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Oficinas Querô estreia curtas e faz homenagem póstuma a Carlos Cortez

Com informações de Ivan De Stefano

Ao todo, quatro obras audiovisuais realizadas pelos jovens das Oficinas Querô serão exibidas gratuitamente nesta terça-feira (18/dez), às 19h, no Cine Roxy 5 (Av. Ana Costa, 433, Gonzaga/Santos). São produções em que todo o trabalho de roteiro a edição foram elaborados por alunos de 14 a 18 anos, de baixa renda e escolas públicas de Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande.

O instituto atendeu 40 jovens durante oito meses em 2018, após selecionar cerca de 600 inscritos. No curso, aprenderam sobre produção audiovisual, empreendedorismo e cidadania. Escrito por Diany de Jesus, que divide a direção com Ycaro Samaniego, a ficção ‘Vestido de Azul’ aborda sobre arte drag e bissexualidade na terceira idade, tendo no elenco, os atores Luiz Fernando Almeida, Eduardo Chagas e Juliana Freitas.

Já no documentário ‘Sou Pietra’, de Eric Rizzini e Nicole Zaborestki, a transexualidade é abordada por meio do depoimento de uma personagem vicentina. Também há ‘Cidade dos Óvnis’, dirigida por Guilherme Alves: “Queremos mostrar um pouco de todo esse mistério que acontece na cidade de Peruíbe, com depoimentos de pessoas que viram óvnis e acreditam que estes seres extraterrestres procuram por algo que só existe nesta cidade”.

No documentário ‘Tempo de Pai’, de Joice Rodrigues e Diany de Jesus, o enredo trata da relação do pai Edmundo e da filha Beatriz, após a morte da respectiva esposa e mãe. Trabalhando juntos em uma empresa de ‘bolo de pote’, a filha pretende cursar gastronomia, enquanto o pai imagina que o seu papel paterno será cumprido até ela subir ao altar. As oficinas são patrocinadas pelo Banco Votorantim, Brasil Terminal Portuário, thyssenkrupp e CMOC Internacional Brasil.

Homenagem a Carlos Cortez

Na sessão de terça-feira, o Instituto Querô também realiza homenagem póstuma ao seu diretor e um dos fundadores, o cineasta Carlos Cortez (falecido em 6/dez). O diretor também batizará a sala de cinema da Vila Criativa da Vila Nova, que ganhará o nome de ‘Cinescola Querô – Carlos Cortez’ em 2019. Cortez era casado há 30 anos com a diretora da Ancine, Debora Ivanov. Em 2004, junto à produtora Gullane Filmes e Tammy Weiss iniciou pesquisas que renderiam o longa ‘Querô’ e a criação do instituto homônimo junto à Unicef.

 

Oficinas Querô realizam teste de elenco para novo curta-metragem dia 13

Por Ivan De Stefano

Quer fazer parte do novo filme produzido pelas Oficinas Querô? Os jovens realizam neste sábado (13/05), das 10 às 17 horas, um teste de elenco para o curta-metragem “Ana”, que abordará questões como racismo e auto-aceitação. O teste é gratuito e não é preciso ter experiência em atuação. Para os papeis principais, serão selecionados dois perfis: uma criança, negra, de 9 a 12 anos, com cabelos crespos e uma mulher negra, de 28 a 35 anos, alta e também de cabelos crespos.

Para os demais papeis que compõem o filme, serão selecionados mais 4 perfis: homem, negro, de 25 a 35 anos; mulher, negra, de 35 a 40 anos; mulher, branca, de 30 a 50 anos; crianças de 9 a 12 anos (sem característica específica). O teste será realizado na Unimonte (Rua Comendador Martins, nº 52 – Vila Mathias). Interessados devem levar o RG e menores de idade devem ir acompanhados com os pais. As filmagens estão programadas para julho. Informações (13) 3233-7084, site http://www.institutoquero.org ou facebook http://www.fb.com/institutoquero.

O Filme

Com duas protagonistas negras, o curta-metragem busca dar representatividade à cultura afro-brasileira e discutir questões como racismo, auto-aceitação e também abordar questões sobre refugiados. Na história, Jeannete é uma professora refugiada do Congo que trabalha como faxineira em uma escola na cidade de Santos. Mesmo não sabendo falar português e com dificuldades de adaptação, ela decide ajudar Ana, uma menina que não se reconhece como negra.

Além da representatividade na atuação, o filme também conta com duas mulheres na escrita do roteiro – Nicolle Ferreira e Isabella Rosa, ambas de 18 anos – e na direção a jovem Vitória Felipe dos Santos que se prepara para dirigir seu primeiro curta-metragem. Com 18 anos, Vitória faz parte das Oficinas Querô 2017, curso de capacitação audiovisual do Instituto Querô, é também universitária em História pela Universidade Católica de Santos e envolvida em causas relacionadas à luta da comunidade negra, fazendo parte do coletivo de mulheres “Fridas”, onde colabora na produção de eventos voltados à cultura afro-brasileira.

 

Entrevista: ‘A curadoria coletiva foi uma grata surpresa’, avalia diretor do Curta Santos

Por Lincoln Spada

Com o tema ‘Inclassificáveis’, o Curta Santos – Festival de Cinema de Santos teve diferenças pontuais em sua 14ª edição, realizada entre 26 de setembro e 1º de outubro. A recém-aberta Cadeia Velha foi palco do início e encerramento do evento que segue desde 2002 na cidade.

a9Se por um lado não houve o anúncio antecipado de celebridades homenageadas na abertura ou o Curta Escola, por outro se consolidou a Mostra de Longas e ampliou as linguagens artísticas durante o festival que contou, entre suas ações, com o Encontro de Criadores.

Ainda, o movimento audiovisual local [CinemaMêmo e Mostra das Minas] ganhou mais espaço com oficinas e sessões do evento, que reuniu 51 filmes em 16 sessões. A curadoria coletiva entre os inscritos da mostra regional Olhar Caiçara também foi uma novidade. E a avaliação da última edição é abordada em entrevista por telefone com o diretor do festival, Ricardo Vasconcellos.

Esta é a primeira edição que o Curta Santos não homenageia publicamente algum cineasta ou artista reconhecido na cena nacional. Por qual razão houve essa mudança e até que ponto isso afeta a visibilidade e a relação do público com o festival?

a91Bem, a gente não é engessado em formatos. O Curta Santos sempre quando tem uma oportunidade de homenagear ou identificar personalidades que contribuíram para fomento ou cenário do cinema nacional, faz esta homenagem. Neste ano, nós não abrimos publicamente a quem estaríamos homenageando, que foi a Helena Ignez. Ao aceitar compor o júri e ministrar uma atividade conosco, pensamos toda nossa arte visual em cima da imagem dela e, na abertura, ela se sentiu surpresa.

Entregamos o Troféu Maurice Legeard a ela por toda a trajetória que já tem, que tinha a ver com o tema deste ano do festival, ‘Inclassificáveis’. Então não teve o anúncio anterior, mas foi muito mais pela surpresa para a Helena Ignez. Sobre a visibilidade, acho que não reduziu, porque o festival está consolidado, e o que é mais importante [ao público] são as mostras, as produções realizadas em nossa região.

Também neste ano, o evento proporcionou uma curadoria coletiva e realizadores locais passaram a dar oficinas, junto de Fernando Timba, Helena Ignez e Di Moretti. O festival prevê ou prepara em curto prazo maior participação dos cineastas locais também na gestão do Curta Santos?

a3É uma consequência natural. Aqui na região, temos grandes profissionais, e estão despontando, não só no universo audiovisual, mas que também atuam em outras áreas. Temos como exemplo, o Rafael Gomes [cineasta, diretor teatral, dramaturgo e roteirista], que já participou do Curta Santos como jurado e realizador. E de dois anos pra cá, a gente percebeu que o movimento audiovisual [CinemaMêmo] ganhou corpo, fala e participação, e por que não, que os seus integrantes estejam no festival da cidade?

A gente fez o convite ao CinemaMêmo e, em comunhão, escolheram pessoas para ministrar atividades, e as atividades ocorreram na Oficina Pagu, na própria Cadeia Velha, e nos morros. Alguns já desenvolviam essas atividades formativas no Curta Escola [oficina audiovisual para alunos do Ensino Fundamental], quando estavam na faculdade.

a95Em relação à curadoria, foi um experimento. Noutros anos, a gente já fez a curadoria da Mostra Olhar Caiçara com a equipe da organização, com pessoas de fora, com gente da própria cidade, dentro da área de cinema, com e sem a nossa participação… E percebemos na escuta do próprio movimento, que a curadoria poderia ser mais democrática, então a gente entendeu que quem deveria essa escolha do Olhar Caiçara eram os próprios realizadores.

Para nós, foi uma grata surpresa. Foram quase oito horas por dia assistindo a quase 50 filmes. E a gente percebeu que curtiram muito, os realizadores vieram [só houve desistência de cerca de 15% entre os 60 inscritos]. Como a gente sempre falou, somos abertos para sugestões, conversas, tanto de grade, quanto de formato para as edições do Curta Santos.

Nas mostras caiçaras, percebe-se ter cada vez mais produções de mulheres cineastas (36% ante 22% dos selecionados em 2015). Que fatores podem ter contribuído para esse protagonismo feminino no audiovisual? E isso é perceptível apenas na Baixada Santista ou também num contexto nacional?

a7Sim, penso que é o momento que se reflete no cenário nacional. Bem, a gente tem referências femininas no audiovisual muito importantes que trabalham há anos na nossa cidade, como a Raquel Pellegrini [coordenadora de cinemas da Secult] e que contribuíram com o Curta Santos, como a Andréa Pasquini [cineasta], diretoras recém-formadas pelo Querô e Unimonte, a diretora do Instituto Querô, Tammy Weiss [também coordenadora do SP Film Comission]. Você tem uma questão natural.

A direção de cinema firme e competente, independe se é mulher ou homem, pois o mais importante é a obra. Com o surgimento da Mostra das Minas, incluída na grade do Curta Santos, além da obra ser importante, também há o manifesto dos direitos e do respeito à questão da mulher no Brasil e no mundo.

a5Isso penso que é o papel do festival, em abrir espaços para essas oportunidades e profissionais, e, a nossa cidade tem mulheres realizando, e se posicionando, e utilizando o audiovisual como sua bandeira de discurso enquanto artista. É louvável. E o Curta Santos tem a honra de ter mulheres a frente de sua produção, pois a maioria de quem produz o festival são mulheres [quase dois terços da equipe].

Com a curadoria coletiva, a mostra Olhar Caiçara além das tramas juvenis, ampliou a participação de documentários, principalmente sobre as consequências da desigualdade econômica regional e narrativas sobre pessoas com deficiência. Num país em que a bilheteria nacional se concentra em super-heróis e comédias, como vê razões para o cinema local investir neste outro panorama?

a94Todo curta-metragem é uma possibilidade, um experimento. O curta dá essa flexibilidade para fazer uma obra mais prazerosa, autoral, que não precisa ser institucional ou encomendada pelo mercado. Muitos dos realizadores que conversamos, afirmam que os curtas são os que estão sentindo naquele momento. E se aparecem documentários que falam de pessoas com deficiência ou questão econômica, é porque esses fatores refletem na vida deles, no seu entorno, na cidade.

É muito interessante na nossa região ter essas abordagens do gênero documentário. E no festival, a gente tem a premiação para documentário, reconhecemos o gênero enquanto obra. A gente recebe muitas produções locais e nacionais de documentários, e acredito que é porque as pessoas experimentam os assuntos à sua volta.

a93Pelo que se pode ver, a curadoria coletiva considerou esses assuntos pertinentes para discussões. Claro que se pode futuramente elencar os filmes selecionados para uma mostra de documentários, fazer um recorte, que possa ter outro desenvolvimento pós-exibição [uma discussão]. Pode-se fortalecer mais este gênero, que já ocorre noutros momentos na cidade, como a itinerância do Festival É Tudo Verdade e Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

Na atual edição, o Curta Santos voltou com longas-metragens, manteve a sessão de videoclipes e não contou com a mostra estudantil. E com a volta da Cadeia Velha, passou a dialogar mais com outras linguagens. Este formato agradou o público e deve continuar nos próximos anos ou há vontade para remodelar quais ações?

Percebe-se que as mostras competitivas precisam sempre ter um olhar diferenciado. E a gente ainda quer possivelmente imprimir uma mostra competitiva de longa. Por vezes, fazemos um recorte de ineditismo dos filmes na região, por vezes são escolhidos pelo tema do festival, ou pelo cineasta homenageado. Trata-se de um processo que está em maturação, de como inserir os longas nas próximas edições.

a1Uma grata surpresa foi a mostra Videoclipe Caiçara, e a importância das produções para o audiovisual na região. Existe uma atenção dos realizadores e bandas de se expressarem através do audiovisual, então tivemos um grande número de inscritos. Bem, as produções nesse formato são ricas, em pesquisa, em colocar a música à serviço da imagem e vice-versa, e isso merece uma discussão bem. Quem sabe transformá-la noutro momento como foi a Mostra Curta Cris [sessão de cinema LGBT que hoje é o festival Sansex de Diversidade Sexual]?

A gente não parou e refletiu sobre um outro momento só de videoclipes, mas enquanto essas produções estão no Curta Santos, estamos dando o maior espaço, que é a sala do Cine Roxy, em horário nobre, como noutras mostras. E ver uma sala cheia para assistir a videoclipes é muito bom. Já colocamos noutros formatos [como espaços alternativos, bares e festas], mas os realizadores apostaram nas salas de cinema e a parceira TV Tribuna também entende essa força, consagrando-os com a exibição em programas no fim de ano.

a4Sobre o Curta Escola, de certa forma, a gente não deixou de fazê-la. Continuamos levando escolas e entidades sociais em parceria com o Fundo Social de Solidariedade para o Curta Matinê [sessões estudantis], neste ano, foram quatro sessões. E também há o próprio avanço do movimento audiovisual local, que hoje ministra oficinas para outros públicos.

Desde a 10ª edição, o Curta Santos revê a sua missão e posição dentro da cidade. A gente vê a melhor forma de como exibir a produção regional, nacional e, quem sabe, filmes internacionais. Penso que hoje o principal foco do Curta Santos é não estar engessado em formatos, mas estar aberto para tratar de inovações diretamente em conversas com quem realiza.

Um questionamento constante dos festivais é até que ponto é necessário o caráter competitivo do evento. Se consagraram o passado do evento nestes anos, os troféus devem continuar no futuro do Curta Santos nas próximas edições?

a2Ainda não fizemos a reflexão sobre esse assunto. Alguns realizadores já colocaram ao festival de não ter mais prêmios, ao mesmo tempo, tem realizadores que gostam desse reconhecimento. O troféu é uma singela homenagem a um grande divulgador do cinema em nossa cidade, que é Maurice Legeard, uma referência na arte, na resistência, e receber um prêmio com o nome dele é uma honra, mesmo.

Penso que a reflexão é um pouco maior, não envolve só a premiação, mas também de talvez não ter mais distinção das mostras Olhar Brasilis e Olhar Caiçara, já que as produções têm o mesmo nível de produção. Mas esse momento de discussão é com o próprio movimento audiovisual, e isso a gente ainda não fez.

a1Penso que existe ainda um valor dado ao recebimento do prêmio. E reconhecemos que, se não existisse premiação, poderíamos ter uma mostra mais extensa de filmes, fazer outras discussões que tenham prioridade, mas precisamos amadurecer. É importante sentir o momento, noutras vezes, por exemplo, tínhamos mostras universitária e independente, depois entre documentários e ficções, hoje nacional e regional.

Bem, hoje o nosso principal objetivo é chegar o mais próximo à população em geral, em exibições mais abertas, fora das salas de cinema. Porque geralmente as pessoas que têm determinado conhecimento na área, prestigiam os festivais e todas as sessões são lotas, mas a população, em geral, participa de outra maneira. Às vezes na Internet, às vezes na exibição dos filmes pela TV. Creio que todos os festivais buscam como abrir as ações para toda população, até para que possa entender como o cidadão pensa sobre a obra e o evento.

Até o dia 12 estão abertas as inscrições para o 4º Curta Caraguá

A Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba está com as inscrições abertas até o dia 12 agosto para o IV Curta Caraguá – Festival de Cinema de Caraguatatuba. A mostra tem como objetivo estimular a criatividade e o gosto pela criação audiovisual por meio da produção de curtas-metragens, além de promover a exibição pública dos filmes e a formação de público.

Os inscritos poderão concorrer nas categorias Estudantil – Ensino Fundamental (para alunos de escolas municipais, estaduais e particulares do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II), Estudantil – Ensino Médio (para alunos de escolas municipais, estaduais e particulares do 1º ao 3º ano do Ensino Médio) e Aberta de Animação (que aceitará filmes de animação de todo o país).

Para participar, os interessados devem realizar a inscrição via correria ou pessoalmente na sede da Fundacc, localizada na Rua Santa Cruz, nº 396, no Centro de Caraguá, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h. O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis no site http://www.fundacc.com.br no link “Editais e Licitações” e também podem ser solicitados pelo e-mail adrianacoutinho.fundacc@gmail.com. A premiação será realizada nos dias 1, 2 e 3 de setembro.

O primeiro colocado das categorias Estudante – Ensino Fundamental II e Estudante – Ensino Médio ganharão uma câmera fotográfica semi-profissional cada e o primeiro colocado da categoria Mostra Aberta de Animação, receberá um prêmio em dinheiro no valor de R$ 1,5 mil. Os três primeiros colocados de todas as categorias ganharão um troféu cada. O resultado da seleção será divulgado no site da Fundacc no dia 26 de agosto. Mais informações: (12) 3897.5661.

*Fundacc

 

Do Querô, ‘Abra Esta Porta’ é eleito Melhor Filme em festival de Pernambuco

O resultado de todo o trabalho dos jovens das Oficinas Querô 2015 já começa a aparecer pelos festivais. O documentário “Abra Esta Porta”, produção de jovens de 14 a 19 anos do projeto Oficinas Querô, levou dois prêmios neste final de semana: o de Melhor Filme e Melhor Roteiro no Curta Taquary – Festival Internacional de Curta-Metragem de Pernambuco. No total, foram 502 filmes inscritos e 146 deles selecionados, de 16 estados brasileiros e 34 países.

Com direção dos jovens Danielle Rosa (19 anos) e Lucas Camargo (18 anos), o documentário “Abra Esta Porta” competiu com mais oito produções audiovisuais na Mostra Dália da Serra e traz um significado especial aos jovens das Oficinas Querô. “O filme foi feito com a mobilização dos moradores. Tivemos a doação de geladeiras e livros, pra que pudéssemos transformá-las em Geladeiras Literárias e entregar em comunidades. Foi importante pra aprendermos não só sobre produção audiovisual mas a força que o cinema tem quando feito em união”, comenta Daniele Rosa. Em 10 anos de história, já foram 85 filmes produzidos e 48 prêmios conquistados por 340 jovens capacitados nas Oficinas Querô. O projeto conta com patrocínio do Banco Votorantim, MSC Shipping, thyssenkrupp e Viação Piracicabana.

Sobre o filme

O roteiro vencedor nasceu de uma aula de Coletivo dos jovens das Oficinas Querô junto ao educador Rubens de Farias, momento no curso em que são estimulados a realizarem uma ação social na região. Cerca de 300 livros foram doados por moradores de Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande, para serem colocados em 4 geladeiras. Três delas foram pintadas pelos jovens, desde a criação do desenho até a aplicação na geladeira e a quarta geladeira foi customizada pelo artista Leandro Shesko, durante uma aula prática sobre pintura em grafite.

Transformadas em “bibliotecas ao ar livre”, as geladeiras foram entregues nas comunidades da Vila Progresso, Morro do Tetéu, Morro do José Menino e Vila Charms (São Vicente), com o apoio do Instituto Elos, que realiza ações de empreendedorismo junto aos moradores destas comunidades. Para o jovem Lucas Camargo, ver sua primeira direção ganhar vida nas telonas foi uma experiência inesquecível. “Não vou esquecer de toda a mobilização que tivemos, em um filme que dá voz às comunidades e levanta uma discussão importante sobre o acesso a cultura”.

Oficinas Querô

Anualmente, 40 jovens de baixa renda da Baixada Santista são selecionados para as Oficinas Querô. Durante um ano, recebem aulas de formação audiovisual, empreendedorismo, cidadania e produzem seus próprios filmes. No segundo ano de formação, ganham mais um ano de capacitação nas Oficinas Querô Avançadas, com atividades voltadas para a inserção no mercado de trabalho. O projeto é uma realização do Instituto Querô e Ministério da Cultura, e também conta com apoio da Prefeitura de Santos, Unimonte, Sesc Santos, Cine Roxy e Dentistas do Bem.

*Ivan De Stefano

 

Berenice Filmes abre teste de elenco para curta ‘Eufemismo’

A Berenice Filmes em co-produção com a Ferreira Produção e Arte promove teste de elenco para seu novo curta-metragem, ‘Eufemismo’. Entre os personagens do filme, há Leonardo, jovem de 16 a 19 anos magro, Rafael, de 18 a 23 anos e corpo atlético, Pedro que tem a mesma idade e os cabelos claros, Mariana de 16 a 19 anos, e os pais de 35 a 40 anos. Interessados devem enviar e-mail com currículo e foto para elenco16@gmail.com.

*Eduardo Ferreira

01

Curtas do Querô vão ao Festival Internacional de Curtas de SP

Depois dos filmes das Oficinas Querô serem selecionados para importantes festivais como Ver Cine (Rio de Janeiro), Festival de Cinema Online (São Paulo) e Mostra Infantil de Florianópolis, agora é a vez de participarem de um dos maiores e mais tradicionais eventos dedicados ao formato do curta-metragem no mundo: a 26ª edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. No total, foram 604 filmes brasileiros inscritos e 125 selecionados.

Os jovens do Querô concorrem com o romance ‘Azul da Cor do Mar’, para a Mostra Infanto Juvenil e o drama ‘Tempo é Morfina’, na mostra Panorama Paulista. Toda a produção, roteiro e filmagens foram feitas por jovens de 14 a 18 anos, de baixa renda, moradores da Baixada Santista, durante a capacitação audiovisual pelo projeto Oficinas Querô. Desde 2006, já foram 85 filmes produzidos no projeto, conquistando 41 prêmios.

02Para Kamilli Semenov, jovem diretora da ficção Tempo é Morfina em parceria do jovem Daniel Queija (Oficinas Querô 2014) e tutoria do premiado diretor Rafael Aidar, ser indicada representa o reconhecimento. “Uma das melhores sensações ao se fazer cinema é poder ver seu filme escolhido para um festival. Isso mostra que alguém, no caso a curadoria, assistiu e se identificou com a obra produzida”.

Para a jovem das Oficinas Querô, Cibele Gonçalves, que atuou no curta Azul da Cor do Mar e também fez produção de elenco, o sentimento é de dever cumprido. “Saber que conquistamos um espaço em um festival importante como esse mostra que estamos no caminho certo e que conseguimos colocar em prática no filme, tudo o que aprendemos durante as Oficinas Querô”.

03O documentário ‘Nau Insensata’, produção da produtora social Querô Filmes e direção de Cristiano Sidoti, está entre os indicados para a Mostra Panorama Paulista e o programa especial Rastros de Ódio, por abordar a época da Ditadura Militar, entrevistando presos políticos que viveram na embarcação Raul Soares no Porto de Santos. Mais informações sobre a produtora em http://www.produtoraquerofilmes.com.br.

Festival Internacional de São Paulo

O Festival acontece de 19 a 30 de agosto, trazendo filmes nacionais e internacionais. O público é quem elege os filmes favoritos da programação, exibida gratuitamente em salas de cinema e centros culturais espalhados pela cidade. Desde 1990, o evento é organizado pela Associação Cultural Kinoforum, entidade sem fins lucrativos que apoia o audiovisual brasileiro, estimulando a linguagem e a produção cinematográfica.

*Ivan De Stefano