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Ícone de shows e vinis, falece o DJ e dono do Disqueria Wagner Parra

Um dos pioneiros na arte de discotecar em festas universitárias em Santos nos anos 70, um grande produtor cultural de shows e teatros nos anos 80, e mais recentemente um ícone da resistência na difusão de vinis com a Disqueria e para reabertura do Torto MPBar, o brilhante amigo Wagner Parra faleceu nas primeiras horas desta quarta-feira (dia 11). De acordo com o site de A Tribuna, ele foi levado às pressas ao hospital após passar mal no projeto Vitrolada do Torto MPBar, falecendo de parada cardíaca.

03Wagner Parra nasceu em 12 de novembro de 1962. O artista-ativista era um agregador nato, colecionando muitas iniciativas bem-sucedidas em sua carreira. Tinha uma memória enciclopédica e confessava escutar as mais diferentes canções diariamente, desde o momento que acordava até dormir. Uma fatia da memória musical de Santos parte junto de Parra.

Tudo começou no final dos anos 70, ingressou na Faculdade de Comunicação da Universidade Católica de Santos, quando começou a organizar festas universitárias e, consecutivamente, elaborar o seu acervo de discos, como também se envolver no movimento de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT).

A sua performance como produtor

02No início dos anos 80, produziu profissionalmente seu primeiro evento, por meio Fiasco Produções, com o espetáculo “Maria, Maria” do grupo Corpo, de Belo Horizonte. Na Baixada Santista, foi responsável pela mesma década em trazer o primeiro show dos Titãs em Santos. Ainda trouxe ao município as apresentações de Jimmy Cliff, Paralamas do Sucesso, Ritchie, e de artistas da Lira Paulistana, como Itamar Assunção e Língua de Trapo.

Com a Fiasco, levou também para a Região outros espetáculos de música, teatro, balé dança e promovia eventos com Maurice Legeard. Produzindo o Teatro Mambembe, ainda foi responsável por agitar as noites de São Paulo. Ao mesmo tempo, em 1984, também trabalhou profissionalmente em discotecas. A oportunidade foi no Café del Rei com Johny Hansn, na rua Epitácio Pessoa. Além disso, tornou-se ícone ao tocar a loja de discos e vinis, Disqueria, que funciona há mais de 30 anos em Santos.

Da Jamaica e de Cuba para o Brasil

04Por meio do trabalho, viajou para a Jamaica e Cuba, recebendo por meio do Fidel Castro centenas de LPs. Noutro país, conheceu o reggae aderindo ao ritmo latino em seus eventos junto do soul, samba rock e música black. Após essas viagens, discotecou com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque além de ser responsável pela sonoplastia de espetáculos de Suzana Vieira, Paulo Betti e Sérgio Mamberti.

Atualmente, trabalhava junto do projeto musical Futuráfrica, da iniciativa Combo Cultural no Cassino Lounge Bar e era DJ residente do Torto MPBar, onde lançou o evento semanal Vitrolada, em que convidava personalidades e artistas de Santos como DJs acidentais por uma noite. Uma entrevista na íntegra sobre Wagner Parra foi feita pelo jornalista André Azenha no site CulturalMente Santista (acesse aqui).

Homenagem: a sua setlist

Gostaria de fazê-lo uma singela homenagem. Repassar o que já lhe encantara os ouvidos: o seu amor à música. De relembrarmos a trilha sonora de seus dias, que ele vivia a compartilhar nas redes sociais para alcançar todos os amigos, convidando às suas noites no Vitrolada. Como de costume, ontem ele se dedicou a publicar a setlist abaixo.

*Lincoln Spada

 

Cartunista DaCosta lança campanha para publicar livro

O cartunista, ilustrador e professor Osvaldo DaCosta é um colecionador de prêmios. No último dia 31 de janeiro, ele recebeu mais uma honra, o Troféu Ângelo Agostini, como melhor cartunista de São Paulo em 2014. O prêmio foi concedido pela Associação de Quadrinhistas e Cartunistas do Estado e entregue no Memorial da América Latina.

Embora tenha vencido salões de humor dentro e fora do país, DaCosta nunca publicou um livro. Aos 58 anos, ele iniciou uma campanha de financiamento coletivo (crowdfunding) para publicar “O berro da Ovelha Negra” (Ateliê de Palavras). Conheça a campanha aqui.  

A obra é fruto da dissertação de Mestrado em Comunicação pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul e conta a trajetória do jornal Ovelha Negra, publicado em São Paulo na metade da década de 70. O livro é o resultado de cinco anos de pesquisas sobre o assunto.

O Ovelha Negra foi uma publicação de resistência à ditadura militar e que privilegiava o trabalho de cartunistas e ilustradores. Ícone da imprensa nanica e alvo da censura, o jornal deixou de existir após oito edições.

O Ovelha Negra abordava diversas temáticas, como economia, política e crítica social. O jornal publicou cartunistas como Paulo Caruso, Nani, Reinaldo (Casseta & Planeta), entre outros nomes. A primeira edição saiu com cem cartuns.

Segundo DaCosta, o Ovelha Negra seguiu na esteira do Pasquim, editado no Rio de Janeiro. Mas, diferentemente dele, o Ovelha Negra focava o desenho de humor, o que foi considerado uma inovação para o período.

Recompensas – A campanha de financiamento coletivo tem como meta arrecadar R$ 9500, que custeará todo o processo de produção e lançamento do livro. Ainda restam 33 dias. As recompensas incluem, além do livro do cartunista, outras obras literárias, pôster, camisetas promocionais e uma xilogravura.

O autor:

DaCosta tem mais de 30 anos de carreira. Atuou em agências de publicidade em São Paulo, além de passar pelos principais jornais da Capital, como Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde. Publicou também em revistas da Editora Abril. Ziraldo escreveu, no extinto Pasquim 21, que DaCosta era “o último desenhista de humor” do Brasil.

Radicado em Santos há mais de uma década, DaCosta venceu duas vezes o Salão de Humor de Piracicaba. Ele foi premiado também por duas vezes no PortoCartoon, em Portugal, além de salões na Espanha e no Irã.

Atualmente, DaCosta dá aulas na Universidade Santa Cecília (UNISANTA) e na Escola Oficina, ambas em Santos. Ele é um dos organizadores do Sketchcrawl Santos, maratona bimestral de desenhos que acontece na cidade desde 2009.

*Marcus Vinicius Batista

Ingressos para o Desfile das Escolas de Samba estão esgotados

Estão esgotados os ingressos para o Desfile Oficial das Escolas de Samba, que ocorre sábado (14), domingo (15) e segunda-feira (16), na Passarela do Samba Dráusio da Cruz, na Zona Noroeste. As vendas foram feitas em dois postos fixos: Teatro Municipal Braz Cubas e a Administração Regional da Zona Noroeste, e no site http://www.ingressorapido.com.br.

No sábado, o sambódromo recebe os desfiles das duas pleiteantes e das cinco agremiações do Grupo de Acesso. Já no domingo e segunda-feira, entram na avenida as dez agremiações do Grupo Especial.

A Passarela do Samba Dráusio da Cruz (Av. Afonso Schmidt, s/nº, Areia Branca) tem capacidade para receber público diário de 10.500 pessoas, distribuído em sete arquibancadas no estilo Fórmula 1 (assentos com 80 centímetros de largura), frisas (espaço para mesas), camarotes e área de imprensa.

Sesc terá noite de música e dança com espetáculo ‘Nosso Flamenco’

O espetáculo “Nosso Flamenco” chega ao Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136), em sessão gratuita na próxima quinta-feira (12), às 20 horas, com o propósito de apresentar para público, em um único show, a fusão cultural entre Brasil e Espanha. Música, cantos e peculiaridades de ambos os países serão apresentados com fortes influências dos principais nomes do Flamenco.

A inusitada mistura entre culturas e expressões artísticas tão distintas surpreende quem assiste com cenas que usam músicas de grandes nomes da MPB e Bossa Nova com a clássica dança espanhola. A apresentação conta com sete bailarinos, além, de Edu Guimarães (sanfoneiro), Guga Costa (cantor), Fernando de Marília (violonista e cantor) e Alessandro Reiner (percussionista).

Com direção de Guga Costa, Hellen Audrey e Mariana Abreu a apresentação une o flamenco, a dança contemporânea e a música popular brasileira tendo com base nomes, como: Vinícius de Moraes, Baden Powell, Tom Jobim, Cartola e Sivuca.

A montagem é uma parceria entre a Cia Soniquete de Arte Flamenca e do Núcleo Artístico Confraria dos Ventos e tem apoio do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC).

*Sesc Santos

Casa da Cultura Afro-Brasileira alcança mais de 300 visitas

Reinaugurada no último dia 24, a Casa da Cultura Afro-Brasileira já recebeu nos dias seguintes mais de 300 pessoas. Atualmente, o espaço oferece além do acervo permanente de esculturas de Geraldo Albertini, a exposição de artistas vicentinos ‘Africanidades’ e de itens referentes às religiões de matrizes africanas. A visitação é gratuita e pode ser feita de terça a domingo, das 10 às 17 horas. A casa está no Parque Ecológico Voturuá (Rua Dona Anita Costa, s/nº, Voturuá).

Casa da Cultura Afro 2

Eventos culturais de São Vicente possibilita parcerias internacionais

A relevância da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente 2015 – O Musical e o 2º FITI – Festival Internacional de Teatral Infantil fez surgir várias possibilidades de iniciativas de intercâmbio cultural entre São Vicente e México, Suíça, Espanha e Portugal. O primeiro acerto é a ida de dois bonecos gigantes da encenação vicentina para acervos do Topic – Centro Internacional de Títeres em Tolosa (Espanha) e do Museu da Marioneta de Lisboa (Portugal).

“Essas possibilidades permitem criar conexões entre produtores e artistas locais e de vários países, proporciona a circulação de obras, e enriquece a formação de quem vem e de quem está em São Vicente”, argumenta o secretário municipal da Cultura, Amauri Alves. “Principalmente, promove a cultura da paz, pois quanto mais conhecemos e nos identificamos com pessoas de outros países, mais rejeitamos o preconceito, a violência e buscamos soluções conjuntas”.

Durante o FITI, o Topic ofereceu residência artística para que algum grupo de teatro de bonecos vicentino encaminhe projeto e, se aprovado, tenha alojamento garantido para ensaios e pesquisas na Espanha. Além disso, a entidade deseja para 2016 hospedar um grafiteiro da Cidade para um festival em Tolosa, e quer receber material de um Grupo Coral de São Vicente para possível seleção e participação no tradicional Concurso de Coros de Tolosa, um dos mais importantes da Europa.Foto - FITI - Teatro Dom Roberto

Por sua vez, o Museu da Marioneta cedeu um documentário do popular Teatro Dom Roberto para a Prefeitura para exibições no Auditório das Oficinas Culturais, Cine 3D e na TV Primeira. Tanto o Museu, quanto o Topic devem colaborar para o festival vicentino de 2016 indicando espetáculos estrangeiros. O Sesc Brasil também iniciou o diálogo com a Secult para uma possível parceria durante a próxima edição do FITI.

São Vicente e Zacatecas

Já a Universidade Autônoma de Zacatecas (UAZ) pretende firmar um termo de cooperação mútua com a Casa Crescer e Brilhar de São Vicente, com objetivo de circulação de pesquisas, por manter ações para população em situação de vulnerabilidade. O próprio reitor da UAZ, Armando Silva Chairez, planeja visitar o município neste semestre para acertar outros convênios de intercâmbio com as instituições de ensino superior da Baixada Santista.Foto - Encenação 2015 - 3

Por sua vez, cinco atores da Encenação vicentina participarão da Encenação Las Morismas de Bracho, que acontece na cidade de Zacatecas e que contarão com estada garantida pelo governo mexicano. A viagem está programada para a segunda quinzena de agosto.

Oportunidades de intercâmbio

Ainda há a possibilidade do diretor do Balé Afro de São Vicente, Nilton Santos, ministrar oficinas de dança na Espanha e na Suíça. Outro desdobramento foi que uma integrante do elenco da Encenação conseguiu apoio de hospedagem e alimentação para o Mov’in Force, ao saber de que o grupo se classificou para o Mundial de Hip Hop nos Estados Unidos.

Vias Vivas atravessa fronteiras

A exposição Vias Vivas – Lixo que Vira Arte apresentada durante a Encenação 2015 será mostrada em Santos e um grupo de grafiteiros de São Vicente será convidado para um evento de grafite que acontecerá na cidade de Matias Barbosa, em Minas Gerais.

Opinião: Uma Casa Rosada ociosa para a cultura

A falta de teatros públicos vive a pautar reuniões da Secretaria da Cultura com a classe artística em Santos e Região. Nesta cidade, o Teatro Braz Cubas e o Rosinha Mastrângelo estão em reforma. A situação se repete no municipal de São Vicente e do Procópio Ferreira em Guarujá. Sim, há locais públicos como o Guarany, o Coliseu e a Vila do Teatro em Santos, o Palácio das Artes em Praia Grande, entre outros no litoral sul.

Mas restam as casas privadas, como o Teatro do Kaos em Cubatão, a Cia Arueiras em Praia Grande, o Tescom em Santos para suprir a demanda das companhias locais. No entanto, o Prédio de Prevenção ou Casa Rosada (Al. Dr. Adriano Neiva da mota e Silva, 45/Santos) que já abrigou raros espetáculos em 2014 continua ociosa sem programação cultural.

A Casa Rosada foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), em 2003, junto a outras edificações remanescentes do sistema coletor de esgoto sanitário idealizado pelo engenheiro Francisco Saturnino Rodrigues de Brito e construído em torno de 1912.

Em 2012, a Sabesp concluiu e entregou o projeto de restauração de importantes equipamentos centenários, entre estações de bombeamento de esgoto e o Prédio de Prevenção, que além de abrigar antigas oficinas para manutenção de peças, leva tal nome, pois contava com geradores de energia para prevenir que o sistema de esgotamento da época parasse de funcionar caso houvesse interrupções no fornecimento de energia elétrica.

01Nos últimos dois anos, chegou a ser palco eventual da Cia Arueiras do Brasil e do grupo paulistano Os Fofos Encenam. Estes se apresentaram durante o 3º Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos no último setembro, junto de outras duas companhias estrangeiras que teriam montado peças ali. “Foram ótimas as apresentações e lotadas lá”, comenta o diretor e dramaturgo Newton Moreno. “É fundamental promover espaços alternativos como este, que podem abrigar outras configurações de cenário e relação palco-plateia. Além de revelar ao público espaços esquecidos historicamente, o festival faz com que a Cidade reencontre a sua história”.

A atriz Carol Badra também se entusiasmou com as estruturas da casa. “Adorei fazer ‘Terra Santa’ na Casa Rosada, porque é um espaço amplo que possibilitou a adequação perfeita que precisávamos. E a atmosfera, o prédio, remeteu-me para um outro tempo, abriu um canal diferente. Foi extremamente inspirador para realizarmos nossa peça”. A artista complementa: “Gostei muito do local que tivemos como camarim e para aquecimento, uma sala com tábua de madeira, bem ampla e fresca. Tranquila. Espero que a casa possa abrigar mais teatro, mais cultura, porque capacidade para isso, acho que ela tem”.

Já o iluminador da companhia, Eduardo Reyes, destacou que necessita de parte técnica específica para teatro: “O espaço poderia comportar qualquer atividade teatral, cinema, exposições etc, mas para isso, é necessário estrutura-lo adequadamente para cada função”.

De fato, o prédio é bem localizado na região da orla, próximo do Orquidário Municipal, principal ponto turístico da Cidade, e do Parque Roberto Mário Santini (Emissário Submarino), criando-se um eixo para boa frequência de público no bairro. Noutra gestão, a Secult tentou uma parceria com a Sabesp para a instalação de atividades artísticas, mas não houve avanços. A Sabesp não respondeu a solicitação até a publicação do texto. Enfim, mantém-se aberto o local para futuras intervenções cênicas.

*Lincoln Spada