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Em São Vicente, Secult lança 1º concurso para projetos culturais independentes

Por Lincoln Spada

O primeiro edital público de projetos culturais de São Vicente foi aberto pela Secretaria de Cultura nesta última quarta-feira (13/mar). O concurso foi realizado a partir do convênio entre a Prefeitura e o Governo Estadual por meio do ProAC Municípios no montante de R$ 300 mil. Ao todo, serão 15 projetos contemplados, cada um no valor de R$ 20 mil. As inscrições seguem até 2/mai.

Serão seis montagens e circulações de espetáculos, quatro projetos de festivais de artes, feiras ou exposições itinerantes, um par de projetos audiovisuais, outra dupla de publicações de obras literárias inéditas, além de uma iniciativa que aborde a formação e a arte-educação. A contrapartida são de, pelo menos, uma apresentação pública, prevendo a doação de 5% da tiragem dos livros publicados e a gratuidade no caso de espetáculos, festivais e mostras.

A Secult nomeará uma comissão de seleção de projetos, aos moldes do ProAC, que terá como critérios de avaliação: excelência e relevância artística; experiência dos proponentes; descentralização das atividades; diversidade temática e estética; interesse público; proposta de contrapartida; viabilidade de realização do projeto. O edital prevê que o resultado final seja publicado até a primeira quinzena de julho e o período de contrato e repasse em cota única até setembro.

Os projetos devem ter duração de até 10 meses, podendo ser prorrogados. Interessados devem se inscrever somente como pessoa física ou jurídica (exceto MEI) que comprove residência e atuação cultural há mais de dois anos. Coletivos artísticos e proponentes individuais só podem concorrer com uma única proposta. Os envelopes devem ser entregues pessoalmente em dias úteis, das 10h às 12h e das 13h às 16h, na sede da Secult (R. Tenente Durval do Amaral, 72, Catiapoã). Confira o edital na íntegra aqui.

 

Editais para autores brasileiros e tradutores estrangeiros são lançados pelo MinC

Mais de 320 autores brasileiros com obras literárias espalhadas por 54 países, traduzidas no idioma daquelas nações. Uma realidade atual, mas que só se tornou possível a partir da implementação do Programa de Apoio à Tradução, Publicação e Intercâmbio de Autores Brasileiros no Exterior, da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

A entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) é responsável pela execução da política governamental de captação, guarda, preservação e difusão da produção intelectual do país. Acesse os editais: http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/id/1368757

De 1991 até 2016, foram concedidas 898 bolsas de apoio à tradução e à publicação de autores brasileiros – mais de 70% destas, concedidas a partir de 2011, quando o programa foi reformulado e recebeu mais recursos, inclusive para divulgação.

“Nestas bolsas, observa-se que a maioria das traduções foi para nomes clássicos da literatura brasileira como Jorge Amado, Clarice Lispector e Machado de Assis. Mas há, cada vez mais, uma diversificação das traduções e os novos autores também têm sido solicitados, como Alberto Mussa, Adriana Lisboa, Daniel Galera, Luiz Ruffato e Michel Laub”, exemplifica Fábio Lima, coordenador do programa da FBN.

Ainda por meio do Programa de Apoio, mais de 80 escritores brasileiros apresentaram trabalhos em feiras e eventos literários no exterior. Em julho, também foram abertas as inscrições de dois editais relacionados ao programa: Intercâmbio de Autores Brasileiros no Exterior e Residência de Tradutores Estrangeiros no Brasil.

*Ministério da Cultura

 

As telas sincronizadas de Raul e Eber em ‘Poesia em Tudo – #AmorAosTuítes’

A tela de Eber de Gois sincronizou primeiro com a lente de Raul Christiano. O poeta conta que, certa vez, cobiçou um quadro de Eber referente à Pagu durante uma exposição. Cada instante que reencontrava a obra – da Bolsa do Café ao Parque Balneário -, era uma nova tentativa de levar o abstrato para preencher sua casa. A insistência de Raul rendeu várias propostas. O artista plástico topou as duas últimas.

2Uma, vendeu a obra. Outra, tempos depois, aceitou reproduzir suas telas no novo livro do escritor, ‘Poesia em Tudo – #AmorAosTuítes’, publicação da editora Realejo a preço de R$ 29,00. Com tiragem inicial de 1 mil exemplares, o título está sendo lançado hoje (dia 7, sábado), às 17h, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15/Santos) e, segunda (dia 16), às 18h, no Bar Balcão (Rua Melo Alves, 150, Cerqueira César/São Paulo).

Criar especialmente as ilustrações do compadre foi uma ‘grata surpresa’ para Eber, que considera “Raul como um homem generoso aos amigos. Durante uma semana, digeri os poemas em imagens”. Aos 67 anos, Eber dedicou os últimos 50 às telas para se reconhecer como um ponto artístico no tracejado de influências de tudo que já contemplou. “Tenho um estilo próprio, exatamente pelo monte de informações que absorvi”, diz o ex-aluno da Escola Panamericana de Artes, que entende de gravura em metal até sumiê e guarda mais de 50 quadros em sua casa-ateliê.

1Por sua vez, parte do acervo literário de Raul Christiano está em bytes, já que as suas mãos e números pertencem a outras telas. Na moda do touchscreen, tem 10 mil amigos no Facebook, com direito a 6 mil fotos, 45 mil tweets com 8,3 mil seguidores, outros 1,9 mil fãs no Instagram que curtem suas mais de 1,5 mil publicações. Autointitulado como ‘usuário inveterado’, Raul tuítou 80 poemas do tamanho certeiro de 140 toques nesses últimos quatro anos, o que levou acidentalmente a bons papos com a Realejo (na pessoa de José Luiz Tahan) e o amigo Eber para eternizar os versos em livro.

Tweetliteratura

Não que Eber tenha sido o único a ler essa ‘tweetliteratura’ antecipadamente. Publicados em tweets, as estrofes renderam uma coletânea de onze comentários de amigos de Raul Christiano em ‘Poesia em Tudo’. Há quem partilhe de sua ideologia política (como Sérgio Willians e Vera Leon), há quem enverede por outros partidos (Julinho Bittencourt e Flávio Viegas Amoreira), há quem resgate sua faceta jovem do Grupo Picaré (Valdir Alvarenga), há quem o conheça a partir de sua trajetória como gestor nas áreas de Educação e Cultura (Rodrigo Savazoni).

0O livro pode ser entendido como uma celebração à nova página na vida de Raul Christiano. Até por isso, a obra traz na capa o sorriso do autor, foto que já foi de perfil de Facebook a de WhattsApp. O título rompe o hiato artístico do escritor desde 1984, trocando a poesia literária pelas prosas política e familiar. Hoje “pretendo equilibrar mais as prioridades, principalmente a família, pois muitas vezes precisei priorizar à vida pública”. Raul atualmente é membro da Poiesis, diretor das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, e já foi titular da Secretaria da Cultura de Santos (2013-2015).

Colagens à mão

Eber também atuou na Secult e não viveu somente da veia artística. Formado como arquiteto, já trabalhou desde agências de publicidade até na Prodesan e na Secretaria de Saúde de Santos, pois também é pós-graduado na Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho. Aliás, é esse conjunto de vivências e de seus trabalhos em quadros que serviram de colagens para a meia dúzia de ilustrações que permeiam o ‘Poesia em Tudo’.

0“O tamanho (menor) é para acompanhar a leveza dos poemas. Levei com preciosismo e um cuidado para selecionar diretamente as poesias que teriam minhas imagens”, comenta Eber, que consegue abstrair memórias e afetos entre as palavras sobre as praias de Santos, o mundo virtual e o amor romântico. “Quis transmitir a sensualidade das musas durante os versos de amor”, completa ao demonstrar os quadros com satisfação.

Reflexões virtuais

“Outro dia ainda perguntaram se era possível fazer poesias e haicais em 140 toques no Twitter, pois digo q com 140 toques fiz amor gostoso”, delicia-se Raul noutra página do livro. Ao todo, são 57 poesias que seguem como um tratado sobre o ofício do poeta, o mundo virtual e relacionamentos, além de sua paixão por Santos, como um diário de metáforas, principalmente em seus tempos de secretário de Cultura. “Os anos de 2013 e 2015 foram os que vivi mais intensamente em Santos desde a juventude, já que por tempos morei em Brasília e em São Paulo”.

Raul descreve as sacadas bem humoradas e até as tuitadas para amigos que compõem a publicação. Imagens do seu passado e de um futuro imaginado também compõem as 93 páginas do livro. “Foi um período em que evitei o embate com adversários e que a poesia se sobressaiu em relação às mensagens políticas. Na verdade, ‘Poesia em Tudo – #AmorAosTuítes’ é um grito contra a intolerância nas redes sociais”.

*Lincoln Spada

 

Pesquisador santista busca apoio para livro sobre diretor teatral Antonio Ghigonetto

O pesquisador da Unesp, o santista Luiz Campos, está buscando o apoio para publicação de seus trabalhos sobre a trajetória do diretor teatral Antonio Ghigonetto. Com interesse de algumas editoras, Luiz tentará ainda nesse ano, a publicação de seu livro e vídeo documentário relatando a carreira do diretor, com quem ele já trabalhou na última década.

A trajetória de Antonio Ghigonetto foi recuperada em âmbito acadêmico, finalizada em 2015,tornando-se fruto da monografia de Luiz Campos pela Faculdade Paulista de Artes, onde foi orientado por Alexandre Mate. Também ator e educador, Luiz deseja continuar nessa mesma linha de pesquisa (recuperação da história do teatro brasileiro) em estudos de mestrado para o próximo ano.

Luiz, pode descrever sobre a trajetória de Ghigonetto em Santos e como o conheceu?

Ghigonetto chega de São Paulo para Santos entre 2005 e 2006. Poucos souberam da trajetória e curriculo desse grande artísta. O mesmo integra como educador de oficinas teatrais pela Prefeitura de Santos no ano de 2006 e dispensado em 2009. Pela prefeitura dirigiu dois espetáculos: ‘O Testamento do Cangaceiro’ (2006) de Chico de Assis, e ‘Jorge Dan Din’ (2008) de Molière.

0Conheci e trabalhei com Antonio Ghigonetto após esse período, em 2010, e fui convidado por um grupo de artistas da cidade (Ana Maria Santana, Edson Braga, Hemiu Huszack, Bruna Berti, Ingrid Estevez etc…) para integrar no elenco do espetáculo ‘O Doente Imaginário’ de Molière. Ghigonetto, que estava parado, também foi convidado para dirigir, porém, no meio do processo de montagem, ele faleceu e a produção ficou inacabada.

Qual a relevância do trabalho de Ghigonetto para o cenário teatral?

0Antonio Ghigonetto teve importante atuação no cenário teatral brasileiro. Seus principais trabalhos foram como diretor, mas também foi ator, dramaturgo e produtor. Ele começou sua carreira na década de 50 na cidade de São Paulo. Em 1963, ainda na cidade, cria o Grupo Teatral Decisão – forte grupo cênico dos anos 60 – juntamente com Antonio Abujamra, Berta Zemel, Emilio Di Biasi, Wolney de Assis e Lauro Cesar Muniz.

Ghigonetto trabalhou e dirigiu diversos nomes de destaque no cenário teatral, foram eles: Nathalia Timberg, Barbara Heliodora, Sérgio Mamberti, Mauro Mendonça, Ruth Escobar, Lima Duarte, Nydia Licia, Paulo Goulart, Laura Cardoso, Rosa Maria Murtinho, Edney Giovenazzi, Carlos Vereza, Fulvio Stefanini entre diversos artistas. Foi o propulsor de Yara Amaral e Emilio Di Biasi além de possuir cerca de 40 espetáculos dirigidos em seu currículo.

Qual o seu objetivo ao querer desenvolver esse trabalho acadêmico de resgate da memória teatral?

A pesquisa visa recuperar a história do teatro brasileiro e paulista. Muitos jovens artistas não conhecem ou jamais conheceram Antonio Ghigonetto e outras dezenas de pessoas que tiveram relevantes contribuições para o cenário teatral brasileiro ficam esquecidas no decorrer do tempo. Ainda existem muitas coisas que se devem ter a recuperação histórica no que se refere ao teatro brasileiro. Hoje ministro palestras, afim não só de falar de Antonio Ghigonetto, mas da importância da disseminação de artistas brasileiros e da recuperação de seus feitos.

Como foi o processo de pesquisa sobre Ghigonetto?

1Essa pesquisa, além de inédita e muito elogiada por onde passa, no seu inicio em 2013 não tinha apoio algum, e, por idealização pessoal ficou até 2014 sem apoio. O renomado pesquisador e professor Alexandre Mate conheceu a pesquisa e, através dele, esta ganhou o apoio do Instituto de Artes Universidade Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e foi financiada pela concorrida bolsa entre os estudantes universitários (FAPESP), Fundo de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo.

Nestes dois anos de pesquisa, entrevistei mais de 20 artistas, tais como: Laura Cardoso, Amir Haddad, Antonio Carlos Assumpção, Sérgio Mamberti, João Sgnorelli, Roney Facchini, Ary Coslov, João das Neves… Alguns deles já faleceram como: Nydia Licia e Barbara Heliodora.

*Luiz Campos/Lincoln Spada