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Em Cubatão, mostra performática reúne artistas de SP, Rio e Bahia

Por Lincoln Spada
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‘Uma Avenida que liga Santos a São Paulo’ é o nome do conjunto de intervenções artísticas a serem realizadas na próxima quarta-feira (dia 11), a partir das 14 horas, no Galpão Cultural (Parque Anilinas). A atividade é o mais recente módulo do programa #Lablivreperformance, fruto da realização do SESC Santos, programação de Léo Nicoletti, orientação de Cristiana Nogueira e Jaqueline Vasconcellos, apoio da Cia Lorena de Teatro, Coletivo 302 e Prefeitura via Secretaria da Cultura.
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Para quem não acompanhou as últimas edições, entre as 14 e as 22 horas, o espaço de gestão compartilhada contará com a video-instalação ‘Frames’, com intervenções culturais registradas no segundo módulo do #Lablivreperformance, ações orientadas por Marcela Antunes e Pedro Galiza. Por sua vez, a partir das 19 horas, acontecerão diversas ações performáticas gratuitas para toda a comunidade.
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Ao todo, 11 artistas e criadores farão intervenções com o público. Direto da Baixada Santista, do Rio de Janeiro e da Bahia, a mostra reúne: Bárbara Braw, Cristiana Nogueira, Diego Saraiva, Flávia Paiva, Júlia Alves, Juliana do Espírito Santo, Jaqueline Vasconcellos, Ligia Azevedo, Matheus Lípari, Nicoly Fogaça e Valéria Piedade. Este é o quarto módulo do laboratório cultural.
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‘Cultura em Crise’ é o tema do 4º Motim Teatral; acesse a programação na íntegra

Por Movimento Teatral

Com o tema ‘Cultura em Crise’, o 4º Motim Teatral reúne 14 coletivos cênicos para apresentações gratuitas no Centro de Santos. Mostra regional do FESTA 58 – Festival Santista de Teatro, a maratona de apresentações acontece inteiramente nesta sexta-feira (dia 23) com 13 horas ininterruptas de grupos artísticos.

Neste ano, trata-se de um ato pela liberdade de expressão dos artistas de rua em Santos; contra o corte orçamentário das Oficinas Culturais do Estado no interior e litoral paulista; e pró-Centro Cultural Cadeia Velha.

O termo ‘motim’ é uma insurreição de grupos contra o autoritarismo, caracterizado por atos de desobediência artística e civil que se opõem a autoridades ou o capitalismo, sendo frequentemente acompanhado de tumulto artístico, vandalismo estético e intervenções de violência poética.

O 4º Motim Teatral é uma realização do Movimento Teatral da Baixada Santista com apoio da Prefeitura Municipal de Santos por meio da emenda parlamentar do vereador Professor Igor Melo. Confira a programação:

>> 13h30 | Praça dos Andradas | ‘Festa das Flores’
Cia Incomodados de Teatro e Música | Roteiro e direção musical: Elias Tomais | Elenco: Ariadne Moreno, Elias Tomais, Juliana Lima, Juliana Sanz.
>> 14h | Praça dos Andradas | ‘É Doce ou Salgado?’
Coletivo Sanatório Geral | Texto: Betinho Neto | Direção: Miriam Vieira e Betinho Neto | Elenco: Sandy Andrade ,Liliane São Paulo, Amanda Franco e Betinho Neto.
>> 15h | Praça dos Andradas | ‘Furdunço no Casamento de Marieta’
Cia Animalenda | Direção: Danilo Cavalcanti | Elenco: Kely de Castro e Vinícius Camargo.
>> 16h | Praça dos Andradas | ‘Blitz – O Império que nunca dorme’
Trupe Olho da Rua | Texto e Direção: Caio Martinez Pacheco | Elenco: Bruna Telly, Caio Martinez Pacheco, Fabio Piovan, João Paulo Pires, João Luiz Pereira Junior, Raquel Rollo, Sander Newton, Wendell Medeiros.
>> 17h30 | Praça dos Andradas | ‘De Repente Thiago’
Esquadrilha Marginalia de Teatro de Rua | Dramaturgia coletiva | Direção: Sander Newton. | Elenco: Luiz Guilherme, Lucas Pereira e Michel do Carmo.
>> 18h | Vila do Teatro | ‘Nó Cego’
Teatro Genoma | Direção: Rodrigo Marcondes | Com Juliana Vicma.
>> 19h | Praça dos Andradas | ‘Tentativa Zucco’
Usina Utópica | Texto: Paulo de Tarso | Encenação: Douglas Lima | Elenco: Lucas Pereira, Julia Alves, Letícia Cascardi, Luana Albeniz, Mayara Andrade | Convidados: Natanael Gomes, Myller Oliveira, Vanessa Souza, Juliana Souza, Rafael Almeida, Rodrigo Alves, Patrick Gois, Udson Santos, Vinicius Ziani.
>> 20h | Vila do Teatro | ‘A Lenda dos Jovens Detentos’
Cia Muninja | Texto: Leo Lama | Direção: Diego Andrade | Elenco: Bruno Galdino e Letícia Tavares.
>> 21h | Praça dos Andradas | ‘Liberdade Prisioneira’
Cia Carcarah Voador | Texto: Cícero Gilmar Lopes | Direção: Vidah Santos | Elenco: Juan Pablo Garcia e Cícera Carmo.
>> 21h | Vila do Teatro | ‘Elogio ao maluco, Beleza?’
Cia Teatral Art e Manha | Texto: Natan de Alencar e Ricardo Oliveira | Direção: Lúcia Oliver | Elenco: Ricardo Oliveira, Natan de Alencar, Katia Lira, Mariana Nunes, Alisson Araújo.
>> 22h | Vila do Teatro | ‘Já que sou, o jeito é ser’
Cia 5 | Texto: Eduardo Ferreira | Direção: Eduardo Ferreira e Angélica Evangelista | Atores-bailarinos: Angélica Evangelista, Eduardo Ferreira, Gisele Prudêncio, Lucas Onofre e Rodrigo Santana.
>> 22h | Praça dos Andradas | ‘Terror e Miséria no Terceiro Reich’
Cia Amoriódio | Texto: Bertolt Brecht | Direção e adaptação: Diego Andrade | Elenco: Beatriz Gonçalves, Caroline Salles, Fellipe Tavares, Luccas Afonso, Nevily Alves e Teco Cheganças.
>> 22h30 | Praça dos Andradas | ‘De Volta ao Luto’
Cia Lorena | Texto e Direção: Diego Saraiva | Elenco: Natalia Marcelo, Vanderlei Abrelli, Paola Borges, Eliana Tavares, Arthur Cordeiro, Wilson Gois.
>> 0h | Catraias da Praça Iguatemi Martins | ‘Zona!’
O Coletivo | Direção: Kadu Veríssimo | Elenco: Caio Martinez Pacheco, Junior Brassalotti, Kadu Veríssimo, Léo Bacarini, Malvina Costa, Mario Arcenjo, Priscila Ribeiro, Raquel Rollo, Renata Carvalho e Thays Bratz. Após o espetáculo, festa com DJ Cigano.

‘Doadores de Memórias’ entra em cartaz no Teatro do Kaos nesta quinta

Por Diego Saraiva

Nesta quinta-feira, com sessões gratuitas às 15h, 17h e 19h30, acontecem apresentações de ‘Doadores de Memórias’, dentro da mostra do Teatro do Kaos (Praça Coronel Joaquim Montenegro/Cubatão). A direção e a dramaturgia são assinadas por Diego Saraiva. O trabalho dos alunos prevê um percurso que será feito individualmente por 40 pessoas, que prevê uma limitação de luz e passagens estreitas. Não é recomendado, para pessoas com problemas de locomoção, claustrofobia, síndrome do pânico, vertigem e gravidez.

Sinopse

Como a informação entra na memória? Como é mantida na memória? Como é resgatada da memória? Foram essas três perguntas que provocou o elenco do núcleo vespertino, para a construção da peça, Doadores De Memórias, um espetáculo que simula o funcionamento do cérebro humano em uma experiência sensorial.

O espectador fará um trajeto que será realizado individualmente, junto com musica ao vivo, e será estimulado a mergulhar nesse universo que, mesmo sofrendo traumatismos, tem condições de reconstitui-se na busca das lembranças. O que se vê e se ouve, e documentos que estão afixados num pequeno altar, são reais. pois a memória não existe sozinha. O que existe é uma pessoa, pensamentos, sentimentos e ações, portando a memória, tanto influencia o estado geral da pessoa como sofre influencia desse estado.

 

Cia Lorena apresenta ‘De Volta ao Luto’ neste domingo no Tescom

Por Diego Saraiva | Foto: Sander Newton

A Cia Lorena de Cubatão encena no próximo domingo (dia 30), às 20h, o espetáculo ‘De Volta ao Luto’, no Tescom (Av. Cons. Rodrigues Alves, 195/Santos). Os ingressos custam de R$ 10 a R$ 20. Na peça, tudo acontece a partir de encontros. Pessoas indo, vindo, cruzando-se, trombando-se, revirando toda a sujeira, produzindo aromas, criando sentidos, entendiemntos das dores, erros e acertos.

Mas o céu, que desaba feito chuva, seja com tensão ou humor, mostra as várias faces de um mesmo quadro, que nunca ocorreu por completo. Um céu esfregando o gosto da água e a falta de ar, num dia de duvidas e certezas, tintas e pinceis, seja ódio sobre tela ou graça sobre tela. Talvez esmurrar a frieza das tintas, até elas ficarem prontas para aquecer o coração daqueles que conseguem ri de si mesmos.

Diego Saraiva assina a direção, figurino e sonoplastia, operando o som na sessão. Ele divide a dramaturgia e a cenografia com Wilson Gois, que compõe o desenho de luz e protagoniza o espetáculo. No palco, Vanderlei Abrelli, Luana Albeniz, Eliana Tavares e Natalia Marcelo. Como técnica de luz, Mariana Arcanjo. A preparação corporal é de Maria Tornatore.

Opinião: A saga inovadora de ‘Os Sapatos que Deixei pelo Caminho’

O homem-cabra não nasceu para as cidades grandes, não, senhor. E se o cabra não for tão macho, nasceu para lugar nenhum. Poim é mais um desses inveterados migrantes, que adolescente e órfão de pai parte para Santos (SP) nos anos 70. O diferencial é que seus medos e sonhos são recontados de maneira inovadora nos palcos em ‘Os Sapatos que Deixei pelo Caminho’, estreado em 2014 pelo Teatro do Kaos.

É comovente o argumento de Lourimar Vieira em recordar os preconceitos que entornam o personagem principal, em texto de Cícero Gilmar Lopes. E a direção segura de Marcos Felipe pincela a montagem com as principais características de ‘Luís Antônio-Gabriela’, teatro premiado que ele protagonizou pela Cia. Mugunzá. A metalinguagem e a mescla de linguagens, como as referências no cordel, no mamulengo e na xilogravura, além da divisão explícita de capítulos em ordem não-cronológica.

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‘Os Sapatos que deixei…’ vai além. Desde ofertar pipoca à plateia até torna-la em uma classe de bullying acolhe o público a ponto dele vivenciar o lúdico e perceber que todos são Poins, cabras ou preconceituosos. Está lá o quinteto a trocar de personagens, dizeres e até servir de coreto. Por mais que Lourimar tenha Poim sobre os ombros, o poder da peça se dá pelo envolvimento coletivo: Camila Sandes, Diego Saraiva, Fabiano Di Melo, Levi Tavares.

Cada um tem seu auge, a primeira é Camila logo em melodias tristes na abertura. Fabiano rege boa parte das narrativas. Diego e Levi complementam com humor e até os bonecos-primos e as imagens criadas na tela ganham o devido destaque. Além, é claro de uma preocupação acertada com figurino e cenário.

01A estética reforça todo o drama. Agoniei na cadeira quando via Poins berrando em silêncio, boquiabertos com os sapatos deixados pela sua mãe. Os significados dos calçados variam em cada sequência. Representam admiração atordoada, sinais de xingamentos ou as dores familiares a serem abandonadas. Como um casamento perfeito para contemplarmos os traumas de vítimas da intolerância, da xenofobia e da homofobia.

Em ‘Os Sapatos que deixei…’, casa-se a cena de desejo e paixão de Poim em um beijo camuflado por camisas. Casa-se a sequência em que ele sofre o preconceito na escola paulista. Casa-se a cena da rotina trabalhadeira dele como um bate-estaca no escritório, subindo escadas, remexendo em relatórios, datilografando. Até poder, enfim, casar abraçado com o sonho da veia artística, da sua própria vocação, da sua identidade. De fazer sua travessia em quaisquer lugares.

*Lincoln Spada