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Cadeia Velha: Reformado em R$ 10 mi, prédio estadual fechará no dia 16

Por Lincoln Spada

Quem ainda não revisitou o Centro Cultural Cadeia Velha, terá a chance de conhecer o espaço recém-reformado até 16 de dezembro. Na quinzena seguinte, o prédio estadual estará fechado, e a equipe de três funcionários da Oficina Cultural Pagu estarão nos balanços finais, antes de entregar a gestão do edifício. É provável que quase todo o mobiliário saia do patrimônio público, dificultando quem irá gerir o local enquanto centro de artes integradas.

>> Quatro meses após reabertura, oficina será fechada
>> A história da versátil Cadeia Velha desde séc 19 

O dia 16 é a data-limite na agenda do edifício, apesar de que a última apresentação marcada até hoje pertence a 10 de dezembro – trata-se de uma atividade circense. Exposições de fora da Baixada Santista já estavam sendo previstas para o espaço, além da mostra do coletivo Tumobgrafia, mas ambas foram canceladas pelo cronograma curto. O fechamento da Oficina Cultural Pagu e, consecutivamente, do Centro Cultural Cadeia Velha, deve afetar diretamente e indiretamente o calendário artístico da cidade.

Sem OC Pagu, Prefeitura será sobrecarregada

Por exemplo, a OC Pagu era uma das principais apoiadoras do FESTA – Festival Santista de Teatro e do Curta Santos – Festival de Cinema de Santos, esta é uma das principais iniciativas que rendeu a Santos o Selo de Cidade Criativa da Unesco. Sem a oficina cultural, tais cursos e workshops à população só ocorrerão com maior desembolso da Prefeitura.

Além disso, o espaço que hoje tem rumo incerto fecha a única tela da região central em que era exibida a programação do Curta Santos, como também poderá criar entraves no Valongo Festival, em franca expansão. Na primeira edição, o prédio foi fundamental para sediar a maioria de exposições e ações formativas. A agenda desses festivais teria que ser escoada no Teatro Coliseu e no Guarany, interferindo nos grupos municipais de pesquisas artísticas.

Reforma de cinco anos custou R$ 10 mi

Após um processo que durou entre dezembro de 2011 e agosto de 2016, a Cadeia Velha foi reformada pelo Governo Estadual ao custo público de R$ 10,6 milhões. Como garantido em audiência pública e anúncios na mídia, o edifício foi repassado à Poiesis, organização social que gerencia a OC Pagu. Entretanto, em menos de três meses, o Governo Estadual agora anuncia que a OC Pagu será fechada, e que o prédio terá um destino incerto.

 

Entrevista: ‘O teatro poetiza e problematiza seu tempo’, aborda Movimento Teatral sobre o FESTA 58

Por Lincoln Spada | Fotos de Sander Newton

Mais de 8 mil espectadores se concentraram na primeira semana de setembro (dias 1º a 7) na Praça dos Andradas e seus prédios artísticos a fim de participar do FESTA 58 – Festival Santista de Teatro. Festival de artes cênicas mais antigo em atividade do Brasil, o evento contou com 40 atividades espalhadas na praça, na Cadeia Velha, no Teatro Guarany e na Vila do Teatro. A programação contou com grupos de todo o Estado de São Paulo, com peças infantis e adultas, teatro em palco italiano ou de rua, além de festas, shows, exposições de artes plásticas e visuais, além de outros segmentos culturais.

Com o tema ‘Qual a Democracia que queremos?’, o FESTA 58 foi uma realização do Movimento Teatral da Baixada Santista, contou com apoio da Prefeitura de Santos e Governo do Estado de São Paulo, apoio institucional do Sesc Santos e com os parceiros a Cooperativa Paulista de Teatro, a RBTR – Rede Brasileira de Teatro de Rua, a Vila do Teatro, o Diário do Litoral e o Ferreira Filmes. A seguir, a organização do festival, o Movimento Teatral, apresenta o seu posicionamento na entrevista virtual à Revista Relevo.

O primeiro dia do FESTA 58 priorizou uma programação na retomada da Cadeia Velha como centro cultural. Qual a percepção do Movimento Teatral sobre a sua própria participação para a reabertura do prédio?

b7Boa parte das pessoas e grupos que desenvolvem trabalhos pela Região já se apresentou, ensaiou ou tem sua formação ligada àquele espaço, tínhamos o compromisso histórico de lutar pelo espaço. Foi um processo de articulação e união junto de outros segmentos para o embate público da retomada do prédio como centro cultural de artes integradas. O segmento teatral, como todas suas vertentes foi um dos que mais se organizou em torno dessa pauta, levantado desde o fechamento da Cadeia para reforma, até sua reabertura marcada por atrasos e entrega parcial do prédio.

Conseguirmos que o prédio fosse liberado para a realização do FESTA 58 nas suas dependências, com ocupação das celas composta por diversas manifestações culturais, o que mostrou na prática o que todos sabíamos: a vocação plural do espaço para as artes integradas. Esperamos agora da coordenação uma reunião para formação do conselho gestor do prédio juntamente com a sociedade civil, conforme acordado e desburocratização para o uso das dependências pela população e artistas locais para que o Centro Cultural Cadeia Velha seja, novamente, um lugar vivo e de liberdade criativa.

Com o tema ‘Qual a Democracia que queremos?’, o festival ocorreu inteiramente na Praça dos Andradas. Já que os prédios de lá foram palcos de discussões políticas historicamente, a escolha da praça se deu pela temática, pela localização geográfica ou pelo público que os coletivos vêm conquistando com ocupações culturais nesse espaço?

b5Foi isso tudo junto realmente. O período do festival coincidiu com a entrega parcial da reforma da Cadeia Velha, os alunos da Escola de Artes Cênicas (EAC) do Guarany tiveram participação fundamental na organização do evento também, somaram-se às atividades que têm sido realizadas de ocupação na praça a partir da Vila do Teatro.

Foi a primeira vez que todos os espaços culturais dali funcionaram juntos e o festival nunca tinha realizado uma abertura no Guarany ou na própria Cadeia, antiga sede do Movimento. Fica o exemplo para cidade e aos que virão, pois ver aquela praça e seus espaços culturais, o Teatro Guarany da Prefeitura, a Cadeia Velha do Governo do estado, a Vila do Teatro, uma ocupação cultural independente e gestão autônoma e, principalmente, a Praça dos Andradas funcionando juntos pela primeira vez pelo foi histórico.

Pesquisando em Santos, o JLeiva apontou que a população tem como hábito a preferência pela comédia de costumes e stand up. Na contramão, o FESTA 58 apresentou mostras estadual, regional e paralela que, em sua maioria, fogem desse padrão. Por qual razão apostam nesse viés e até que ponto essas peças não distanciam o festival do público?

b2A função de uma ação como o FESTA é ir na contramão disso mesmo. Tivemos um ótimo resultado de público no FESTA, o que indica que tem plateia para todos os tipos de manifestação artística em Santos. A função do teatro não é o puro e simples entretenimento, a televisão e os exemplos que vocês cita acima já cumprem esse papel.

Os espetáculos convidados, por exemplo, tinham um recorte curatorial temático bem definido, o que deu o tom do evento e trouxe o público para esses debates e questões, sinal que as pessoas estão querendo discutir essa tal democracia e ver como os palcos estão representando esse momento de representatividade política, temática tanto do FESTA 58 como do Mirada, só para ficar entre os eventos de artes cênicas, afinal o teatro alienado do seu tempo torna-se irrelevante.

Além do tema do festival, outras duas questões nortearam a maioria das peças da mostra regional: a censura e a segurança pública, abordando desde a ditadura até a repressão policial e o sistema carcerário. Quais fatores no contexto local ou global influenciam este atual panorama teatral?

b0O teatro poetiza e problematiza seu tempo, refletindo em cena questões contemporâneas que estão permeando as discussões e preocupações. Teatro é sempre um farol. Se esses temas estão sendo abordados com mais frequência, é um sinal de tempos maus, pois os artistas, em geral, estão atentos aos sinais do retorno de uma sociedade conservadora e repressora, são nesses momentos em que as instituições falham que o teatro ergue sua espada. Todo mundo tem antenas, mas poucos estão antenados, já diria a poeta.

Com grupos de diferentes cidades de São Paulo, o FESTA 58 propicia um intercâmbio entre os artistas. Também os estudantes de teatro no Senac apresentaram performances e os alunos da EAC colaboraram na produção do evento. Por que é importante que o festival contribua para a aproximação desses diferentes grupos?

b1São momentos de aprendizado e troca efetiva entre os trabalhadores da cultura, porque vemos como nossos companheiros de classe estão refletindo o mundo de acordo com suas filosofias e estéticas através do teatro. Precisamos desse momento para aprender e trazer para cá, grupos com pesquisa e trabalhos desafiadores e instigantes que possam colaborar com nossas pesquisas e formação do olhar. Vendo teatro, aprendo sobre teatro, amplio minha visão sobre a arte em si e sobre o mundo.

Responsável pelo FESTA 58, o próprio Movimento Teatral tem divergências de artistas que não se sentem mais representados. Como os grupos do movimento analisam esta relação e se observa em curto prazo possibilidades de reaproximação ou as diferentes perspectivas são históricas de outros anos?

b2A classe artística é plural e com diversas ramificações. O Movimento Teatral existe com quem se predispõe a participar ativamente das ações, assumindo responsabilidades de realização de ações práticas como próprio FESTA 58 por exemplo ou o Motim [Mostra regional de teatro] e nem sempre as pessoas, pelo seu dia a dia, estão dispostas à enfrentamentos públicos, participar de audiências, ou ativamente do conselho de cultura, reuniões de deliberação de atividades e trabalho em coletivo de forma horizontal ou de participar de exaustivas reuniões com participantes de diferentes correntes de pensamento. Procurar unanimidade não é objetivo e seria até inocente.

Já vimos propostas de movimentos com parte da classe artística, empresários, com pouca interlocução com coletivos artísticos e que não vingaram infelizmente, pois contrapontos são fundamentais. Esse ano por exemplo o festival teria sido inviável sem os alunos da EAC, o que deu outro formato e dinâmica ao FESTA, e colocou a realização evento no colo dos jovens estudantes de teatro de Santos. O novo sempre vem e segue em frente, em movimento. Nas reuniões do Movimento Teatral são feitos chamamentos e todos podem e devem participar de preferência presencialmente, fortalecendo com ideias, críticas e principalmente na prática, com braços e ações.

Entrevista: ‘Sem cultura e educação, não existirá democracia’, diz Matheus Nachtergaele

Com larga trajetória no teatro, TV e cinema, Matheus Nachtergaele fará o espetáculo de abertura ‘Processo de Conscerto de Desejo’ no FESTA 58 – Festival Santista de Teatro. A sessão gratuita será nesta quinta-feira, às 21 horas, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100/Santos), onde o público poderá retirar os ingressos antecipadamente a partir das 13 horas.

Em sua programação, o FESTA 58 terá início desde às 19 horas, com a ocupação artística de diversos grupos da Baixada Santista e do estado de São Paulo na Praça dos Andradas, Teatro Guarany, Vila do Teatro e Centro Cultural Cadeia Velha. Realizado pelo Movimento Teatral da Baixada Santista e com apoio da Prefeitura, Governo Estadual e Sesc Santos, o evento contará com mais de 40 atividades gratuitas voltadas à população até o dia 7 de setembro.

Em entrevista à assessoria do festival, Matheus Nachtergaele relata sobre a montagem de sua peça, a sua carreira nos palcos e nas telas, e sobre o papel da cultura na democracia que vivemos, aliás, tema do FESTA 58 este ano. A seguir, a entrevista na íntegra e para saber mais sobre o festival: festa58.wordpress.com.

5No monólogo ‘Processo de Conscerto do Desejo’, você está junto ao palco com sua mãe a partir dos poemas dela em que interpreta, como também nas canções que ela tinha predileção. Como um tributo a ela, um resgate pessoal ou uma forma de levar ao público a sua história, como você define este espetáculo?

Defino esse recital como uma celebração sacro-profana de dar sentido às tragédias da vida da gente. Ao mostrar a poesia da minha mãe, mostro meu pranto e também meu orgulho por ter sobrevivido à dor de seu precoce suicídio e de ser filho de uma artista de verdade.

Certamente você levou um longo período para amadurecer este espetáculo e até mesmo para se colocar como intérprete dos versos de sua mãe. Noutras vezes, você citou que imaginava uma atriz para esse papel. Qual foi o fato ou o momento em que você assume a missão de subir ao palco nesse monólogo?

Eu teria, um dia, que mostrar os poemas para as pessoas de alguma forma. Em julho de 2015, fui convidado pelo Festival de Teatro de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais a apresentar um monólogo ou algo parecido. Foi a deixa para tomar coragem e ler em público os textos. A emoção da plateia me ensinou, naquele dia, que deveria amadurecer o apresentado e criar um espetáculo.

2Por se tratar dos escritos de sua mãe, Maria Cecília Nachtergaele, você foi mais exigente no decorrer da montagem desta peça? E a partir da criação e dos ensaios, você chegou a mudar ou reafirmar a leitura que tinha sobre ela enquanto pessoa e autora?

Concebi, dirigi e atuo no espetáculo. Primeiro procurei traçar alguma curva dramática com os poucos poemas que ela deixou. Depois, junto com meus músicos, escolhi as músicas que tingem de emoção a peça e mostram os gostos de minha mãe. As músicas clássicas do repertório mundial tocadas por Luã Belik e Henrique Rohrmann foram escolhidas por nós, no processo. Ainda ajusto coisas, inverto a ordem de poemas e inauguro canções conforme a peça vai amadurecendo. Cada dia é um novo dia, para nós do Conscerto do Desejo!

Na repercussão positiva desta peça, duas características cênicas chamam a atenção. Como você justifica tanto a presença dos músicos, quanto as tintas amarelas que cobrem seu corpo em cena?

Minha mãe tocava violão muito bem, cantava muito bem, e achei bonito colocar isso dentro do retrato poético que faço dela. Poesia, quando bem dita, a música assim, bem, tudo se encaixou. Trata-se de um tipo de Teatro-Dança com a palavra como protagonista. O amarelo em meu corpo é a luz que pretendo jogar sobre as trevas da morte.

3Você sempre fala com muito carinho de Maria Cecília e de que seus poemas o encantaram a ponto de mergulhar mais no mundo da literatura e das artes. A seu ver, este monólogo marca um fim ou reinício de ciclo na sua pesquisa artística e autoral em relação a figuras maternas ou o tema do suicídio, como no premiado ‘A Festa da Menina Morta’?

Sim, espero que sim! E me orgulho muito dos dois trabalhos. A morte da mãe foi explorada por mim de várias formas, e hoje é pura poesia. Me sinto mais livre, agora.

A sua carreira é plural do drama à comédia, de ator de teatro a cineasta, da televisão (‘Da Cor do Pecado’, ‘Sassaricando’, entre outros) e filmes com Chico Assis (com ele, uma parceria retomada pela sexta vez mais recentemente em ‘Big Jato’). O que o move na escolha de seus projetos artísticos?

A vocação dos projetos! Adoro me unir a pessoas que admiro e dizer, seja da forma que for, algo que considere bonito. É bonito rir e chorar do drama humano. E adoro alegrar as pessoas. É preciso alegrar as pessoas.

Aliás, na maioria dos seus trabalhos, você sempre é bem avaliado pelo público e crítica, que sempre esperam vê-lo amadurecer cada vez mais. Isso faz com que na escolha dos seus projetos futuros, você tenha medo do fracasso? E onde o público poderá encontrá-lo nas próximas produções?

Estou na vida, como todos, aprendendo com os erros, procurando não repeti-los e tentando ser mais feliz. Tenho medo do fracasso e da dor, claro. Mas olha, já fracassei muitas vezes, e outras vezes fui mais bem sucedido nos meus projetos, então sei que a caminhada é que importa. O fracasso e o sucesso passam, né? Segue o aprendizado.

Não é a sua primeira vez em Santos, mas não sei se já conhece o Teatro Guarany. Trata-se de um teatro-escola municipal reaberto em 2008, e que foi ainda no século 19 como o principal palco na Cidade de movimentos e intelectuais abolicionistas e republicanos. Nos dias de hoje, como você observa o papel dos movimentos culturais na democracia em que vivemos?

Sem cultura e educação não existirá democracia. Todos temos que pensar juntos nosso destino como brasileiros e seres humanos. Todos. Tô me sentindo muito honrado por poder mostrar esse trabalho tão delicado para a plateia de Santos, nesse teatro tão lindo!

Praça dos Andradas se torna na Praça dos Artistas durante o FESTA 58

A Praça dos Andradas é um dos espaços públicos mais importantes da história de Santos. O antigo Campo da Chácara do século 19 foi se tornando no epicentro dos debates políticos e eventos pró-república com a instalação da então Câmara de Santos no atual Centro Cultural Cadeia Velha. Na mesma praça, foi erguido o Teatro Guarany como palco do movimento abolicionista, reerguido na última década. O local também desde 2011 mantém a Vila do Teatro, espaço de ocupação pública de coletivos de teatro, circo e música, mantendo ações em diálogo com movimentos sociais e artísticos.

Com essa larga história, a Praça dos Andradas se torna nesta primeira semana de setembro (dias 1º a 7) na Praça dos Artistas, enquanto sede de toda a programação gratuita do FESTA 58 – Festival Santista de Teatro. Com o tema ‘Que Democracia Queremos?’, as mais de 30 atividades do festival do Movimento Teatral da Baixada Santista tratam desde reflexões sobre o panorama político até os dilemas contemporâneos da sociedade.

0“A democracia que queremos é a democracia dos trabalhadores, através de suas próprias organizações. Uma democracia em que cada um que participa das decisões sobre o destino do conjunto da sociedade esteja de fato em pé de igualdade com todos os outros”, argumenta o ator Vinícius Camargo, da Cia Animalenda de Itanhaém. Do grupo santista Os Panthanas – Núcleo de Pathifarias Circenses, o artista Sidney Herzog aponta: “A democracia que queremos é a participativa que da a população o real direito de escolha sobre qualquer decisão a ser tomada”.

Por sua vez, o diretor teatral Jair Moreira do grupo vicentino Teatro No Quintal comenta: “Defendemos uma democracia laica. Uma democracia que garanta, de fato, o respeito à liberdade humana, em que o povo seja prioridade e não os bens privados e seus lucros”. Assim, “o povo deve ser protagonista de sua história, que sua voz seja ouvida, que seus princípios fundamentais, seus direitos básicos de cidadão e o respeito à toda e qualquer manifestação no tocante à valorização da dignidade da pessoa humana sejam observados, garantidos e atendidos”, finaliza o diretor teatral Gerson Rodrigues, do Teatro Elipsoidal de Guarujá. Mais informações: fb.com/festivalsantistadeteatro.

*Lincoln Spada

Com Matheus Nachtergaele, FESTA 58 inicia no próximo dia 1º

A abertura do FESTA 58 – Festival Santista de Teatro terá como destaque a sessão gratuita do espetáculo ‘Processo de Conscerto do Desejo’, com Matheus Nachtergaele, ator e diretor consagrado no palco, cinema e TV. Monólogo concebido pelo próprio artista, Matheus é acompanhado em cena pelos músicos Luã Belik e Henrique Rohrmann, respectivamente no violão e no violino. A apresentação será na quinta-feira (dia 1º), às 21 horas, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100/Santos).

O espetáculo é uma releitura do ator sobre os versos de sua mãe, Maria Cecília Nachtergaele. Ele era um bebê de três meses quando a perdeu em 1968. Assim, a obra deixada pela poetisa é reverenciada pelo filho, numa peça que mescla recital de poemas e interpretação de canções prediletas de sua mãe: do conterrâneo Paulinho Nogueira ao italiano Sergio Endrigo. Após a peça, haverá o lançamento do livro ‘A Mariposa’ no foyer do teatro. Publicado pela Polvilho Edições, o título reúne 28 poemas de Maria Cecília Nachtergaele e uma poesia assinada por seu filho.

Além do Teatro Guarany, a abertura do FESTA 58 será marcado desde às 19 horas por apresentações artísticas na Praça dos Andradas, na Vila do Teatro e no Centro Cultural Cadeia Velha. Será a primeira vez que estes espaços serão ocupados simultaneamente pelo festival, graças ao empenho do Movimento Teatral e de outros segmentos para a reabertura da Cadeia Velha como centro de artes integradas.

A noite de quinta-feira contará com as intervenções teatrais ‘Zig Zig Zaa’, dos alunos da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo, ‘Querô – Uma Reportagem Maldita’, da Cia Veritas, ‘A Mancha Roxa’, da Cia Teatral Libero e a performance circense, dos alunos do núcleo Os Panthanas. A agenda também abrange roda do Coletivo Santista de Capoeira, a dança contemporânea com ‘Diálogos Ocultos’, de Natasha Mello, as linguagens do hip hop com ‘Cypher Night’, do Mad Feeling Crew e Prazer Meu Nome É Hip Hop!. Até o final da noite, o local também recebe a festa pop de ocupação artística ‘A Praça é Nossa’, do Coletivo 15..

Mais antigo festival de teatro em atividade do País, o FESTA 58 é uma realização do Movimento Teatral da Baixada Santista, tendo toda a sua programação de 1º a 7 de setembro com entrada franca. Símbolo dos movimentos abolicionista e pró-república noutros séculos, a Praça dos Andradas e seus edifícios sediam o festival que, neste ano, tem como tema ‘Que Democracia Queremos?’. Informações: fb.com/festivalsantistadeteatro.

Matheus Nachtergaele

Iniciou sua carreira em 1989, trabalhando com Antunes Filho e o Teatro da Vertigem, além de ingressar nos estudos de artes dramáticas na USP. Nos anos 90, interpretou nos palcos ‘O Livro de Jó’, ‘Paraíso Perdido’ e ‘Da Gaivota’, entre outros, consagrando-se com os prêmios Shell, Mambembe e APCA de teatro. Desde 1997, atuou em mais de 30 filmes, como ‘O Auto da Compadecida’, ‘Febre do Rato’, ‘Amarelo Manga’ e ‘Big Jato’, recebendo inúmeros prêmios, APCAs e dois Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Como cineasta e roteirista, estreou em ‘A Festa da Menina Morta’, longa exibido em Cannes e premiado nos festivais do Rio, Gramado e Chicago. Em 2014, dirigiu o espetáculo ‘O País do Desejo e do Coração’, pelo grupo mineiro Entre & Vista. Na TV, destacou-se em várias produções, como as minisséries ‘Hilda Furacão’ e ‘Zé do Caixão’ e as novelas ‘Da Cor do Pecado’ e ‘Saramandaia’.

*Lincoln Spada

FESTA 58 abre edital para grupos de teatro da Baixada Santista

“Qual a democracia que queremos?”. Este é o mote do FESTA 58 – Festival Santista de Teatro, que abre entre os dias 29/jun até 17/jul o edital de chamamento para grupos de teatro da Baixada Santista se inscreverem e participarem do evento mais antigo de artes cênicas em atividade no País. O festival acontecerá de 1º a 7/set com realização do Movimento Teatral da Baixada Santista e parceria com o Sesc Santos e Prefeitura via Secretaria da Cultura.

O FESTA 58 é uma mostra da diversidade teatral, que contempla espetáculos dos mais variados gêneros e formatos, inéditos ou não, para público adulto e infanto-juvenil, em linguagens como o circo-teatro, e teatro musical e teatro de rua. Os espetáculos regionais serão escolhidos por uma curadoria coletiva entre os artistas no dia 24 de julho.

Com o tema “Qual a democracia que queremos?”, este ano o festival também trará grupo nacional e estadual cujo o trabalho reflita sobre o tema. Nesta edição, o festival concentrará suas ações no entorno da Praça dos Andradas, utilizando o Teatro Guarany, a Vila do Teatro e a Cadeia Velha. Informações: http://movimentoteatraldabaixadasantista.blogspot.com.br

*Lincoln Spada

 

Grupos do Sul e Nordeste encenam no FESTA 57 no fim de semana e feriado

O teatro baiano, paulista e sul-riograndense se encontra no FESTA 57 – Festival Santista de Teatro neste final de semana e feriado. Com o tema ‘Fomento’, o evento realizado pelo Movimento Teatral da Baixada Santista terá atividades gratuitas espalhadas no centro, na orla e nos morros.

No sábado, a Fonte do Sapo sedia três espetáculos. O primeiro será às 15h30, do ‘Meu Quintal é Maior que o Mundo’, do Teatro Wídia, com dramaturgia coletiva baseada na literatura de Manoel de Barros. Com direção de Platão Capurro Filho e elenco formado por Diego Alencikas, Ernani Sequinel, Fabíola Moraes e Val Nascimento, o teatro e rua apresenta quatro atores que, crianças, jovens e adultos se encontram para brincar e fazer poesia onde o olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê a obra do poeta homenageado.

Já às 16h30, é a vez da Animalenda encenar ‘A Moça da Janela’, com dramaturgia coletiva, direção de Kely de Castro, sendo que esta também encena com Vinícius Camargo e Estela Carvalho. Na peça, o moço do correio tem cacoete de poeta, escrevendo versos também para sua amada, a moça da janela, que todos os dias espera ansiosamente por uma correspondência. Seria esse amor correspondido? E, afinal quem escreve as tais cartas para a personagem?

Por sua vez, às 18 horas, a companhia do Rio Grande do Sul, Oigalê, apresenta ‘Baile do Anastácio’. Com direção de Claudia Sachs e dramaturgia de Luis Alberto de Abreu, a peça tem no elenco Diana Manenti, Giancarlo Carlomagno, Hamilton Leite, Mariana Horlle, Paulo Brasil e Paulo Roberto Farias. O foco da narrativa é o desenho de Riograndino Anastácio e a esposa Minuana que querem casar sua filha, Maria Pampiana, em busca de um pretendente com bons dotes. Parábola cômica sobre a devastação ambiental e os jogos de interesses em torno da terra, a peça utiliza como metáfora o casamento arranjado que ignora o desejo da mulher.

O festival também realiza atividades no Centro Histórico. No Teatro Guarany (Praça dos Andradas), às 21 horas, ocorre o espetáculo baiano ‘A História dos Ursos Pandas’. A montagem aborda a história de dois jovens que acordam na mesma cama e não se lembram como foram parar lá. Os dois decidem iniciar uma relação e fazem o acordo de passar apenas nove noites juntos e separar-se logo em seguida. As nove noites passam lentamente e parecem uma vida inteira, que abriga alegrias, descobertas, desilusões, novos e velhos rituais de amor. Em cena, os atores Cláudio Varela, Fernanda Veiga e Neto Cajado. O espetáculo integra o Projeto Matéi, que apresenta cinco peças de Matéi Visniec dirigidas por Marcio Meirelles.

No final do dia, às 22 horas, na Vila do Teatro, o projeto Muito Prazer, Meu Nome é Hip Hop apresenta a batalha musical ‘Fomento à Cultura Local’, com rodadas de Dee Jay Mamuth, Jotaerre, Gabriel Azul, Estado de Elevação e Fragmentes. A intervenção também contará com discotecagens e grafite do casal Fixxa e Colante.

Domingo

O domingo também é repleto de apresentações gratuitas. No Emissário Submarino, às 18 horas, ocorre a montagem ‘Rua da Amargura’, do Coletivo e Ates de São Vicente. Do autor Jobson Ricciardi e direção de Rodrigo Caesar, este contracena no teatro de rua com Lucas Magalhães, Jair Moreira, Gustavo Roëmer, Anderson Avelino, Renato Primata, Damiana Albuquerque, Hugo Henrique, Danny Pereira e Oliver Souza. Na peça, um grupo circense chega à Cidade para contar a milenar história da Paixão de Jesus Cristo. As fitas acompanham o figurino, um plano de fundo colore o cenário, máscaras personificam os personagens, realizando uma mistura de cores, formas e sons para apresentar tal espetáculo.

Em seguida, é encenado a peça ‘A Exceção e a Regra’, da Cia Estável de Teatro de São Paulo. O clássico de Brecht tem direção de Renata Zhaneta, com núcleo de dramaturgia de Andressa Ferrarezi, Daniela Giampietro, Nei Gomes e Maurício Hiroshi. No elenco, Daniela Giampietro, Juliana Liegel, Luiz Calvvo, MirieleAlvarenga,Nei Gomes, Osvaldo Pinheiro, Sérgio Zanck, Paula Cortezia e Zeca Volga. Na peça, uma pequena caravana corre em direção à Urga, sendo que quem chegar primeiro terá a concessão de explorar o petróleo local. Logo, a viagem revela as relações de explorador e explorado, ações de abuso de um e submissão de outro.

Por sua vez, O Coletivo apresenta ‘Projeto Bispo’, às 21 horas, na Casa da Frontaria Azulejada. Dirigida por Kadu Veríssimo e dramaturgia de Junior Texaco, a peça tem os atores Junior Brassalotti, Juliana Sucila, Renata Carvalho, Carolina Stahnke, Rafael de Souza, Wendell Medeiros,Malvina Costa, Sérgio Bratz, Vidah Santos, Juliana Damazio e Zécarlos Gomes. O espetáculo traça um panorama que conduz a uma imersão na perspectiva do excluído e um mergulho no labirinto do artista Arthur Bispo do Rosário, entre metáforas sobre a dicotomia loucura e liberdade.

Diego Alencikas e sua banda embalam a noite às 23 horas, na Vila do Teatro. Com Gui Papini (bateria), Iuri Martins (flauta, saxofone, escaleta), João Felipe Graf (guitarra), Lelê Lótus (percussão) e Pedro Pessoa (contrabaixo), o grupo cria prórias versões de música num repertório de MPB, Soul, Rock Anos 60, Rock’nRoll, Música Latina, Reggae, Xote, Baião, Bossa Nova, entre outros.

Segunda-feira

O feriado da Independência do Brasil também contará com diversas encenações. Os Panthanas – Núcleo de Pathifarias Circenses de Santos, por exemplo, apresenta ‘Os Desclassificados’, às 16 horas, na escadaria do Monte Serrat. A criação coletiva de Sidney Herzog, Junior Brassalotti e Pablo Bailoni conta o drama de três palhaços em busca de um emprego. As confusões criadas por eles, sempre contam com o público como elemento participante, discutindo as questões da valorização dos profissionais do riso e da precarização do mercado de trabalho.

A Casa da Frontaria Azulejada volta a ser palco teatral às 20 horas, com ‘Diário de Uma Revolucionária’, da Cia do Feijão. A peça tem direção e dramaturgia de Pedro Pires e elenco formado por Inês Soares Martins, Mila Fogaça, Natália Xavier, Suzana Muniz, Thais Podestá e Vanessa Garcia. A obra se baseia no diário ‘Paixão Pagu’, longa carta escrita pela ativista cultural sobre suas ideologias para seu companheiro Geraldo Ferraz, quando presa na ditadura Vargas.

Já às 21h30, na Praça dos Andradas, a paulistana Cia dos Inventivos fará a sessão ‘Azar do Valdemar’, com dramaturgia de Jé Oliveira, direção de Edgar Castro e atores-criadores Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues e Marcos diFerreira. Na trama, uma trupe mambembe conta a história do desaparecimento de Valdemar e, com o público, tenta recriar a sua trajetória, um sequestrado pelo estado policial que vigora em nosso país. A peça é livremente inspirada no romance “Viva o Povo Brasileiro” de João Ubaldo Ribeiro.

Por fim, The Matuts e Aparícius apresentam seu repertório autoral plena de música instrumental e psicodelia às 23 horas, na Vila do Teatro. Atualmente está ativa na cena Hip Hop da baixada santista, com influências também de Jimi Hendrix, Bob Marley e Jorge Ben e de gêneros musicais como Afrobeat, Dube Reggae. Além de suas músicas autorais, a banda toca Black Sabbath, Sublime, Fela Kuti e nacionais como Luiz Gonzaga, Nação Zumbi e Bezerra da Silva. A banda é formada por Luan Campbell (bateria), Yuri Scavinski (guitarra), Rafael Viveiros (baixo), Cássio Peixoto (trompete) e Tiago Gadoni (teclados). Confira a programação em: fb.com/festivalsantistadeteatro e movimentoteatraldabaixadasantista.blogspot.com.

Tema

O FESTA 57 – Festival Santista de Teatro é o festival de artes cênicas mais antigo em atividade do Brasil, reconhecido pelo Governo Federal com a Ordem do Mérito da Cultura. Este ano, o evento conta com o tema ‘Fomento’, convide o público a refletir sobre a importância de uma lei de iniciativa popular para um Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de Santos, seguindo o modelo da capital paulista.

FESTA 57

O festival é uma realização do Movimento Teatral da Baixada Santista e da Secretaria de Estado da Cultura por meio do ProAC – Programa de Ação Cultural. O evento com apoio da Prefeitura de Santos e do Sesc além de parceria com a Cooperativa Paulista de Teatro, Movimento de Teatro de Rua de São Paulo, Rede Brasileira de Teatro de Rua, Vila do Teatro, Diário do Litoral, Escola de Samba União Imperial, Movimento Mães de Maio, Fundação Arquivo e Memória de Santos e Curta Santos.

Dia 5 (sábado)
15h30 – Fonte do Sapo – Teatro ‘Meu Quintal é Maior que o Mundo’, do Teatro Wídia;
16h30 – Fonte do Sapo – Teatro ‘A Moça da Janela’, da Animalenda (Itanhaém);
18h – Fonte do Sapo – Teatro ‘Baile do Anastácio’, do Oigalê (Rio Grande do Sul);
21h – Casa da Frontaria Azulejada – Teatro ‘A História dos Ursos Pandas’, do Teatro Vila Velha (Bahia);
22h – Vila do Teatro – Batalha Musical sobre Fomento à Cultura Local, do grupo Muito Prazer, Meu Nome é Hip Hop (Santos);

Dia 6 (domingo)
18h – Parque Roberto Mário Santini – Teatro ‘Rua da Amargura’, do Coletivo de Artes de São Vicente;
19h – Parque Roberto Mário Santini – Teatro ‘A Exceção e a Regra’, da Cia Estável de Teatro (São Paulo);
21h – Casa da Frontaria Azulejada – Teatro ‘Projeto Bispo’, do O Coletivo (Santos);
23h – Vila do Teatro – Apresentação do Diego Alencikas e Banda;

Dia 7 (segunda-feira)
16h – Escadaria do Monte Serrat – Teatro ‘Os Desclassificados’, de Os Panthanas (Santos);
20h – Casa da Frontaria Azulejada – Teatro ‘Diário de uma Revolucionária’, da Cia do Feijão (São Paulo);
21h30 – Praça dos Andradas – Teatro ‘Azar do Valdemar’, da Cia dos Inventivos (Santo André);
23h – Vila do Teatro – Apresentação de The Matuts e Aparícius Band;

*Lincoln Spada