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Bazar Cafofo realiza edições semanais no bairro da Pompéia

Por Luiz Fernando Almeida
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Desde agosto, o Bazar Cafofo esta em novo local e com novos dias e horários de funcionamento. O evento acontece semanalmente no Conversa Fiada Bar (Rua Ceará, 68/Santos) sempre as sextas-feiras das 9h às 16h e aos sábados das 10h às 17h. A entrada é franca. Em caso de chuva, o evento é cancelado.
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O Bazar Cafofo é um espaço onde qualquer um que tenha interesse em empreender nas áreas de moda, arte, design, acessórios, gastronomia e confeitaria pode se jogar – inclusive marcas que já existem, mas que querem se reinventar! Já realizou edições em Santos, São Paulo, São Vicente, além de edições especiais em eventos como Santos Jazz Festival e Sansex – Mostra da Diversidade de Santos.
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Alem disso, outros projetos já foram realizados, como o Bazar Cafofinho, Cafofo Novos Talentos, CafofoMob, Cafofo MicroClub, Cafofo Pop Up Store, Cine Cafofo, entre outros, foram realizados. O Bazar também conta com sua marca de produtos personalizados, a Cafofo Pop Up Store que tem lojinha on line, atrelada à sua fanpage.
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O Cafofo traz sempre uma seleção exclusiva de moda, design, arte, gastronomia e música, sob os cuidados do ator e produtor cultural Luiz Fernando Almeida. Por sua vez, a Rádio Cafofo traz playlists com uma variedade sonora que vai desde brasilidades à musica eletrônica, o dia todo animando o evento. Ainda, o público pode contribuir com a ABASE doando um quilo de alimento não perecível que pode ser deixado no stand da instituição.

6º CulturalMente Santista será realizado de 8 a 10 de dezembro

Por André Azenha
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Pela primeira vez, a cidade de Santos sediará um festival cultural que tem como sua temática principal o debate da Agenda 2030. O Culturalmente Santista – Fórum Cultural e Criativo de Santos, que nasceu em 2012 para fomentar a formação de público para a cultura por entender que a identidade cultural de uma região é essencial para o desenvolvimento da população local, sua relação no dia-a-dia e a evolução de cada um enquanto cidadão, e está presente no Calendário Oficial do município pela Lei 3.142, inova em sua 6ª edição promovendo o debate sobre o papel central da cultura e da criatividade como agentes propulsores do desenvolvimento sustentável na cidade para o atingimento dos 17 objetivos da Agenda 2030 da ONU.
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Os 17 objetivos serão promovidos através de atividades diversificadas envolvendo Artesanato, Cinema, Design, Gastronomia, Música e Literatura e também discussão de políticas, através do debate que será promovido entre os Secretários de Cultura das cidades da região Metropolitana de Santos e do compartilhamento internacional de boas práticas, o que será feito através do Painel de Debates entre cinco Cidades Criativas Ibero Americanas que apresentarão boas práticas relativas aos Objetivos da Agenda 2030. Toda a programação é gratuita e ocorre de 8 a 10 de dezembro, ocupando o térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão (Avenida Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias).
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ABERTURA:
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Para iniciar com chave de ouro, na sexta-feira, 8 de dezembro, a partir das 19h30, no “queijo” localizado no térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão, acontecem shows de talentos da região: o músico Rogério Baraquet, acompanhado por sua banda, apresenta o repertório que mescla seus mais de 30 anos de carreira, inclusive as canções do recém lançado álbum “Consequências”. A noite também terá show da banda Cigarra Elétrica, que tocará especialmente com a cantora Carla Mariani, levando ao público um set list autoral calcado em jazz e blues.
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INTERCÂMBIO CULTURAL:
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Tendo em vista o tema desta edição e o fato de Santos contar com um selo de Cidade Criativa em Cinema, da Unesco, o Festival promoverá um debate entre quatro cidades criativas – Santos, Brasil (Cinema), Denia, Espanha (Gastronomia), Óbidos, Portugal (Literatura) e Duran, Equadro (Artesanato). Estas cidades compartilharão boas práticas de cultura e criatividade no desenvolvimento da Agenda 2030 da ONU. Será realizado através de transmissão ao vivo, na sala de projeção do Museu da Imagem e do Som de Santos, a partir de cada cidade ibero americana. Domingo, 10 de dezembro, 15h30.
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FEIRA CULTURAL E CRIATIVA:
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Com objetivo de estimular a sustentabilidade e o empreendedorismo artístico regional, o CulturalMente Santista realiza sua primeira feira cultural e criativa. Serão cerca de 30 expositores, entre artistas que poderão vender seus livros, quadrinhos, CDs, DVDs, artesanato, artes visuais. Haverá também food bikes e estandes com gastronomia criativa. A feira funcionará sempre no horário do evento.
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OFICINAS FORMATIVAS:
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>> “A que câmera que dança” será ministrada por Eduardo Ferreira. 
A oficina utilizará estratégias da dança combinadas com movimentos de câmera e exercícios destinados a introduzir e desenvolver a prática de videodança, proporcionando recursos para tratar a câmera como extensão do corpo que dança. Será trabalhada a dança com e sem a câmera, explorando a coreografia e movimento através de partituras, bem como modos de filmar, através da improvisação, utilizada como estratégia para desenvolver habilidades de enquadramento e movimento de câmera. São 30 vagas e as inscrições gratuitas podem ser feitas no link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfLrXvyFfUdR6dOQvhpZuOAJoYHNhHn_ronmwwbuj4YE_h9MA/viewform?usp=sf_link.
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>> “Os Fios da Narrativa”, com Camila Genaro
A oficina será realizada no sábado, 9 de dezembro, 16h30, e tem duração de duas horas. Serão abordados: A importância da seleção dos textos de acordo com a faixa etária do público; Diferenças entre contar e ler uma história;  Os objetos na arte de contar histórias; Aproximação das técnicas de contação; Preparação de uma sessão de histórias;  Estudar a história; Sentir a história  Ter domínio completo sobre o texto;  Acreditar na história; O Olhar; A Voz do Contador de histórias; Expressão corporal; Dinâmicas sobre a prática da contação. Público: professores, educadores, bibliotecários e interessados na arte de contar história. Inscrições: culturalmentesantista@gmail.com. 20 vagas.
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ESPETÁCULO:
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No domingo (10), também 16h30, Camila Genaro apresenta o espetáculo “Dentro do Mar tem Rio… e Histórias!”.  Os rios que antigamente cortavam a cidade de Santos escondem, até hoje, histórias que desembocam no mar. São esses contos que a contadora de histórias Camila Genaro, acompanhada da Banda MusiContando, apresentará neste novo espetáculo narrativo. Duração de 50 minutos.
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BATE-PAPOS:
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Como é tradição no CulturalMente Santista, não faltarão bate-papos culturais. No sábado, 9 de dezembro, 14h, acontece o encontro dos Secretários Municipais de Cultura da Baixada Santista e um representante da AGEM, Agência Metropolitana, repetindo a reflexão realizada no ano anterior. A mediação será da jornalista Nara Assunção.
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A agenda terá ainda bate-papos sobre “A Representatividade da Mulher na Cultura”, “Eventos Culturais em Ascensão”, “Crowdfunding”, “O que é cultura, afinal?”, tendo em vista os cancelamentos de exposições no Brasil, debate sobre filmes que retratam momentos históricos de Santos (incluindo as exibições dos curtas), palestra sobre “Desperdício de Alimentos”, entre outros temas. Os horários serão anunciados em breve.
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Serviço:
6º CulturalMente Santista – Fórum Cultural e Criativo de Santos
8 a 10 de dezembro (sexta a domingo)
Abertura: Sexta-feira, 8 de dezembro, 18h30 (início dos shows às 19h30
Sábado, 9 de dezembro, 11h às 19h
Domingo, 10 de dezembro, 10h ás 18h
Centro de Cultura Patrícia Galvão – Avenida Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias.

Mais de 40 expositores, cinema, DJs e flores gigantes no Bazar Cafofo

Por Luiz Fernando Almeida

No próximo sábado, dia 28, o Bazar Cafofo abre nova temporada e também em novo endereço, no Mercure Hotel Santos (Avenida Washington Luiz, 565). Na entrada, é possível doar 1 Kg de alimento não-perecível, que será entregue à instituição Abase, que atua com pessoas com deficiência.

Além dos desdobramentos como Cafofinho e TV Cafofo, surgem este ano o #CafofoMob, o Cafofo Micro Club (happy hour quinzenal, as sextas-feiras no Novotel em Santos), o Cafofo Store (marca de produtos personalizados e exclusivos do Bazar Cafofo) a Oficina Cafofo (cursos, palestras, workshops), só pra começar a agitar o primeiro semestre.

O evento, que há dois anos e meio tem movimentado a economia criativa na Baixada Santista, agora conta com três espaços climatizados e com wi-fi liberado: área de exposição, espaço cultural Cafofo e o Cafofo Sunset. Na edição de estreia, serão 40 expositores nos segmentos de moda, arte, design, confeitaria, artes plásticas, artesanato, moda praia, decoração entre outros.

Dentre os destaques desta edição marcas como: Liquido Moda Praia, Dona Chita Brigadeiros, Free Design Arte em Mosaico, Sapore Della Nonna (conservas), Chav Mstra Ilustrações, Ale Artes e Presentes com seus aromatizadores e sabonetes, Li Wecke Mimos e Caprichos, os geeks vão surtar com a Oliver Stor, Petite Jolie, marca conhecida nacionalmente com seus lindos sapatos e bolsas, Agua Marinha Acessórios, Madri Brigadeiros, Cafofo Store, Godê Saia, Chupa que emagrece (chup fit) as mandalas da Goldok, Donna Chic, Azure Semi Joias, a artista plástica Sylvia Bandeira, Bonecas Africanas,entre outros.

Na edição de janeiro acontece o lançamento para o grande publico, da Cafofo Store, a marca de produtos personalizados e exclusivos do Bazar Cafofo. “A ideia surgiu há um ano, mas só agora saiu do papel. Nossa linha de produtos tem estampas desenvolvidas pelo estilista Ector Caires e foi produzida em parceria com a empresa MIHA”, diz Luiz Fernando Almeida, responsável pela iniciativa. O público encontrará canecas, almofadas, camisetas, capinhas para celular, bottons, nécessaires entre outros produtos com estampas de ícones da cultura pop.

Neste dia 28, também acontece a exposição Seo Florindo – Flores Gigantes, confeccionadas em papel pelo artista André Leahun. Ele também atua na área de cenografia e decoração tendo em seu portifólio trabalhos de destaque regional como a ultima campanha da loja Antonelze, além de cenografia para espetáculos e decoração de eventos institucionais.

Ainda, às 16h, há o lançamento do Blog Suzanices, de Suzana Elias Azar, e bate-papo com blogueiras de Santos e região, como Sarah Campos (Sahssaricando) e Caroline Trevisan (B. Beauty). A partir das 17h, a Rádio Cafofo se transforma na Cafofo Sunset, com boa música promovida pelos DJs residentes do Cafofo Brazuca in Pop, Marcelo Rayel e Raquel Pellegrini. Já às 18h30, acontece o Cine Cafofo. O espaço tem como foco privilegiar o cineasta regional, abrindo espaço para os curtas-metragens, em suas diversas linguagens, com curadoria de Raquel Pellegrini.

A realização é da Cafofo Produções Eventos. Produção: Luiz Fernando Almeida. Patrocínio: Art Graphica e KG34 Publicidade. Parceria: Mercure Santos Hotel, Da Franco Restaurante e MiHa. Promoção: Saudade FM. Apoio: Cielo, Uber, Unisanta, Tripadvisor, Caderno de Cabeceira, Estilistas Brasileiros, Juicy Santos, Suzanices.

 

MinC e Apex selecionam produtores culturais para o 2º MicSul na Colômbia

O Ministério da Cultura (MinC) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) assinaram um acordo de cooperação técnica para abertura de um edital de seleção de empreendedores e profisisonais das artes. O objetivo da parceria é apoiar participantes brasileiros na 2ª edição do Mercado de Indústrias Culturais dos Países do Sul (Micsul), evento que será realizado em Bogotá (Colômbia), entre os dias 17 e 20 de outubro deste ano.

O acordo entre o MinC e a Apex-Brasil apoiará a participação de profissionais de seis setores da indústria cultural/criativa: audiovisual, livro e leitura, música, artes cênicas, videogames e design (incluindo a moda). Os profissionais selecionados terão a oportunidade de apresentar seus projetos culturais e propostas em rodadas de negócios, sessões de pitching, fóruns de discussões e cafés setoriais, potencializando a circulação dos produtos, bens e serviços culturais de forma local, regional e global.

Pelos termos da cooperação entre MinC e Apex, o Ministério deverá fomentar a participação de uma delegação integrada por pequenos e médios profissionais culturais – representantes dos seis setores criativos -, para pequenas apresentações artísticas, exposições de obras ou comercialização. Caberá à Apex-Brasil promover as exportações nacionais, os investimentos e a internacionalização de empresas públicas e privadas do Brasil.

O edital

No edital, está prevista a seleção de 61 profissionais (pessoas físicas), sendo 10 de Artes Cênicas, 10 de Design, 10 de Audiovisual – exceto jogos eletrônicos e animação -, 10 do Mercado Editorial, 10 de Jogos Eletrônicos (games), 10 de Música e 1 para a realização de desfile de moda. O processo de seleção dos profissionais será realizado em quatro etapas: inscrição, habilitação da documentação enviada, avaliação e seleção dos profissionais, e apresentação da documentação complementar.

As inscrições para o recebimento de apoio financeiro estão sendo realizadas exclusivamente por meio do sistema da Apex-Brasil. Elas tiveram início nesta quarta (6), ao meio-dia, e ficam disponíveis até às 23h59 do dia 04 de agosto de 2016 (horário de Brasília). Para habilitação, será necessário entregar Portifólio, clipping de mídia, arquivos de áudio e vídeo, links para sites próprios, ou outros materiais que atestem o mérito cultural/artístico dos trabalhos a serem apresentados no Micsul.

*Ministério da Cultura

 

Lista do 5º Facult aponta necessidade de editais maiores em Santos

O Diário Oficial de Santos publicou nesta terça-feira (dia 17) a lista dos 165 projetos habilitados pela comissão de análise da Secult para o 5º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes de Santos, mais conhecido como o 5º Facult, nome abreviado do Fundo Municipal de apoio à Cultura que propicia via R$ 360 mil contemplar 30 projetos no valor de R$ 12 mil nesta edição anual.

Dos mais de 160 projetos, 30 correspondem às produções musicais, seguido de atividades de teatro (23), literatura (22) e audiovisual (18). Há ainda inscritos em HQs, artes visuais, fotografia, capoeira, circo, design, gastronomia, economia criativa e artes integradas, mostrando um abrangente diagnóstico do setor cultural no município. Baixe a lista aqui.

Em fevereiro, houve as inscrições. Em março, uma comissão da Secult analisou a habilitação. Em abril, tal comissão contatou já entrou em contato com os projetos que faltavam documentação. Nas últimas semanas, os artistas da Cidade solicitaram que fosse publicada a lista dos habilitados. O Diário também apresenta o nome da comissão avaliativa, formada por quatro membros da sociedade civil e três da Secult. A previsão é de até meados de junho sejam feitas as análises.

Se por um lado não é possível contemplar 20% dos inscritos, por outro mostra que o Poder Público já deve nas próximas edições aumentar a verba do fundo. Vale ressaltar que o edital geralmente é custeado pela bilheteria dos eventos culturais, como o Carnaval e a programação dos teatros Guarany, Coliseu e Braz Cubas. Por isso, os dois primeiros editais na gestão do prefeito João Paulo Tavares Papa (hoje PSDB) e do secretário Carlos Pinto (PMDB) foram menos da metade do atual valor. Apenas no terceiro ano, o edital atingiu R$ 300 mil.

Um dos compromissos de governo do atual prefeito, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), era de aumentar o valor do edital anualmente, então previsto em R$ 300 mil. Mas nos dois primeiros anos quando a secretaria foi assumida por Raul Christiano (PSDB), só houve um edital. E no primeiro ano sob gestão de Fábio Nunes (PSB), em 2015, houve apenas a publicação do atual concurso. Para as interrupções, as razões foram o cancelamento do Carnaval em 2013, o fechamento do Coliseu (2013-2014), parte fechada da plateia do Coliseu (desde 2015) e a reforma no Braz Cubas (2014-2015).

Entretanto, a lei do Facult reformada em 2014 prevê que o Poder Público pode investir mais no fundo e aumentar o valor oferecido no concurso. Ao mesmo tempo, Santos é a única cidade da Baixada Santista que promove esse tipo de financiamento via edital. Em conversas informais, tanto o gabinete do prefeito, quanto a Secult estimam em corresponder com o crescimento financeiro do edital.

*Lincoln Spada

 

Entrevista: Os truques mágicos de Juca Ferreira para os próximos anos

“Presidenta Dilma, posso fazer muita coisa para a cultura, mas faltei no curso de mágica”, ri Juca Ferreira diante de artistas e produtores no Teatro Guarany em Santos. “Até fazia quando era menino as mágicas mais elementares, como a de três cartas no bolso. Mas não vou ensinar o truque porque pretendo fazer isso outras vezes”. É nesse tom irônico, ora num seco cortante, que o ministro da Cultura afirma se empenhar mesmo com poucos recursos para valorizar as diferentes artes do País. “Não vamos parar”.

Se entre 2003 e 2008, o sociólogo e ambientalista se esforçou a conceituar a cultura em dimensões cidadã, econômica e simbólica, neste ano quer cartear seu retorno ao ministério com políticas públicas para cada segmento. No próximo dia 9, iniciam os diálogos para a Política Nacional de Artes remodelando a Funarte – “ela não atende mais nem todas às artes dos cariocas” – e a Lei Rouanet, que atualmente mobiliza 80% do fomento do MinC com o repasse dos impostos de empresas para projetos artísticos de seus interesses. Geralmente, o patrocínio vai às produções estreladas por artistas da grande mídia.

> Confira as 23 propostas apresentadas na Caravana da Cultura em Santos
> Entrevista com secretário de Políticas Culturais, Guilherme Varella
> Entrevista com secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Ivana Bentes

Autointitulado como maior arquirrival da Lei Rouanet, Juca relembra: “Um ministro da Inglaterra quando viu os dados, disse que até lá seria impossível dar dinheiro público para construir a imagem das empresas. Isso é perverso. Boa parte do Norte do Brasil tem retorno de 0%. No Nordeste, por causa de Pernambuco e Bahia, 4%. Em Minas, 10%. No Rio e São Paulo, 80%. E aqui dentro, das capitais, são sempre os mesmos, 60% dos investimentos”. Diante dessas pesquisas do Ipea e do Ibge, já apresentou ao Congresso a reformulação da legislação e garante que, independente do partido, várias siglas aderiram à causa.

02“Dizem que sou republicano por trabalhar com outros partidos e que isso é ser careta, algo do século 19. Mas ser republicano é preciso, porque o Brasil ainda não conseguiu implantar a república, ainda tem alguns mais iguais que os outros”, continua o ministro ao explicar o coelho da sua cartola. É a Lei ProCultura, em que a renúncia fiscal de cidadãos e empresas e outras fontes de financiamento vão para um fundo que distribui verbas para todos os segmentos artísticos de modo a fomentar todas as regiões do País. Ou seja, mais dinheiro gerando mais projetos em mais lugares da nação. Uma ideia que percorre as mãos da Câmara desde 2010. O político se mobiliza para que a proposta não complete um novo aniversário.

As próximas mágicas que Juca vislumbra é a incorporação do artesanato, moda, gastronomia e design em políticas do MinC. Muito se deve tal frescor jovial do sexagenário com a sua passagem como secretário de Cultura de São Paulo, cidade-nação com a 6ª maior economia municipal do mundo. Por lá, “nós legalizamos o artista de rua, o grafite como expressão artística, o funk e o hip hop, assim ninguém precisa pedir permissão para autoridade policial. Antes proibido, o carnaval de rua também foi legalizado e passou de 60 para 400 blocos por ano. Também proibimos o cordão, a privatização da rua”. Assim, sabe bem o que corresponde à administração federal, estadual e municipal.

03“A indiferença com o destino de nossas cidades é terrível. É preciso estar na linha de frente, buscar parcerias”, lamenta Juca exemplificando com a recuperação do centro histórico baiano. “Houve um erro, pois expulsaram os moradores de lá para transformar e a transformaram em cidade cinematográfica. É preciso ter shows enormes para manter a circulação no local, pois não preservaram a população”. Ao mesmo tempo, teletransportou-se ao Ocupe Estelita, em Recife, contrário à especulação imobiliária que reserva mais desigualdade social. Segundo ele, a verticalização só pode ser solucionada pela prefeitura.

Espigões-símbolos de “uma plataforma reacionária que está emergindo na sociedade. Nunca foi tão evidente à luz dos dias o racismo, os extermínios dos povos indígena…”. O momento, portanto, é de atar nós em vez de serrar pessoas. “É nessa tentativa de desmoralizar a democracia que surgiu o processo de ascensão do nazismo alemão e do fascismo italiano. É preciso politizar o Brasil e o diálogo é uma prática democrática. Não quero cooptar ninguém, nem vim dar cara à tapa, porque dar a outra face não faz parte das minhas manias”. Até relaciona a falta do diálogo com a recepção policial aos professores no Paraná. Uma alternativa a ver ao longe para o diálogo direto com coletivos? “Sou favorável que equipamentos públicos tenham co-gestão com movimentos artísticos”.

*Lincoln Spada