Arquivo da tag: cubatão

Entrevista: O adeus de Marcos Sadao às bandas de Cubatão

A partir de 2015 o maestro Marcos Sadao Shirakawa não estará mais a frente da regência da Banda Sinfônica de Cubatão e da coordenação da Banda Escola de Cubatão (BEC). O próprio secretário municipal da Cultura, Wellington Borges, salienta em carta endereçada ao regente “sua excelente contribuição artística e profissional” e “reconhecimento aos relevantes serviços prestados” em seus 12 anos de serviço na Cidade.

O texto divulgado nas redes sociais desta quinta-feira (8/jan) ainda explica que a saída de Marcos se deve a uma avaliação em 2015 que, “ao imprimirmos um novo olhar sobre o rol dos Grupos Artísticos do ponto de vista conceitual e metodológico, somos levados a prescindir da vossa valiosa e prestigiosa colaboração, o que vem resultar na cessação dessa tão exitosa e profícua parceria”.

> Saiba mais das mudanças dos Grupos Artísticos de Cubatão em 2015

Por sua vez, o maestro agradeceu as homenagens no Facebook, mas indicou que sua saída pode ser a “um problema político e principalmente por causa do crescimento do BEC a cada ano que passa”. Em resposta ao blog, a Secult não cita razões partidárias e anuncia que interinamente regente-auxliar Ulysses Damaceno e o monitor Germano Blume irão capitanear a Sinfônica e o BEC. Aliás, a rotatividade também marca a exoneração de Albino de Oliveira, regente do Grupo Rinascita de Música. Confira abaixo a entrevista exclusiva com o ilustre Marcos Sadao:

01No Facebook, você comentou que sua saída se deve a um problema político e pelo crescimento do BEC. Afinal, existe alguma rusga entre você e a Secult ou tem inimigos políticos?

Quanto à questão política, creio que onde existem pessoas que são obrigadas a atender as exigências políticas de determinados segmentos partidários, fica difícil desenvolver um trabalho profissional, pois a interferência dessas pessoas atrapalham em muito nosso trabalho. Ao apoiar um vereador nas ultimas eleições também apoiamos a prefeita, mas na política tudo muda.

Já quanto ao BEC, o projeto que foi desenvolvido para os próximos anos dá mais visibilidade e popularidade a quem está a frente na condução dele. Entendo que isso pode ter levado ao meu desligamento. O motivo que alegaram para minha saída foi “um novo olhar sobre o rol dos Grupos Artisticos do ponto de vista conceitual e metodológico”, de minha parte sempre estarei torcendo pelo sucesso da Banda e do BEC.

Nesses 12 anos, você popularizou o repertório da Banda Sinfônica da Cidade, atraindo mais público, e em outras entrevistas, sempre reafirma o compromisso de levar o conhecimento da banda aos cubatenses. Poderia citar outras ações que você realizou e se tornaram marcantes para a trajetória da Sinfônica?

Desde o início da minha gestão, procurei desenvolver projetos que atraíssem o público, e que popularizasse os movimentos culturais na cidade envolvendo artes plásticas, dança, canto coral com o auxílio da música, para tanto fizemos peças envolvendo a Cia de Dança (‘Carmina Burana’, ‘Musicais da Broadway’, ‘Scheherazade’, ‘Tangos’, ‘West Side Story’ e ‘Quadros de uma Exposição’) e com o Coral Zanzalá (‘Alexander Nevsky’, ‘Aquarela Brasileira’, ‘Queen Sinfônico’ e ‘Beatles Sinfônico’ com o cantor Lobão).

Também realizamos peças com atores e cantores da Cidade (‘Simonal e Taiguara’, ‘Classical Rock’, ‘O Grande Circo Místico’, ‘Cartoons’ e ‘A Paixão de Cristo’) e com artistas convidados, como Liriel, Thobias da Vai Vai, Oswaldinho do Acordeon e Raíces da América. E principalmente os concertos comemorativos e didáticos que envolviam os alunos do Programa BEC, levando a música para os bairros e escola da cidade.

Do mesmo modo, você esteve coordenando o BEC, que anda agradando os cubatenses desde seu começo em 2004. Como o descreve inicialmente e qual o panorama atual deste projeto?

02O Programa BEC tem cunho social, onde o objetivo maior além de dar uma atividade extra-curricular aos jovens muitos deles carentes, é poder dar a esses jovens a oportunidade de ter um contato maior com as atividades culturais. O exemplo desse sucesso é que hoje cerca de 25% dos integrantes da Banda Sinfônica tiveram origem no BEC, inclusive muitos deles buscando sua profissionalização já integram outros grupos até na Capital.

Destaco que o sucesso desse projeto se deve na maior parte à participação dos pais, pois foram eles que nos deram apoio para fazermos aquisições tanto de materiais didáticos como de instrumentos e manutenção dos equipamentos. Sem o apoio desses pais, o sucesso deste projeto não seria o mesmo.

Você também é o regente titular da Banda Sinfônica do Estado, considerada única profissional no País, e, portanto, sendo referência para as demais. Assim, poderia elencar quais as prioridades para ampliar o circuito de bandas sinfônicas em nosso Brasil? Seria mais investimento financeiro, interesse político, público, bons músicos, bons repertórios?

Essa é uma boa pergunta. Na minha visão, o Brasil tem uma tradição muito forte na formação de Bandas, porém, essas corporações estão sempre em busca de reconhecimento, auxílio financeiro etc. Na ponta de pirâmide sempre aparecem as orquestras, pois para o poder público a montagem de uma orquestra é mais rápida, porque na maioria das vezes tem sempre um grande patrocinador por trás. Entendo que a questão é educacional e cultural.

Enquanto música e cultura forem deixados de lado, ficará difícil a montagem de outras Bandas em nosso país. A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo está entre as 10 melhores Bandas do mundo. Como chegamos a isso: tocando repertório de Banda Sinfônica, cobrando profissionalismo dos músicos e tratando esses profissionais com respeito.

Paulistano, você atualmente mora em Cubatão. Independente do futuro profissional, ainda pretende manter residência na Cidade? Qual sua opinião sobre o município?

Ao assumir a Banda, dividia minha semana entre Cubatão e São Paulo. E ao assumir o BEC, defini fixar residência aqui em Cubatão. Aqui aprendi amar, respeitar, conheci lugares e pessoas, tenho um carinho muito especial pela Cidade, pois me dediquei ao trabalho e entendo que a integração disso tudo me fez um homem melhor. A cidade tem um grande potencial humano e sempre será um celeiro de artistas.

‘Quadros de uma Exposição’ reúne música e dança em Cubatão

A Banda Sinfônica de Cubatão e a Cia de Dança da Cidade repetem o projeto Concerto “Quadros de uma Exposição”, mesclando boa música, dança contemporânea e até artes plásticas, tudo reunido em uma única apresentação. Será no sábado (13/dez), às 20h30, no Bloco Cultural (Pça. dos Emancipadores, s/nº), com entrada gratuita.

Inspiração do projeto

Quadros de uma exposição – Uma suíte escrita originalmente para piano, criada por Modest Mussorgsky, em 1874. A história da obra é curiosa: para compôr as músicas, Mussorgsky se inspirou em uma exposição de quadros do arquiteto e pintor Viktor Hartmann, seu amigo pessoal, recém falecido.

Após visitar a mostra em uma galeria de São Petersburgo, em março de 1874, Modest resolveu prestar homenagem a Hartmann. O artista plástico escolheu dez quadros entre as pinturas expostas e compôs uma música para cada um delas. Criada em uma época em que o piano era instrumento de brilho virtuosístico, a suíte ganhou valor e orquestração somente no século XX.

01

*Morgana Monteiro

 

Sinfônica de Cubatão homenageia Simonal e Taiguara

01

Inovação com paladar de Música Popular Brasileira. Wilson Simonal e Taiguara serão homenageados pela Banda Sinfônica de Cubatão neste fim de semana. O concerto acontece dia 6/9, às 20h30, no Bloco Cultural (Pça. dos Emancipadores, s/nº).

O maestro Marcos Sadao Shirakawa, que vai reger o Grupo Artístico nesta apresentação, explica que o concerto é uma releitura do espetáculo de mesmo nome apresentado há 10 anos. “Na época, este espetáculo abriu um novo leque de apresentações da Sinfônica de Cubatão, unindo o erudito e o popular. E foi, sem dúvida alguma, fundamental para divulgar ainda mais os trabalhos mais significativos da MPB”, afirmou o maestro.

Como na apresentação original, este concerto conta com roteiro de Edson Carlos Bril. Dois atores – Amaro Gomes e Wagner Skilo – recontam a vida e obra de Taiguara e Simonal entre uma música e outra. Em 2014, as músicas imortalizadas por Simonal e Taiguara serão interpretadas por Deblas Alves e Fabrício Melo, com arranjos de Edielson Aureliano e Ronaldo Oliveira.

No repertório, 12 músicas como Universo no Teu Corpo, Nem Vem Que Não Tem, Hoje, Geração 70, Maria do Futuro, Sá Marina, Que Maravilha, Meu Limão Meu Limoeiro, Piano e Viola, Você Abusou, Carne e Osso, Tributo a Martin Luther King e País Tropical.

Simonal – Wilson Simonal foi um dos canrores de grande sucesso nas décadas de 1960 e 1970 e chegou a comandar um programa na extinta TV Tupi. Detentor da esmeralda técnica e qualidade vocal, imortalizou músicas como Balanço Zona Sul, Lobo bobo, Mamãe passou açúcar em mim, Sá Marina e País Tropical, de Jorge Ben Jor. Seus filhos Max de Castro e Simoninha também seguiram a carreira artística. Morreu em 2000. Simonal foi eleito, em 2012, o quarto melhor cantor brasileiro de todos os tempos pela revista Rolling Stone Brasil.

Taiguara – Nascido no Uruguai, Taiguara Chalar da Silva foi um artista considerado símbolo da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira. Foi um dos compositores mais censurados da história da MPB, tendo 68 canções proibidas. Escreveu Caveleiro da Esperança, em homenagem a Luís Carlos Prestes. Em 1975 se úne com músicos do calibre de Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, Toninho Horta, entre outros e grava um lindo disco, confiscado pela ditadura dias depois. Morreu em 1996

*Prefeitura de Cubatão