogos de lutas de videogames, traz área free play, dicas para iniciantes e campeonato. Domingo (20), das 14h às 19h. Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes (Posto 5, Orla do Boqueirão). Gratuito.

Orquestra Instituto GPA
Beatles, Elvis Presley e Vivaldi compõem o repertório do próximo concerto da Orquestra do Instituto GPA, em Santos. Com regência de Daniel Misiuk e direção artística da professora Renata Jaffé. Sexta (18). 19h30. Coliseu (R. Amador Bueno, 237). Gratuito.

‘Vozes, violões e amigos’
As cantoras Débora Paiva e Giovana Razuk recebem o público para uma tarde com vários estilos e ritmos. Sábado (19), 17h. Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15). Gratuito.

Chorinho no Aquário
O Choro & Afins convida a cantora Nadja Soares e apresenta repertório com clássicos do chorinho. Sábado (19). 19h às 20h30. Praça Luiz La Scala. Em caso de chuva, o show é cancelado. Gratuito.

‘A música é sempre uma boa ideia’
O show reúne voz, violão e percussão em uma apresentação que traz os músicos Andréa Gonzaga, Leonardo Vilar, Gilson Koch e Débora Paiva interpretando sucessos da MPB. Domingo (20). 17h. Pinacoteca (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15). Gratuito.

Cine Arte – Posto 4
Dir.: Kleber Mendonça Filho. ‘Aquarius’ traz um clima de crescentes tensão e suspense ao falar de temas como especulação imobiliária, a vida na terceira idade e a preservação das memórias pessoais. A trama se desenvolve por meio de Clara (Sonia Braga). Jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos, é assediada a vender seu apartamento em Recife. Cine Arte Posto 4. Sessões às 16h, 18h30; 21h. Em cartaz até dia 23. De R$ 1,50 (meia) a R$ 3,00. Classificação: 12 anos. Nos dias 18 e 20, o local não terá a exibição das 21h.

Sessão Mulher
Parceira entre a Mostra das Minas e a Revista Sanatório Geral, o projeto ‘Sessão Mulher’ traz exibição do documentário ‘Tão Longe é Aqui’. O road movie acompanha a trajetória da diretora Eliza Capai em uma viagem à África e conta, por meio de uma carta destinada à sua filha no futuro, a história dos encontros com mulheres fortes de diferentes regiões africanas. O filme foi premiado em mostras como o ‘Festival do Rio’, em 2013; ‘Brasileine Suecia’, em 2014; e o ‘Festival Mercosul’, entre outros. Sexta-feira (18). 21h. Cine Arte Posto 4. Gratuito.

Programação Semana da Consciência Negra
Misturando ficção e realidade, o filme ‘Branco Sai, Preto Fica’ retrata o cotidiano e a visibilidade dos afrodescendentes no Brasil, com um ar de ficção científica. Dirigido por Adirley Queirós, o drama traz a história de dois homens, que tiveram as suas vidas marcadas após um tiroteio em um baile black, na periferia de Brasília. Uma terceira figura vem do futuro, destinada a investigar o que ocorreu e provar que a culpa é da sociedade repressiva. Domingo (20). 21h. Cine Arte Posto 4. Gratuito.

Musical no Miss
O projeto Musical no Miss continua com série ‘Dos Palcos para as Telas’, que exibe produções teatrais que viraram obras cinematográficas. Em ‘Gypsy – Em busca de um sonho’, o maior desejo de Mama Rose (Rosalind Russell) é ver suas filhas conquistarem o sucesso na Broadway. Ela deposita grande parte de suas esperanças na mais velha, June (Ann Jillian), mas não deixa de lado a pequena e tímida Louise (Natalie Wood), que é arrastada pela mãe por todo país em busca de notoriedade. Baseado na autobiografia de Gypsy Rose Lee. Após a exibição ocorre bate-papo com o maestro e diretor geral do Broadway Voices, Fernando Pompeu. Sexta-feira (18). 15h30. Museu da Imagem e do Som (Miss). Piso térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão. Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias. Gratuito.

Mostra das Minas
Iniciativa independente do Coletivo de Mulheres de Cinema e Audiovisual da Baixada Santista, o projeto Mostra das Minas tem o objetivo de incentivar a produção e manter viva a discussão sobre o protagonismo da mulher dentro do mercado cinematográfico e audiovisual. Realiza sessão com exibição dos curtas-metragens ‘Órion’, de Rodriane DL; ‘O Mais Barulhento Silêncio’, de Marcela Moreno; e ‘Edifício Tatuapé Mahal’, co-dirigido por Carolina Markowicz e Fernanda Salloum, além do documentário em média-metragem, ‘No Devagar Depressa dos Tempos’, de Eliza Capai. Durante a noite também ocorre o lançamento da 17ª edição da revista ‘Sanatório Geral’, que traz o tema ‘Mulher’ e tem textos de Kiusam de Oliveira, Vitória Rodrigues e Renata Carvalho. Na sessão ‘Cadeia Elétrica’, com Iasmin Alvareza, traz entrevista com a diretora Eliza Capai, além da estreia da ‘Interne-se’, seção com a pesquisadora Dani Marino em texto sobre as Mulheres e as HQ’s. Sábado (19). 20h. Museu da Imagem e do Som de Santos (Miss). Piso térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão. Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias. Gratuito.

Cinemateca de Santos
O espaço continua com a mostra em homenagem ao cineasta Héctor Babenco e projeta o filme ‘O Passado’. O drama desenvolve a história de Rímini (Gael García Bernal), um jovem tradutor que terminou recentemente um casamento de 12 anos com Sofia (Analía Couceyro), sua primeira namorada. A separação foi tranquila até Rímini iniciar um namoro com Vera (Moro Angheleri), uma modelo de 22 anos. Um dia Sofia tenta beijá-lo à força, o que faz com que Vera, que presenciou a cena, morra atropelada. Um ano depois, Rímini se casa com Carmen (Ana Celentano), sua parceira de tradução. O trauma da morte de Vera lhe rendeu uma amnésia misteriosa, que o faz se esquecer dos idiomas que precisa traduzir no trabalho. Ajudado por Carmen e pelo nascimento de seu filho, Lúcio, ele precisa se adaptar à sua nova realidade de marido dependente. Sábado (19). 20h. Rua Ministro Xavier de Toledo, 42, Campo Grande. Gratuito.

Roda de conversa e exposições na Casa Afro em SV

A Casa da Cultura Afro-Brasileira de São Vicente sediará no próximo dia 7, às 9 horas, a aula presencial do curso municipal ‘Práticas Pedagógicas Afro-Indígenas, conhecendo para respeitar’. Com apoio da Secretaria da Cultura, a atividade será o encerramento da formação de ensino à distância realizada pela Secretaria de Educação e da Sumira – Superintendência de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial.

Tendo educadores da rede municipal de ensino como seu público-alvo, o evento contará com uma roda de conversa sobre as religiões de matrizes africanas. No mesmo dia, a Casa Afro também abrirá suas exposições ‘Ubuntu’, de Cláudia Mello, e ‘Memória de um Negro Baiano’, de Rose Britto.

MOSTRAS

Como um varal de memórias, ‘Ubuntu’ reúne 15 bonecos Abayomi, resultantes do projeto socioeducativo Art-ilê, da Matintah Pereira. Confeccionadas com materiais recicláveis, as obras resgatam tradições da nação Yorubá cuja história está relacionada à escravidão dos povos africanos. O nome da mostra significa, para os povos africanos, a capacidade humana de compreensão e generosa reciprocidade.

04Por sua vez, ‘Memória de um Negro Baiano’ trata-se de um acervo pessoal de Rose Britto de fotos e registros sobre a cultura negra na Bahia entre os anos de 1945 e 1949. Militante pela causa da igualdade racial, Rose é artesã e artista plástica vicentina.

CONSCIÊNCIA NEGRA

O Dia da Consciência Negra celebrado em 20 de novembro foi instituído pelo Governo Federal em 2011 por datar a morte de Zumbi, líder quilombola. Zumbi foi morto em 1695 por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho ao ocuparem o Nordeste brasileiro.

A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam.

*Lincoln Spada