Arquivo da tag: governo

Entrevista: ‘A Tarrafa Literária está bem inserida no circuito de festivais’, afirma Tahan

Por Lincoln Spada | Foto: Marcus Cabaleiro (capa) e José Luiz Tahan (demais imagens)

Com objetivo de evidenciar a literatura e conquistar novos leitores, aproximando-os de escritores de renome nacional e internacional, a Tarrafa Literária completou a sua oitava edição em setembro de 2016. Entre os dias 21 e 25, o Teatro Guarany e o Sesc Santos receberam a programação gratuita do evento realizado pela Editora Realejo.

a4Ao todo, foram dez mesas de debates, além de atrações infantis e um espetáculo de abertura, protagonizado pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão e sua filha, a cantora Rita Gullo. A autora Maria Valéria Rezende, a cartunista Laerte, o editor Mino Carta, o apresentador Paulo Henrique Amorim, o cronista Gregório Duviviver foram alguns dos convidados deste ano.

Em entrevista virtual à Revista Relevo, o idealizador e diretor do festival, José Luiz Tahan, aborda sobre o panorama do evento que compõe o calendário Setembro Criativo em Santos.

Com oito edições, a Tarrafa Literária praticamente consolidou seu formato e público em Santos. Como ela é analisada dentro do panorama estadual ou nacional dos festivais literários?

a8Bom, acredito que essa resposta vem de outros, de fora, mas vamos lá: estamos avaliados e aprovados em veículos do Brasil inteiro, além de termos uma parceria institucional de longa data junto ao Governo do Estado de SP. Estamos bem inseridos no circuito brasileiro de festivais de literatura.

Praticamente se convencionou que o festival perdure cinco dias, iniciando com show, seguindo em torno de 10 mesas no Guarany e com programação infantil, voltada à contação e teatro. Existe vontade de estender a Tarrafa para outros palcos ou com outras linguagens artísticas?

A nossa linguagem é por e pela literatura, apesar de abordarmos muitos segmentos dentro da ficção e da não-ficção tendo um evento múltiplo e de assuntos amplos. A literatura e o livro é um suporte rico e consagrado, podendo sim dar margem desde à música associada e por que não ao teatro? Quando nascido de uma obra literária, essas fusões podem acontecer no futuro.

Este ano, foi inegável que a partir de questões do público ou os próprios autores convidados, parte das mesas abordassem o impeachment e consequências. Até que ponto você vê que a crise político-econômica afeta no processo criativo e na produção de livros no País?

a6O mundo que nos cerca claramente nos atinge, se estamos falando de escritores e pensadores, é claro que vão repercutir e abordar conflitos, seja na sua arte, seja na sua rotina. Alguns devolvem de uma forma mais crítica, outros mais bem humorada, isso é importante, é a história que vivemos.

Noutras vezes, muito se comentava sobre o orçamento do festival, proporcionado em grande parte via incentivo fiscal. Em 2015, o evento contou com metade do patrocínio de 2014. Este ano, houve um orçamento ainda mais reduzido? E como você observa a demonização cada vez mais crescente da Lei Rouanet?

Festivais ou projetos que buscam incentivos de leis sempre tem seus desafios renovados ano a ano, nunca se tem vida fácil. Mas o que você comenta é parte do total, nós não temos a renúncia fiscal como a grande parte que viabiliza o evento, temos mais da metade dos recursos do total vindos de outros apoios, via verba direta mesmo, decidida pelas empresas, instituições ou pessoas que acreditam no evento.

Esse ano, apesar do clima adverso, tivemos bons resultados e discordo de você quanto a demonização da Rouanet, o que houve foram investigações e buscas em cima de produtores desonestos, aliás, que existem em todos os campos da sociedade, os desonestos tem que ser combatidos. A lei Rouanet é bem interessante, e séria, feita também por gente comprometida, de valor.

Posse do Concult de Santos é dia 13; cadeira é polêmica

Post atualizado à 1h de sábado*

O novo Conselho de Cultura de Santos e a sua mesa diretora serão empossados nesta segunda-feira, às 19 horas, na Prodesan (Praça dos Expedicionários, 10, Gonzaga). Ao todo, a entidade é formada por 11 representantes do Poder Público, 11 da sociedade civil e mais 11 suplentes.

03

Enquanto as cadeiras do Poder Público são distribuídas entre secretarias, considerando a cultura como política transversal, as da sociedade civil são indicadas por segmento. As áreas contempladas são: artesanato, folclore e cultura popular, dança e movimento, livro e literatura, produção e promoção cultural, carnaval, história e memória, teatro e circo, patrimônio histórico edificado, artes visuais, audiovisual e multimeios.

Apesar de já haver espaço para Secretaria da Cultura dentro da cota do Poder Público, era considerado comum haver a disputa das vagas de conselheiros da sociedade civil com funcionários públicos da área artística durante as pré-conferências. E a partir daí,  reuniões do Concult geravam a questão se o funcionário representava as ideias do Poder Público ou o mesmo como artista representava a sociedade civil, que a elegeu.

02Desta vez, uma das cadeiras da sociedade civil está sendo tema de polêmica. Na primeira pré-conferência de dança não houve quórum do segmento, sendo adiada para a semana seguinte. Lá, dois membros da Secult foram eleitos com a mobilização de seus alunos como votantes. A funcionária em questão é estatutária e não possui nenhum cargo comissionado ou função gratificada.  Nesse caso, a eleição foi legítima e caberia a quem ocupar a cadeira da sociedade representa-la.

Mas por causa do histórico de situações, parte da classe artística gostaria de quem assumisse o posto fosse alguém sem vínculos com a Prefeitura. Ainda na conferência houve uma votação para legitimar ou não tal eleição dos delegados de dança, em que se manteve a cadeira. Alguns artistas desejam reverter este cenário durante o biênio.

*Lincoln Spada

*Errei feio, errei rude: No texto original, comentava que todas as cadeiras do Poder Público pertenciam à Secult, divididas por segmento. 

Opinião: 0,4% do Orçamento – 10% = Cultura em SP

02Em Paris, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, já se lamentava entre os pares políticos. “Se você tira 30% do peso de uma pessoa normal, ela vai ter dificuldade, mas pode ir compensando. Mas, de uma pessoa esquálida, se você tira 30%, é possível até que inviabilize a sua vida”, comparou à Folha de São Paulo no último dia 20.

É que a crise econômica que abala o Brasil ressoará provavelmente no corte de um terço dos cofres do MinC este ano. A situação é independente de partidos. No Governo de São Paulo, a pasta da Cultura equivale a 0,4% do orçamento geral – R$ 0,9 bilhão do R$ 204,6 bi do Estado. Mesmo assim, ajusta-se a perder 10%.

03O resultado é que a articulação de políticas para o setor ainda será menor este ano. Tratando de espaços que zelam pelos patrimônios e é o chamariz da atual gestão de Marcelo Araújo, os museus já registram demissões. Com perda de 15% da verba, a Pinacoteca do Estado demitirá 29 funcionários. Sem 10%, o Museu Afro Brasil desligará outros 25 trabalhadores.

04Já o Museu da Imagem e do Som perdeu 13 colaboradores e reduzirá uma hora diária do seu expediente. Também na Capital, o Paço das Artes cortou cinco nomes das folhas de pagamento e fechará em vez de um, por dois dias da semana.

O que também desanda é o carro-chefe na capacitação de artistas, as Oficinas Culturais da Associação Poiesis. Das 21 unidades, seis fecham as portas em abril: em Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, São João da Boa Vista e a última na Capital.

Há coordenadores da Poiesis que relataram ao Estadão o fechamento de outras três unidades, mas não foi confirmado. Embora a instituição e a Secretaria do Estado da Cultura garantam manter atividades itinerantes nestes municípios, difícil crer que a programação se manterá intensa no interior paulista.

05Outro profundo corte na garganta dos produtores e artistas é a redução da verba do Programa de Ação Cultural – ProAC, principal meio de financiamento do governo às artes. Para o ProAC ICMS (modelo de renúncia fiscal), serão destinados R$ 121,7 milhões – em 2014 foram R$ 135,2 mi. O valor será liberado para captação no dia 30 de março. Já os recursos para editais serão mantidos em R$ 40 milhões. Ao todo, menos 10%.

Sim, é compreensivo os rumos econômicos que afundam o barco financeiro no Brasil. Mas não é compreensivo que os governos tornem mais esquálidas as políticas culturais. Por isso, que movimentos culturais do Estado vão protestar contra esse retrocesso nesta quarta-feira, às 13h30, na Sala São Paulo (Praça Júlio Prestes, 16, Campos Elíseos, São Paulo).

*Lincoln Spada

 

Entenda a Lei Rouanet

Desde 1991, a Lei Rouanet (Nº 8.313/91) está em vigor, com a finalidade de ajudar ou incentivar a cultura brasileira. A ideia é fazer com que as empresas participem desse cenário contribuindo financeiramente em projetos. Na verdade, tudo funciona como uma troca.

As empresas podem doar parte do Imposto de Renda (IR), adquirido no ano, para esses projetos, e no ano seguinte será ressarcido do mesmo valor. Há muitas críticas em relação a Lei Rouanet, porém muitas companhias/artistas, foram beneficiados com o dinheiro.

Beneficiados:

Em 2013, as cantoras Cláudia Leite e Rita Lee foram contempladas com a aprovação da Lei Rouanet. A cantora Rita Lee, teve o apoio de R$1,8 milhão para fazer show e gravar DVD, já Claudia Leite arrecadou mais de R$ 5 milhões para produzir os show, mas não somente a classe musical recebeu e pode receber ajuda. Este incentivo abrange todas as classes culturais e também a moda que recentemente passou a ter projetos aceitos pela Lei quando o estilista Pedro Lourenço arrecadou o valor de R$ 2,8 milhões (por interferência da ex- ministra da Cultura, Marta Suplicy), porém o evento foi cancelado.

Para apoiar, não é necessário ser pessoa Jurídica, pois pessoa Física também pode contribuir e ter o IR abatido.

Quem apoiar ganha o quê?

Para as empresas:

Possibilidade de agregar valor à marca por meio do apoio a uma iniciativa que valoriza a cultura na cidade, promove o desenvolvimento cultural e gera aproximação com a comunidade (mostrar-se realmente sustentável);

Possibilidade de aproximar o relacionamento com clientes e atrair novos clientes por meio do vínculo da sua marca com projetos de valor;

Projeção da marca da empresa nos materiais de divulgação dos projetos.

Para a pessoa física:

Protagonismo individual: o doador fazendo a diferença na prática, contribuindo para a disseminação da cultura e promovendo o fácil acesso à comunidade;

Custo zero: incentivos 100% dedutíveis do Imposto de Renda, dentro do limite de 6% do imposto devido. Aos que desejam saber mais é só entrar no site Quero Incentivar e saber o verdadeiro papel a Lei Rouanet.