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Porto Circense comemora 1º ano com programação dia 8

Com informações de Ugo Castro Alves

A Associação Cultural Porto Circense realiza programação cultural de seu 1º aniversário neste sábado (8/dez), a partir das 17h e segue até 1h, em sua sede (Av. Almirante Cochrane, 404, Macuco/Santos). O ingresso custa R$ 10.

O evento contará com muitas atrações, como ‘Espaço de Brincar’, com a Ecobrincar (17h), a vivência-oficina ‘O circo vem daí’ (18h30), o espetáculo ‘Cabaré Móbile’ (20h) e forró elétrico com a banda Saramandaia (21h30). O espaço será abrilhantado com exposições de lambes de Fabrício Lopez, regado ao sabor de pratos do Chef Eduardo Turati.

A Porto Circense iniciou seus trabalhos em dezembro de 2017, com a arte do circo para a Baixada Santista. “Sendo ministrando aulas ou através de seus eventos, a Porto trabalha incansavelmente para espalhar a magia do circo ao seu redor”, relatam os produtores da associação.

Simpósio virtual partilha iniciativas criativas entre Santos e Portugal

Por Santos Cidade Criativa
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No dia 11 de outubro, 10h, dentro da programação da Primavera Criativa, acontecerá no auditório do Museu Pelé um simpósio virtual com a cidade do Porto em Portugal. “A Criatividade como fator de desenvolvimento na cidade – Santos, Brasil e Porto, Portugal” visa realizar a troca de experiências relacionadas a programas embasados na criatividade e na cultura como políticas públicas que fortalecem e transformam a cidade, auxiliando no seu desenvolvimento.
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De Portugal, os professores Hugo Barreira e Maria Leonor Botelho abordarão o tema Cidades e Patrimônio Digital. Já Pedro Alves falará sobre o Plano Nacional de Cinema, que trabalha o cinema nas escolas e atua na formação de público para o setor audiovisual. A atividade, realizada pela Prefeitura Municipal de Santos, através do Escritório de Inovação Econômica, será aberta ao público em geral. A entrada é livre.
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Programação

>> 10h | Abertura | Rogério Pereira dos Santos (Secretário de Governo);
>> 10h10 | Moderação do Painel | Niedja de Andrade (Dir. Escritório de Inovação Econômica);
>> 10h15 | Plano Nacional de Cinema de Portugal | Dr. Pedro Alves (Prof. Convidado da Univ. Católica Portuguesa);
>> 10h35 | Cidades e Patrimônio Digital | Drª. Maria Leonor Botelho e Dr. Hugo Barreira (Professores auxiliares da Faculdade de Letras da Univ. do Porto)
>> 11h | Cinemas Públicos em Santos | Raquel Pellegrini (Sec. Adjunta de Cultura de Santos);
>> 11h05 | Santos Film Commission | Maria Francisca Romão (Coord. da Santos Film Commission);
>> 11h10 | Escola Total | Ligia Maria di Bella Costa (Supervisora do Programa Escola Total);
>> 11h15 | Eco Fábrica Criativa | Selley Storino (Ass. Téc. do FSS);
>> 11h20 | Projeto Rádio Jovem | Wellington Araújo (Coord. Políticas para Infância e Juventude de Santos);
>> 11h25 | Semana Caiçara | Catharina Apolinário de Souza (Coord. Economia Criativa de Santos);
>> 11h30 | Vila Criativa e População vulnerável | Debora Scheffer Marques (Coord. de Desenvolvimento Social de Santos);
>> 11h35 | Redes internacionais | Paula Quagliato (Coord. Assuntos Internacionais de Santos);
>> 11h40 | Sessão de perguntas e respostas.

Alessandro Atanes media oficina de criação literária gratuita em janeiro

Por Alessandro Atanes | Foto: Realejo Livros

Na segunda série de encontros da Rede de formação de Leitores na Baixada Santista, promovida pela livraria e editora Realejo, o jornalista e mestre em História Social Alessandro Atanes estará à frente da oficina de criação literária “Da memória à ficção – A cidade como ferramenta narrativa”, que acontece de 14 de janeiro a 4 de fevereiro, sempre aos sábados, às 19 horas. As inscrições podem ser feitas na própria Realejo (Av. Mal. Deodoro, 2) ou marechal@realejolivros.com.br.

O objetivo é fazer com que cada participante elabore ao longo dos quatro encontros pelo menos um texto poético ou ficcional tendo a memória pessoal como base, um conteúdo que já conhecido, com começo, meio e fim já estabelecidos. Assim, os participantes poderão voltar sua atenção e esforços para o tratamento textual e opções narrativas.

Isso acontecerá da seguinte forma: a trama da memória evocada terá de ser adaptada a outro local, de caráter público e típico da cidade, por meio do aproveitamento das sugestões narrativas que cada local oferece. Assim, para fim dos exercícios, foram escolhidos como “locais narrativos” o Porto, os prédios tortos, os canais e o estádio da Vila Belmiro.

Ao explorar as sugestões narrativas oferecidas pelos locais indicados, busca-se compor um texto que seja algo mais do que a expressão dos sentimentos relacionados àquela memória e que se desenvolva em uma trama que avance por escolhas e decisões, inclusive a adoção de acidentes e acasos que o próprio deslocamento irá proporcionar.

É nessa diferença e nos obstáculos entre o lembrado e o inventado que os participantes receberão orientação para melhor desenvolver a narrativa (épica, suspense, história de amor) e a expressão literária. A sugestão é levar a memória para passear pelos “bosques da ficção”, na expressão de Umberto Eco.

 

Expectativas dos protagonistas da Encenação de São Vicente

O entusiasmo para a estreia da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente 2015 – O Musical contagiou todo o elenco do espetáculo. Os intérpretes dos personagens principais anteciparam suas alegrias de compor o evento, que terá sessões de quarta-feira a domingo (dias 21 a 25), às 20h30, na Arena da Praia do Gonzaguinha. O ingresso é um pacote de 400 gramas de leite em pó integral a ser entregue em pontos de troca de shoppings e mercados de São Vicente e Santos. Informações: 3468-1528, 3468-1536 ou fb.com/secultsv.

As impressões foram descritas em coletiva de imprensa nesta segunda, aberta pelo prefeito Luis Claudio Bili: “Desde já, é um prazer enorme contar com todos vocês para a realização desse grande espetáculo em comemoração ao aniversário da Cidade”. Por sua vez, o diretor do musical e secretário municipal da Cultura, Amauri Alves, enalteceu os atores: “Este elenco principal com suas carreiras fantásticas certamente norteará nossos jovens atores e levarão recordações muito boas de São Vicente”.

O papel do navegador Martim Afonso de Souza pertencerá este ano ao ator global Ricardo Tozzi: “Aqui vejo muito o empenho e o entrosamento da população para este que é um grande acontecimento. E na arte, o que vale é isso, o ato de se comunicar, envolver-se com as pessoas. Estou louco para participar, tem tudo para ser um sucesso”.

Em cena, Martim fundará a Cidade na antiga terra de Gohayó, povoada pelos guaranis liderados pelo Cacique Tibiriçá, personagem do global Rafael Zulu: “São Vicente abraçou a gente de uma maneira muito carinhosa. Me surpreendi em uma cidade fora do eixo Rio-São Paulo ter um evento desta amplitude e comprometimento com atores internacionais”. Ao todo, 10 artistas de sete países se juntam a mil pessoas no elenco que envolve os protagonistas.

O narrador será o pajé vivido por Hélio Cícero, que já participou de mais de dez edições do espetáculo que alcança a 33ª edição. “A Encenação restituiu o orgulho dos vicentinos em estarem na primeira cidade do Brasil. Culturalmente, é muito importante juntar a moçada para relembrar a história de São Vicente”. Ele antecipou que as ações de seu personagem coincidem com efeitos de videomapping na areia, um dos destaques do musical.

A outra novidade serão os bonecos gigantes de até oito metros de altura que representam entidades da mitologia guarani. Protetora das florestas, Caaporã será interpretada por Helena Ignez: “É uma oportunidade incrível de estar num dos maiores eventos do mundo, e de um texto magnífico!”. A alegria é compartilhada pela filha Djin Sganzerla, que será Uiara, guardiã dos mares: “Ontem assistimos ao ensaio, e essa experiência é uma troca extraordinária para todos nós. A direção musical é muito sofisticada”. Vida longa ao projeto!”.

Enfim, Tupã será interpretado pelo português Marcelo Lafontana. A coletiva teve a participação da suíça Viriginie Beraldo, do argentino Alejandro Szklar, dos mexicanos Jazmin Marquez, Naín Rodriguez, Felipe Escobar Galicia, Manuel Gonzalez Ramírez e Salvador Raigoza. Em cena como irmão de Martim, Pero Lopes, o apresentador de TV da região, Tony Lamers, complementa sobre a vivência com artistas de diferentes nações e trajetórias: “Além da emoção de estar com a plateia que passa uma energia inigualável, estou contente ao estar do lado de pessoas tão distintas e tentarei aprender um pouco mais com cada um de vocês”.

*Prefeitura de São Vicente

Ricardo Tozzi é o Martim Afonso da Encenação da Vila de São Vicente 2015

O elenco principal da ‘Encenação da Fundação da Vila de São Vicente 2015 – O Musical’ já está se preparando para entrar em cena. O navegador português Martim Afonso de Souza será protagonizado por Ricardo Tozzi, enquanto os papéis do Cacique Piquerobi e do pajé dos guaranis serão de Rafael Zulu e Hélio Cícero. Já o apresentador Tony Lamers interpretará Pero Lopes, irmão de Martim.

A arena ainda contará com Marcelo Lafontana, Helena Ignez e Djin Sganzerla. Este trio representará Tupã, Caaporã e Uiara, deuses da mitologia indígena. Assim, os respectivos guardiões da luz, das florestas e das águas conduzirão a saga do povo guarani na ilha de Gohayó e da expedição de Martim Afonso à ilha de São Vicente.

O elenco terá a companhia de outros mil atores da comunidade, que contracenarão com projeções de vídeo arte executadas com a técnica de videomapping, e com bonecos de quatro a oito metros de altura. Realizado pela Secretaria da Cultura, a direção é do titular da pasta, Amauri Alves que também interpreta João Ramalho, com músicas e trilha sonora de Flávio Medeiros.

O maior espetáculo teatral em areia da praia no mundo terá em sua 33ª edição entre os dias 21 e 25 de janeiro, às 20h30, na Praia do Gonzaguinha. O ingresso é um pacote de 400 gramas de leite em pó que pode ser entregue nos pontos de troca em supermercados e shoppings de São Vicente. Todos os itens serão doados ao Fundo Social de Solidariedade, que destinará às creches da Cidade. Mais informações: 3468-1528, 3468-1536 ou fb.com/secultsv.

Ricardo Tozzi

Foto Ricardo TozziNascido em 1975 em Campinas, Ricardo Tozzi abandonou a carreira de administrador de empresas para assumir a carreira de ator e modelo. Segundo ele, enquanto trabalhava às manhãs como executivo, às noites estudava teatro. O sucesso com o público foi em sua estreia na novela global ‘Bang Bang’ (2006). Engatou no mesmo ano a sua participação em ‘Pé na Jaca’. Em 2007, atuou no seriado ‘Malhação’ e, no ano seguinte, fez as séries ‘Casos e Acasos’, ‘Dicas de um Sedutor’ e ‘Guerra e Paz’.

Ricardo já estrelou três novelas em horário nobre: ‘Caminho das Índias’ (2009), de Glória Perez, ‘Insensato Coração’ (2011), de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, e ‘Amor à Vida’ (2013), de Walcyr Carrasco. O seu timing para comédia também garantiu sua escalação nas novelas de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira: ‘Cheias de Charme’ (2012) e ‘Geração Brasil’ (2014), respectivamente como o galã Fabian e o vilão Herval.

Helena Ignez

Foto Divulgação - Helena Ignez 1Helena Ignez nasceu em Salvador (Bahia) em 1941 e, aos 18 anos, ingressou no teatro de vanguarda e consecutivamente no cinema com o curta-metragem ‘O Pátio’ (1959) com o diretor Glauber Rocha, então seu primeiro marido com quem teve a filha Paloma. A musa do Cinema Novo ganharia fama com os sucessos ‘Assalto ao Trem Pagador’ (1962) e ‘O Padre e a Moça’ (1966) e abraçaria a carreira em São Paulo no longa ‘O Bandido da Luz Vermelha’ (1968), de Rogério Sganzerla.

O diretor do clássico do Cinema Marginal se casou com Helena e, juntos do cineasta Júlio Bressane, desenvolveram o movimento underground. Em ‘A Mulher de Todos’ (1969) sagrou-se como uma atuação debochada e extravagante. O casal manteve a parceria em toda a filmografia seguinte e teve dois filhos: a compositora Sinai e a atriz Djin. Após o falecimento de Rogério em 2002, Helena dirigiu a continuação ‘Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha’ (2010). Ela também é famosa no teatro com as peças ‘Os Sete Afluentes do Rio Ota’ e ‘Savanah Bay’ nas últimas décadas.

Djin Sganzerla

Foto Divulgação - Djin Sganzerla 3Filha do cineasta Rogério Sganzerla e da atriz Helena Ignez, a atriz carioca nasceu em 1977 e seguiu a trajetória da mãe. Estreou nos palcos aos 19 anos, sob direção de Antônio Abujamra em ‘O Que É Bom em Segredo É Melhor em Público’ (1996), e rumou ao estrelato em ‘Savanah Bay’ (1999) e ‘Cabaret Rimbaud’ (1997), dirigida respectivamente por seu pai e sua mãe. Helena também a dirigiu em ‘O Belo Indiferente’ (2012).

Nas telonas, Djin brilhou no filme de seu pai ‘O Signo do Caos’ (2005), ‘Falsa Loura’ (2007) e ‘Meu Nome é Dindi’ (2008). Nestes dois últimos longas, foi premiada respectivamente com o Troféu Candango do Festival de Brasília e Troféu APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte. A sua última aparição foi em ‘Luz nas Trevas’ (2010), sendo dirigida por sua mãe e contracenando com seu marido André Guerreiro Lopes.

Rafael Zulu

Rafael ZuluNascido em 1982, o ator carioca Rafael Zulu iniciou sua trajetória nos palcos ao se encantar com o trabalho social dos Doutores da Alegria. Aos 22 anos, a sua primeira peça foi ‘Aonde está você agora?’ (2004), de Regiana Antonini, e no mesmo ano, em turnê com o musical ‘Eu Sei que Vou te Amar’, que recebeu convite para a TV. Estrelou na novela ‘Prova de Amor’ na Record no ano seguinte.

Ainda na emissora paulista, fez participações nas novelas ‘Os Mutantes – Caminhos do Coração’ (2009) e ‘Balacobaco’ (2012). Contratado pela Rede Globo, ele ganhou o público em seus papéis em ‘Sete Pecados’ (2007), ‘Caras & Bocas’ (2009), ‘Ti Ti Ti’ (2009), ‘Fina Estampa’ (2011) e ‘Em Família’ (2014). No ano passado, estava no elenco da série ‘Sexo e as Negas’.

Hélio Cícero

Foto Helio CíceroO paulista Hélio Cícero nasceu em Cândido Mota em 1955. Formado em Arte Dramática pela USP, atuou em espetáculos teatrais junto a Antunes Filho e Ulysses Cruz, como ‘Paraíso Zona Norte’ (1989), ‘Nova Velha História’ (1991), ‘Vereda da Salvação’ (1993), ‘Velhos Marinheiros’ (1985), ‘Rei Lear’ (1996), ‘Hamlet’ (1997), recebendo os prêmios Mambembe, Apetesp e Inacen como melhor ator. Ainda, fez ‘Macbeth’ (2012), direção de Gabriel Vilela, e ‘Toda Nudez Será Castigada’ (2000), com direção de Cibele Forjaz.

Em 2009, celebrou 30 anos de carreira com uma exposição fotográfica e o solo ‘A Noite do Barqueiro’, texto e direção de Samir Yazbek. Nas telinhas, encenou em ‘Rei do Gado’ (1996), ‘Começar de Novo’ (2004), ‘Canavial de Paixões’ (2003) e ‘JK’ (2005). Também trabalhou nos longas ‘Tapete Vermelho’ (2006) e ‘Anita e Garibaldi’ (2013). Há oito anos, fundou a Cia Teatral Arnersto nos Convidou com Yazbek, onde realizou ‘O Fingidor’, ‘As Folhas do Cedro’, ‘Fogo-Fátuo’ e ‘Frank-¹’. Atualmente está em cartaz com ‘Jantar’, de Mauro Baptista Vedia na Capital.

Marcelo Lafontana

Foto - Marcelo LafontanaO paulistano Marcelo Lafontana nasceu em 1967 e iniciou sua trajetória aos 19 anos, em 1986, como ator, diretor e marionetista. Radicado em Portugal desde 90, trabalhou e colaborou com o Ballet Teatro Contemporâneo do Porto, Teatro Bruto, Quinta Parede, Marionetas do Porto, Teatro Nacional São João e Casa da Música. Assume em 1998 a criação e direção do Teatro de Formas Animadas de Vila do Conde, onde encena ‘Teatro de Papel/Anfitrião’ (2003), ‘Teatro de Papel/Convidado de Pedra’ (2006), ‘Payassu – O Verbo do Pai Grande’ (2009) e ‘Prometeu’ (2010).

Licenciado em Artes Cênicas e Teatro e Educação, já lecionou na Escola Superior Artística do Porto, Escola Superior de Educação de Coimbra, Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo e Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

Tony Lamers

Foto - Tony LamersAlém de âncora dos jornais da TV Tribuna, o santista Tony Lamers tem larga experiência como radialista, músico e cantor. Em 2013 e 2014, ele interpretou respectivamente o operário construtor e o Padre Gonçalo Monteiro na Encenação da Fundação da Vila de São Vicente.

‘Esquinas do Mundo’ reata literatura e porto em ensaios

O porto em nossa Cidade interfere na rotina de milhares de contêineres, de centenas de trabalhadores e de um quarto da vida do jornalista e historiador Alessandro Atanes. Aos 40 anos, ele lança obra que rendeu uma década de estudos: ‘Esquinas do Mundo – Ensaios sobre História e Literatura a partir do Porto de Santos’.

“Estou muito feliz por compartilhar minhas pesquisas”, entusiasma-se Atanes em seu primeiro livro autoral, embora já tenha traduzido as obras ‘Voo de Identidade’ (do peruano Óscar Limache) e, em um único volume, ‘À Espera do Outono’ e ‘Viagens Imaginárias’ (do também peruano Javier Heraud), ambos pela editora artesanal Sereia Ca(n)tadora.

01É muito nítida para o escritor a imagem do porto como uma esquina, um ponto de encontro dos viajantes: “Até a popularização do avião nos anos 50, as pessoas precisavam viajar de navio. E Santos, ainda importante pela grande produção de café, era uma porta de entrada para o Brasil”. Entre as evidências, cita artistas internacionais que, ao passarem pela Cidade, faziam turnês nas antigas boates da então Boca de Ouro (Centro Histórico).

Porém, aprecia mais a visita dos escritores estrangeiros. Por aqui desembarcaram navios com o suiço Frédéric Louis Sauser, o chileno Pablo Neruda e a norte-americana Elizabeth Bishop, todos recitando a Cidade em seus versos.

Também há as “pratas da casa”, como Rui Ribeiro Couto, Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade e os contemporâneos Madô Martins, Ademir Demarchi e Alberto Martins que entre seus repertórios, dragam o município com sensibilidade aos seus leitores.

“O que tem de textos sobre Santos, que não é uma capital, é um negócio absurdo”, surpreende-se Atanes. “Estou há anos pesquisando e sempre há um texto novo. Recentemente, encontrei um texto de Saramago sobre a viagem de um de seus personagens a Santos”.

02Ciente das dezenas de obras ficcionais sobre o porto, o autor escreve 11 ensaios analisando tal relação: “As narrativas não relatam detalhes históricos, mas elas mostram a mentalidade das pessoas que viviam na época”. Portanto, ele vive a extrair história da literatura.

Origem da extração

Quando adolescente, cresceu entre o Macuco e a Vila Mathias, assistindo de longe aos movimentos dos guindastes dos terminais. Escutava as histórias de seu tio e primo estivadores. No entanto, seu gosto pelo assunto começou em 2001, ao graduar-se no Mestrado em História Social pela USP. Encontrou parte de sua vida atrelada ao porto ao buscar contos da Cidade.

Ao se deparar com um catálogo feito pela historiadora Wilma Therezinha de Andrade de livros sobre o município, comprou em um sebo Navios Iluminados (de Ranulpho Prata) e, desde então, navega atrás de mais narrativas sobre o tema. A análise do romance gerou a dissertação aprovada em 2005.

A partir daí, de modo paralelo, pesquisava e escrevia em uma coluna do site Porto Gente (portogente.com.br). Leu dezenas de obras e reuniu 700 páginas de crônicas. As histórias também foram partilhadas nos últimos anos na Estação da Cidadania de Santos, onde ministra semanalmente um curso literário.

Faltava tornar suas análises palpáveis. Premiado pelo Fundo Municipal de Assistência à Cultura em 2012, debruçou-se no projeto de converter as crônicas em ensaios temáticos entre maio do mesmo ano ate o início de 2013. Prezando a densidade nos textos, ressalta: “prefiro confiar que as pessoas queiram aprender com tamanhas informações”.

Agora, eterniza seus registros em ‘Esquinas do Mundo’. Com 140 páginas, a publicação da Editora Dobra tem capa de Raphael Morone, com prefácio assinado pelo poeta Marcelo Ariel.

*Publicado originalmente em A Tribuna em 5 de abril de 2013