Arquivo da tag: obras

Revista Relevo entrevista ex-secretário de cultura de Cubatão, Welington Borges

Por Lincoln Spada

Recentemente, o ciclo do servidor municipal Welington Borges foi completado à frente da Secretaria de Cultura de Cubatão. Ele assumia a função desde 2010. Autor e coautor de livros históricos (desde Afonso Schmidt até a construção da Avenida 9 de Abril), Welington já trabalhou no Arquivo Municipal e em programas para crianças e adolescentes nos anos 80 e 90.

Nos anos 2000, foi o responsável pela Biblioteca e Arquivo Histórico, além de coordenador da criação do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural, órgão em que presidiu até 2011. Historiador com pós-graduação em meio ambiente e turismo, já enquanto secretário de Cultura, ele também interinamente em 2012 assumiu a pasta de Turismo. Em entrevista pessoalmente à Revista Relevo, Welington avalia sobre a atuação da Secretaria da Cultura nestes últimos sete anos.

Durante a atual gestão, foi criado o Cubatão Danado de Bom, que teve a sua periodicidade mediada pela Lei Rouanet. Por que a busca por esse incentivo fiscal e qual o legado do festival para a cidade?

c5Bem, foram quatro edições do Cubatão Danado de Bom, e só a última teve apoio via Lei Rouanet, as demais foram com apoio direto das empresas locais. E, de certa forma, sempre há recursos da própria prefeitura. O evento tem como objetivo sempre valorizar a cultura nordestina, atento em como valorizar a população, o munícipe de origem nordestina, bem mais do que necessariamente atrair turistas.

Além de não ser um evento isolado no calendário, mas de ter o assunto também trabalhado nas escolas durante o ano. Em todas as edições, temos artistas locais, e homenageamos moradores que são nordestinos. Penso que o evento já se consolidou, é uma marca da prefeitura, e se houver interesse do próximo governo, já tem todas as condições de ser realizado com investimento direto ou leis de incentivo da indústria local.

Em 2011, houve a entrega do Novo Anilinas, e desde então, há uma série de ações do Poder Público ou da comunidade por lá, como concertos, cinema, teatros e afroempreendedorismo. Como avalia o parque como espaço de formação de público e neste trimestre ainda são estimadas outras intervenções públicas no espaço, como o cine-auditório no Centro Multimídia?

c1O Parque Anilinas é uma opção de lazer da cidade desde 1979, sempre tendo espaço para os esportes e artes. Quando o governo previu a sua reconstrução, concedeu um espaço privilegiado para a cultura como o centro multimídia. A cidade não tinha salas de cinema há 10 anos. Agora, são duas salas de cinema, salas para oficinas, o vão cultural, tudo concentrado num mesmo espaço.

Neste centro cultural, também há a previsão da sala de teatro, de 350 lugares. Inicialmente seria um auditório, mas entendemos este novo uso para o local, que contou com apoio da própria indústria local, Já contamos com toda a estrutura cenotécnica, o que falta é a parte da acústica, adequações nos camarins e a montagem, por exemplo, já temos as poltronas. Não é possível entregar nesta gestão, mas, esperamos que o próprio governo consiga adequar o teatro, para que seja usado para espetáculos.

c6Principalmente nestes três anos, muitos coletivos culturais surgiram na cidade e passaram a realizar saraus e festas no Pinhal do Miranda, Jardim Casqueiro e Centro. Como a Secult observa esses eventos e as demandas apresentadas pelos participantes? Existe diálogo com esses grupos?

Com certeza. A gente conhece os coletivos e sempre procura ouvi-los e dialogar com eles, como também, oferecer apoio à medida do possível. Às vezes com estrutura de palco, às vezes com apoio logístico.

Cubatão é a cidade que mantém o maior leque de corpos estáveis, como coral, orquestra, banda sinfônica e corpo coreográfico. Qual é a importância desses grupos artísticos para o município e até que ponto os cubatenses se relacionam ou participam dessas organizações?

c7Os corpos estáveis são fundamentais para a cultura na cidade, uma vez, por exemplo, que a Banda Sinfônica existe há mais de 40 anos. São grupos que representam o município: a Banda esteve na Europa, o Coral Zanzalá já esteve em Nova York, a Cia de Dança da Sinfônica foi convidada para ir aos Estados Unidos. Além do mais, a maioria de quem participa dos grupos artísticos, coralistas, instrumentistas e músicos são oriundos da própria comunidade, e também há um intercâmbio com artistas que participam de orquestras e companhias do Brasil e do exterior.

Há 30 anos, discutem sobre a ativação do Teatro Municipal, a centralizar a agenda múltipla de artes cênicas. Desde então, a região já ganhou sete teatros públicos e Cubatão tem um espaço privado. Na visão da Secult, ainda há demanda para um novo teatro na cidade e como será a futura gestão do equipamento?

c8Recentemente, a Prefeitura apresentou um projeto de lei na Câmara de Vereador para conceder a uma ONG, uma instituição, a possibilidade de concluir a obra e explorar o prédio. Tenho certeza de que se pensar no prédio somente como um teatro, é muito difícil conseguir recursos financeiros para a sua manutenção.

Ali, talvez o caminho seja uma parceria, do teatro enquanto junto de uma escola, ou uma faculdade para melhor aproveitar o prédio. Bem, essa foi uma das propostas colocadas à época sobre o uso do espaço. Mas pensar que o Poder Público consegue manter e concluir o edifício, é muito improvável.

Se por um lado a atual gestão descentralizou espaços de leitura e acentua o legado de Afonso Schmidt, a Biblioteca Central ainda necessita de reforma. Que projetos a secretaria desenvolve hoje para o incentivo à leitura e como está a situação das bibliotecas da cidade?

c9Na verdade, a reforma da Biblioteca Central já foi concluída, a partir das adequações apresentadas no projeto técnico do edifício. O problema atual da biblioteca é o Auto de Vistoria do Corpo dos Bombeiros. Tudo que foi apontado pelo Poder Público, foi atendido, mas não era possível atender as primeiras adequações apresentadas pelos bombeiros.

É porque é um prédio da década de 30, e, ali, qualquer ação precisa ser bem pensada, para não descaracterizá-la enquanto patrimônio histórico. Nesta próxima semana, os bombeiros irão verificar o edifício e, se tiver uma avaliação positiva, solicitaremos o AVCB para o reabrirmos, se possível, ainda em dezembro.

A Baixada Santista corresponde a 1% do território estadual, mas 6% dos espaços museológicos, de acordo com o Governo Estadual. O secretário já presidiu o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Cubatão, o Condepac. Como a Secult hoje observa a relação com o conselho e houve avanços na preservação da memória da cidade?

c9aO Condepac está em época de mudança de mandato e logo precisará fazer as convocações. Já que a administração está no fim de mandato, talvez seja adequado esperar o novo governo, que pretenderá indicar os seus representantes no conselho, para reativar seus trabalhos.

O Condepac foi criado em 2003, à época presidi a comissão que o instituiu e, depois, presidi o conselho até 2010. Houve muitos avanços, e o Condepac cumpre bem o seu papel, no tombamento de patrimônios, enquanto consultado em intervenções em áreas próximas de tombamentos, em bastante diálogo e respeito pelos órgãos da Prefeitura, do Ministério Público e da sociedade.

Nesta década, a Secult foi uma das maiores defensoras das políticas culturais, articulando encontros e seminários à comunidade artística. Mas como está hoje o panorama do conselho de cultura, fundo de incentivo, e as leis do Sistema e do Plano Municipal de Cultura? Quais foram as maiores conquistas ou entraves da gestão nesta articulação?

Então, não temos o Plano Municipal de Cultura. Já o conselho está desativado. Há dois aos, nós fizemos uma proposta parar mudar a lei, a fim de corresponder com o formato indicado pelo Ministério da Cultura [como Conselho Municipal de Políticas Culturais], mas não foi muito bem entendido por alguns artistas. Por exemplo, a questão paritária, pois até então o conselho só tinha dois membros do Poder Público.

O que pode parecer a princípio como forma de cercear os artistas no debate, na verdade é porque surgiam várias discussões sobre recursos orçamentários, questões jurídicas, e as secretarias de planejamento, de assuntos jurídicos, não estavam representadas no conselho, como também outras essenciais, como educação e comunicação.

Bem, essa modernização foi aprovada agora, com algumas alterações de emendas na Câmara, mas o conselho vai passar a vigorar em janeiro de 2017 conforme a legislação. Até por isso, o fundo que foi criado em 2013, deve ser efetivado agora no novo governo, já que o conselho gestor conta com participação e acompanhamento dos conselheiros de cultura.

 

Curso de leitura de obras de Bolaño e Borges reflete ditaduras na América

O universo ficcional do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003) é o ponto de partida do curso História e Literatura na América Latina, que será realizado de 4 a 25 de agosto, sempre às terças-feiras, na Associação Cultural José Martí, na Rua Joaquim Távora, 217, Vila Mathias, Santos. O curso será apresentado pelo jornalista Alessandro Atanes, mestre em História Social. As incrições podem ser feitas pelo telefone (13) 3307-1494, das 14 às 18 horas. O valor do curso é R$ 30,00.

A proposta dos encontros é, a partir da leitura de trechos de romances e contos do autor, refletir sobre como a ficção de Bolaño se utiliza da memória sobre as ditaduras no continente para construir uma obra que, para além da ilustração dos fatos reais, usa os recursos da fabulação e das técnicas literárias para fazer um retrato da geração de jovens dos anos 60 e 70 que sofreram as consequências dos regimes militares em países como Chile, Argentina, Uruguai e Brasil.

“A diferença entre a obra do Bolaño e a literatura geralmente ligada à ditadura como os romances de testemunho como ‘O que é isso, companheiro?’ é que o chileno não se limita à memória pessoal de quem esteve preso ou simplesmente foi solidário à luta contra as ditaduras, isto é, muitos de seus personagens são os algozes e pessoas comuns que estiveram ao lado dos regimes”, comenta Atanes.

Editoras cartoneras

03Outro tema dos encontros é o que vem sendo chamado de diplomacia cultural, as trocas entre países proporcionadas por parcerias entre escritores e editores na tradução e produção de livros independentes no continente. Um exemplo é a proliferação das editoras artesanais de livros com capas de papelão, as chamadas editoras “cartoneras” (cartón é papelão em espanhol), que já passam de uma centena da Patagônia, no extremo sul da região, até Tijuana, na fronteira do México com os Estados Unidos.

Além de um olhar panorâmico sobre essa questão, Atanes tratará do caso específico da editora artesanal Sereia Ca(n)tadora, de Santos, criada pelo poeta Ademir Demarchi, que desde 2010 vem publicando uma série de livros de autores peruanos, a maior parte de autores inéditos no Brasil. Isso foi possível graças à parceria entre autores e tradutores de Santos e de Lima, que rendeu também a publicação de autores daqui no Peru, como Paulo de Toledo e o próprio Demarchi.

Borges

Jorge Luis BorgesPor fim, o tema da violência volta a ser explorado por meio da leitura de alguns contos do argentino Jorge Luis Borges, conhecido por seus textos fantásticos ou baseados em conceitos filosóficos. O curso abordará um lado menos destacado do autor, as histórias de brigas de valentões, raptos e assassinatos nos bairros periféricos de Buenos Aires na virada do século XIX para o século XX.

História e Literatura na América Latina (4 encontros de 2h30)
Encontro 1 (4/8) – Literatura como fonte histórica e o horror latino-americano
Encontro 2 (11/8) – A América Latina de Roberto Bolaño
Encontro 3 (18/8) – Crime e violência em Jorge Luis Borges
Encontro 4 (25/8) – Diplomacias culturais e tradução.

*Alessandro Atanes

 

Gibiteca Municipal de Santos reabre neste final de semana

Fechada para reforma no último dia 19 fevereiro, a Gibiteca Marcel Rodrigues Paes, no Posto 5, na orla do bairro Boqueirão, reabre em grande estilo neste domingo (31), a partir das 15h, com diversos eventos que integram a programação da Virada Cultural Paulista em Santos.

06O equipamento recebe a exposição coletiva ‘Os melhores do Flexa Arts’, exposição de Gashapon do Animelan, Sketchcrawl Santos com o cartunista Osvaldo DaCosta, caricaturas ao vivo com a equipe Caricartoon e mesa livre de sketch com Sam Coza, Denis Dym, Leandro Henrique Altafim e quadrinistas da região.

Também ocorre encontro cosplay com Camila (Michii), K. Misaki, R’yuni Cosplay, Vi Cosplay, Driade Iris, Alexandre Barbosa (Bar), Luiz Felipe e Rodrigo Freire; e tarde de autógrafos com Will Sideralman, João Pinheiro e Wagner Rocha.

Obra

03A obra na Gibiteca compreendeu a revisão geral das esquadrias (portas de madeira e caixilhos de alumínio), manutenção de vidros e das instalações elétricas, além da instalação de rodapés nas escadarias externas com cerâmica antiderrapante e revisão geral do revestimento cerâmico.

04O trabalho também abrangeu a manutenção dos aparelhos sanitários, impermeabilização do piso da cobertura, instalação de extintores de combate a incêndio (portáteis e manuais) e pintura geral. Todo o mobiliário do Posto 5 foi substituído por novo.

O horário de funcionamento da Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes é das 9h às 19h, de segunda a sexta-feira, e das 9h às 13h, nos sábados e domingos. Vale lembrar que o horário de abertura nos fins de semana está sujeito a alteração em função da realização de eventos no local. Entrada franca.

*Prefeitura de Santos