Arquivo da tag: fundo de assistência a cultura

6º Facult amplia o período de inscrições em novas três semanas

Por Lincoln Spada / Foto: ‘Tempos Modernos’, divulgação.

Produtores culturais e fazedores de arte terão um maior período para se inscreverem no 6º edital do Fundo de Assistência à Cultura de Santos, popularmente 6º Facult. Previsto para encerrar esta etapa nesta quinta-feira (dia 9), o concurso municipal terá o prazo prolongado para receber projetos até o dia 30 de março. É certo que a Secretaria da Cultura de Santos ainda nesta semana publicará a prorrogação via decreto no Diário Oficial.

Com as mudanças do edital, a Secult entende que a ampliação da fase de inscrições permitirá que os proponentes tenham mais tempo de adequar seus projetos. Ao mesmo tempo, possibilita uma maior adesão de inscritos, já que esta foi a primeira edição que ocorreu inscrições em período simultâneo com os preparativos e festejos do Carnaval – que conta com o envolvimento de muitos do segmento artístico. Não se trata de um adiamento isolado: em 2010, o 1º Facult também aumentou as datas desta fase.

>> Baixe aqui o edital na íntegra
>> Conheça o observatório do Facult

A iniciativa contemplará 30 projetos, cada um com verba municipal de R$ 12 mil, totalizando R$ 360 mil de aporte do Facult. As inscrições podem ser realizadas nos dias úteis, das 9h às 12h e das 14h às 17h. O projeto a ser inscrito deverá ser entregue pessoalmente ou encaminhado por via postal, com aviso de recebimento (A.R) ou Sedex, para a Secretaria de Cultura – Facult, localizada na Av. Senador Pinheiro Machado, 48, térreo – Conselho Municipal de Cultura, no bairro Vila Mathias. O CEP é 11075-907.

O projeto deve ser entregue ou enviado dentro de uma ‘embalagem única’ (envelope, pacote ou caixa) com a identificação ‘Edital Facult nº 6’, contendo em seu interior dois envelopes, classificados como nº 1, com a documentação exigida, e nº 2, contendo o projeto. Os cadastros entregues pessoalmente deverão estar acompanhados de quatro cópias da ficha de inscrição do lado de fora da embalagem única.

No caso de projetos enviados por via postal, as quatro cópias deverão estar dentro da embalagem. Uma cópia será retida pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult), as outras duas anexadas aos envelopes nº 1 e nº 2, e a outra via de inscrição protocolada e devolvida ao proponente. Mais informações podem ser obtidas na Secult ou pelo tel. 3226-8000.

Quem pode participar

Podem concorrer propostas que contemplem os segmentos artísticos das artes plásticas, artes gráficas, artesanato, cultura integrada e popular, circo, artes de rua, dança, música, teatro, cinema, videografia, fotografia, literatura, patrimônio cultural e natural, infraestrutura cultural ou outros segmentos aprovados pelo Conselho Municipal de Cultura de Santos.

Somente poderão se habilitar ao concurso pessoas físicas ou jurídicas de direito privado, de natureza cultural e sem fins lucrativos, domiciliadas ou sediadas em Santos. Cada proponente poderá se inscrever em apenas um projeto, com uma única função artística. Constatada a participação do mesmo proponente em mais de um projeto cultural, ocupando outras funções do quadro artístico, será considerado para efeito de classificação final, o projeto com a nota mais baixa.

Em Santos, 6º Facult recebe inscrições até março de 2017; confira o edital

Por Lincoln Spada | Foto: Vinícius Terra

O 6º edital do Fundo de Assistência à Cultura de Santos, popularmente 6º Facult, consta no decreto nº 7.628/16, publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (dia 30). O concurso municipal de apoio a projetos culturais independentes terá inscrições abertas de 23 de janeiro a 9 de março de 2017.

> Confira o edital na íntegra
> Confira o observatório do Facult

Ao todo, serão R$ 360 mil distribuídos entre 30 produções selecionadas com investimento de R$ 12 mil. Além dos valores, o edital mantém quase todo o conteúdo em relação ao concurso anterior. Entre as raras diferenças, a gratuidade na difusão de obras que não preverem itinerância.

Outra mudança é que agora se entende que o proponente participa de um núcleo artístico e, neste caso, o mesmo núcleo artístico não poderá ter dois projetos aprovados no mesmo segmento. E embora as inscrições sejam ainda presenciais, a Secult se propôs a atender a demanda da comunidade artística em tornar este modelo em uma plataforma virtual noutras edições.

O 6º Facult abrange as áreas de artes plásticas, artes gráficas, artesanato, cultura integrada e popular, circo, artes de rua, dança, música, teatro, cinema, videografia, fotografia, literatura, patrimônio cultural e natural, infraestrutura cultural ou outros segmentos aprovados pelo Conselho Municipal de Cultura.

Leis cumpridas

Com recursos das bilheterias de teatros e demais espaços municipais culturais, o fundo público é gerido pela Secretaria da Cultura de Santos. Desde a sua criação em 2010, esta é a primeira vez que o Facult mantém a sequência anual de editais publicados no valor completo, conforme prevê a legislação municipal.

 

Secult define datas para assinaturas e pagamentos aos contemplados do 5º Facult

Por Lincoln Spada | Foto: Fernando Yohkota/Orquestra na Rua

Após repercussão na Revista Relevo, já tem data a assinatura dos contratos sobre os 30 projetos aprovados pela 5ª edição do Facult – Fundo de Assistência à Cultura de Santos. De acordo com a Secretaria da Cultura, a apresentação dos Termos de Cooperação Cultural e Financeira aos artistas e produtores selecionados será nesta terça-feira (dia 25), às 15 horas, no Museu da Imagem e do Som de Santos (Av. Pinheiro Machado, 48).

> Acesse: Por que o Facult é importante?
> Acesse: Confira o histórico do fundo cultural

Em nota, a Secult avisa que “também orientará os artistas contemplados com a verba municipal sobre o processo de prestação de contas das ações que serão desenvolvidas, conforme as normas estabelecidas no capítulo XI do decreto 7.315”. O concurso contempla 30 projetos culturais da Cidade, cada um com verba de R$ 12 mil (paga em parcela única), totalizando R$ 360 mil – verba exclusiva da captação das bilheterias dos teatros municipais.

Conforme edital, o valor será depositado na conta corrente dos proponentes até dia 22 de novembro (20 dias úteis). O edital é exclusivo aos artistas e companhias que atuem em Santos, voltado para múltiplas linguagens. Como contrapartida, as apresentações devem ser gratuitas ou a preços populares. Além disso, precisam realizar três atividades com entrada franca, sendo: uma na Zona Noroeste; uma nos morros ou na Área Continental; uma na Zona Leste ou Centro.

6º Facult

Por sua vez, o secretário da Cultura, Fábio Nunes, garantiu aos artistas a publicação do novo edital – provavelmente com aumento dos valores das produções contempladas. Com base em sugestões da comissão avaliativa do último concurso, o regulamento será apresentado e discutido pelo Conselho de Cultura em reunião prevista para novembro de 2016.

Aprovados no 5º Facult aguardam pagamento há 60 dias; Prefeitura não define data

Por Lincoln Spada

Há dois meses, os 30 proponentes aprovados pelo 5º edital do Facult – Fundo de Assistência à Cultura de Santos apresentaram documentações à Prefeitura. Mas o Poder Público não apresenta prazo para o pagamento das produções artísticas. Com o atraso, a previsão é que a conclusão desses projetos colida com o calendário de festivais de 2017.

Criado em 2010, o concurso anual prevê na última edição o pagamento no montante de R$ 360 mil, dividido em R$ 12 mil por produção. “A verba para os projetos é proveniente da arrecadação dos teatros municipais”, sem qualquer ônus dos recursos da Prefeitura, afirma o Poder Público. Valor disponível a qualquer segmento artístico, desde gravações de CDs até apresentações de dança.

> Acesse: Por que o Facult é importante?
> Acesse: Confira o histórico do fundo cultural

O concurso é exclusivo aos artistas e companhias que atuem em Santos. Como contrapartida, as apresentações devem ser gratuitas ou a preços populares. Além disso, precisam realizar três atividades com entrada franca, sendo: uma na Zona Noroeste; uma nos morros ou na Área Continental; uma na Zona Leste ou Centro.

Uma expectativa para dar maior visibilidade do Facult às comunidades era da realização de uma dessas sessões públicas em agenda coletiva e itinerante pela Cidade. A vontade foi partilhada pelos artistas e Secult em reunião, mas o atraso dos contratos e do repasse das verbas deve inviabilizar a mostra, já que será próximo ao calendário Setembro Criativo – neste ano, quatro festivais de grande porte aconteceram no período.

Retrospectiva do 5º Facult

O Diário Oficial publicou o edital em 28 de dezembro de 2015. Mais que o dobro noutras edições, 166 produções foram inscritas até 26 de fevereiro de 2016 na Secult. Com o recorde de proponentes, a análise de documentação pela Prefeitura foi concluída em 19 de maio, indo à comissão avaliativa, com membros da Secult e sociedade civil.

A lista de resultados foi divulgada no Diário Oficial em 2 de agosto. Segundo regulamento, até o dia 17 os aprovados apresentariam as documentações à Secult – como uma abertura de conta bancária exclusiva. Desde então, eles aguardam um retorno da Secult. O edital não estabelece o prazo para a secretaria apresentar os termos, e indica que, após a assinatura, a Prefeitura fará os pagamentos em até 20 dias úteis.

Assim, mesmo que a documentação fosse concluída em outubro, os pagamentos ocorrerão em novembro e as produções aprovadas no regulamento de dezembro de 2015 terão que adequar seu cronograma de trabalho entre 8 e 11 meses – ou seja, outubro de 2017. Nas últimas reuniões, sem receber prazos, o Conselho de Cultura até veiculou um comunicado publicado em mídias da região.

Resposta da Prefeitura

Na última quarta-feira (dia 19), a Prefeitura respondeu que os contratos para os 30 projetos contemplados pelo 5º Facult “são elaborados pela Secretaria Municipal de Finanças (Sefin) e Procuradoria Municipal de Santos, com acompanhamento da Secult”.

“Do total de 30 projetos, 26 têm documentação pronta, 2 estão aguardam empenho pela Sefin e outros 2 recebem ajustes técnicos na Secult. Como prosseguimento do trâmite, os proponentes serão chamados à Secult, em data a ser definida, para a assinatura do contrato e explanação sobre o processo de prestação de contas”, conforme regulamento do edital.

6º Facult

Por sua vez, o secretário da Cultura, Fábio Nunes, garantiu aos artistas a publicação do novo edital – provavelmente com aumento dos valores das produções contempladas. Com base em sugestões da comissão avaliativa do último concurso, o regulamento será apresentado e discutido pelo Conselho de Cultura em reunião prevista para novembro de 2016.

 

Após movimento de artistas, Secult garante publicar Facult 2015

O edital do Fundo de Assistência à Cultura – Facult de 2015, em Santos, deve ser publicado ainda este ano. A garantia foi dada em entrevista ao vivo pelo secretário da Cultura de Santos, Fabião Nunes, à TV Tribuna na noite desta última segunda-feira. “Eu também quero o Facult”, a publicação, ele afirmou na entrevista, “é um compromisso do nosso governo”.

O tema das pendências do edital em 2012 e da nova publicação, não lançada este ano, é a pauta desta semana do Movimento Teatral da Baixada Santista, da Associação Casa do Artesão de Santos, do Coletivo Audiovisual de Santos, entre outras entidades. Ainda no final de semana, uma foto circulou nas redes sociais com o tema ‘Prefeito, cadê o Facult?’.

> Facult: A mobilização dos artistas em 2010
> Facult: As desventuras do edital até 2015
> Facult: A repercussão das artes pela Cidade

O Facult prevê, a cada ano, o apoio a 30 projetos culturais com a liberação de R$ 10 mil para cada espetáculo selecionado. Para o G1 Santos, o ator e professor João Paulo Teixeira Pires comenta: “Por diversas vezes, temos enfrentado com essa administração o cancelamento do Facult. E esse ano, corremos o risco de, novamente, esse fundo não ser disponibilizado. Movimentos artísticos precisam se manter, precisam de recursos para realizarem suas produções”.

03O Diário do Litoral (DL), o G1 e a TV Tribuna também registraram o protesto de artistas na abertura do 9º Festes – Festival de Teatro dos Estudantes de Santos. Pelo jornal do DL, em entrevista a Carlos Ratton, o jornalista Alessandro Atanes, já contemplado pelo projeto, avalia: “além de perdemos 30 novas produções artísticas e culturais e a riqueza simbólica que isso traz, considero uma contradição incrível que uma cidade que prega a inovação e o empreendedorismo não valorize o Fundo de Cultura como política pública de estímulo à economia criativa”.

Segue na íntegra o texto que circula entre os movimentos artísticos da Cidade:

PREFEITO, CADÊ O FACULT DE 2015?

Santos pode perder 90 ações de artistas locais este ano. Já passamos do mês de “Setembro Criativo” e nada de ser publicado o concurso do Facult em 2015.

Como lei municipal desde 2008, o Facult deve abrir um edital anual de R$ 300 mil para financiar 30 produções santistas a ocorrerem em todas as regiões da Cidade.

Mesmo em ano de crise, a Secult tem verba de R$ 32 mil e até mediou volumosos recursos com empresas pro carnaval da Grande Rio. Mas até agora não garantiu recursos pro Facult.

Pelo jeito, será o segundo ano do atual governo que a arte santista não terá edital. Afinal, prefeito de Santos, cadê o Facult?

*Lincoln Spada

 

Entrevista: Fabião Nunes avalia os caminhos do Facult

Democrático e descentralizado, o Fundo de Assistência à Cultura de Santos marca um caminho nos rumos de políticas públicas da Cidade e Região. Em números, os passos do Facult ja contemplaram em quatro editais desde 2010 cerca de 90 produções independentes artísticas e, consecutivamente, com mais de 300 atividades ocupando a orla, centro, morros, Zona Noroeste e Área Continental.

Ao encarar esta trajetória, “acredito muito no potencial do Facult, acredito muito que este edital permite que a gente tenha um processo hiperdemocrático de acesso à cultura”, avalia o secretário de Cultura de Santos, Fabião Nunes. No entanto, titular da pasta desde janeiro, ele busca uma jornada que equilibre as pendências de pagamento do concurso anterior, como também a possibilidade do fundo caminhar para a nova edição ainda este ano.

> Facult: A mobilização dos artistas em 2010
> Facult: As desventuras do edital até 2015
> Facult: A repercussão das artes pela Cidade

Em entrevista exclusiva ao blog, o gestor explica sobre os caminhos jurídicos que rondam o Facult de 2013, as perspectivas para o fundo diante da crise econômica internacional e que mudanças pretende discutir no roteiro desta iniciativa municipal.

Na reunião do Concult deste mês, um representante da secretaria anunciou que nem todos os projetos aprovados pelo Facult de 2013 receberam às segundas parcelas – referentes à conclusão de 13 produções artísticas, num valor total de até R$ 40 mil. Quando o edital do Facult é publicado no Diário Oficial, já não há verba reservada para sua conclusão?

Em nenhum momento, os projetos não foram financiados por falta de dinheiro. E é importante que consigamos debelar todas as dúvidas sobre o Facult. Em todos os anos, o edital abre com a verba reservada. O não pagamento é porque cada projeto de 2013 [que ainda não foi pago por completo] teve uma peculiaridade, a maioria deles foi a questão da prorrogação do prazo. E é esta prorrogação que está gerando um entendimento dúbio juridicamente do gabinete e da procuradoria municipal.

Pode-se descrever qual razão a Secult não fez o pagamento final desses projetos (sem reserva no fundo, atraso na prestação de contas ou de finalizar o processo)? Em quanto tempo prevê que haja esses pagamentos?

Desde que entrei na Secretaria da Cultura, pedi para ver todas as dívidas que temos, entre elas, a deste Facult que ainda está em aberto. Mas é que ele deixou de ser um processo de vontade administrativo, ele virou jurídico. Já nos reunimos com a Procuradoria Geral do Município, e o pagamento das produções é um consenso, a não ser que algum destes projetos não tenham cumprido junto às prestações de contas.

Claro que a gente não quer deixar de pagar, isso trava até o astral aqui da Secretaria da Cultura, queremos honrar todos os contemplados do edital. Mas por esses motivos múltiplos condicionados a falta de documentos [da Procuradoria] que contemplem a análise do processo de pagamento, não tenho também como confirmar quando vamos efetivar os pagamentos.

A Secult já pediu a abertura de um novo processo à Procuradoria Geral do Município para o pagamento dos artistas. Isto significa que existe um prazo máximo para a conclusão de cada edital do Facult? Portanto, é possível que este atraso se repita?

Então, essa questão do prazo máximo de cada edital é o que está ainda sendo discutido. A Procuradoria Geral do Município vai fazer a interpretação da legislação quanto à prorrogação do prazo, até para evitar que essa situação aconteça no futuro.

A lei do Facult já foi discutida em antigas reuniões do Concult para sofrer alterações, como outras fontes de recursos além de bilheterias dos teatros e eventos culturais e aumento gradativo do valor do edital (ambas ações eram compromissos do plano de governo do prefeito), restringir o uso do fundo às produções culturais por meio de edital. Como anda o processo de atualização da lei e quais destas ações mencionadas a secretaria prevê incluí-las?

A lei já prevê que o fundo receba novas fontes de recursos, mas ela não restringe que o Facult financie somente editais. O fundo tem essa permissividade, ele pode amparar a secretaria quando tem uma falta na dotação das orquestras, cachês ou de atividades culturais, mas isso não acontece com frequência.

Vem às vezes até como recomendação da Secretaria de Finanças quando pode se encaixar o pagamento pelo fundo, mas claro que queremos usar dessa dinâmica com frequência, porque queremos ter mais verba para os próximos editais. Pode-se também ter uma lei específica de fomento às linguagens artísticas, sem a liberação do dinheiro de editais para outros fins, gosto desse caminho. Podemos debatê-lo dentro do Conselho Municipal de Cultura.

Quanto ao aumento gradual do edital, foi um compromisso setorial do prefeito em 2012, mas em 2015 temos um ano atípico na questão econômica. Não quero soar deselegante, gostaria de ter mais condições de poder atender os artistas, mas a realidade administrativa é outra, vivemos em uma crise macroeconômica, não é somente em Santos. É duro de falar, mas entre botar mais artes nas ruas ou comprar máquinas e equipamentos de saúde, o orçamento municipal vai preferir a outra área.

Este é um ano absurdo em querer falar de dinheiro, existe uma retração econômica, temos que ser muito criativos, porque a realidade é dura, e a demanda de serviços básicos como saúde e educação consomem mais dinheiro. Embora mesmo nesta situação, a gente tem o investimento em cultura que está na porta das pessoas, com programação de peças e apresentações em teatros públicos, a Concha Acústica, as novas parcerias para fazer essas entregas culturais à população, entre outros.

Qual o valor que o Facult reserva atualmente? Já tem uma previsão de quando a Secult abrirá um novo edital? Haverá mudanças no edital?

Olha, não sei informar o valor do fundo atualmente [o jornal A Tribuna divulgou em julho que o fundo arrecadara R$ 137,8 mil]. Claro que é vontade do governo de lançar o edital o mais breve, mas depende da evolução do superávit [aumento do orçamento] da Prefeitura a partir de agosto, porque existe inclusive a possibilidade de completarmos [os R$ 300 mil para o edital] e a gente colocá-lo para rodar.

Uma ideia que faço e vou discutir com o Conselho Municipal de Cultura, é de que o futuro edital contemple menos projetos, mas dê mais recursos a cada um, prestigiando mais os artistas e produtores independentes da Cidade. Mas isso ainda vai ser discutido. Bem, não tenho previsão de lançar o 5º Facult, mas você será o primeiro jornalista para quem vou ligar avisando.

*Lincoln Spada

 

Facult: Repercussão das produções promovidas pelo edital desde 2010

Cerca de 300 ações artísticas foram financiadas pelo Fundo de Assistência à Cultura (Facult) de Santos nos últimos cinco anos. Desde sua regulamentação em 2010, ocorreram quatro concursos premiando 90 projetos com R$ 10 mil cada, que, por sua vez, tinham como contrapartida realizações gratuitas em, pelo menos, três locais em Santos (Zona Noroeste, Morros e Área Continental).

Mesmo que, neste período, algumas produções independentes não tenham sido realizadas pelos artistas da Cidade, outras foram espetáculos em curta e média temporada, como também festivais com diversas atividades. Uma das ações foi a segunda edição da Sansex – Mostra de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual de Santos, evento fruto da antiga sessão Curta Cris de LGBT, ligada à programação do Curta Santos.

> Facult: A mobilização dos artistas em 2010
> Facult: As desventuras do edital até 2015
> Facult: Entrevista com secretário de Cultura

01“A Sansex foi a primeira ação na Região que abordou a cultura da diversidade sexual artisticamente, dando margem para outras iniciativas posteriores e agregou os agentes que atuam no segmento LGBT”, comenta o diretor Ricardo Vasconcellos. “Aliando discussão e inovação, o evento ofereceu ao público o melhor da produção nacional do gênero, incentivando novos realizadores e artistas locais a ingressarem ao tema”.

A programação contou com sessão de curtas-metragens e longas, espetáculos teatrais, debates, oficinas e ações públicas junto a outros órgãos, como plantões de orientação jurídica da Comissão da Diversidade Sexual da OAB-Santos e distribuição de preservativos e informativos sobre prevenção a DST e Aids. “Esta foi a nossa meta, inserindo cidadãos que sofrem a exclusão cultural do gênero, sem acesso a equipamentos públicos ou privados capazes de garantir o desfrute do conteúdo transformador que a arte e a cultura proporcionam”, finaliza Ricardo.

Eventos de artes gráficas e plásticas

04Outra produção que foi contemplada pelo Facult foi o 4º Salão Dino de Humor do Litoral Paulista. Na época, a co-idealizadora Márcia Okida dizia que, “de maneira geral, a participação internacional cresceu consideravelmente em relação aos anos anteriores”. Houve inscrições de obras do Uzbequistão, Turquia, Montenegro, China e Bulgária. “Tivemos contribuições das mais variadas regiões, desde a Tailândia até países da América do Sul”.

O responsável pelo evento, Alexandre Alves Valença Barbosa, detalha as atividades: “realizamos a exposição no Sesc dos trabalhos vencedores, itinerância de workshop sobre charges e humor, folheto explicativo, cartazes e premiação em dinheiro com troféu”. No entanto, “o que me marcou de forma negativa foi a falta de informação sobre como desenvolver o projeto (como a abertura de conta com CNPJ e não pessoa física), de forma a não prejudicar financeiramente o proponente”.

Lançamentos de CDs e shows

03Na edição seguinte, mais um projeto contemplado foi ‘Os choros, sambas e canções que a gente mesmo faz’, de Marcos Canduta. Tratava-se de um CD com músicas do artista junto de Julinho Bittencourt. “Fizemos algumas apresentações, mas acredito que o melhor resultado, ou o grande benefício para o público, tenha sido a produção de mais um CD com músicos e compositores locais”, ressaltando que o disco foi enviado para todo o país.

Marcos detalha as experiências do projeto, “a primeira sessão de gravação, ouvir o resultado da primeira master, a chegada dos CDs, etc. A experiência foi altamente positiva, e esperamos que esse projeto possa ser ampliado, pois é bastante importante para os fazedores de cultura em nossa região”.

Publicação de livros

05Também o Facult contemplou a publicação de diversos títulos, como ‘Memórias do Carnaval Santista’, de Jadir Muniz, ‘Jacinto, Sansão do Cais Santista’, de Sergio Willians, e ‘Esquinas do Mundo – Ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos’. “Estou muito feliz por compartilhar minhas pesquisas”, entusiasmava-se Alessandro em seu primeiro livro autoral, na época, em entrevista de seu lançamento.

É muito nítida para o escritor a imagem do porto como uma esquina, um ponto de encontro dos viajantes: “Até a popularização do avião nos anos 50, as pessoas precisavam viajar de navio. E Santos, ainda importante pela grande produção de café, era uma porta de entrada para o Brasil”. Entre as evidências, cita artistas internacionais que, ao passarem pela Cidade, faziam turnês nas antigas boates da então Boca de Ouro (Centro Histórico).

Porém, aprecia mais a visita dos escritores estrangeiros. Por aqui desembarcaram navios com o suiço Frédéric Louis Sauser, o chileno Pablo Neruda e a norte-americana Elizabeth Bishop, todos recitando a Cidade em seus versos. Ciente das dezenas de obras ficcionais sobre o porto, o autor escreve 11 ensaios analisando tal relação: “As narrativas não relatam detalhes históricos, mas elas mostram a mentalidade das pessoas que viviam na época”. Portanto, ele vive a extrair história da literatura.

*Lincoln Spada