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Dino Menezes lança o livro de crônicas ‘Pra quem acredita em fantasmas’

Crônicas de terror baseadas em fatos reais é o mote do livro ‘Pra quem acredita em fantasmas’, do cineasta santista Dino Menezes. A obra será lançada no dia 15/fev, das 18h30 às 21h, na Realejo Livros (Rua Mal. Deodoro, 2/Santos). No valor de R$ 40, o título é uma produção da Dino Filmes com atelier About_Books.

A obra conta com fotos, imagens e relatos registrados por Dino ao longo de nove meses de pesquisa. A ideia da obra veio a partir de uma visita a Paranapiacaba, sobre a possibilidade de Jack Estripador ter vindo para o País. Com a ajuda do historiador Eduardo Pin, o que era para ser um filme se transformou em um livro.

“As histórias de terror do livro brincam com nossa realidade. Elas trazem um rico diálogo entre o fictício e o fato histórico fazendo com que a gente se questione sobre o que de fato aconteceu e o que foi fruto da imaginação de alguém (ou não)”, comenta o cientista político Rafael Moreira.

“Eu adoro as histórias de fantasmas do Dino Menezes porque elas me lembram o filme do Polanski, ‘A Dança dos Vampiros’. A gente ri e fica com medo ao mesmo tempo”, diz o agente cultural Rodrigo Lucheta. Por sua vez, o diretor teatral Rodrigo Caesar complementa: “Nestes tempos sombrios em que vivemos, nada melhor que a magia da arte para nos satisfazer. E nesse maravilhoso conto de terror, vamos viajar fundo nos limites do ser humano. E é Dino Menezes quem vem chegando com mais uma história de arrepiar”.

 

Celebração Realejo Livros conta com oito autores nesta sexta

Por Lincoln Spada

A Realejo Livros promove uma celebração com encontros, autógrafos e abraços com oito autores de seu catálogo. O evento gratuito será nesta sexta-feira (21/dez), a partir das 18h, na Av. Marechal Deodoro, 2, Gonzaga/Santos. Ainda, o evento contará com a tradicional sessão de Marcos Canduta e Débora Gozzoli, acompanhados de outros músicos convidados.

Participarão do encontro: Cássio Zanatta (de ‘O Espantoso nisso tudo’), Juliana Araripe (de ‘Errando na Mosca’), Julio Bernardo (de ‘Edifício Tristeza’), Marina Moraes (de ‘Água para as visitas’), Matthew Shirts (de ‘O Jeitinho Americano’), Rene Ruas (de ‘Poleiro de Pato é Terreiro – Firulas e Parangolés e Coisa e Loisa’), Vladir Lemos (de ‘Juízo, torcida brasileira’) e Gisela Monteiro (de ‘Imprevisíveis!’).

Criada como livraria em 2001, ainda dentro da Universidade Católica de Santos, a Realejo Livros está com a sua atual sede no Gonzaga há 15 anos. Em 2006, expandiu com a Realejo Edições e, desde 2009, com a Tarrafa Literária – Festival Internacional de Literatura de Santos.

 

Alessandro Atanes media oficina de criação literária gratuita em janeiro

Por Alessandro Atanes | Foto: Realejo Livros

Na segunda série de encontros da Rede de formação de Leitores na Baixada Santista, promovida pela livraria e editora Realejo, o jornalista e mestre em História Social Alessandro Atanes estará à frente da oficina de criação literária “Da memória à ficção – A cidade como ferramenta narrativa”, que acontece de 14 de janeiro a 4 de fevereiro, sempre aos sábados, às 19 horas. As inscrições podem ser feitas na própria Realejo (Av. Mal. Deodoro, 2) ou marechal@realejolivros.com.br.

O objetivo é fazer com que cada participante elabore ao longo dos quatro encontros pelo menos um texto poético ou ficcional tendo a memória pessoal como base, um conteúdo que já conhecido, com começo, meio e fim já estabelecidos. Assim, os participantes poderão voltar sua atenção e esforços para o tratamento textual e opções narrativas.

Isso acontecerá da seguinte forma: a trama da memória evocada terá de ser adaptada a outro local, de caráter público e típico da cidade, por meio do aproveitamento das sugestões narrativas que cada local oferece. Assim, para fim dos exercícios, foram escolhidos como “locais narrativos” o Porto, os prédios tortos, os canais e o estádio da Vila Belmiro.

Ao explorar as sugestões narrativas oferecidas pelos locais indicados, busca-se compor um texto que seja algo mais do que a expressão dos sentimentos relacionados àquela memória e que se desenvolva em uma trama que avance por escolhas e decisões, inclusive a adoção de acidentes e acasos que o próprio deslocamento irá proporcionar.

É nessa diferença e nos obstáculos entre o lembrado e o inventado que os participantes receberão orientação para melhor desenvolver a narrativa (épica, suspense, história de amor) e a expressão literária. A sugestão é levar a memória para passear pelos “bosques da ficção”, na expressão de Umberto Eco.

 

Da literatura underground, ‘Hídrico’ é lançado nesta terça-feira na Realejo Livros

Por Tiago Judas

Nesta terça-feira (dia 15), às 17h, acontece o lançamento do livro ‘Hídrico’ na Realejo Livros (Av. Marechal Deodoro, 2, Santos). Kocinas personagem do livro ‘Hídrico’ (ed. Veneta) é sujeito calmo que vive parte do tempo no mundo da lua. Literalmente.

Com seu capacete de aquário, onde mora um peixinho companheiro, ele divaga sobre a vida e a existência humana enquanto vive aventuras surrealistas: uma temporada na lua, empreendimentos no mundo da moda e aulas de metafísica.

O autor

Como artista plástico Tiago Judas já expôs na Holanda, Argentina, Alemanha e EUA. No Brasil, participou de mostras em lugares como Insti tuto Tomie Ohtake, Centro Cultural São Paulo,  MIS, Paço das Artes e Galeria Vermelho entre outros.

 

Entrevista: ‘A Tarrafa Literária está bem inserida no circuito de festivais’, afirma Tahan

Por Lincoln Spada | Foto: Marcus Cabaleiro (capa) e José Luiz Tahan (demais imagens)

Com objetivo de evidenciar a literatura e conquistar novos leitores, aproximando-os de escritores de renome nacional e internacional, a Tarrafa Literária completou a sua oitava edição em setembro de 2016. Entre os dias 21 e 25, o Teatro Guarany e o Sesc Santos receberam a programação gratuita do evento realizado pela Editora Realejo.

a4Ao todo, foram dez mesas de debates, além de atrações infantis e um espetáculo de abertura, protagonizado pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão e sua filha, a cantora Rita Gullo. A autora Maria Valéria Rezende, a cartunista Laerte, o editor Mino Carta, o apresentador Paulo Henrique Amorim, o cronista Gregório Duviviver foram alguns dos convidados deste ano.

Em entrevista virtual à Revista Relevo, o idealizador e diretor do festival, José Luiz Tahan, aborda sobre o panorama do evento que compõe o calendário Setembro Criativo em Santos.

Com oito edições, a Tarrafa Literária praticamente consolidou seu formato e público em Santos. Como ela é analisada dentro do panorama estadual ou nacional dos festivais literários?

a8Bom, acredito que essa resposta vem de outros, de fora, mas vamos lá: estamos avaliados e aprovados em veículos do Brasil inteiro, além de termos uma parceria institucional de longa data junto ao Governo do Estado de SP. Estamos bem inseridos no circuito brasileiro de festivais de literatura.

Praticamente se convencionou que o festival perdure cinco dias, iniciando com show, seguindo em torno de 10 mesas no Guarany e com programação infantil, voltada à contação e teatro. Existe vontade de estender a Tarrafa para outros palcos ou com outras linguagens artísticas?

A nossa linguagem é por e pela literatura, apesar de abordarmos muitos segmentos dentro da ficção e da não-ficção tendo um evento múltiplo e de assuntos amplos. A literatura e o livro é um suporte rico e consagrado, podendo sim dar margem desde à música associada e por que não ao teatro? Quando nascido de uma obra literária, essas fusões podem acontecer no futuro.

Este ano, foi inegável que a partir de questões do público ou os próprios autores convidados, parte das mesas abordassem o impeachment e consequências. Até que ponto você vê que a crise político-econômica afeta no processo criativo e na produção de livros no País?

a6O mundo que nos cerca claramente nos atinge, se estamos falando de escritores e pensadores, é claro que vão repercutir e abordar conflitos, seja na sua arte, seja na sua rotina. Alguns devolvem de uma forma mais crítica, outros mais bem humorada, isso é importante, é a história que vivemos.

Noutras vezes, muito se comentava sobre o orçamento do festival, proporcionado em grande parte via incentivo fiscal. Em 2015, o evento contou com metade do patrocínio de 2014. Este ano, houve um orçamento ainda mais reduzido? E como você observa a demonização cada vez mais crescente da Lei Rouanet?

Festivais ou projetos que buscam incentivos de leis sempre tem seus desafios renovados ano a ano, nunca se tem vida fácil. Mas o que você comenta é parte do total, nós não temos a renúncia fiscal como a grande parte que viabiliza o evento, temos mais da metade dos recursos do total vindos de outros apoios, via verba direta mesmo, decidida pelas empresas, instituições ou pessoas que acreditam no evento.

Esse ano, apesar do clima adverso, tivemos bons resultados e discordo de você quanto a demonização da Rouanet, o que houve foram investigações e buscas em cima de produtores desonestos, aliás, que existem em todos os campos da sociedade, os desonestos tem que ser combatidos. A lei Rouanet é bem interessante, e séria, feita também por gente comprometida, de valor.

De Raul Christiano, ‘Poesia em Tudo – #AmorAosTuítes’ será lançado na Pinacoteca

‘Poesia em Tudo – #AmorAosTuítes’ é o novo livro do poeta, jornalista e gestor cultural Raul Christiano. Publicada pela editora Realejo, a obra reúne 57 poemas escritas entre 2013 e 2016 publicadas originalmente na principal rede social de textos, o Twitter.

Com 140 caracteres, é cada vez mais comum a dinâmica de autores com a plataforma digital que mobiliza temas e hashtags com seus mais de 288 milhões de usuários ativos. De microcontos a frases reflexivas, o Twitter se tornou num relicário para quem busca preciosidades literárias com sua devida brevidade. Concisão que flutua para os desatentos.

Agora, Raul eterniza suas estofres em bytes num livro. ‘Poesia em Tudo – #Amor aos Tuítes’ será lançado neste sábado (dia 7 de maio), às 17 horas, na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Santos). No dia 16 de maio, o título estará em cartaz no Balcão Bar (Rua Dr. Melo Alves, 150, Jardim Paulista), às 18h30, na capital paulista. A publicação conta com ilustrações de Eber de Gois.

De acordo com o jornalista Sérgio Willians, o autor é uma “figura irrequieta e envolvente, que transborda sua essência nas linhas poéticas desta obra, antagônica diante de um apssado marcado pela geração ‘mimeógrafo’, compartilhada com seus companheiros de Picaré, para uma linguagem contemporânea, high-tech, da qual se apropriou tão naturalmente a partir do advento das comunicações instatâneas visuais e suas redes de relacionamento”.

*Lincoln Spada

 

Beto Volpe e Realejo Livros fazem pré-venda de ‘Morte e Vida Posithiva’

O ativista Beto Volpe e a Realejo Livros iniciam uma campanha de financiamento coletivo para a pré-venda da autobiografia ‘Morte e Vida Posithiva’. A campanha oferece cotas de R$ 15 a R$ 580, e tem, entre recompensas, agradecimentos nas redes, download em PDF, livro autografado e pacotes com descontos. Acesse: http://kickante.com.br/campanhas/morte-e-vida-posithiva-adquira-ja-seu-livro

“O livro narra a minha trajetória desde minha infecção pelo vírus HIV no ano de 1989 até os dias de hoje, permeado de fatos da infância e juventude que colaboraram para os acontecimentos futuros”, afirma Beto.

“Mesclar tragédia e comédia no mesmo contexto é minha marca registrada, o que provoca uma profunda reflexão sobre os vários aspectos envolvidos na epidemia de AIDS e também em questões de cidadania e de foro íntimo. A minha obra se revela uma potente ferramenta para desenvolver a resiliência do leitor e impactar positivamente não somente a vida das pessoas, como também na compreensão coletiva sobre aspectos não divulgados da epidemia”.

CONFIRA TRECHO DO LIVRO

“Fingindo voltar do trabalho, cheguei em casa e logo depois chegou a noite, que levava a crer que tudo seria como todos os dias, com um lanche noturno seguido de alguma programação televisiva. Mas tudo foi completamente diferente, aquela noite foi uma das mais angustiantes de toda a minha vida. Eu e meu irmão nos entreolhávamos como quem procura coragem para dizer alguma coisa. Até que consegui proferir:

– Tenho uma coisa séria pra falar pra vocês…

Pelo seu olhar, tive a nítida impressão de que minha mãe sabia do que se tratava. Mães… Elas são bruxas, adivinham nossas intenções, pressentem nossas dificuldades e são capazes de mover o mundo por nós. Por onze anos fui o filho único de dona Aída, nome dado por meu avô em homenagem a sua obra favorita de Verdi. Mãe torcedora do Santos Futebol Clube, filho santista. Mãe adorava uma peruca argentina, o filho também. Ou seja, eu sempre fui o filhinho da mamãe e ela o meu porto seguro, a bóia que é lançada quando o fôlego está acabando. Nem ela e nem eu tínhamos noção o quanto essa “coisa séria” nos aproximaria e nos uniria como nunca em nossas vidas.

0Uma vez mais em um único dia me senti um covarde em levar essa tristeza às pessoas que mais amava. Mas tinha que ser feito, esse segredo nunca se manteria por muito tempo. E, naquele momento em que estava prestes a dar a notícia, foi a primeira vez que eu senti a presença dela, a tal da Morte, com sua capa e alfanje espalhando-se por todos os cantos do aposento. É terrível ver que a morte criou vida e está em seu encalço, sob a forma de um ar irrespirável, denso… Foi como dar uma notícia de falecimento de alguém muito querido e, de certa forma, era mais ou menos isso. Minha mãe, olhando com um pedido de “não conte” perguntou o que estava acontecendo. E eu, na lata, respondi:

– Estou com AIDS.

Meu Deus, como pode um simples gota arrasar tanto a alma de uma pessoa? Aquele ar irrespirável passou a ser sufocante… E aquele olhar triste de minha mãe deixou escapar uma lágrima. Uma única e furtiva lágrima que escorreu lentamente pelo seu lindo rosto fazendo com que eu me sentisse o pior dos mortais, o lixo do lixo, desejando um raio fulminante em minha cabeça. Ou uma complicação séria que me levasse o mais rapidamente possível desse mundo. Uma lágrima e um olhar triste, se os homens guerreassem assim… Meu pai Geraldo, figura proeminente do cenário político de São Vicente, cortou o clima perguntando como eu havia contraído. Respondi que havia sido através de sexo sem camisinha, que não curtia drogas injetáveis. Quem diria que meu pai, com o qual sempre tive sérias diferenças políticas e íntimas, seria o primeiro estímulo para continuar em frente? Prático e sempre presente nas situações difíceis, ele determinou:

– Agora é ver o que se pode fazer e olhar para frente.

Mas minha atenção ainda estava naquela pequena grande guerreira que sabia que teria um verdadeiro desafio pela frente. Já não foi fácil aceitar a homossexualidade do filho, agora o HIV. Meu irmão a todo instante intervinha como meu fiel parceiro, tentando amenizar a situação, enquanto aquela lágrima ainda rolava dentro de mim, corroendo todos os meus órgãos, ossos, veias, com um poder de destruição maior do que o do HIV. Eu sabia que a brincadeira estava apenas começando, muita coisa ainda iria acontecer no pega pega entre a Morte e a Vida. A Morte e Vida Posithiva.

*Beto Volpe/Realejo Livros