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Pioneiro na Região, SMIIC dispõe de indicadores culturais de Cubatão

Por Lincoln Spada
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O mapeamento de agentes e espaços culturais está sendo iniciado com o lançamento do SMIIC – Sistema Municipal de Informações e Indicadores Culturais, desenvolvido pela Prefeitura de Cubatão. Inédita na Baixada Santista, a plataforma virtual gratuita está sendo inserida nesta semana no portal da Prefeitura e já está disponibilizada em: www.smiic.wordpress.com.
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Uma das prioridades da atual Administração Municipal, o SMIIC é um dos compromissos acordados entre Prefeitura e Ministério da Cultura em 2013. Com objetivo de coletar, sistematizar e interpretar dados, trata-se de uma plataforma múltipla de atualização permanente de conteúdos relevantes para transparência, facilitando o monitoramento e avaliação das políticas públicas culturais.
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Além do cadastro de artistas e produtores culturais nos mapeamentos, o sistema também permite que a comunidade acesse a agenda de atividades de formação e difusão artística realizadas ou apoiadas pela Prefeitura desde o início dessa gestão, como também de observar o calendário oficial da Cidade, dados sobre organograma e funcionamento da Secult e informações sobre conselhos, patrimônios e legislação municipal referente ao setor cultural.
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Mapeamentos culturais
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Embora seja um novo modelo colaborativo de informações públicas na Baixada Santista, é comum nos últimos anos a realização de plataformas com a mesma finalidade do SMIIC. Nesse sentido, o sistema cubatense tem como base as referências de mapeamentos e sistemas similares de indicadores do setor em Sorocaba, São Paulo, Belo Horizonte.

Sesc Santos inicia construção de mapeamento regional da cultura

Por Sesc Santos
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Com o intuito de construir um mapeamento sociocultural e ambiental participativo sobre os modos de viver, manifestações, expressões, práticas artísticas, ambientais e culturais da Baixada Santista, o SESC Santos convidou, no último dia 21, representantes de várias áreas. Estiveram presentes entidades como universidades, poderes públicos (municípios que compõem a Baixada Santista), produtores, artistas, lideranças comunitárias, ativistas culturais, movimentos culturais, ambientais, étnicos, de gênero, de direitos humanos, entidades da sociedade civil que desenvolvem ações ligadas a cultura, educação, direitos, assistência, mobilização social, arquitetura, turismo de base comunitária, esportes, dentre outras representatividades.
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O encontro teve como objetivo apresentar uma proposta de mapeamento aberta à construção coletiva e também para convidar as pessoas e instituições presentes a aderirem a tal processo. O objetivo é a constituição de um grupo que será responsável por definir as diretrizes que nortearão a pesquisa, por meio de um processo de formação em mapeamentos: o projeto aposta no trabalho em rede e na construção de uma “ecologia de saberes” como percurso metodológico.
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A consultora Ana Paula do Val apontou que, além de visualizar as práticas, é preciso que compreendamos os contextos nas quais elas estão inseridas, para não relativizarmos a particularidade de cada local. Pensando nisso, o mapeamento buscará agregar os diversos conhecimentos do grupo e as pesquisas já geradas nestes contextos para compreender como expressões, práticas, modos de viver e de morar se relacionam com seus territórios, seus protagonistas, suas identidades, suas memórias, acesso a políticas e recursos, entre outros aspectos.
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A partir da identificação e diagnóstico mais pormenorizado destas práticas será possível criar um sistema de informações e indicadores que auxiliará no planejamento estratégico (público e privado), na criação de políticas públicas e na definição prioridades da agenda pública. Poderá também articular ações de ordem coletiva, pública, particular, conhecimento acadêmico e não acadêmico, entre outros aspectos, que serão aprofundados e mobilizados no curso deste processo de mapeamento.
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A proposta foi muito bem acolhida pelos participantes, sendo ressaltada a importância de se produzir dados, indicadores e diagnósticos da realidade santista para se avançar nas políticas públicas. Por fim, os presentes afirmaram sua adesão e colaboração com o mapeamento, encaminhando para a construção de uma agenda comum do grupo que se desenrolará nesta primeira etapa em encontros mensais.

Análise: Relatório mapeia de espaços culturais da Baixada Santista

O relatório virtual Cultura ao Encontro – Mapeamento de espaços culturais da Baixada Santista é uma iniciativa sem fins lucrativos realizada em maio de 2016 pelo jornalista, ator e pós-graduando em Gestão Cultural, Lincoln Spada. O objetivo do relatório é uma tentativa de mapear a maioria dos espaços culturais e espaços em potencial para tal vocação na Região Metropolitana da Baixada Santista. Acesse ao relatório completo aqui.

>> Acesse: Mapa / Análise por: Bertioga / Cubatão / Guarujá / Itanhaém / Mongaguá / Peruíbe / Praia Grande / Santos / São Vicente / Análise por: Literatura / Audiovisual / Artes plásticas e visuais / Praças / Artesanato / Patrimônio / Música / Festejos / Artes cênicas

A escolha de se debruçar no diagnóstico de espaços culturais é porque se trata de um modo mais conciso e mais próximo da exatidão de perceber a disseminação das artes na Baixada Santista. Seria inevitável encontrar grandes erros em indicadores que tentassem recorrer a todos os artistas ou iniciativas dos mais diversos segmentos num primeiro passo. No entanto, ao registrar os locais, entende-se que cada um flui com produtores e artistas de sua linguagem, e público específico, abarcando várias obras e montagens de obras num único endereço.

Ao todo, foram listados mais de 450 espaços que apresentam uma ou mais linguagem artística na região, além de outra centena de locais em potencial, como auditórios de escolas e associações. “Apesar de ser um número farto à primeira vista, com o mapeamento é possível diagnosticar que até 570 mil moradores da Região, quase um terço da população, não encontra em seu bairro sequer uma livraria, um restaurante com música ao vivo ou um cineclube”, comenta Lincoln Spada. “Em todo bairro há um comércio, escola, unidade médica e templo, mas nem sempre tem um simples local de reflexão e produção do fazer cultural, que é por vezes traços da própria identidade da comunidade e região”.

Entre outras conclusões com este mapeamento, o relatório estimula também percepções sobre as diferenças etárias e geográficas nos espaços culturais. Por exemplo, quase metade dos espaços listados se referem a redutos de formação artística, geralmente atendendo crianças e jovens. Até mesmo, os sistemas de bibliotecas, o que significa que enquanto a população regional mais envelhece, o incentivo à cultura é mais voltada aos mais novos, não atendendo a demanda de outras idades, nem estimulando o hábito de todos terem acesso às artes. Geograficamente, é possível notar que a maioria dos endereços registrados estão concentrados na orla ou no centro das cidades, demonstrando que a cultura regional está visando mais o turismo do que a própria comunidade como um todo.

Método de pesquisa

A pesquisa foi baseada em cima de informações entre 2013 e 2016 em sites de prefeituras, universidades e veículos de comunicação da Região, além de checagem da existência ou atualização de informações sobre estes locais em sites de pesquisa e redes sociais das próprias instituições entre 2015 e 2016. Dessa forma, não significa um trabalho conclusivo destes indicadores, mas de reconhecimento da maioria dos espaços registrados na Internet, como também é passível de que certas entidades possam ter se transferido ou já estejam inexistentes na região.

Compreendendo assim este relatório, é possível que gestores públicos, produtores culturais, artistas e demais interessados observem a distribuição dos espaços na região, com intuito de: diagnosticar novas construções de equipamentos públicos; efetivar parcerias com iniciativas privadas de espaços em potencial; conhecer agendas das instituições listadas; buscar locais para apresentar suas produções artísticas ou realização de ensaios; etc.

Linguagens artísticas

O relatório virtual identificou além de endereços das instituições, as datas de criação das entidades, os órgãos responsáveis pelos espaços, status (se o local está passando por obras, reformas ou aberto) e possíveis detalhamentos. Cada local podia abranger mais de uma modalidade em sua vocação cultural, sendo classificado nas seguintes modalidades: artesanato (bibliotecas, livrarias e afins); audiovisual (salas de cinemas, auditórios, cineclubes e afins); artes visuais e plásticas (galerias, escolas do setor, ateliês abertos ao público e afins); artesanato (locais onde há feiras de artesanato); música (auditórios, casas de shows, escolas do segmento e afins); artes cênicas e circenses (palcos, auditórios e cursos referentes à dança, teatro e circo, e afins); festejos (sedes e locais de ensaio de carnaval e quadrilhas juninas); patrimônio (museus e locais de acervo histórico); praças públicas de eventos (onde já há freqüência de ações culturais); e auditórios (potenciais espaços culturais, geralmente de associações e entidades com capacidade acima de 100 lugares).

*Lincoln Spada