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Em temporada gratuita, Teatro do Kaos encena ‘Vocifera’

Por Lincoln Spada

Livremente inspirado em obra de Ibsen, ‘Vocifera’ entra em cartaz até o próximo dia 16/dez, com sessões gratuitas de quinta-feira a domingo, às 20h, no Teatro do Kaos (Largo do Sapo, Sítio Cafezal/Cubatão). A peça da companhia teatral comemora os 20 anos do coletivo e tem classificação indicativa de 16 anos.

A montagem trata dos (des)caminhos da conjuntura política atual e das razões que exigem a decisão entre direitos básicos da comunidade, como cultura e saúde. Na sinopse, a alusão do antigo teatro da Cidade que se tornará em um centro oncológico. Assim, a peça lança mão de questões aparentemente locais e corriqueiras para uma análise crítica sobre o pensamento conservador pautado no discurso do medo e na violência sistêmica.

Com base em ‘O Inimigo do Povo’, a peça tem dramaturgia de Victor Nóvoa, direção de Marcos Felipe e Lucas Beda, direção musical de Gustavo Sarzi e elenco formado por Fabiano Di Melo, Levi Tavares e Lourimar Vieira. A temporada é uma realização do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet com patrocínio do Grupo EcoRodovias e apoio cultural da Prefeitura.

 

Coral Porto dos Anjos se apresenta no Teatro Coliseu

Por André Azenha

Contribuir para o formação educacional, social e cultural da futura geração, utilizando a arte como ferramenta. No caso, especificamente a música. Esse tem sido o objetivo do projeto Coral Porto dos Anjos, que desde o início do ano tem preparado crianças da região para o espetáculo “Cantar, Brincar e Amar”, que será realizado terça-feira, 21 de novembro, 20h, no Teatro Coliseu. A entrada é gratuita, com retirada dos ingressos uma hora antes.

O espetáculo aborda de maneira lúdica e bem-humorada o fenômeno das crianças da nova geração que não sabem mais brincar. Os professores, Maestros Regina Kinjo e Marcos Lucatelli, conduzem 40 dos maiores talentos artísticos mirins da região. Um espetáculo para toda a família, cujo repertório mistura músicas dos universos folclórico, erudito, percussão corporal e muito mais.

Durante o ano foram desenvolvidas atividades formativas em canto com alguns dos melhores profissionais do país, além de apresentações de caráter social em instituições assistenciais.

“Nós criamos no projeto um ambiente saudável, criativo e que proporcione a oportunidade de desenvolvimento de aptidões artísticas e musicais das crianças. Fugindo do lugar comum, o Coral Porto dos Anjos busca inovações capazes de manter as crianças e a plateia verdadeiramente encantados com o universo musical”, comenta Adrianne Okazaki, diretora artística do Coral.

Antes, o coral faz uma apresentação prévia neste domingo, 19, 17h, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão). Também gratuita. O Coral Porto dos Anjos tem patrocínio máster de BTP – Brasil Terminal Portuário, patrocínio de ADM do Brasil e CODESP – Companhia Docas do Estado de São Paulo. Realização: Lei de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura, Governo Federal – Ordem e Progresso.

 

Opinião: Com 463 anos, Sampa é um muro grisalho para grafiteiros

Por Lincoln Spada

Quatrocentona, São Paulo se acomoda cada dia mais grisalha com a nova administração municipal. Comemora 463 anos com pichações no Pacaembu, e em outros cantos, após uma semana de cinquenta tons de cinza cobrir o então turístico e querido maior mural de artes urbanas a céu aberto da América Latina: os 15 mil metros quadrados da Avenida 23 de Maio.

A intervenção compõe o programa Cidade Linda, que além de holofotes, garantiria a tão propagada zeladoria na limpeza urbana e manutenção das calçadas. Amparada na Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a gestão do correligionário declarou guerra aos pichadores, mas inclui grafiteiros e muralistas no ninho a apagar da cidade. Assim, como um Midas às avessas, o prefeito Doria descolore tudo o que toca.

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Cores anunciadas

Doria se vestiu de combatente às pichações há um mês, época em que os anúncios ainda eram cinzentos, como o congelamento de tarifas de ônibus e a Virada Cultural em Interlagos. Na época, ressaltou que o muralista Eduardo Kobra coordenaria um programa sobre esta área. O artista negou publicamente intenção ou vontade. Em seguida, o gestor o enfatizou como curador. Mais uma vez, negativa.

Para piorar, o novo secretário de Cultura, André Sturm, iniciou de modo desastrado as falas públicas sobre as bibliotecas e os primeiros encontros com classe artística. Dessa vez, até se preveniu e a Secult fotografou os mais de 70 murais da Avenida 23 de Maio, mas recomendou manter só as imagens de artistas célebres, em detrimento dos grafiteiros locais.

Portanto, a gestão apagou com dinheiro público muitos murais investidos antes com apoio público, e, hoje, com o discurso da avenida estar muito cinza, anuncia que gastará mais verba pública para convidar artistas renomados internacionalmente para oito espaços regularizados da via. O itinerário de uma futura Gotham City seguirá para os Arcos do Jânio.

Pixo é grafite?

A grosso modo, a pichação é uma expressão gráfica publicada sem autorização em qualquer espaço: as marcas do prédio vazio, o “superfaturado” VLT da Baixada Santista, os xingamentos anotados nos sanitários masculinos ou os pedidos de casamento feitos nas ruas – esta até foi recomendada por um jornal. Ou seja, expressão espontânea, apesar de inconstitucional. Só que vou me ater ao outro segmento.

Já o grafite é unânime como arte urbana, uma tela a céu aberto com mesmo tom crítico, vindo da origem do hip hop, mas que hoje já remodela de museus franceses a escolas estaduais. Nesse sentido, o muralismo são as fachadas completas, principalmente em espaços autorizados. Após uma geração,  já são mais bem aceitos socialmente, com ou sem autorização, tendo em vista os efeitos a curto e médio prazo.

Num mundo condicionado às selfies em redes sociais, as artes urbanas garantem olhares curiosos e público fiel ao entorno comercial. De efeito cultural, registra uma faceta da identidade local. No âmbito terapêutico, o colorido em espaços ociosos acolhe os transeuntes. Em políticas públicas, o maior fluxo exige manutenção das calçadas e devida iluminação e segurança pública.

Grey is the new orange

Já visto como ícone da elite empresarial, Doria acena gourmetizando o mercado de sua esposa. A primeira-dama é a artista plástica visada em CPI pela exposição milionária da Lei Rouanet somente para estadunidenses, a partir de benefícios fiscais de empresas. O problema nem é declarar as preferências artísticas, mas de que sua gestão não compreendeu que o grafite ou mural de um artista local tem sua relevância tão igual ou maior de quem já rodou a Europa ou os Estados Unidos.

Pior é a mensagem que o gestor transmite à classe política que agora ele pertence. Se o prefeito da maior capital da América Latina confunde o direito às artes urbanas e à consequente liberdade de expressão, como os outros 5,5 mil municípios brasileiros reagirão ao seu exemplo em suas avenidas principais? Enquanto o Trump ainda se cerca, a gestão Doria escoa verbas públicas com um muro de estranhamento aos grafiteiros e artistas de rua.

 

Teatro do Kaos abre inscrições para curso de teatro até dia 13

Por Alessandro Atanes

Até 13 de janeiro, o Teatro do Kaos recebe inscrições para o Curso de Teatro. Elas devem ser feitas na sede do grupo, na Praça Coronel Joaquim Montenegro, 34, no Largo do Sapo, em Cubatão, de segunda a sexta-feira, das 17h às 20h. Os interessados devem comparecer munidos de RG, CPF e comprovante de residência (originais e cópias).

São 140 vagas, divididas entre os níveis iniciante, intermediário e avançado. As aulas ocorrerão de uma a quatro vezes por semana, de acordo com o módulo. São 20 vagas no Avançado – Qualificação Profissional (16 a 29 anos), 100 vagas no módulo Iniciação (12 a 17 anos) e 20 vagas no Intermediário (acima de 60 anos). “Todas as turmas apresentarão um espetáculo na conclusão do curso. Ao todo, serão encenadas oito peças gratuitas. Com isso, estaremos trabalhando a formação da plateia e incentivando a criação de novos grupos de teatro”, afirma o idealizador e gestor do projeto, Lourimar Vieira.

O Projeto Evolução é patrocinado pela Copebrás através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura. Tendo início agora em 2017, o novo projeto dá continuidade às ações de formação realizadas nos últimos anos por meio dos projetos Superação (2011 a 2015) e Ação Cênica (2016) que, juntos, atenderam cerca de 1.660 alunos.

“O objetivo do Projeto Evolução é que ele continue a trazer benefícios para a nossa sociedade através da arte. Oferecer aos jovens a oportunidade do contato com atividades lúdicas e culturais, além de despertar o gosto pela arte cênica. Dessa vez incluindo idosos, que pela primeira vez participarão do projeto, tendo a chance de estudar e compartilhar experiências. A inclusão desse público foi pensada em parceria com a Copebrás. O teatro ajuda no autoconhecimento e desperta a criatividade”, diz Vieira.

Para participar do projeto, é necessário estar dentro da faixa etária requisitada para cada módulo e ser morador na cidade de Cubatão. É obrigatório também que o candidato esteja estudando ou tenha concluído o Ensino Médio. As aulas serão ministradas no próprio Teatro do Kaos. Mais informações em http://www.teatrodokaos.com.br ou pelos telefones (13) 99124-7470 e 3372-7211.

Guarujá busca realizar Carnaval 2017 via Lei Rouanet

Por Prefeitura de Guarujá

A Prefeitura de Guarujá, por meio das secretarias municipais de Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico e Portuário, promove um encontro com as empresas da Cidade e Região Metropolitana interessadas em patrocinar o “Carnaval da Ilha Pede Passagem 2017”. Na oportunidade, será abordada a modalidade de apoio ao Carnaval pela Lei Rouanet. O evento será no Casa Grande Hotel (Avenida Miguel Stéfano, 1.001 – Praia da Enseada). O encontro será nesta sexta-feira (2) – Dia Nacional do Samba, às 11 horas.

No encontro, o secretário-adjunto de Turismo, Renato Maluf, e o secretário municipal de Cultura, Odair Dias, apresentarão a estrutura prevista pela Prefeitura para o desfile de Carnaval na Avenida Santos Dumont, em Vicente de Carvalho, em fevereiro de 2017. A modalidade de apoio ao Carnaval, por meio da Lei Rouanet, que garante ao patrocinador 100% de isenção no imposto de renda do valor investido no projeto, será explanada pela produtora cultural Lúcia Helena Silva.

Durante o evento no Casa Grande Hotel, a escola de samba Imperador da Ilha de Santo Amaro, tricampeã na Cidade, fará uma apresentação especial e uma atração especial surpresa também celebrará o encontro e o Dia do Samba. Os interessados em participar do encontro podem confirmar presença no e-mail: turismo@guaruja.sp.gov.br.

Marcelo Calero pede demissão do MinC; Roberto Freire assume a pasta

Por Lincoln Spada

Marcelo Calero Faria Garcia é o mais recente ministro a sair do Governo Temer (PMDB). De acordo com a mídia, a saída se deu por entraves com colegas do Planalto, provavelmente em referência a uma reviravolta orçamentária para a pasta. O pedido de demissão foi 10 dias após Calero e Temer anunciarem a ampliação da Lei do Audiovisual e o crescimento de 40% da pasta em 2017.

Na última quarta, o ministro tinha iniciado um comitê técnico para atualizar e acompanhar o Fundo Nacional de Cultura – era uma possibilidade de alterar os parâmetros da Lei Rouanet. Atualmente, tanto comunidade, quanto artistas e gestores veem a necessidade de revisar a legislação para maior descentralização e alternativa de atingir as pequenas e médias produções culturais.

> Análise: Quem é Marcelo Calero?

Em entrevista exclusiva à Folha de S. Paulo, Calero confessa que a sua saída foi provocada por graves discussões com o secretário de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB). Segundo o diplomata, Geddel exigiria a demissão da presidência do Iphan senão liberassem um empreendimento de seu interesse em área tombada na Bahia.

Em seis meses, o ministro enfrentou polêmicas por assumir a pasta – vários artistas e acadêmicos recusavam prêmios, indicações e convites, em grande parte, contrários à credibilidade do atual governo. Recentemente, o escritor Marcelo Rubens Paiva, a cenógrafa e diretora Daniela Thomas e o cineasta Arthur Omar não aceitaram a Ordem do Mérito da Cultura, principal homenagem que o ministério concede a artistas. Mas esses combates públicos não foram as razões da demissão de Calero, segundo anúncio oficial.

Carta de despedida

A imprensa já divulga a carta que Calero enviou à Temer. Em nota oficial, “o Ministro da Cultura, Marcelo Calero, entregou sua carta de demissão ao Presidente da República Michel Temer. Sua saída se deve a divergências com integrantes do governo”. Os gestores já teriam conversado por telefone nestes dias sobre os mesmos entraves em relação ao Geddel Vieira Lima.

“Saio do Ministério da Cultura com a tranquilidade de quem fez tudo o que era possível fazer, frente os desafios e limitações com os quais me defrontei. E que o fez de maneira correta e proba”. O ex-ministro era secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro – hoje em transição de partidos na capital. No Estado, o PMDB extinguirá em 2017 a pasta de cultura.

Roberto Freire assume

Ex-PMDB (dos anos 60 até 1985), o recifense Roberto Freire atualmente é presidente nacional do PPS (onde está filiado desde 1992) e até então estava como deputado estadual por São Paulo. O partido é uma das bases de sustentação do governo Temer na Câmara. Com isso, Freire estará na Esplanada junto de seu correligionário Raul Jungmann, ministro da Defesa.

Embora já fosse cogitado desde maio para a pasta, o novo titular é conhecido por sua atuação em comissões parlamentares de Constituição e Justiça e de Cidadania, e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Freire participa do universo legislativo desde 1975, enquanto deputado estadual de Pernambuco.

No plano federal, compõe a Câmara dos Deputados desde 1979, com exceção dos anos de 2008 a 2012 e de 1995 a 2003 – neste último período, foi senador por Pernambuco. Em um dos poucos posicionamentos públicos recentes sobre cultura, Freire defendia a manutenção dos programas, em especial, da Lei Rouanet.

Entrevista: ‘A Tarrafa Literária está bem inserida no circuito de festivais’, afirma Tahan

Por Lincoln Spada | Foto: Marcus Cabaleiro (capa) e José Luiz Tahan (demais imagens)

Com objetivo de evidenciar a literatura e conquistar novos leitores, aproximando-os de escritores de renome nacional e internacional, a Tarrafa Literária completou a sua oitava edição em setembro de 2016. Entre os dias 21 e 25, o Teatro Guarany e o Sesc Santos receberam a programação gratuita do evento realizado pela Editora Realejo.

a4Ao todo, foram dez mesas de debates, além de atrações infantis e um espetáculo de abertura, protagonizado pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão e sua filha, a cantora Rita Gullo. A autora Maria Valéria Rezende, a cartunista Laerte, o editor Mino Carta, o apresentador Paulo Henrique Amorim, o cronista Gregório Duviviver foram alguns dos convidados deste ano.

Em entrevista virtual à Revista Relevo, o idealizador e diretor do festival, José Luiz Tahan, aborda sobre o panorama do evento que compõe o calendário Setembro Criativo em Santos.

Com oito edições, a Tarrafa Literária praticamente consolidou seu formato e público em Santos. Como ela é analisada dentro do panorama estadual ou nacional dos festivais literários?

a8Bom, acredito que essa resposta vem de outros, de fora, mas vamos lá: estamos avaliados e aprovados em veículos do Brasil inteiro, além de termos uma parceria institucional de longa data junto ao Governo do Estado de SP. Estamos bem inseridos no circuito brasileiro de festivais de literatura.

Praticamente se convencionou que o festival perdure cinco dias, iniciando com show, seguindo em torno de 10 mesas no Guarany e com programação infantil, voltada à contação e teatro. Existe vontade de estender a Tarrafa para outros palcos ou com outras linguagens artísticas?

A nossa linguagem é por e pela literatura, apesar de abordarmos muitos segmentos dentro da ficção e da não-ficção tendo um evento múltiplo e de assuntos amplos. A literatura e o livro é um suporte rico e consagrado, podendo sim dar margem desde à música associada e por que não ao teatro? Quando nascido de uma obra literária, essas fusões podem acontecer no futuro.

Este ano, foi inegável que a partir de questões do público ou os próprios autores convidados, parte das mesas abordassem o impeachment e consequências. Até que ponto você vê que a crise político-econômica afeta no processo criativo e na produção de livros no País?

a6O mundo que nos cerca claramente nos atinge, se estamos falando de escritores e pensadores, é claro que vão repercutir e abordar conflitos, seja na sua arte, seja na sua rotina. Alguns devolvem de uma forma mais crítica, outros mais bem humorada, isso é importante, é a história que vivemos.

Noutras vezes, muito se comentava sobre o orçamento do festival, proporcionado em grande parte via incentivo fiscal. Em 2015, o evento contou com metade do patrocínio de 2014. Este ano, houve um orçamento ainda mais reduzido? E como você observa a demonização cada vez mais crescente da Lei Rouanet?

Festivais ou projetos que buscam incentivos de leis sempre tem seus desafios renovados ano a ano, nunca se tem vida fácil. Mas o que você comenta é parte do total, nós não temos a renúncia fiscal como a grande parte que viabiliza o evento, temos mais da metade dos recursos do total vindos de outros apoios, via verba direta mesmo, decidida pelas empresas, instituições ou pessoas que acreditam no evento.

Esse ano, apesar do clima adverso, tivemos bons resultados e discordo de você quanto a demonização da Rouanet, o que houve foram investigações e buscas em cima de produtores desonestos, aliás, que existem em todos os campos da sociedade, os desonestos tem que ser combatidos. A lei Rouanet é bem interessante, e séria, feita também por gente comprometida, de valor.