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Mostra das Minas realiza 2ª Festa do Videoclipe neste sábado

Por Mostra das Minas
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A Mostra das Minas realiza a 2ª Festa do Videoclipe neste sábado (22/out), às 20h, na Casa Velha (Bulevar Othon Feliciano, 10/Santos). O evento tem entrada franca e contará com exibição de videoclipes dirigidos por mulheres, além de discotecagem com Noa Marchese e Raquel Pellegrini.
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Serão exibidos os vídeos ‘Bloodshot’ (llIRUM), de Raquel Oyakaea, ‘Delírio Tropical (Daniel Fontes), de Aline Rezende, ‘Fumaça’ (As Bahias e a Cozinha Mineira), de Carla Shah, ‘Mulamba’ (Mulamba), de Virgínia de Ferrante, ‘Saideira, tchuruchuru’ (Banda-fôrra), de Isabela Oliveira Remígio, e ‘Fome de Dragão’ (Ducasco), de Rafaela Navarro.
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Em edição extra, Mostra das Minas realiza cinedebate sobre transexualidade

Por Mostra das Minas

Com o tema ‘DES.Construção’, a Mostra das Minas ocupa a programação do 2º Valongo – Festival Internacional da Imagem com um tema importante para o debate público. Neste sábado (dia 7), às 21h30, a cela 7 da Cadeia Velha de Santos (Praça dos Andradas) contará com o cinedebate sobre a transexualidade.

Será uma seleção especial com diferentes linguagens que salientam a discussão acerca das travestis e mulheres trans forçadas a situações marginalizadas pela sociedade. Para fomentar a proposta, serão exibidos os documentários “Roupa De Baixo” de Lara Dezan, “Maria” de Ellen Linth e Riane Nascimento, e “Putta” de Lilian Alcântara, com a presença da diretora Lara Dezan e da atriz Maria Moraes para um bate-papo.

>> Roupa de Baixo | A trajetória de um trabalhador braçal de São Luiz do Paraitinga que, de Benedito Justo, se apresenta hoje como Suely.

>> Maria | Nascida aos 16, numa cidade ensanguentada por corpos de peito e pau.

>> Putta | O filme acompanha o relato íntimo de três mulheres da tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai, as três moradoras de Foz do Iguaçu, que trabalham no meio da prostituição.

Confira a agenda cultural de Santos neste fim de semana

Por Secult Santos

‘Legião Sinfônico’
Um concerto popular. Para interpretar as canções imortalizadas na voz de Renato Russo, a sinfônica convidou o cubatense Anderson Borges, fã do grupo brasiliense e tem um tom de voz muito parecido com o do líder da banda. Domingo (20). 20h. Coliseu (R. Amador Bueno, 237). Ingressos a R$ 20.

3ª Mostra de Teatro Musical
Gilberto e Dora, diretores da Cia Acaso, são pressionados por um impaciente produtor para criar um musical em um curto período de tempo. Passam, então, a rever os melhores números de seu repertório e, em meio a este conflito, identificam algo que permeia todas as cenas: os desdobramentos do amor. Ingressos para o espetáculo da cia. Lúcia Millás à venda na escola (R. Minas Gerais, 84), com o preço de R$ 30 (até esta sexta). Ou no dia do espetáculo, na bilheteria do Guarany, a partir das 17h30, por R$ 60 (com meia-entrada para idosos, professores e estudantes).

‘Balé Jovem no País das Maravilhas’
Divididos em três elencos, cerca de 500 alunos do Balé Jovem de São Vicente se apresentam no espetáculo de encerramento de ano. Sessões na sexta-feira (18), às 18h30 e 21h; no sábado (19), às 18h e 20h30; e no domingo (20), às 17h e 19h30. Teatro Municipal Braz Cubas (Av. Pinheiro Machado, 48). Ingressos a R$ 60,00.

Patrulha Show – Aventuras Caninas
O espetáculo infantil traz a aventura dos cães mais bravos e animados do pedaço. Com a ajuda das crianças, eles solucionam o mistério do tesouro pirata. A peça tem o objetivo de transmitir mensagens aos pais e filhos. Sábado (19). 18h e 20h. Coliseu (R. Amador Bueno, 237). Ingressos de R$ 30 a R$ 60.

Festival de Comédia Caiçara
O humorista Rominho Braga traz o seu solo ‘Adivinha Quem É?’. Sexta-feira (18). 21h. Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100). Ingressos a R$ 20,00.

‘Zero Treze Fighting Gamers – Baixada Santista’
O encontro, voltado para os fãs de jogos de lutas de videogames, traz área free play, dicas para iniciantes e campeonato. Domingo (20), das 14h às 19h. Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes (Posto 5, Orla do Boqueirão). Gratuito.

Orquestra Instituto GPA
Beatles, Elvis Presley e Vivaldi compõem o repertório do próximo concerto da Orquestra do Instituto GPA, em Santos. Com regência de Daniel Misiuk e direção artística da professora Renata Jaffé. Sexta (18). 19h30. Coliseu (R. Amador Bueno, 237). Gratuito.

‘Vozes, violões e amigos’
As cantoras Débora Paiva e Giovana Razuk recebem o público para uma tarde com vários estilos e ritmos. Sábado (19), 17h. Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15). Gratuito.

Chorinho no Aquário
O Choro & Afins convida a cantora Nadja Soares e apresenta repertório com clássicos do chorinho. Sábado (19). 19h às 20h30. Praça Luiz La Scala. Em caso de chuva, o show é cancelado. Gratuito.

‘A música é sempre uma boa ideia’
O show reúne voz, violão e percussão em uma apresentação que traz os músicos Andréa Gonzaga, Leonardo Vilar, Gilson Koch e Débora Paiva interpretando sucessos da MPB. Domingo (20). 17h. Pinacoteca (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15). Gratuito.

Cine Arte – Posto 4
Dir.: Kleber Mendonça Filho. ‘Aquarius’ traz um clima de crescentes tensão e suspense ao falar de temas como especulação imobiliária, a vida na terceira idade e a preservação das memórias pessoais. A trama se desenvolve por meio de Clara (Sonia Braga). Jornalista aposentada, viúva e mãe de três adultos, é assediada a vender seu apartamento em Recife. Cine Arte Posto 4. Sessões às 16h, 18h30; 21h. Em cartaz até dia 23. De R$ 1,50 (meia) a R$ 3,00. Classificação: 12 anos. Nos dias 18 e 20, o local não terá a exibição das 21h.

Sessão Mulher
Parceira entre a Mostra das Minas e a Revista Sanatório Geral, o projeto ‘Sessão Mulher’ traz exibição do documentário ‘Tão Longe é Aqui’. O road movie acompanha a trajetória da diretora Eliza Capai em uma viagem à África e conta, por meio de uma carta destinada à sua filha no futuro, a história dos encontros com mulheres fortes de diferentes regiões africanas. O filme foi premiado em mostras como o ‘Festival do Rio’, em 2013; ‘Brasileine Suecia’, em 2014; e o ‘Festival Mercosul’, entre outros. Sexta-feira (18). 21h. Cine Arte Posto 4. Gratuito.

Programação Semana da Consciência Negra
Misturando ficção e realidade, o filme ‘Branco Sai, Preto Fica’ retrata o cotidiano e a visibilidade dos afrodescendentes no Brasil, com um ar de ficção científica. Dirigido por Adirley Queirós, o drama traz a história de dois homens, que tiveram as suas vidas marcadas após um tiroteio em um baile black, na periferia de Brasília. Uma terceira figura vem do futuro, destinada a investigar o que ocorreu e provar que a culpa é da sociedade repressiva. Domingo (20). 21h. Cine Arte Posto 4. Gratuito.

Musical no Miss
O projeto Musical no Miss continua com série ‘Dos Palcos para as Telas’, que exibe produções teatrais que viraram obras cinematográficas. Em ‘Gypsy – Em busca de um sonho’, o maior desejo de Mama Rose (Rosalind Russell) é ver suas filhas conquistarem o sucesso na Broadway. Ela deposita grande parte de suas esperanças na mais velha, June (Ann Jillian), mas não deixa de lado a pequena e tímida Louise (Natalie Wood), que é arrastada pela mãe por todo país em busca de notoriedade. Baseado na autobiografia de Gypsy Rose Lee. Após a exibição ocorre bate-papo com o maestro e diretor geral do Broadway Voices, Fernando Pompeu. Sexta-feira (18). 15h30. Museu da Imagem e do Som (Miss). Piso térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão. Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias. Gratuito.

Mostra das Minas
Iniciativa independente do Coletivo de Mulheres de Cinema e Audiovisual da Baixada Santista, o projeto Mostra das Minas tem o objetivo de incentivar a produção e manter viva a discussão sobre o protagonismo da mulher dentro do mercado cinematográfico e audiovisual. Realiza sessão com exibição dos curtas-metragens ‘Órion’, de Rodriane DL; ‘O Mais Barulhento Silêncio’, de Marcela Moreno; e ‘Edifício Tatuapé Mahal’, co-dirigido por Carolina Markowicz e Fernanda Salloum, além do documentário em média-metragem, ‘No Devagar Depressa dos Tempos’, de Eliza Capai. Durante a noite também ocorre o lançamento da 17ª edição da revista ‘Sanatório Geral’, que traz o tema ‘Mulher’ e tem textos de Kiusam de Oliveira, Vitória Rodrigues e Renata Carvalho. Na sessão ‘Cadeia Elétrica’, com Iasmin Alvareza, traz entrevista com a diretora Eliza Capai, além da estreia da ‘Interne-se’, seção com a pesquisadora Dani Marino em texto sobre as Mulheres e as HQ’s. Sábado (19). 20h. Museu da Imagem e do Som de Santos (Miss). Piso térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão. Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias. Gratuito.

Cinemateca de Santos
O espaço continua com a mostra em homenagem ao cineasta Héctor Babenco e projeta o filme ‘O Passado’. O drama desenvolve a história de Rímini (Gael García Bernal), um jovem tradutor que terminou recentemente um casamento de 12 anos com Sofia (Analía Couceyro), sua primeira namorada. A separação foi tranquila até Rímini iniciar um namoro com Vera (Moro Angheleri), uma modelo de 22 anos. Um dia Sofia tenta beijá-lo à força, o que faz com que Vera, que presenciou a cena, morra atropelada. Um ano depois, Rímini se casa com Carmen (Ana Celentano), sua parceira de tradução. O trauma da morte de Vera lhe rendeu uma amnésia misteriosa, que o faz se esquecer dos idiomas que precisa traduzir no trabalho. Ajudado por Carmen e pelo nascimento de seu filho, Lúcio, ele precisa se adaptar à sua nova realidade de marido dependente. Sábado (19). 20h. Rua Ministro Xavier de Toledo, 42, Campo Grande. Gratuito.

Neste mês, Mostra das Minas e Sanatório Geral unidos em edição especial

Por Mostra das Minas/Sanatório Geral

Neste mês de novembro, a Mostra das Minas e a Revista Sanatório Geral se unem em uma agenda especial para este próximo trimestre. Em três edições, a publicação virtual contemplará o tema ‘Mulher’. Ao mesmo tempo, o coletivo audiovisual realizará seu tradicional cinedebate com curtas-metragens realizados por cineastas mulheres, além da exibição especial de um longa-metragem. Toda a programação tem entrada franca.

>> Dia 18/nov | 21h | Cine Arte Posto 4 | Longa ‘Tão longe é daqui’
Direção: Eliza Capai. Sinopse: A partir de memórias guardadas de uma longa viagem, uma carta é enviada para o futuro. Sozinha, longe de casa e às vésperas de completar 30 anos, uma brasileira parte em uma jornada pela África. Na carta para sua filha, ela conta dos encontros com mulheres que vivem em suas culturas e tempos. Um diário, um road movie e um convite a todas as pessoas que lideram seus próprios caminhos.

>> Dia 19/nov | 20h | MISS | Lançamento da Sanatório Geral + Cinedebate
A nova Sanatório tem textos de Kiusam de Oliveira, Vitória Rodrigues e Renata Carvalho. As sessões de terapia, a ‘Cadeira elétrica’ com Iasmin Alvarez com uma entrevista com a Eliza Capai, na estréia do ‘Interne-se’, Dani Marino escreve sobre as Mulheres e as HQ’s. A revista ainda traz o ‘Quadro de visão’ com ilustradoras etrabalhos recebidos por email para a Sanatório Geral.

Ao mesmo tempo, a Mostra das Minas exibirá os curtas-metragens ‘Órion’ (ficção de Rodriane DL), ‘O Mais barulhento silêncio’ (documentário de Marccela Moreno), ‘Edifício Tatuapé Mahal’ (ficção de Carolina Markowicz e Fernanda Salloum) e ‘No Devagar depressa dos tempos’ (documentário de Eliza Capai).

 

Entrevista: ‘A curadoria coletiva foi uma grata surpresa’, avalia diretor do Curta Santos

Por Lincoln Spada

Com o tema ‘Inclassificáveis’, o Curta Santos – Festival de Cinema de Santos teve diferenças pontuais em sua 14ª edição, realizada entre 26 de setembro e 1º de outubro. A recém-aberta Cadeia Velha foi palco do início e encerramento do evento que segue desde 2002 na cidade.

a9Se por um lado não houve o anúncio antecipado de celebridades homenageadas na abertura ou o Curta Escola, por outro se consolidou a Mostra de Longas e ampliou as linguagens artísticas durante o festival que contou, entre suas ações, com o Encontro de Criadores.

Ainda, o movimento audiovisual local [CinemaMêmo e Mostra das Minas] ganhou mais espaço com oficinas e sessões do evento, que reuniu 51 filmes em 16 sessões. A curadoria coletiva entre os inscritos da mostra regional Olhar Caiçara também foi uma novidade. E a avaliação da última edição é abordada em entrevista por telefone com o diretor do festival, Ricardo Vasconcellos.

Esta é a primeira edição que o Curta Santos não homenageia publicamente algum cineasta ou artista reconhecido na cena nacional. Por qual razão houve essa mudança e até que ponto isso afeta a visibilidade e a relação do público com o festival?

a91Bem, a gente não é engessado em formatos. O Curta Santos sempre quando tem uma oportunidade de homenagear ou identificar personalidades que contribuíram para fomento ou cenário do cinema nacional, faz esta homenagem. Neste ano, nós não abrimos publicamente a quem estaríamos homenageando, que foi a Helena Ignez. Ao aceitar compor o júri e ministrar uma atividade conosco, pensamos toda nossa arte visual em cima da imagem dela e, na abertura, ela se sentiu surpresa.

Entregamos o Troféu Maurice Legeard a ela por toda a trajetória que já tem, que tinha a ver com o tema deste ano do festival, ‘Inclassificáveis’. Então não teve o anúncio anterior, mas foi muito mais pela surpresa para a Helena Ignez. Sobre a visibilidade, acho que não reduziu, porque o festival está consolidado, e o que é mais importante [ao público] são as mostras, as produções realizadas em nossa região.

Também neste ano, o evento proporcionou uma curadoria coletiva e realizadores locais passaram a dar oficinas, junto de Fernando Timba, Helena Ignez e Di Moretti. O festival prevê ou prepara em curto prazo maior participação dos cineastas locais também na gestão do Curta Santos?

a3É uma consequência natural. Aqui na região, temos grandes profissionais, e estão despontando, não só no universo audiovisual, mas que também atuam em outras áreas. Temos como exemplo, o Rafael Gomes [cineasta, diretor teatral, dramaturgo e roteirista], que já participou do Curta Santos como jurado e realizador. E de dois anos pra cá, a gente percebeu que o movimento audiovisual [CinemaMêmo] ganhou corpo, fala e participação, e por que não, que os seus integrantes estejam no festival da cidade?

A gente fez o convite ao CinemaMêmo e, em comunhão, escolheram pessoas para ministrar atividades, e as atividades ocorreram na Oficina Pagu, na própria Cadeia Velha, e nos morros. Alguns já desenvolviam essas atividades formativas no Curta Escola [oficina audiovisual para alunos do Ensino Fundamental], quando estavam na faculdade.

a95Em relação à curadoria, foi um experimento. Noutros anos, a gente já fez a curadoria da Mostra Olhar Caiçara com a equipe da organização, com pessoas de fora, com gente da própria cidade, dentro da área de cinema, com e sem a nossa participação… E percebemos na escuta do próprio movimento, que a curadoria poderia ser mais democrática, então a gente entendeu que quem deveria essa escolha do Olhar Caiçara eram os próprios realizadores.

Para nós, foi uma grata surpresa. Foram quase oito horas por dia assistindo a quase 50 filmes. E a gente percebeu que curtiram muito, os realizadores vieram [só houve desistência de cerca de 15% entre os 60 inscritos]. Como a gente sempre falou, somos abertos para sugestões, conversas, tanto de grade, quanto de formato para as edições do Curta Santos.

Nas mostras caiçaras, percebe-se ter cada vez mais produções de mulheres cineastas (36% ante 22% dos selecionados em 2015). Que fatores podem ter contribuído para esse protagonismo feminino no audiovisual? E isso é perceptível apenas na Baixada Santista ou também num contexto nacional?

a7Sim, penso que é o momento que se reflete no cenário nacional. Bem, a gente tem referências femininas no audiovisual muito importantes que trabalham há anos na nossa cidade, como a Raquel Pellegrini [coordenadora de cinemas da Secult] e que contribuíram com o Curta Santos, como a Andréa Pasquini [cineasta], diretoras recém-formadas pelo Querô e Unimonte, a diretora do Instituto Querô, Tammy Weiss [também coordenadora do SP Film Comission]. Você tem uma questão natural.

A direção de cinema firme e competente, independe se é mulher ou homem, pois o mais importante é a obra. Com o surgimento da Mostra das Minas, incluída na grade do Curta Santos, além da obra ser importante, também há o manifesto dos direitos e do respeito à questão da mulher no Brasil e no mundo.

a5Isso penso que é o papel do festival, em abrir espaços para essas oportunidades e profissionais, e, a nossa cidade tem mulheres realizando, e se posicionando, e utilizando o audiovisual como sua bandeira de discurso enquanto artista. É louvável. E o Curta Santos tem a honra de ter mulheres a frente de sua produção, pois a maioria de quem produz o festival são mulheres [quase dois terços da equipe].

Com a curadoria coletiva, a mostra Olhar Caiçara além das tramas juvenis, ampliou a participação de documentários, principalmente sobre as consequências da desigualdade econômica regional e narrativas sobre pessoas com deficiência. Num país em que a bilheteria nacional se concentra em super-heróis e comédias, como vê razões para o cinema local investir neste outro panorama?

a94Todo curta-metragem é uma possibilidade, um experimento. O curta dá essa flexibilidade para fazer uma obra mais prazerosa, autoral, que não precisa ser institucional ou encomendada pelo mercado. Muitos dos realizadores que conversamos, afirmam que os curtas são os que estão sentindo naquele momento. E se aparecem documentários que falam de pessoas com deficiência ou questão econômica, é porque esses fatores refletem na vida deles, no seu entorno, na cidade.

É muito interessante na nossa região ter essas abordagens do gênero documentário. E no festival, a gente tem a premiação para documentário, reconhecemos o gênero enquanto obra. A gente recebe muitas produções locais e nacionais de documentários, e acredito que é porque as pessoas experimentam os assuntos à sua volta.

a93Pelo que se pode ver, a curadoria coletiva considerou esses assuntos pertinentes para discussões. Claro que se pode futuramente elencar os filmes selecionados para uma mostra de documentários, fazer um recorte, que possa ter outro desenvolvimento pós-exibição [uma discussão]. Pode-se fortalecer mais este gênero, que já ocorre noutros momentos na cidade, como a itinerância do Festival É Tudo Verdade e Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

Na atual edição, o Curta Santos voltou com longas-metragens, manteve a sessão de videoclipes e não contou com a mostra estudantil. E com a volta da Cadeia Velha, passou a dialogar mais com outras linguagens. Este formato agradou o público e deve continuar nos próximos anos ou há vontade para remodelar quais ações?

Percebe-se que as mostras competitivas precisam sempre ter um olhar diferenciado. E a gente ainda quer possivelmente imprimir uma mostra competitiva de longa. Por vezes, fazemos um recorte de ineditismo dos filmes na região, por vezes são escolhidos pelo tema do festival, ou pelo cineasta homenageado. Trata-se de um processo que está em maturação, de como inserir os longas nas próximas edições.

a1Uma grata surpresa foi a mostra Videoclipe Caiçara, e a importância das produções para o audiovisual na região. Existe uma atenção dos realizadores e bandas de se expressarem através do audiovisual, então tivemos um grande número de inscritos. Bem, as produções nesse formato são ricas, em pesquisa, em colocar a música à serviço da imagem e vice-versa, e isso merece uma discussão bem. Quem sabe transformá-la noutro momento como foi a Mostra Curta Cris [sessão de cinema LGBT que hoje é o festival Sansex de Diversidade Sexual]?

A gente não parou e refletiu sobre um outro momento só de videoclipes, mas enquanto essas produções estão no Curta Santos, estamos dando o maior espaço, que é a sala do Cine Roxy, em horário nobre, como noutras mostras. E ver uma sala cheia para assistir a videoclipes é muito bom. Já colocamos noutros formatos [como espaços alternativos, bares e festas], mas os realizadores apostaram nas salas de cinema e a parceira TV Tribuna também entende essa força, consagrando-os com a exibição em programas no fim de ano.

a4Sobre o Curta Escola, de certa forma, a gente não deixou de fazê-la. Continuamos levando escolas e entidades sociais em parceria com o Fundo Social de Solidariedade para o Curta Matinê [sessões estudantis], neste ano, foram quatro sessões. E também há o próprio avanço do movimento audiovisual local, que hoje ministra oficinas para outros públicos.

Desde a 10ª edição, o Curta Santos revê a sua missão e posição dentro da cidade. A gente vê a melhor forma de como exibir a produção regional, nacional e, quem sabe, filmes internacionais. Penso que hoje o principal foco do Curta Santos é não estar engessado em formatos, mas estar aberto para tratar de inovações diretamente em conversas com quem realiza.

Um questionamento constante dos festivais é até que ponto é necessário o caráter competitivo do evento. Se consagraram o passado do evento nestes anos, os troféus devem continuar no futuro do Curta Santos nas próximas edições?

a2Ainda não fizemos a reflexão sobre esse assunto. Alguns realizadores já colocaram ao festival de não ter mais prêmios, ao mesmo tempo, tem realizadores que gostam desse reconhecimento. O troféu é uma singela homenagem a um grande divulgador do cinema em nossa cidade, que é Maurice Legeard, uma referência na arte, na resistência, e receber um prêmio com o nome dele é uma honra, mesmo.

Penso que a reflexão é um pouco maior, não envolve só a premiação, mas também de talvez não ter mais distinção das mostras Olhar Brasilis e Olhar Caiçara, já que as produções têm o mesmo nível de produção. Mas esse momento de discussão é com o próprio movimento audiovisual, e isso a gente ainda não fez.

a1Penso que existe ainda um valor dado ao recebimento do prêmio. E reconhecemos que, se não existisse premiação, poderíamos ter uma mostra mais extensa de filmes, fazer outras discussões que tenham prioridade, mas precisamos amadurecer. É importante sentir o momento, noutras vezes, por exemplo, tínhamos mostras universitária e independente, depois entre documentários e ficções, hoje nacional e regional.

Bem, hoje o nosso principal objetivo é chegar o mais próximo à população em geral, em exibições mais abertas, fora das salas de cinema. Porque geralmente as pessoas que têm determinado conhecimento na área, prestigiam os festivais e todas as sessões são lotas, mas a população, em geral, participa de outra maneira. Às vezes na Internet, às vezes na exibição dos filmes pela TV. Creio que todos os festivais buscam como abrir as ações para toda população, até para que possa entender como o cidadão pensa sobre a obra e o evento.

Mostra das Minas realiza cinedebates neste fim de semana em Santos

A Mostra das Minas – Mostra Livre de Cinema de Mulheres realizará mais uma edição de cinedebate neste mês de julho, nos dias 29 e 30 (sexta e sábado), às 20h, no Museu da Imagem e do Som de Santos (Av. Pinheiro Machado, 48/Santos). Entrada franca.

“Nossa proposta é utilizar esses encontros para alimentar a produção audiovisual de mulheres e manter viva a discussão sobre o papel da mulher como realizadora no cinema e audiovisual, podendo sair dessas rodas de conversa ações a serem realizadas ao longo do ano em paralelo ao evento”, comenta as organizadoras.

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PROGRAMAÇÃO 01 – 29/07 (sexta-feira)

JANAÍNA COLORIDA FEITO O CÉU | Fic | Direção: Babi Baracho | 15’28”
CAMILA | Fic | Direção: Clarissa Rebolças & Virginie Dubois | 5’19”
ALMERINDA, A LUTA CONTINUA | Doc | Direção: Cibele Tenório | 9’39”
EU VOU BOTAR CRIANÇA NA CABEÇA DE VOCÊS | Doc | Direção: Nathalia Tiveron | 12’18”
ANÔNIMO | Fic | Direção: Moara Rocha | 4’01”
RETRATO DE DORA | Doc | Direção: Bruna Callegari | 15’00”

PROGRAMAÇÃO 02 – 30/07 (sábado)

AUTOPSIA | Experimental | Direção: Mariana Barreiros | 7’12”
O VOO | Doc | Direção: Manoela Ziggiatti | 11’00”
UMA FAMÍLIA ILUSTRE | Doc | Direção: Beth Formaggini | 18’44”
A PORTA É ESTREITA | Fic | Direção: Samara Monteiro | 15’09”
FRAGRÂNCIA | Fic | Direção: Clarissa Rebolças | 8’57”
ROUPA DE BAIXO | Doc | Direção: Lara Dezan | 13’52”

*Mostra das Minas

 

MISS recebe nova ação da Mostra das Minas neste final de semana

Localizado no piso térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão (Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias), o Museu da Imagem e do Som de Santos (Miss) abriga nos próximos dias 24 e 25, às 20h, a segunda edição do cine-debate mensal do projeto ‘Mostra das Minas’.

Realizado pelo Coletivo de Mulheres de Cinema e Audiovisual da Baixada Santista, o evento, com entrada gratuita, tem como objetivo de incentivar a produção e manter viva a discussão sobre o protagonismo da mulher dentro do mercado cinematográfico e audiovisual.

Prevista para o final do ano, a ‘Mostra das Minas’ terá uma semana completa de atividades formativas – como palestras, workshops e oficinas -, além das exibições de longas, médias e curtas-metragens, também seguidas de roda de conversa. O Coletivo de Mulheres promete lançar em breve uma campanha de financiamento coletivo online para realizar a mostra.

Serviço
2º Cine-Debate Mostra das Minas
Miss – Museu da Imagem e do Som de Santos – piso térreo do Centro de Cultura Patrícia Galvão
Av. Senador Pinheiro Machado, 48, Vila Matias
Informações: tel. 3226-8000 ou pelo e-mail mostradasminas@gmail.com

*Prefeitura de Santos