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Em temporada gratuita, Teatro do Kaos encena ‘Vocifera’

Por Lincoln Spada

Livremente inspirado em obra de Ibsen, ‘Vocifera’ entra em cartaz até o próximo dia 16/dez, com sessões gratuitas de quinta-feira a domingo, às 20h, no Teatro do Kaos (Largo do Sapo, Sítio Cafezal/Cubatão). A peça da companhia teatral comemora os 20 anos do coletivo e tem classificação indicativa de 16 anos.

A montagem trata dos (des)caminhos da conjuntura política atual e das razões que exigem a decisão entre direitos básicos da comunidade, como cultura e saúde. Na sinopse, a alusão do antigo teatro da Cidade que se tornará em um centro oncológico. Assim, a peça lança mão de questões aparentemente locais e corriqueiras para uma análise crítica sobre o pensamento conservador pautado no discurso do medo e na violência sistêmica.

Com base em ‘O Inimigo do Povo’, a peça tem dramaturgia de Victor Nóvoa, direção de Marcos Felipe e Lucas Beda, direção musical de Gustavo Sarzi e elenco formado por Fabiano Di Melo, Levi Tavares e Lourimar Vieira. A temporada é uma realização do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet com patrocínio do Grupo EcoRodovias e apoio cultural da Prefeitura.

 

‘Morada 22/10’ entra em temporada no Teatro do Kaos

Por Teatro do Kaos

O espetáculo ‘Morada 22/10 – É proibido ser feliz’ entra em cartaz entre os meses de novembro e dezembro no Teatro do Kaos. As sessões serão entre os dias 1º e 5 de novembro, às 20 horas, na Praça Coronel Joaquim Montenegro, 34 (Largo do Sapo), com entrada franca.

O que você faria se, ao acordar, percebesse que está preso dentro de uma gaiola, pelo simples fato de saber cantar? A morada discute a prisão em liberdade, através de uma estrutura dramatúrgica fragmentada, personagens vão contando as suas histórias que se intrelaçam na busca por resposta.

Com direção geral e adaptação de Fabiano Di Melo, o texto pertence a Sander Newton. No elenco, os alunos da 4ª Turma do Curso Profissional de Atores, o projeto Evolução, patrocinado pela Copebras em realização do Ministério da Cultura.

A temporada gratuita segue no mesmo horário e local nos dias 15, 17, 18, 19 e 24 de novembro, como também seguidamente entre os dias 1º e 10 de dezembro.

 

Neste dia 27, última sessão de ‘Janelas Solitárias’ no Teatro do Kaos

Por Teatro do Kaos e Prefeitura de Cubatão

Chegou a hora dos participantes do Projeto Ação Cênica mostrarem resultados. A peça ‘Janelas Solitárias’ será apresentada gratuitamente (classificação: 16 anos) neste domingo (dia 27), no Teatro do Kaos, às 20 horas, e no próximo ano será levada a outras quatro cidades (Santos, Guarujá, Praia Grande e Mongaguá). O Teatro do Kaos fica na Praça Coronel Joaquim Montenegro, 34 (Largo do Sapo).

Durante todo o ano de 2016, 230 alunos participaram do Projeto Ação Cênica. Agora, a turma da Qualificação Profissional (que recebe a Certificação Profissional do Sated/SP, comdireito a DRT), apresentará a peça Janelas solitárias, texto de João Fábio Cabral e direção de Níveo Diegues. “Antes de subir ao palco, eles ralaram muito”, afirma Lourimar Vieira, idealizador e gestor do projeto, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Cubatão.

A peça tem no elenco: Aline Pinheiro, Beatriz Maria, Bianca Souza, Caio Werneck, Carolina Martins, Cristiane Ramos, Fabio Faustino, JP de Castro, João Vítor, Júlia Alves, Layla Lauane, Luciana Adrielle, Luiz Guilherme, Maíra Alves, Nicca Oliveira, Rafael Almeida, Rayane Santana, Udson Santos, Vanessa Ramos e William Gois. Mostra a ealidade de jovens numa metrópole, que buscam sua identidade e seu espaço na sociedade e têm necessidade e urgência de expressão num mundo cada vez mais imediatista e consumista.

O espetáculo critica a cegueira da sociedade moderna aos anseios destas “tribos”, colocando em foco as separações, medos, sexualidade exacerbada, uso de drogas, desespero. E desafia o público a assistir sem julgar, abrindo sua mente para uma reflexão sobre a real situação dos jovens que vivem nas janelas solitárias da cidade. Os alunos tiveram aulas de: História do Teatro (Orleyd Faya); Interpretação (Marcos Felipe e Níveo Diegues); Expressão Corporal (Fabiano di Melo); Expressão Vocal (Douglas Lima); Jogos Teatrais (Sander Newton); Maquiagem (Levi Tavares) e Produção (Lourimar Vieira).

 

Opinião: A saga inovadora de ‘Os Sapatos que Deixei pelo Caminho’

O homem-cabra não nasceu para as cidades grandes, não, senhor. E se o cabra não for tão macho, nasceu para lugar nenhum. Poim é mais um desses inveterados migrantes, que adolescente e órfão de pai parte para Santos (SP) nos anos 70. O diferencial é que seus medos e sonhos são recontados de maneira inovadora nos palcos em ‘Os Sapatos que Deixei pelo Caminho’, estreado em 2014 pelo Teatro do Kaos.

É comovente o argumento de Lourimar Vieira em recordar os preconceitos que entornam o personagem principal, em texto de Cícero Gilmar Lopes. E a direção segura de Marcos Felipe pincela a montagem com as principais características de ‘Luís Antônio-Gabriela’, teatro premiado que ele protagonizou pela Cia. Mugunzá. A metalinguagem e a mescla de linguagens, como as referências no cordel, no mamulengo e na xilogravura, além da divisão explícita de capítulos em ordem não-cronológica.

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‘Os Sapatos que deixei…’ vai além. Desde ofertar pipoca à plateia até torna-la em uma classe de bullying acolhe o público a ponto dele vivenciar o lúdico e perceber que todos são Poins, cabras ou preconceituosos. Está lá o quinteto a trocar de personagens, dizeres e até servir de coreto. Por mais que Lourimar tenha Poim sobre os ombros, o poder da peça se dá pelo envolvimento coletivo: Camila Sandes, Diego Saraiva, Fabiano Di Melo, Levi Tavares.

Cada um tem seu auge, a primeira é Camila logo em melodias tristes na abertura. Fabiano rege boa parte das narrativas. Diego e Levi complementam com humor e até os bonecos-primos e as imagens criadas na tela ganham o devido destaque. Além, é claro de uma preocupação acertada com figurino e cenário.

01A estética reforça todo o drama. Agoniei na cadeira quando via Poins berrando em silêncio, boquiabertos com os sapatos deixados pela sua mãe. Os significados dos calçados variam em cada sequência. Representam admiração atordoada, sinais de xingamentos ou as dores familiares a serem abandonadas. Como um casamento perfeito para contemplarmos os traumas de vítimas da intolerância, da xenofobia e da homofobia.

Em ‘Os Sapatos que deixei…’, casa-se a cena de desejo e paixão de Poim em um beijo camuflado por camisas. Casa-se a sequência em que ele sofre o preconceito na escola paulista. Casa-se a cena da rotina trabalhadeira dele como um bate-estaca no escritório, subindo escadas, remexendo em relatórios, datilografando. Até poder, enfim, casar abraçado com o sonho da veia artística, da sua própria vocação, da sua identidade. De fazer sua travessia em quaisquer lugares.

*Lincoln Spada