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‘Custódia’ em cartaz no Cine Arte; acesse agenda de cinemas públicos de Santos

Por Secult Santos

Produção francesa que discute o abuso doméstico, o longa-metragem ‘Custódia’ entra em cartaz no Cine Arte Posto 4 – Sala Rubens Ewald Filho (orla do Gonzaga, próximo ao Canal 3) até o dia 20/mar, com sessões às 16h, 18h30 e 21h. Dirigido pelo cineasta Xavier Legrand, o filme narra a história do casal recém-separado Miriam (Léa Drucker) e Antoine Besson (Denis Ménochet).

Ela pede na Justiça a custódia exclusiva do filho, pois acusa o ex-marido de ser violento. O juiz, no entanto, acaba concedendo a custódia compartilhada. Tomado quase como um refém entre seus pais, Julien (Thomas Gioria) fará tudo para evitar o pior. O filme tem entradas no valor de R$ 1,50 a R$ 3. Informações: 3288-4009.

Cine BV no MISS

Comandado por Fernando Pompeu, maestro e diretor-geral do coral cênico Broadway Voices, em parceria com o Museu da Imagem e do Som de Santos – Miss, o Cine BV exibe ‘Camelot’, de 1967. Dirigido por Joshua Logan, o filme é baseado em livro de T.H. White e no espetáculo teatral de Alan Jay Lerner. Após a projeção, Fernando Pompeu bate papo sobre a produção com o público. Sexta-feira (15/mar), às 15h30, na Av. Pinheiro Machado, 48, Vl. Mathias. Entrada franca.

Vilas Criativas da Vila Progresso e Morro da Penha

Na ficção científica ‘Uma Dobra no Tempo’, Meg Murry e seu irmãozinho, Charles Wallace, ficaram, há cinco anos, sem o seu pai cientista, que descobriu um novo planeta e usou o conceito conhecido como tesseract para viajar para lá. Aliado do colega de classe de Meg, Calvin O’Keefe, e guiado pelos três misteriosos viajantes astrais, as crianças iniciam uma perigosa jornada. Sexta-feira (15/mar), às 18h30 e às 20h30, na Vila Criativa da Vila Progresso (R. Moisés, s/nº). Sábado (16/mar), às 15h e às 17h, na Vila Criativa do Morro da Penha (Rua Brigadeiro Newton Braga, 39). Entrada franca.

Cinemateca de Santos

Inspirado na historia real de um gerente da fábrica, o longa ‘John Rabe’ se passa em 1937 e acompanha o contador alemão que vive na antiga capital da China. Com retorno marcado para Berlim, ele é impedido de deixar o país no momento em que a sua cidade começa a ser bombardeada por um esquadrão japonês. Encurralado e destruído, o povo é guiado para uma zona de segurança onde Rabe é eleito líder. Sábado (16/mar), às 20h, na R. Min. Xavier de Toledo, 42, Campo Grande. Entrada franca.

Oscar no MISS

Seguindo com as homenagens a Hitchcock, o Oscar no Miss exibe ‘Festim Diabólico’. Com atuações de James Stewart, Dick Hogan, John Dall, Farley Granger, Edith Evanson e Douglas Dick, o thriller é inspirado no crime real dos assassinos Leopold e Loeb. Na fita, Granger e Dall são dois amigos que estrangulam um colega de turma para experimentar emoções fortes. Depois eles organizam uma festa para a família e amigos da vítima – com o corpo dentro de um caixão que usam como mesa do bufê. A sessão tem curadoria dos críticos de cinema Marcelo Pestana e Carlos Cirne. Terça-feira (19/mar), 18h30, no MISS (Av. Pinheiro Machado, 48/Vl. Mathias). Entrada franca.

Entrevista: Da timidez aos prêmios com cineasta Fernando Coimbra

Lá em Ribeirão Preto, nos anos 80, Fernando Coimbra ainda era um adolescente que “alugava filmes VHS nas locadoras e tentava recriá-los com meu irmão com a câmera da família. Filmávamos e editávamos no videocassete, preto e branco ainda”. Não se via noutra carreira fora ser cineasta.

Participou por nove anos do Teatro Oficina, “queria aprender a como dirigir atores”. A conclusão é de que acumulou outras lições para seu dia a dia. “A formação artística no faz mudar a forma de ver o mundo. E é uma troca de todos os segmentos que a gente passa, pois também me tornei dramaturgo e aí ingressei no Cinema e Vídeo pela USP. Sem falar que passei a ser muito menos tímido. Coisa banal”.

01Na cabeceira, assitia e assiste aos westerns spaghetti de Sergio Leone, muito Quentin Tarantino, Stanley Kubrick, Martin Scorcese, Alfred Hitchcock. “Filmes que me roubam o tempo umas cinco vezes por semana”, resume o cineasta que também se dedica a obras autorais.

“Me especializei em filmes de direção. Gosto de preparar os detalhes, o som, trabalhar as técnicas de fotografia. A maneira de mostrar a história é muito importante”, descreve Coimbra como um maestro que, ao roteirizar, “não são todas as cenas que imagino de vez, mas situações que considero as mais importantes para pontuar nas páginas”.

Com o tempo, seus curtas-metragens premiados passaram a rodar o mundo (‘Magnífica Desolação’, ‘Trópico das Cabras’ e ‘O Retrato de Deus Quando Jovem’). “Sinto que são muito verdadeiros. Porque esses filmes não saem somente de mim, eles passam a tocar as pessoas. E gosto de filmes que sejam assim”.

03Ele rememora logo um longa de Bernardo Bertolucci, ainda em preto-e-branco, que o marcou profundamente aos seus 15 anos. “O cinema não precisa ser chiclete, ele não pode só entreter. Ele pode instigar, nos faz pensar sobre as situações durante a semana inteira seguinte”, fala com entusiasmo, pois foi por tal razão que escolheu a profissão.

Por 20 anos passeando em festivais de curtas-metragens, enfim, realizou o sonho antigo de recontar o crime ‘A Fera da Penha’ no longa ‘O Lobo Atrás da Porta’, com Milhem Cortaz e Leandra Leal. “A situação me marcou porque ela é marcada de violência, paixão e brutalidade. É o ciúme da amante que faz sequestrar a filha de seu amado. Coloquei a ideia no papel ainda na faculdade e, com o tempo, fui amadurecendo”.

Fernando diferencia o processo de roteiro de curtas e de longas “com se num, eu me preparasse para uma corrida de 100 metros e, noutro, faço uma maratona. Você precisa de uma dramaturgia maior”. Em ‘O Lobo Atrás da Porta’, ele tenta mostrar o drama passional de um triângulo amoroso de classe média que finda com o assassinato de uma criança.

Na época da estreia, em entrevista ao blog, ele complementou: “A repercussão tem sido muito boa, pois a história envolve uma relação paranoica, tênue, quase de dois amantes enforcados. E não existe crime perfeito. O que assusta as pessoas é que esta motivação, o ciúme, é algo próximo de todos nós”.

*Lincoln Spada