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#ManufaturaDeMonólogos: ‘Ato Solidário’ debate sobre a pornografia

Por Corina de Assis e Felipe Veiga (Sesc Santos)

A obra cênica ‘Ato Solitário’ compõe a mostra Manufatura de Monólogos, prevista para os dias 20 e 24/fev. A sessão gratuita será neste domingo (24/fev), às 21h, no Teatro do Sesc Santos (R. Conselheiro Ribas, 136/Aparecida). Não recomendado para menores de 18 anos.

Trabalhando através dos conceitos de realidade e ficção, a peça registra o isolamento de um homem subjugado ao poder da indústria pornográfica. Sua derrocada atravessa temas como suicídio, prostituição e vazamentos de vídeos íntimos em redes sociais – assuntos urgentes, mas ainda afastados de grandes debates públicos.

Direção: Ronaldo Fernandes. Dramaturgia e atuação: Bruno Fracchia. Orientação: Nelson Baskerville. Vídeos: Rodney Assunção. Figurino: Paola Caruso. Trilha sonora: Marcelo Marinho. Iluminação: Juliana Sousa. Preparação corporal: Malvina Costa. Participação em vídeo: Day Lopes e Luana Albeniz. Fotos: Bruna Quevedo.

Realizada pelo Sesc Santos, a Mostra Manufatura de Monólogos reúne 11 espetáculos inéditos e autorais, criados e desenvolvidos entre jun/18 e jan/19 por artistas da Baixada Santista. O projeto voltado para as potencialidades criativas na área teatral da classe artística local conta com a orientação dos santistas Nelson Baskerville e Luiz Fernando Marques Lubi, diretores renomados na cena teatral brasileira contemporânea. No dia 26/fev, às 20h, no Sesc Santos, os artistas e os orientadores realizam bate-papo aberto ao público, com mediação da dramaturga Dione Carlos.

 

‘Cultura em Crise’ é o tema do 4º Motim Teatral; acesse a programação na íntegra

Por Movimento Teatral

Com o tema ‘Cultura em Crise’, o 4º Motim Teatral reúne 14 coletivos cênicos para apresentações gratuitas no Centro de Santos. Mostra regional do FESTA 58 – Festival Santista de Teatro, a maratona de apresentações acontece inteiramente nesta sexta-feira (dia 23) com 13 horas ininterruptas de grupos artísticos.

Neste ano, trata-se de um ato pela liberdade de expressão dos artistas de rua em Santos; contra o corte orçamentário das Oficinas Culturais do Estado no interior e litoral paulista; e pró-Centro Cultural Cadeia Velha.

O termo ‘motim’ é uma insurreição de grupos contra o autoritarismo, caracterizado por atos de desobediência artística e civil que se opõem a autoridades ou o capitalismo, sendo frequentemente acompanhado de tumulto artístico, vandalismo estético e intervenções de violência poética.

O 4º Motim Teatral é uma realização do Movimento Teatral da Baixada Santista com apoio da Prefeitura Municipal de Santos por meio da emenda parlamentar do vereador Professor Igor Melo. Confira a programação:

>> 13h30 | Praça dos Andradas | ‘Festa das Flores’
Cia Incomodados de Teatro e Música | Roteiro e direção musical: Elias Tomais | Elenco: Ariadne Moreno, Elias Tomais, Juliana Lima, Juliana Sanz.
>> 14h | Praça dos Andradas | ‘É Doce ou Salgado?’
Coletivo Sanatório Geral | Texto: Betinho Neto | Direção: Miriam Vieira e Betinho Neto | Elenco: Sandy Andrade ,Liliane São Paulo, Amanda Franco e Betinho Neto.
>> 15h | Praça dos Andradas | ‘Furdunço no Casamento de Marieta’
Cia Animalenda | Direção: Danilo Cavalcanti | Elenco: Kely de Castro e Vinícius Camargo.
>> 16h | Praça dos Andradas | ‘Blitz – O Império que nunca dorme’
Trupe Olho da Rua | Texto e Direção: Caio Martinez Pacheco | Elenco: Bruna Telly, Caio Martinez Pacheco, Fabio Piovan, João Paulo Pires, João Luiz Pereira Junior, Raquel Rollo, Sander Newton, Wendell Medeiros.
>> 17h30 | Praça dos Andradas | ‘De Repente Thiago’
Esquadrilha Marginalia de Teatro de Rua | Dramaturgia coletiva | Direção: Sander Newton. | Elenco: Luiz Guilherme, Lucas Pereira e Michel do Carmo.
>> 18h | Vila do Teatro | ‘Nó Cego’
Teatro Genoma | Direção: Rodrigo Marcondes | Com Juliana Vicma.
>> 19h | Praça dos Andradas | ‘Tentativa Zucco’
Usina Utópica | Texto: Paulo de Tarso | Encenação: Douglas Lima | Elenco: Lucas Pereira, Julia Alves, Letícia Cascardi, Luana Albeniz, Mayara Andrade | Convidados: Natanael Gomes, Myller Oliveira, Vanessa Souza, Juliana Souza, Rafael Almeida, Rodrigo Alves, Patrick Gois, Udson Santos, Vinicius Ziani.
>> 20h | Vila do Teatro | ‘A Lenda dos Jovens Detentos’
Cia Muninja | Texto: Leo Lama | Direção: Diego Andrade | Elenco: Bruno Galdino e Letícia Tavares.
>> 21h | Praça dos Andradas | ‘Liberdade Prisioneira’
Cia Carcarah Voador | Texto: Cícero Gilmar Lopes | Direção: Vidah Santos | Elenco: Juan Pablo Garcia e Cícera Carmo.
>> 21h | Vila do Teatro | ‘Elogio ao maluco, Beleza?’
Cia Teatral Art e Manha | Texto: Natan de Alencar e Ricardo Oliveira | Direção: Lúcia Oliver | Elenco: Ricardo Oliveira, Natan de Alencar, Katia Lira, Mariana Nunes, Alisson Araújo.
>> 22h | Vila do Teatro | ‘Já que sou, o jeito é ser’
Cia 5 | Texto: Eduardo Ferreira | Direção: Eduardo Ferreira e Angélica Evangelista | Atores-bailarinos: Angélica Evangelista, Eduardo Ferreira, Gisele Prudêncio, Lucas Onofre e Rodrigo Santana.
>> 22h | Praça dos Andradas | ‘Terror e Miséria no Terceiro Reich’
Cia Amoriódio | Texto: Bertolt Brecht | Direção e adaptação: Diego Andrade | Elenco: Beatriz Gonçalves, Caroline Salles, Fellipe Tavares, Luccas Afonso, Nevily Alves e Teco Cheganças.
>> 22h30 | Praça dos Andradas | ‘De Volta ao Luto’
Cia Lorena | Texto e Direção: Diego Saraiva | Elenco: Natalia Marcelo, Vanderlei Abrelli, Paola Borges, Eliana Tavares, Arthur Cordeiro, Wilson Gois.
>> 0h | Catraias da Praça Iguatemi Martins | ‘Zona!’
O Coletivo | Direção: Kadu Veríssimo | Elenco: Caio Martinez Pacheco, Junior Brassalotti, Kadu Veríssimo, Léo Bacarini, Malvina Costa, Mario Arcenjo, Priscila Ribeiro, Raquel Rollo, Renata Carvalho e Thays Bratz. Após o espetáculo, festa com DJ Cigano.

Após festival mineiro, ‘Projeto Bispo’ realiza temporadas em Santos

Em junho, o Coletivo participa com o espetáculo ‘Projeto Bispo’ no 1º Festival Nacional de Teatro de Barbacena de Minas Gerais. A apresentação na cidade mineira é muito especial para o grupo, que trabalha com teatro performático e com a ressignificação de espaços, pois lá ficava o antigo Hospital Colônia de Barbacena, hoje Museu da Loucura, cujas histórias de abuso e torturas já relatadas em livros como “Holocausto Brasileiro” da jornalista Daniela Arbex e em documentários como “Em nome da razão” do cineasta Helvécio Ratton que inspiraram a criação do espetáculo.

01O grupo santista também embala a partir deste mês em novas temporadas de apresentações do teatro de rua que percorre as vias do Centro da Cidade. As temporadas gratuitas tem parceria da Fundação Arquivo e Memória de Santos e da Prefeitura Municipal de Santos, através da Secretaria Municipal de Cultura em prol da Fundo Social de Solidariedade de Santos, pois a entrada será um lata de leite em pó ou um quilo de alimento não perecível revertido ao Fundo. As sessões serão todas às segundas-feiras a partir de 8 de junho e até o fim de julho, às 20h, com início na Praça Mauá.

O espetáculo

“Tratados como bicho, comportam-se como um”, espetáculo que traça um panorama que conduz a uma imersão na perspectiva do excluído e um mergulho no labirinto do artista. Onde o passado e o presente se fundem, assim como elementos da religião, do simbólico e questões sociais que se apresentam como um pano de fundo onde a realidade e a ficção se misturam. O enredo utiliza a dicotomia loucura/liberdade, num sentido metafórico. A impermanência das coisas se estabelece como a própria estrutura dramatúrgica, em que os atores continuamente desconstroem uma realidade cênica para construir outra, criando uma atmosfera dual entre loucura e prisão, arte e liberdade de expressão.

02O ponto de partida é a Praça Mauá, dali o público será encaminhado e convidado a percorrer um percurso onde os personagens em novas e diferentes situações irão ressignificar vários trechos e ruas do Centro santista até entrar na Casa de Frontaria Azulejada, onde acontece o 2º ato da peça. Em cada rua, cada esquina, o espectador pode se deparar com personagens que estão todos os dias nas ruas e que muitas vezes passam desapercebidos por nossos olhares treinados a ignorar tudo o que não nos convém.

A direção é de Kadu Veríssimo e o elenco desta temporada é formado por Junior Brassalotti, Juliana Sucila, Renata Carvalho, Rafael de Souza, Wendell Medeiros, Malvina Costa, Sérgio Bratz, Zécarlos Gomes e Thalita Nascimento.

*Junior Brassalotti

 

A estética da arte e loucura no ‘Projeto Bispo’

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São quase nove da noite quando um ator sussurra para o público “Qual a diferença entre vocês e eles?”, apontando com a lanterna a um bando de nus surtando na Casa da Frontaria Azulejada. E é lá, após duas horas com tantos personagens alienados e anônimos da peça ‘Projeto Bispo’, que se percebe que eles são tão humanos quanto eu, você e o artista plástico Arthur Bispo do Rosário.

As situações encenadas por cada um dos dez artistas de O Coletivo retratam partes da genialidade e loucura do falecido Arthur. Genial, pois ele concebeu mais de 900 objetos de arte contemporânea. Louco, porque o acervo foi criado com retalhos e peças descartáveis que achava no antigo Hospital Nacional dos Alienados, no Rio, onde viveu por 50 anos.

O ex-marinheiro e ex-pugilista sergipano perambulava pelas ruas antes de ser internado. É o mesmo caso da personagem conterrânea no teatro, interpretada por Malvina Costa. Hoje e na próxima segunda-feira, na Praça Mauá, às 20 horas, lá estará ela com um alto-falante chamando a todos para o início da sessão.

Dramas de quem vive na rua

Na primeira parte da obra, o público anda lado a lado com ela e outros moradores em situação de rua que surgem em cena. Palavrões e insultos são constantes e improvisados entre eles, mas justamente essa marginalidade faz os papéis serem críveis, humanos.

Destaque para o encontro dos personagens de Rony Magno e Junior Brassalotti na escadaria da Prefeitura. Enquanto o primeiro veste um similar do Manto da Apresentação (principal peça bordada por Bispo) se nomeando Filho do Pai, o outro faz o papel de um Deus irônico, criticando as exclusões sociais geradas por cor, classe econômica e orientação sexual.

Por vezes, algumas situações até geram risos na plateia. Como quando Wendell Medeiros protagoniza o caso de um indigente que dorme na marquise de uma agência bancária, responsabilizando-a pelo seu fracasso financeiro. E não é que essa cena surgiu quando uma mulher em situação de rua contou esse fato para o elenco?

Aliás, os momentos mais fortes estão nos dramas femininos. Seja com a cena de estupro de Juliana Sucila e Rafael de Souza, ou a revolta de uma prostituta, rejeitada pelos clientes por ser travesti, interpretada por Renata Carvalho.

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Cresce a insanidade

No entanto, a insanidade dos personagens cresce dentro do hospital psiquiátrico ambientado na Casa da Frontaria Azulejada. Lá, as falas realmente perdem força para as ações representadas pelo elenco.

A iluminação apenas por lanternas e a trilha sonora de rock até músicas românticas colaboram nas esquetes, apresentando as técnicas de internação, medicação e choques elétricos nos pacientes, tão comum em antigos hospícios do Brasil.

Todos os espaços da casa se tornam em cenário para a loucura, que também corresponde as vontades de Bispo. Por exemplo, quando os personagens de Cícero Santos e Lucas Oliveira brigam sobre cores e Vanúzia Moreira sonha ter uma faixa e uma coroa. É que a cor predileta de Arthur era o azul, e seu maior desejo era casar com Ieda Maria Vargas, a Miss Universo de 1963.

Enfim, sob a direção de Kadu Veríssimo, é nítido o entrosamento de O Coletivo em mostrar o universo marginalizado de um artista plástico ainda não tão conhecido pelo grande público. O que torna o ‘Projeto Bispo’ em um teatro de forte estética e crítica social, e, nós, espectadores, mais humanos.

*Texto publicado originalmente no jornal A Tribuna em 3/dez/13
Fotos de Patrícia Garoni e Rodrigo MMorales