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Cubatão terá sessão única da 48ª Encenação da Paixão de Cristo

Por Lincoln Spada | Foto: Márcio Barreto

“Nos palcos, buscamos um Jesus que antes de renascer, enquanto em sua dimensão humana, assuma a tarefa difícil de defender o pleno amor em um mundo tão cruel e de tantas vaidades”, destaca o ator Gabriel Muglia, que interpretará o principal nome da cultura ocidental nesta sexta-feira (dia 14), às 20 horas, na 48ª encenação anual da tradicional Paixão de Cristo. Milhares de pessoas são esperadas na sessão única e gratuita no CSU – Parque do Trabalhador (Rua Salgado Filho, 249, Jardim Costa e Silva). A entrada é pela Rua Cidade de Pinhal.

“Em seu deserto interior, sua solitude, Jesus reafirma a todo momento o Mandamento do Amor. E na Encenação, essa experiência se dá no processo de encontro que ele tem junto aos diferentes núcleos, pautando uma reflexão sobre as diferenças sociais no mundo, e de como acessar o sagrado que habita em nós, encorajando-nos ao amor, ao respeito e à honra”, diz o protagonista, já reconhecido pela Cidade, principalmente pelas crianças. É que atualmente ele faz o papel do professor teatral Tom nas telinhas do horário nobre, em ‘Carinha de Anjo’, na SBT.

No CSU – Parque do Trabalhador, Gabriel dividirá a cena com outros artistas e mais de uma centena de membros da comunidade. De crianças a idosos, de mecânicos a aposentadas, de cozinheiros a estudantes. Para a realização da encenação cristã mais antiga da Baixada Santista, foram dois meses de ensaios e atividades formativas no parque e, aos fins de semana, nas UMEs José de Anchieta e Dilce Ferreira Campos. Enquanto Juliana Sousa assina a direção geral e Emanuella Alves assume a direção cênico-artística, uma equipe de seis arte-educadores sensibilizavam todo o elenco com oficinas formativas.

“Todas essas pessoas passaram os dias vivenciando as artes cênicas com ênfase em consciência e expressão corporal, autoconhecimento, percepção de si no espaço, compreensão de diferentes tempos e tônus em movimentações”, comenta a coordenadora pedagógica da 48ª Encenação da Paixão de Cristo, Barbara Muglia. “A grande potência deste projeto é oferecer aos participantes um despertar para as artes cênicas e reconhecer que todos que estarão naquela arena e nos bastidores são essenciais para contarmos a história de alguém que, independente da fé de cada um, inspira pessoas de todo o mundo”.

Uma das participantes do evento é Solange Pereira, que estará com sua neta se apresentando para o grande público. “Estou realizando um sonho. Sempre quis viver isso, fazer teatro. E fazer junto com a minha neta, com todos vocês, torna tudo ainda mais especial. Nunca esquecerei essa oportunidade”.

A realização do espetáculo é da Associação Incena Brasil, da Criar & Inovar Consultorias e Produções e do Governo Federal via Ministério da Cultura, tendo patrocínio da Ecovias e Elog Logística através da Lei de Incentivo à Cultura, com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Cubatão por meio da Secretaria de Cultura.

 

Santos recebe 2ª Festa da Música de 18 a 21 de agosto; confira programação

O Governo Federal através do Ministério da Cultura e do Fundo Nacional de Cultura realiza em Santos a 2ª Festa da Música. Com toda sua programação gratuita de 18 a 21 de agosto, o evento acontece com a participação de diversos gêneros musicais e assim trabalhando o conceito do estilo musical de cada um, demonstrando que a arte é um bem de todos e acessível a todos e não apenas de um nicho da sociedade.

O evento quer quebrar barreiras e através da arte mostrar que é possível o respeito e as opiniões divergentes se encontrarem em um mesmo palco e com o mesmo público. A 2ª Festa da Música pretende celebrar, com a população santista e turistas o melhor da produção musical da nossa região, nos nossos mais diversos estilos musicais: Instrumental, MPB, Samba, Choro, Pop Rock, Jazz, Blues, Maracatu, músicas latinas, etc…

PROGRAMAÇÃO OFICIAL

Dia 18 de agosto – Quinta-feira
>> 20h | Fonte do Sapo | Simoninha com a Jazz Big Band.

Dia 19 de agosto – Sexta-feira
>> 16h | Jardim Botânico Chico Mendes | Newton Zago;
>> 19h | Concha Acústica | Olavo Dáda;
>> 20h | Praça Regional do Caruara | Trio Zé do Café.

Dia 20 de agosto – Sábado
>> 12h | Bulevar da Rua XV | Choro e Afins;
>> 12h | Estação Bistrô – Praça do Valongo | Zinho;
>> 15h | Casa da Frontaria Azulejada | Oficina de Djs com Kouiot e show de MC Jotinha
>> 16h | Lagoa da Saudade | Grupo Família;
>> 19h | Instituto Arte no Dique | Banda Querô;
>> 19h | Concha Acústica | Banda Y3.

Dia 21 de agosto – Domingo
>> 18h | Fonte do Sapo | Sena Sopra Metais;
>> 19h | Concha Acústica | David Costa Jazz Trio.

*QG Sanatório

 

Análise: Quem é Marcelo Calero, o novo minC num governo impopular?

Enquanto político, Michel Temer (PMDB) entra em declínio na sua primeira aparição sob holofotes. Boa parte de quem votou em Dilma (PT), não reconhece que o elegeu como vice e, consecutivamente, presidente interino. E boa parte de quem protestou para a saída de Dilma, também não se responsabiliza pela posse de um dos presidentes mais impopulares do Brasil?

A má fama de Temer, de seu partido e do início de seu governo fez render cinco recusas de convites para a pasta da política nacional de cultura. Centenas de artistas e ativistas em mais de 15 capitais ocuparam patrimônios do setor que foi durante nove dias rebaixado ao status de uma das várias secretarias do MEC. Vitória dos artistas. Na terça-feira, a cultura retoma como ministério (MinC), mas nas mãos de Marcelo Calero, ainda pouco conhecido pela classe artística.

O novato no ninho

7Aos 33 anos, Marcelo Calero é o 24º e último ministro empossado no governo Temer, e o segundo mais novo de um grupo de políticos com média de idade acima dos 60 anos. O próprio Temer tem 75. Se para os mais antigos, a cultura é um braço da educação – contraturno escolar ou hobby -, Calero vem de uma geração que cresce vendo os primeiros passos para tentar firmar uma política do setor com maior abrangência.

Diplomata, o novo gestor faz questão de usar o ‘diálogo’, e precisará de muito para evitar ruídos de idades e pensamentos em uma equipe ministerial rotulada de conservadora e neoliberal. A resistência também pode vir do seu reduto político, o PMDB do Rio, o fragmentado ninho do partido mais capilarizado do Brasil.

Por lá, o que não faltam são caciques que, dependendo do contexto, unem as tribos contra um adversário em comum. Pezão, Eduardo Cunha e o clã Picciani têm seus próprios devotos. O prefeito Eduardo Paes – o ‘padrinho’ de Calero – tenta se dar bem com todos, cada um com seu ‘esqueleto no armário’. Na área da cultura, Marcelo (PMDB) também é um recém-chegado. Assumiu a Secretaria da Cultura do Rio em 2015, há pouco mais de um ano.

O Rio é o Brasil?

3Definitivamente, não. Mas às devidas proporções, a população de 6,5 milhões de cariocas reflete um pouco a diversidade cultural do povo brasileiro – como também todas as suas desigualdades, da orla aos morros. Em questão financeira, as contas da Cultura no plano federal sempre são baixas em relação ao orçamento nacional. Em relação ao Governo Federal (R$ 3 trilhões), 0,1% vai ao MinC (R$ 3 bilhões).

No Rio, dos R$ 30 bilhões da Prefeitura, cerca de R$ 250 milhões (0,9%) vão para a cultura. Uma proporção inferior a outras prefeituras (em São Paulo, por exemplo, são quase 2,26% do orçamento), mas é uma das maiores contas públicas do setor cultural, até por causa da arrecadação do município carioca.

1Ou seja, Calero não terá dificuldades em conduzir as finanças do MinC nesta gestão interina. Outra observação é que a sua gestão fez crescer de R$ 190 para mais de R$ 250 milhões em um ano na área cultura no Rio de Janeiro. Não se pode perceber se o aumento é apenas por causa das Olimpíadas ou pelo trabalho da Secult, mas o PMDB do Rio confia muito em seu nome.

Sobre a estrutura em que conduzia no Rio, também não difere muito do Governo Federal. Na Cidade Maravilhosa, há também uma pasta de Cidadania e Diversidade Cultural, outra voltada à Arte e Fomento (referente à política cultural), uma fundação cultural, uma empresa distribuidora de filme e um instituto de capacitação aos artistas e produtores. Um organograma atualizado com o MinC desenvolvido por Juca Ferreira e Gilberto Gil.

Continuidade ou ruptura com antigo MinC?

5Em partidos distintos, Calero sempre tentou estar próximo de Juca Ferreira e Gilberto Gil em 2015. Valeu até tietar o cantor no Instagram ou registrar em seu Facebook as visitas de Juca ao Rio. A cidade teve papel fundamental para o MinC também, já que no ano passado foi lá que começaram as discussões das política nacional de artes em junho e o Emergências em dezembro, evento sobre artes e ativismo na contemporaneidade. Em entrevistas, o diplomata sempre foi respeitoso às diretrizes dadas por Juca no MinC.

Em seu perfil pessoal, não há espaço para abordar vida pessoal ou fotos políticas. Os registros são com Bethânia, Marieta Severo, Ruy Castro, Marília Gabriela, além de fóruns. Todos os gestos incitam sua vontade de ouvir. A imagem pública que ele tenta traduzir é de que sempre está sorrindo ou admirando outros artistas a falarem. Replica frases do meio cultural, viaja abraçado e, por vezes, promove fóruns, rodas de debate e conversas virtuais com a comunidade. Nesse ponto, bem ao estilo Juca no último ano.

Na secretaria do Rio, ele assumiu uma empresa audiovisual (RioFilme), uma política de renúncia fiscal (tão semelhante a Rouanet) e uma coleção de patrimônios (9 centros culturais, 5 museus, 10 lonas e 8 teatros, além de bibliotecas, arenas e planetários), não sendo difícil entender o Iphan.

8Além de circuitos musicais, a sua gestão foi marcada pela abertura do Museu do Amanhã com iniciativa privada, a manutenção de outros patrimônios e lançamento de três editais: Ações Locais (agenda de palcos itinerantes durante as Olimpíadas), Pontos de Cultura (como já faz o MinC) e territórios culturais (iniciativas nas periferias da Cidade).

A sua última iniciativa foi o lançamento do Passaporte Cultural, programa que concede descontos para apresentações artísticas e visitas aos museus durante o período próximo às Olimpíadas no Rio, entre maio e setembro deste ano. O recente trabalho de Marcelo é uma versão goumertizada: mais voltada ao turismo esportivo, mas ainda assim similar às diretrizes do último MinC.

Fama de jovem prodígio

9Enquanto gestor, parece sair quase ileso de críticas. Além de não ser possível encontrar reportagens contra Calero em 2015, os quatro primeiros meses pouco têm comentários contra o seu nome nos seus perfis virtuais. Somente na última semana, suas publicações são alvos de críticas – a esquerda que reclama o porque que ele aceitou o convite de Temer, e a direita que pede a extinção do MinC.

Para o ex-MinC, Juca Ferreira, nada tem contra à Calero, mas não vê legitimidade do governo Temer. Para os artistas do Rio, o seu nome é uma incógnita. Da produtora e ativista do Procure Saber, Paula Lavigne, até o ativista global José de Abreu, ninguém analisa o perfil do novo ministro.

6Os poucos que falam de sua carreira, aprovam, como é o caso do Eduardo Barata, presidente da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro. A declaração de Barata: “Mas o Calero ficou 1,5 ano na Secretaria Municipal de Cultura e fez um trabalho de excelência. Além das políticas públicas que implementou, deu continuidade às que já existiam. Além da seriedade como gestor, que foi ímpar, demonstrou ser um cara muito aberto ao diálogo”.

Com certo ufanismo, Calero recebeu em 2015 as seguintes láureas: Prêmio São Sebastião de Cultura na categoria Ação Cultural; Prêmio Pilar da Cultura do Grupo Estácio; Prêmio Theodor Herzl, concedido pela FIERJ; Prêmio Cariocas do Ano da Revista Veja Rio, na categoria Cultura. Uma coleção de homenagens em tampouco tempo.

Redentor ascendente

Não que o currículo do novo ministro seja pequeno. Formado em Direito (UERJ), há 11 anos entrou na vida pública. Participou da Comissão de Valores Imobiliários (2005), passou pela Petrobras (2006), entrou no Itamaraty (2007), atuando no Departamento de Energia e depois na Embaixada no México, voltou à assessoria internacional da Prefeitura do Rio (2013) presidiu o Comitê Rio 450 (2014) e assumiu a Secult em 2015.

4Enquanto carreira, ascendeu tentando equilibrar as vontades dos governantes e classes altas com as demandas do povo. Enquanto técnico, apresenta boa qualidade. Mas dois riscos podem colocar o novo nome do ministro num furacão, apesar de discursar que “Vamos construir juntos uma política pública de cultura consistente, progressista, democrática, que trate, justamente, de dar a mais ampla abrangência a todas as manifestações que nós temos do Norte ao Sul do País”.

O primeiro é até onde vai um ritmo consistente do ministro. A cada dois, três anos, ele se compromete a um novo cargo e um novo círculo de relacionamentos. Para uma gestão que prevê até seis meses, Calero pode ser o nome mais indicado. Mas se o impeachment vingar, até quanto tempo o gestor se reinventará em avanços? O outro é que, pela primeira vez, Calero assume um papel estratégico num momento incerto do Poder Público.

O nome certo?

2O gestor ingressou na Petrobras no início da ascensão da empresa e do PIB nacional, na governo petista. Tornou-se diplomata justamente quando o Itamaraty alongou-se em investimentos de relações internacionais na América Latina e Sul-Sul, no segundo mandato de Lula. Esteve na assessoria internacional do Rio, quando a cidade pmdbista era referência aos grandes eventos esportivos, depois no Comitê Rio 450 e, por fim, é nomeado à secretaria onde as verbas crescem à medida que se aproxima das Olimpíadas.

Se antes, Calero sempre era indicado a cargos em setores e instituições em ascensão, hoje o diplomata está encaixado num governo interino, impopular e dentro da maior crise financeira do Brasil no terceiro ano de recessão econômica. Será a vez de observar se Calero é ou não o ‘cara’ certo no período certo da política cultural do País.

*Lincoln Spada

Zeca Baleiro é nova atração do Cubatão Danado de Bom para esta sexta

O cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro é a mais nova atração confirmada para a 4ª edição do Festival da Cultura Nordestina – Cubatão Danado de Bom. O show do artista, confirmado ontem (6) pela organização do evento para substituir de Lenine, que precisou ser cancelado por motivos de saúde do músico, será na sexta-feira (8), às 23 horas.

Artista plural, Zeca Baleiro construiu uma carreira sólida, sempre surpreendendo público e crítica a cada trabalho. Com melodias certeiras, arranjos elaborados e poesia em alta voltagem, Baleiro apresenta sua espirituosa visão de mundo em canções originais. Além disso, tem se revelado sagaz intérprete de outros compositores e se envolvido com novas áreas, como o teatro e a literatura. Durante o show, o cantor e compositor apresentará grandes sucessos de sua carreira, em um show quente e vibrante.

O repertório inclui arranjos contagiantes de canções já consagradas pelo público como: “Salão de Beleza” (ZB), “Babylon” (ZB), “Telegrama” (ZB), “Quase Nada” (ZB e Alice Ruiz), “Vai de Madureira” (ZB), “Calma Aí, Coração” (Hyldon e ZB), “Zás” (ZB e Wado) e “Último Post” (ZB e Lúcia Santos). O público também pode esperar surpresas de Zeca Baleiro, que costuma preparar releituras de músicas de outros artistas. Zeca Baleiro será acompanhado de sua guitarra e de Tuco Marcondes (guitarras e vocais), Fernando Nunes (baixo), Pedro Cunha (teclados, samplers, sintetizadores e acordeon), Adriano Magoo e Kuki Stolarski (bateria e percussão).

Danado de Bom

A maior festa nordestina fora do Nordeste tem início nesta quinta-feira e segue até 10 de abril, no Kartódromo Municipal de Cubatão, com entrada gratuita. Com um público estimado em 80 mil pessoas, o evento terá shows de artistas consagrados, como Paralamas do Sucesso, Nação Zumbi, Davi Moraes e Moraes Moreira, Pablo – o rei da sofrência, além de teatro de arena, espaço para as crianças, artesanato, comidas típicas, apresentações de músicos e bandas da região e uma homenagem ao grande escritor e dramaturgo Ariano Suassuna.

A 4ª edição do Festival da Cultura Nordestina Cubatão Danado de Bom tem o patrocínio da Elog, com apoio da Unipar Carbocloro, Vale Fertilizantes e Anglo American. O evento é promovido em parceria com Associação Comercial e Industrial de Cubatão (ACIC), Ciesp Cubatão e Santos e Região Convention & Visitors Bureau e realização da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, Governo Federal, Prefeitura Municipal de Cubatão e Associação dos Artistas.

*Prefeitura de Cubatão

Diálogo do MinC em Santos tem mais dúvidas que respostas; veja 23 propostas

Mais dúvidas do que respostas foram semeadas na Caravana da Cultura, promovida pelo MinC na última terça-feira em Santos. Ainda assim, a experiência para o ministro Juca Ferreira e os secretários de políticas culturais Guilherme Varella e de diversidade cultural Ivana Bentes foi avaliada como positiva. A razão do entusiasmo do trio é a mesma da falta de soluções práticas: a dificuldade que o Governo Federal tem de conhecer as demandas pontuais de cada região do Brasil.

Este ano, Santos foi o sexto município a receber a iniciativa que já percorreu Fortaleza e Região do Cariri (CE), São Luís (MA), Salvador (BA), Belo Horizonte (BH) e Recôncavo Baiano (BA). A escolha da cidade foi uma combinação do ministro com o seu amigo de longa data, José Virgílio, presidente do Instituto Arte no Dique: ele se comprometeu a destinar a verba federal de R$ 360 mil em conversa com o gestor. Aliás, Juca já visitara o município outra vez em 2008 – também para conhecer o instituto no Dique da Vila Gilda.

> Entrevista com o ministro Juca Ferreira
> Entrevista com secretário de Políticas Culturais, Guilherme Varella
> Entrevista com secretária de Cidadania e Diversidade Cultural, Ivana Bentes

“Venho aqui na maior boa vontade, não vim enrolar, cooptar ninguém (…). Isso aqui não é enrolação, não. Isso aqui é busca de diálogo, busca de cooperação”, enfatizou o ministro no Teatro Guarany. Da plateia, 23 pessoas pontuaram questões e demandas da Baixada Santista, todas anotadas pela trinca política. E cada um, ao lado do secretário municipal Fabião Nunes, pode tentar argumentá-las no final do encontro. Neste quebra-cabeça, as propostas e as respostas estão listadas a seguir:

021) Telma de Souza: Qual a visão de cultura do MinC para o Brasil?

Guilherme Varella: O ministério tem trabalhado até aqui a tridimensionalidade da cultura, ampliando o conceito com suas dimensões simbólica, econômica e cidadã. Ao contrário do que se veicula, nos tempos de crise é o momento de pensar da diversificação de disponibilidades, organizar os meios para intervir na cultura, nos marcos legais, de pensar em cultura como um ponto central de desenvolvimento no País. O que também nos guia é a camada de vê-la como um direito das pessoas.

2) Marcelo Ariel: Criação de um centro de apoio ao escritor, como faz a ONG Fórum da Cidadania de Santos; criação da integração das bibliotecas do País; criação de universidades livres de arte; solução para manutenção dos pontos de cultura do Brasil.

3) Brunão Mente Sagaz: As novas formas de desenvolvimento de políticas públicas federais.

05Ivana Bentes: Quando penso nos pontos de cultura, entendo que nós somos os médicos cubanos do MinC, espalhados em mil municípios. Em qualquer lugar que chegamos, ou tem, ou teve ou vai ter um ponto de cultura. Desde o início do programa, foram 4 mil pontos de cultura. (…) Os recursos públicos são muito significativos, o estado brasileiro deve mobilizar e incentivar. (…) Hoje o ponto de cultura é um projeto que é política de estado, dentro da Lei Cultura Viva, algo que nem o Bolsa Família é. Ou seja, independente do governo, ele continuará a acontecer no Estado. Tem o orçamento próprio. Mas os últimos quatro anos foram um momento de desinvestimento, então sabemos que há redes que se desfizeram nos municípios. (…) Vamos lançar três editais estratégicos em junho: um em apoio a ações de mídia livre junto ao audiovisual com o Ministério das Comunicações; outro é um edital de redes de pontos de cultura, porque quanto se está preocupado em articular em rede, você se torna um ser político; o terceiro edital é de cultura indígena.

4) Sylvia Helena Souza: Proposta de eixos para o MinC: universidade como espaço de produção e cultura; universidade como espaço de mediação, difusão de conhecimentos e obras artísticas; saber mais sobre o edital Mais Cultura nas Universidades.

Guilherme Varella: Esta é a hora de criarmos uma forma que atenda todos os pleitos da comunidade. É preciso uma reaproximação com as universidades, para possibilitar o processo criativo, que esta seja uma política pública a ser descrita, e a outra questão é de indicadores culturais. Faltam informações e estatísticas sistematizadas para todos consigam ter um diagnóstico e cenário comum de análise.

5) Aparecida Oliveira: Qual a dificuldade do trabalho em rede do MinC e do Ministério da Educação?

01Guilherme Varella: A cultura é muito mais que um ornamento do processo educacional, já estamos discutindo ações para complementar de forma vistosa os processos educacionais e queremos fazer com que as políticas públicas contemplem o audiovisual na escola, entre outros projetos. (…) O Juca e o Janine (ministro da Educação) têm uma ótima relação.

6) Talita Fernandes: Garantia em todos os editais nacionais de critérios de igualdade racial, gêneros e transgêneros. Criação de incubadoras culturais junto a municípios para formação de produtores e gestores. Ocupação artística de espaços ociosos, como os galpões e armazéns do Porto de Santos.

7) Junior Brassalotti: Mais fomento ao audiovisual como a lei dos curtas antes dos longas-metragens; ocupação de equipamentos públicos federais.

02Juca Ferreira: Sou favorável que abra equipamentos públicos geridos por movimentos culturais da Cidade (…) Em São Paulo, quando era secretário de Cultura, íamos experimentar a co-gestão de espaços com movimentos artísticos, e aí avaliarmos. (…) Eu topo viabilizar o espaço do cais do Valongo com a Prefeitura. Mas vamos ter que definir juntos o uso daquilo ali.

8) Karla Lacerda: quais as diretrizes do MinC para investimentos na formação inicial de artistas? Regularização do projeto Cultura Sem Fronteiras. Mais políticas para segmentos artísticos.

9) Reginaldo Pinto de Oliveira: Capacitação de produtores culturais.

Juca Ferreira: A formação no Brasil é um escândalo e até devemos fazer uma parceria com o Ministério da Educação. (…) Não podemos mais viver da precariedade, preciso ter mais formação para técnicos, gestores e artistas. (…) Tem artistas que não tem como sobreviver, em geral, e isso é muito difícil, temos que olhar mais para a política de fomento no Brasil.

10) Rogério Baraquet: Qual é a política básica do MinC para melhoria de equipamentos públicos?

Juca Ferreira: Existe um descaso das cidades em manter os equipamentos e as memórias. (…) Tem certas demandas que são de nível municipal e estadual, nem sempre podemos abraçar todas.

11) Eduardo Ricci: Legado dos megaeventos – Copa do Mundo e Olimpíadas – para o fomento do cinema brasileiro. Quais os resultados para o audiovisual diante da secretaria federal de economia criativa?

01Juca Ferreira: No campo audiovisual, passamos de 6 para 200 produções de filmes nacionais por ano, estamos conquistando públicos, linguagens, ainda são aos poucos, mas é uma experiência bem-sucedida. Nós aprovamos também a lei da TV a cabo (de aumento da produção e circulação de produções audiovisuais na programação das emissoras), que, diga-se de passagem, a maioria dos cineastas foi contra ou indiferente. Hoje o projeto dá quase R$ 1 bilhão por ano.

12) Caio Martinez Pacheco: Na região, os investimentos culturais geralmente são mais em obras do que na programação local para ocupar os espaços; mais investimento para fomento artístico; reestruturação dos editais da Funarte, já que é predominante os projetos contemplados nas capitais em vez do interior; uma nova lei de Prêmio do Teatro Brasileiro em que haja um orçamento próprio para o segmento; se as demandas das antigas caravanas até 2008 já foram realizadas pelo MinC.

13) Sandra Alves: Reabertura do Prêmio Klauss Vianna.

04Guilherme Varella: O diagnóstico só vamos ter quando colocarmos o bloco nas ruas, perceber onde é que estão as peculiaridades regionais. (…) Os gestores públicos precisam ter dados para revisar, para gerenciar, e os artistas também para pleitear, pautar o nosso trabalho. (…) Nós teremos no próximo dia 9 de junho, o processo de discussão da Política Nacional das Artes [para entender as demandas de cada segmento] junto da Funarte.

Juca Ferreira: O diálogo é uma prática democrática. (…) Na área de políticas de artes, a Funarte (localizada no Rio de Janeiro) não ajuda nem a dos cariocas. Vamos discutir mais a política, porque “farinha pouca, meu pirão primeiro” é muito famoso. Vamos refletir de novo, criar um fórum específico que incorpore a Funarte. É um esforço necessário, (…) de construir com vocês esta política.

0114) Platão Capurro Filho: Reconhecido pela Ordem do Mérito Cultural, qual a possibilidade de convênio permanente do Festa – Festival Santista de Teatro com o MinC?

Juca Ferreira: Sobre a questão do Festa, sugiro que batam primeiro na porta do Fabião. Depois em nível estadual. E depois converse com o ministério. Existem outros festivais antigos no Brasil.

15) Cleofaz Hernandes: Mais investimentos no artesanato paulista como ocorre no Norte e Nordeste. Cadastramento de todos os artesãos.

16) Artista plástica e designer Rosilma: Enfrentar a terceirização de trabalho para alta moda; projetos para empreendedorismo feminino; investimento no artesanato urbano.

Guilherme Varella: O artesanato é um elemento interessante, pois une a questão simbólica e econômica. É importante o MinC entender as cadeias, o marco regulatório, a possibilidade do cadastramento do artesanato. Estamos trabalhando ativamente para as economias de cada segmento.

Juca Ferreira: Vou começar uma negociação para que o artesanato entre no Ministério da Cultura, atualmente ele integra o de Desenvolvimento e Comércio, mas este não está com um olhar sensível para o segmento. Também estamos tentando trabalhar a gastronomia, o design e a moda no MinC, porque eles são partes importantes da cultura (…). Certamente nestes quatro anos, vamos ter um movimento seguro destes segmentos para que estejam no ministério.

17) Mestre Márcio: Recentemente patrimônio da humanidade, como a capoeira é contemplada pelo MinC?

01Juca Ferreira: Em 2003, conversando com o Gilberto Gil, passamos a abrir editais de capoeira viva, capoeira na escola, encaminhamos o dossiê para a ONU para reconhecer como patrimônio da humanidade. Mas nós estamos com um perigo atualmente, que é um projeto de lei que tenta desapropriar a capoeira. Segundo ele, só poderão dar aulas de capoeiras quem for os profissionais de educação física. Nós estamos a fim de sensibilizar o Congresso, pois isso é um crime, porque a capoeira é mais que uma luta marcial, dança, é uma série de dimensões feitas por pobres capoeiras envolvidos ideologicamente. (…) Foi algo genial que o Brasil inventou, coisa de preto, e estamos nos mobilizando para evitar a aprovação da lei.

18) Raquel Rollo: Muitos editais ainda não foram pagos. Aproveito e leio a carta da Rede de Teatro de Rua Brasileira: “Já há oito anos, divulgamos, rebatemos, sentamos, exigimos ações concretas e efetivas pela arte pública e cultura do nosso país, já que o governo vergonhosamente vem sumindo ano a ano, para um estado de legitimação de falsa participação, de um falso programa de cultura brasileira. Cansamos e não vemos sentido em dialogar com o ministro da Cultura se as conversas sempre reclamam de faltas de verbas. (…) Endossamos esse caldo com professores, movimentos de moradia, saúde, trabalhadores, quilombola, indígenas, povos da floresta, LGBT, feministas etc. Não há como construir mais pautas, nos últimos oito anos já fizemos reuniões e cartas, resta pôr em prática”. Entre as demandas: editais com dotação orçamentária; fim da Lei Rouanet.

Juca Ferreira: A minha vinda não é uma enrolação, uma substituição pela falta de verbas. (…) Eu não acredito em política pública construída dentro de gabinete, foi assim que avançamos em políticas culturais. (…) O MinC existe para receber a demanda da população. Não estou querendo cooptar ninguém. (…) Não é verdade que faltando verba, o MinC não vai fazer nada. (…) Mesmo nos melhores momentos, o dinheiro nunca foi suficiente para todas as demandas. Mas desde que entrei no ministério (2002 a 2010), o orçamento subiu de R$ 237 mi para R$ 2,3 bi.

Guilherme Varella: Teve uma demora neste semestre, porque há já o atraso natural a pagar os editais, mas acho que gradativamente eles estão sendo pagos, ainda mais agora, porque o orçamento do ministério foi liberado na última semana.

19 e 20) Hércules Góes e Bruno Fracchia: A mudança da Lei Rouanet.

21) Lincoln Spada: Qual o desafio para ainda não mudar a Lei Rouanet desde 2008?

Juca Ferreira: A Lei Rouanet é uma enganação, a pessoa sai alegre com o crédito na mão e não consegue financiamento das empresas. (…) Todo mundo sabe sou o maior arqui-inimigo da Lei Rouanet, porque quando pedimos pro Ibge (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os números foram escandalosos. Não é uma lei que dá suporte a política pública de cultura.

01Para o artista pedir o reconhecimento de poder usar a lei (em que empresas aplicam seus impostos em projetos culturais), o Ministério utiliza mais de 300 funcionários para avaliar a proposta e a prestação de contas, e quando a gente aprova, as empresas só tem interesse por aqueles que dão retorno de imagem, atores famosos de novelas, da Broadway.

A Lei Rouanet representa 80% do dinheiro que temos de fomentar a cultura. Isso não é só neoliberal, isso é um escândalo. Um ministro da Inglaterra quando viu os dados, disse que até lá seria impossível dar dinheiro público para construir a imagem das empresas. Isso é perverso. Boa parte do Norte do Brasil tem retorno de 0%. No Nordeste, por causa de Pernambuco e Bahia, 4%. Em Minas, 10%. No Rio e São Paulo, 80%. E aqui dentro, das capitais, são sempre os mesmos, 60% dos investimentos. (…)

03Tem instituições que pegam R$ 90 milhões, R$ 60 milhões, e não tem como proibir, porque ela foi criada na época do governo Collor, que queria privatizar os recursos públicos. Nós vamos mudar a lei para o Pró-Cultura, onde o dinheiro público (dos impostos) vão para um fundo público (movido por editais aos projetos artísticos). (…) Esperamos mudar a lei este ano, muitos senadores foram a favor da mudança. (…) Mas há no Brasil uma onda reacionária, que quer retroceder a política e que precisamos nos mobilizar.

22) Tarcísio de Andrade: O MinC defende que a gratuidade do transporte público pode fomentar o acesso à cultura?

23) Rodrigo Marcondes: Como iniciar o Sistema e Plano Municipal de Cultura.

[As duas propostas não foram contempladas em nenhum argumento]

*Lincoln Spada

‘É ponto de partida orçamento baixo’, afirma ministro da Cultura Juca Ferreira

A cada mês mais distante de um orçamento robusto, a última fala do ministro Juca Ferreira sobre o tema foi para o jornal El País: “O dinheiro vai aparecendo à medida em que você vai trabalhando e evoluindo. Pra mim, é ponto de partida orçamento baixo”. Com certo ânimo, diz que o bolso a esvaziar “não é um impeditivo para avançar”.

O discurso do sociólogo e ambientalista relaciona com o entendimento do corte do Governo Federal em R$ 69 bilhões, anunciado em maio. O Ministério da Cultura (MinC) este ano terá uma receita menor que a de 2013 – R$ 2,6 bilhão ante R$ 2,8 bilhão. Uma situação não tão ruim para Juca, que comparava a dieta da presidenta Dilma nas reuniões ministeriais.

O comentário é esse: “Presidenta, eu vou usar uma metáfora que, como você está fazendo dieta, vai compreender. Chegam três pessoas numa clínica de emagrecimento: um gordão, um com peso normal e um magricela. Se o médico disser assim: ‘Eu vou cortar 35% de todos vocês’, o obeso talvez depois tenha que ir ainda pra uma nutricionista para reduzir ainda mais o peso; o de peso normal vai sair um pouco enfraquecido, mas tem todas as condições de rapidamente se recuperar; mas o magricela morre”.

De fato, a ferida nas finanças ao todo corresponde a quase um quinto, pois o orçamento previsto para o MinC este ano era de inéditos R$ 3,3 bilhões. No Salão do Livro de Paris em março, Juca deslizava que a tesourada econômica era inevitável, mas que comprometer “30% de uma pessoa esquálida, pode até inviabilizar a vida”. Se entendermos que do orçamento total, o valor junto de emendas (já bloqueadas) para manutenção de programas e equipamentos culturais caiu de R$ 1 bilhão para R$ 716 milhões, a dor alcança 33% do corpo ministerial.

A crise econômica ainda reflete em investimentos em novos programas e editais, de R$ 377 para R$ 320 milhões. Ou seja, são verbas menores para financiar pesquisas, obras culturais, projetos de intercâmbio, enfim, todas as etapas da economia criativa: do aprimoramento dos artistas até à formação de público.

Situação que se opõe ao entusiasmo inicial de Juca em sua posse em janeiro. Na época, pedia mais recursos para o Governo Federal ao longo de sua gestão, ovacionado pela plateia. Com um cofre emagrecido em mãos, é interessante perceber qual será o novo ritmo proseado pelo ministro nesta terça-feira, em passagem por Santos.

*Lincoln Spada