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Ederson dos Santos leva o samba da laje para Santos e Guarujá semanalmente

Por André Azenha

“Eê vida boa, vida boa é na comunidade, êê vida boa, vida boa é na comunidade”. O refrão que tem ganhado as rodas e casas de samba do Rio de Janeiro pertence à música “Comunidade” (https://www.youtube.com/watch?v=A5oWDJV8V3M), gravada em abril no último álbum de Ito Melodia, cantor da escola de samba União da Ilha do Governador e ganhador do prêmio Estandarte de Ouro, pelo voto popular, como melhor intérprete do carnaval carioca. Os compositores da canção são Kiki Marcellos, Fábio Alemão e o santista Ederson dos Santos.

Essa é uma entre outras composições – individuais ou em parceria – de Ederson que têm ganhado a voz de grandes nomes do samba como Fundo de Quintal, Mario Sérgio e até presença na televisão, a exemplo do Esquenta, da Rede Globo, que executava a faixa “Xô, Preconceito” (https://www.youtube.com/watch?v=SnRu451xo8g). Aos 35 anos, o compositor, cantor e músico nascido no Jardim Piratininga é um dos sambistas da Baixada Santista mais requisitados nacionalmente.

No currículo, possui o CD “Meu Samba Vai te Conquistar”, de 2012, completamente autoral em suas doze músicas, e o DVD “Pagode Puro” (2016). Ambos elogiados por público, crítica e colegas de profissão. Semanalmente, pode ser visto às quintas-feiras, no distrito Vicente de Carvalho, no Guarujá, quando se apresenta no Guetto’s, às 20h (R$ 10 para homens e R$ 5 para mulheres) e, às sextas, 21h, no Maria Chuteira (R$ 15), em Santos. Nesses dois dias, centenas de pessoas se reúnem para ouvir Ederson, acompanhado de sua banda, apresentando as próprias composições e alguns clássicos do gênero musical.

 

Sueca Ellen Tejle vem a Santos partilhar sobre igualdade de gênero no audiovisual

Por Ivan De Stefano

O Coletivo Vermelha e o Instituto Querô, em parceria com as Mulheres do Audiovisual BRASIL realizam na quinta-feira (06/04), uma palestra com a sueca Ellen Tejle sobre igualdade de gênero no audiovisual, racismo e sexismo. Ellen estará no Seminário Internacional sobre a Representatividade da Mulher no Audiovisual (dia 30 de março no Rio de Janeiro) e em seguida dá continuidade ao debate em Santos, em um bate-papo aberto ao público, na Universidade Monte Serrat – Unimonte, das 19h às 21 horas.

Essa é a segunda vez que Ellen vem ao Brasil para compartilhar sua experiência na luta pela igualdade de gênero no audiovisual e como a Suécia diminuiu a desigualdade, conseguindo com que 50% dos filmes financiados pelo Swedish Film Institute fossem dirigidos por mulheres.

Ellen Tejle é programadora e diretora da sala Bio Rio, em Estocolmo. É também promotora do selo Bechdel, que mede a presença feminina nos filmes, além de criadora da campanha A-rating, que classifica filmes de acordo com a representatividade feminina de seu conteúdo. A palestra será feita em inglês com tradução consecutiva para o português. O evento também tem apoio da Unimonte e Prefeitura de Santos.

Números da desigualdade

Em 2015, somente 38% dos filmes suecos foram dirigidos por mulheres. No Brasil, segundo dados da Ancine, somente 19% das obras registradas em 2015 foram dirigidas por mulheres. Tratando-se de igualdade racial, o estudo da University of Southern Califórnia, analisou os filmes mais populares de Holywood entre 2007 e 2014 e menos de 15 (0,004% especificamente) foram dirigidos por diretores negros.

No Brasil, segundo estudos do GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa da UERJ), somente 3% dos diretores dos filmes de maior bilheteria da última década são negros, sendo que não há mulheres negras nesses 3%. O que isso representa? Qual o impacto disso na representação das mulheres no audiovisual? Como a Suécia diminuiu essa desigualdade, conseguindo que 50% dos filmes financiados pelo Swedish Film Institute sejam dirigidos por mulheres? O que mais há para conquistar? Tudo isso será debatido no bate-papo com Ellen Tejle.

Eikones Escritório de Arte recebe exposição ‘Cidades Abertas’ a partir do dia 29

Por Jadir Battaglia

O Eikones Escritório de Arte recebe a exposição ‘Cidades Abertas’, de João Cesar de Melo, no próximo dia 29, às 19h, na sede (R. Marquês de Olinda, 23/Santos). A mostra segue até 16 de dezembro, no mesmo local, aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h.

O mineiro criado no Rio e Belo Horizonte estabeleceu o seu ateliê em Santos por sua mobilidade urbana e seus navios. Embora o artista resida na cidade há oito anos, a maior parte de seu trabalho é comercializada para outras cidades e estados. Essa exposição acontece justamente para apresentar o seu trabalho para os santistas, com uma redução de até 50% do valor original. A mostra conta com 20 obras entre pinturas e desenhos de diversas dimensões, com preços variando entre R$ 400 e R$ 3500.

A influência da plástica urbana nos desenhos e pinturas do artista é evidência de sua formação como arquiteto e urbanista. Em seus acrílicos sobre tela, mantém a disciplina típica dos arquitetos ao delinear formas precisas, arestas e longas linhas que se perdem em conjuntos que acabam se tornando orgânicos, por mais retas que a maioria das linhas possam ser. Eis a sua intenção: mostrar que a cidade, apesar de ser construída de aço e concreto, é um organismo tal qual qualquer outro, em todos os seus dramas.

O espectador irá perceber a rigidez dos traços, a relação entre cheios e vazios, os diálogos entre pequenos e grandes elementos e principalmente as conexões e os apoios sempre inesperados. São exercícios estruturais, como o artista sempre faz questão de dizer. João César de Melo já realizou diversas exposições individuais e participou de coletivas no Brasil e Europa, tendo executado murais em universidades pelo país. Suas pinturas já ilustraram matérias em revistas de arquitetura, eventos de moda como o Fashion Rio e até cenários de uma novela da Rede Globo.

 

No Brasil, pesquisas abordam baixa representatividade de negros nas artes e entretenimento

Por Lincoln Spada

No Brasil, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) sempre vale à uma reflexão da população sobre as formas de desigualdade racial ainda presentes na sociedade. Em um país escravocrata até menos de 130 anos, é comum ainda observar que os negros tenham pouco espaço para apresentar suas narrativas, trajetórias e identidades culturais no universo das artes e do entretenimento.

Se despontam eventualmente negros no mainstream musical, além de toda a contribuição da cultura negra nos ritmos que movem o país, faltam indicadores no segmento e também nas artes cênicas sobre a questão racial. No teatro, o máximo encontrado foi o recente repúdio de artistas à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, que ao divulgar em maio a curadoria do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH), não continha sequer um ator negro no elenco das 25 apresentações anunciadas.

Televisão

Ainda em 2001, no livro ‘A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira‘, o cineasta e roteirista Joel Zito Araújo aborda que, na constatação de sociólogos e acadêmicos, a falta de representatividade do negro na TV, maior veículo de comunicação de massa do país, “influencia ativamente na constituição da identidade desta população e na forma como ela é vista pelos demais”.

Assim, pelos entrevistados da pesquisa, a teledramaturgia nacional em relação aos negros observa: o reforço de estereótipos negativos; a cultura negra enquanto folclore, e não como parte da cultura popular e do imaginário brasileiro; o negro como elemento de diversão para os brancos; além do noticiário reforçar o negro como pobre e favelado.

“Ao persistir retratando o negro como subalterno, a telenovela traz, para o mundo da ficção, um aspecto da realidade da situação social da pessoa negra, mas também revela um imaginário, um universo simbólico que não modernizou as relações interétnicas na nossa sociedade”, avaliou a antropóloga da USP, Solange Martins Couceiro de Lima na revista universitária em 2001.

Segundo o economista da USP, o professor Hélio Santos, a TV da Dinamarca e da Europa em geral têm mais negros que a do Brasil. E de acordo com Paulo Rogério Nenes, o publicitário e diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, em 2007, pesquisas “mostram que as televisões têm apenas 5,5% de apresentadores e profissionais que aparecem no vídeo que são negros”. Até em TVs públicas, foi constatado que 9,4% dos apresentadores e 6,7% dos jornalistas são negros ou indígenas, em levantamento no mesmo ano organizado por Joel Zito, em relação às TV Cultura, TVE e TV Nacional.

Cinema

Em 2014, ganhou destaque a pesquisa ‘A Cara do Cinema Nacional‘, conduzida pela UERJ. A análise dos lançamentos brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012 concluiu que o cinema nacional tem cor e gênero: é branco e masculino. Com dados da Ancine e critérios do IBGE, apenas 31% dos filmes avaliados tinham atores negros (quase sempre em estereótipos de pobreza ou criminalidade).

Ao todo, 59% dos atores são homens (destes, 14% são negros). As mulheres são 41% (4% são negras). No caso da direção, 84% dos filmes foram dirigidos por homens brancos; 13% por mulheres brancas; 2% por homens negros. Nenhum dos filmes foi dirigido por uma mulher negra. Entre os roteiristas a diferença permanece: 74% deles são homens; destes, 4% são negros. Entre o restante, de mulheres roteiristas, não há sequer uma negra.

“Os dados notabilizam o problema da questão racial no país. Se as mulheres brancas encontram participação desigual em relação à predominância dos homens de cor branca, os negros e as negras são ainda mais atingidos por esse contexto assimétrico”, comenta uma das responsáveis pela pesquisa, a mestre em ciência política, Marcia Rangel Cândido.

Literatura

No universo literário, a acadêmica Regina Dalcastagnè, da UnB, lançou a pesquisa ‘Literatura Brasileira Contemporânea — Um Território Contestado’ sobre 258 romances publicados entre 1990 e 2004 pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco. A pesquisa revelou que os autores, na maioria, são brancos (93,9%), homens (72,7%), moram no Rio de Janeiro e em São Paulo (47,3% e 21,2%, respectivamente).

O perfil médio dos escritores se assemelha à representação dos personagens nos romances brasileiros contemporâneos. Eles são, em sua maioria, homens (62,1%) e heterossexuais (81%). A assimetria prossegue no que diz respeito à cor. Os personagens negros são 7,9% e têm pouca voz: são apenas 5,8% dos protagonistas e 2,7% dos narradores.

No levantamento, os negros são retratados geralmente como bandidos ou contraventores (20,4%), empregados(as) domésticos(as) (12,2%) ou escravos (9,2%). A violência contra negros também está nas páginas das publicações. Enquanto a maioria dos brancos morre, na ficção, por acidente ou doença (60,7%), os negros são geralmente vítimas de assassinato (61,1%).

Cinema na Concha Acústica recebe filmes sobre ilhas de SP e do Rio dia 7

Ao se tornar novamente um cinema a céu aberto, a Concha Acústica de Santos terá a exibição de dois filmes sobre ilhas da costa de São Paulo e do Rio de Janeiro. O equipamento público, localizado na orla do Canal 3, receberá uma sessão audiovisual ambiental que estimula a preservação da vida marinha na sexta-feira (7), às 19 horas.

Trata-se do 3º CineMantas – Cinema a céu aberto do Projeto Mantas do Brasil, que é patrocinado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do Porto de Santos. A entrada é gratuita e a classificação livre para todas as idades.

Será exibido o documentário “Alcatrazes”, sobre o arquipélago localizado no Litoral Norte de São Paulo e que se tornou recentemente um Refúgio da Vida Silvestre (REVIS). Haverá, também, a projeção do filme “Ilhas Cagarras – Monumento Carioca”, sobre a primeira unidade de conservação do Rio de Janeiro, localizado na Praia de Ipanema.

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O Projeto Mantas do Brasil, idealizador do CineMantas, é pioneiro na América Latina. Os pesquisadores e cientistas atuam em toda a costa brasileira estudando a raia manta gigante (Manta birostris), que pode atingir 8 metros de envergadura e pesar 2 toneladas. O animal corre o risco de extinção e ocorre na Laje de Santos, 42 quilômetros da costa.

Após a exibição do filme, haverá um bate-papo com os pesquisadores do Projeto: o objetivo é discutir sobre a preservação do ambiente marinho e o desenvolvimento sustentável. Além disso, a equipe também vai compartilhar informações inéditas a respeito da temporada 2016 de raias mantas no litoral brasileiro.

O evento é gratuito, aberto ao público e não possui restrição etária. A organização pede que os interessados cheguem com 15 minutos de antecedência, uma vez que os lugares no equipamento são limitados. A realização CineMantas fica condicionada às condições climáticas favoráveis para o evento.

Primeiras sessões

No último ano, a Concha Acústica recebeu os dois primeiros CineMantas. O equipamento teve lotação máxima. Foram apresentados os filmes produzidos pelos projetos Albatroz e Pescador Amigo e pelo Instituto Laje Viva (ILV). Todas as iniciativas visam à conservação da vida no mar, por meio de ações de pesquisa, estudo, conscientização e educação ambiental em todo o País.

*José Claudio Pimentel

CineMantas acontece no próximo dia 2 na Concha Acústica

Ao se tornar novamente um cinema a céu aberto, a Concha Acústica de Santos receberá dois filmes sobre ilhas da costa de São Paulo e do Rio de Janeiro. O equipamento público, localizado na orla do Canal 3, receberá uma sessão audiovisual ambiental que estimula a preservação da vida marinha, na sexta-feira (02), às 19 horas.

Trata-se da terceira edição do CineMantas – Cinema a céu aberto do Projeto Mantas do Brasil, que é patrocinado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do Porto de Santos. A entrada é gratuita e a classificação livre para todas as idades.

Será exibido o documentário “Alcatrazes”, sobre o arquipélago localizado no Litoral Norte de São Paulo e que se tornou recentemente um Refúgio da Vida Silvestre (REVIS). Haverá, também, a projeção do filme “Ilhas Cagarras – Monumento Carioca”, sobre a primeira unidade de conservação do Rio de Janeiro, localizado na Praia de Ipanema.

O Projeto Mantas do Brasil, idealizador do CineMantas, é pioneiro na América Latina. Os pesquisadores e cientistas atuam em toda a costa brasileira estudando a raia manta gigante (Manta birostris), que pode atingir 8 metros de envergadura e pesar 2 toneladas. O animal corre o risco de extinção e ocorre na Laje de Santos, 42 quilômetros da costa.

Após a exibição dos filmes, haverá um bate-papo com os pesquisadores do Projeto: o objetivo é discutir sobre a preservação do ambiente marinho e o desenvolvimento sustentável. Além disso, a equipe também vai compartilhar informações inéditas a respeito da temporada 2016 de raias mantas no litoral brasileiro.

*José Claudio Pimentel

 

Gilberto Vieira: ‘A Bela Labe é onde temos um laboratório de dados da comunidade no Rio’

Um espaço em plena região em situação de vulnerabilidade com objetivo de experimentar as diferentes expressões e culturas do povo, este é o objetivo do Bela Labe, no Galpão Bela Maré apresentado por Gilberto Vieira. O seu depoimento aconteceu em junho, no Museu Pelé (Santos), durante o LAB.IRINTO, encontro internacional sobre de laboratórios de cultura livre e iniciativas cidadãs realizada pelo Instituto Procomum.

Gilberto Vieira é produtor cultural independente. Gestor de projetos no Observatório de Favelas e no Olabi Makerspace, coordena e articula programas socioculturais com jovens de territórios populares. Mestre em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense (2015), estuda os mecanismos da produção cultural no Brasil, unindo política e empoderamento cidadão através de novas tecnologias, ferramentas digitais e criação artística nos processos de produção.

O DataLabe é um laboratório permanente de dados na Favela, composto por jovens oriundos de territórios populares que trabalham assimilando, produzindo e difundindo novas visões de mundo. O laboratório está focado em criar as condições necessárias para o levantamento, cruzamento e visualização de dados referentes à juventude periférica do Brasil. O projeto é assinado pelo Observatório de Favelas, Escola de Dados e Coding Rights e acontece no Bela Labe – o espaço de experimentações tecnológicas do Galpão Bela Maré.

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Relato de Gilberto Vieira

O Bela Labe é um espaço recém-nascido, hospedado num galpão do Complexo da Maré. Trata-se de uma experiência recente, de julho de 2015, em que começamos a inventar uma narrativa de mexer nas apropriações tecnológicas, no reuso de material e de realizar atividades na favela. Juntamos dez jovens de territórios populares da cidade e criamos uma residência tecnológica, com novas funções e debates sobre o tema. A partir desses debates, criamos uma sala, um espaço de experimentações estéticas, onde fazemos encontros e oficinas, usando desde bicicletas a caixas de sons, de Internet a fabricação de novos móveis, entre outras ferramentas.

Um ponto interessante da nossa pesquisa foi um banco de dados, em que por meio de um mapa virtual, estamos cada vez mais instigados a saber como lidar e construir narrativas a partir da comunidade, experiências tão poderosas que ocorrem na favela. Então por meio do Bela Labe, é possível ter um laboratório (DataLabe) de visualizações de dados, sobre gênero, raça entre outros índices da comunidade em que vivemos.

*Lincoln Spada