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‘O Grande Mestre’ e ‘Vestido pra casar’ nos cinemas públicos de Santos

Os cinemas públicos de Santos vão exibir três longas-metragens gratuitos a partir desta quinta-feira. No Cine Arte Posto 4, estará em cartaz ‘O Grande Mestre’. No Cine ZN, o final de semana contará com a comédia ‘Vestida pra Casar’ e, no sábado à noite, ‘A História de Adèle H’ será o filme da Cinemateca de Santos.

Cine Arte Posto 4: O Grande Mestre

02A beleza dos movimentos e a história do kung fu são os pontos marcantes do filme ‘O Grande Mestre’, em cartaz de quinta-feira (4) ao dia 10, no Cine Arte Posto 4 (orla do Gonzaga). Dia 8 (segunda-feira), o local ficará fechado para dedetização. O diretor Wong Kar-Wai passou oito anos estudando a vida de Ip Man, mentor do lutador e ator Bruce Lee, para mostrar como o kung fu se propagou pela China, numa linguagem que agrega ação, aventura e biografia. Sessões: 16h, 18h30 e 21h. Ingressos: R$ 3,00 (inteira). Classificação: 12 anos.

Cine ZN: Vestido pra casar

O Cine ZN, que fica no segundo piso do Centro Cultural da Zona Noroeste (av. Afonso Schmidt s/nº, Areia Branca), abriga a comédia nacional ‘Vestido pra Casar’, cujo papel principal é interpretado por Leandro Hassum. No dia do seu casamento, Fernando começa uma grande confusão quando rasga um vestido de alta costura de uma mulher que está acompanhada pelo amante. As exibições acontecem sábado (6) e domingo (7), às 15h, 17h e 19h. Gratuito.

Cinemateca: A História de Adèle H

Dentro da mostra ‘30 Anos sem Truffaut’, a Cinemateca de Santos (Rua Xavier de Toledo, 42/Santos) apresenta ‘A História de Adèle H’ neste sábado (6), às 20h. O drama revela as consequências do amor obsessivo da filha caçula do escritor francês Victor Hugo pelo tenente Pinson, que mora no Canadá. Entrada franca.

*Prefeitura de Santos

Confira a Mostra Internacional de Cinema de SP no Roxy

Pelo terceiro ano consecutivo o Cine Roxy receberá a itinerância da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em parceria com o Sesc Santos. As sessões ocorrerão de 4 a 7 de dezembro no Roxy 4 do Pátio Iporanga (Avenida Ana Costa, 465/Santos), que já está com as salas completamente digitalizadas e a tecnologia NEC. Comerciários, dependentes e aposentados terão ingresso livre. A meia-entrada custará R$ 6 e, a inteira, R$ 12.

Quinta, 4 de dezembro

19h30 – Duas irmãs uma paixão
Em 1788, numa pequena cidade alemã, a bela Caroline está num casamento infeliz. Charlotte, sua tímida irmã, sonha em encontrar um marido. As duas são as melhores amigas até que Schiller, um badalado poeta chega à cidade. ALE/AUT/SUI, 2014, 133min. Dir: Dominik Graf.

0122h – Acima das nuvens
No auge da carreira, Maria Enders é convidada para atuar numa remontagem de peça que a tornou famosa há 20 anos. Agora, no entanto, ela fará outro papel, o de Helena. Maria viaja com sua assistente para ensaiar em Sils Maria, uma região remota dos Alpes. O papel de Sigrid, que foi seu na primeira versão, é dado a uma jovem estrela em ascensão em Hollywood com uma inclinação para polêmicas. FRA, 2014, 123 min. Dir: Olivier Assayas.

Sexta, 5 de dezembro

18h30 – O Pequeno Quinquin
O capitão de polícia Van der Weyden e seu parceiro Carpentier investigam a descoberta de uma vaca morta preenchida com restos humanos dentro de um galpão alemão abandonado após Segunda Guerra. Enquanto buscam respostas, eles são seguidos pelo pequeno Quinquin, um menino que cria confusão por onde passa. FRA, 2014, 200 min. Dir: Bruno Dumont.

0322h – Queen and Country
Nesta sequência do aclamado Esperança e Glória (1987), Bill Rohan agora é um feliz jovem de 18 anos que tem os sonhos inter rompidos pela Guerra da Coreia em 1952. No campo militar ele conhece Percy, que se torna um bom amigo. Os dois logo viram instrutores e conspiram contra um sargento desagradável. Enquanto explora o mundo longe de casa, Bill se apaixona por uma jovem indomável. UK, 2014, 115 min. Dir: John Boorman.

Sábado, 6 de dezembro

17 – O segredo das águas
Na ilha japonesa de Amami-Oshima, as tradições envolvendo a natureza são eternas. Durante uma noite de danças tradicionais em agosto, Kaito, de 16 anos, descobre um cadáver flutuando no mar. Sua namorada Kyoko, tenta ajudá-lo a compreender essa misteriosa descoberta. Juntos, Kaito e Kyoko aprenderão o que é se tornar adulto experimentando as delicadas relações entre a vida, a morte e o amor. JAP, 2014, 119 min. Dir: Naomi Kawase.

19h30 – O Cuco e o Burro
Após a morte de sua mãe. Conrad resolve fazer um filme sobre a relação de seus pais. Ele escreve um roteiro e entra em contato com uma emissora de TV, onde conhece Halmer, um produtor que demonstra entusiasmo pelo projeto. Mas depois de 5 anos de troca de emails, novas versões do roteiro e inúmeras alterações. ALE, 2014, 95 min. Dir: Andreas Arnstedt.

22h – A Gangue
Sergey, um jovem surdo-mudo, começa a estudar num internato especializado que abriga secretamente uma rede de crime e prostituição entre os estudantes. Neste novo ambiente é forçado a aceitar as duras regras da gangue e participa de vários assaltos, o que lhe garante respeito. UKR, 2014, 132 min. Dir: Myroslav Slaboshpytskiy.

Domingo, 7 de dezembro

17h – Tsili
Durante a segunda Guerra Mundial, a jovem judia Tsili se esconde nas florestas de Chernivtsi, na Ucrânia, após toda sua família ser deportada para os campos de concentração. Marek, outro refugiado judeu, a encontra e fala com ela em ídiche. com a dificuldade em interagir após as experiências traumáticas, os dois conseguem se entender até o dia em que Marek vai à vila procurar comida e não volta mais. ISR/ITA/FRA/RUS, 2014, 88 min. Dir: Amos Gitai.

19h30 – Força Maior
Ebba e Tomas decidem passar cinco dias de férias esquiando no Alpes franceses com seus dois filhos. Quando os quatro almoçam num restaurante nas montanhas, uma avalanche se aproxima rapidamente e ameaça soterrar o local. Nenhum deles fica ferido , mas a atitude de Tomas durante o incidente pode causar danos irreparáveis. SUE, 2014, 118 min. Dir: Ruben Ostlund.

0222h – Falando com os Deuses
O longa coletivo explora a relação entre diferentes culturas e religiões. Espiritualidade aborígene, catolicismo, islamismo, judaísmo, budismo e xintoísmo, cristianismo ortodoxo, umbanda, hinduísmo, assim como ateísmo encontram expressão no filme. Com os episódios organizados por Mário Vargas Llosa, o filme apresenta diferentes perspectivas sobre a religiosidade, um fenômeno especificamente humano. Vários, 2014, 135 min. Dir: Álex de La Iglesia, Amos Gital, Bahman Ghobadi, Emir Kusturica, Guillermo Arriaga, Hector Babenco, Mira Nair e Warwick Thornton.

*André Azenha/Cine Roxy

 

Miguel Falabella estrela ‘O que o Mordomo viu’ no Coliseu

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Miguel Falabella dirige, traduz e estrela a comédia criada por Joe Orton ‘O que o Mordomo Viu’ em cartaz em Santos nesta sexta-feira (dia 29, às 21h), sábado (às 19h e 21h30) e domingo (às 18h) no Teatro Coliseu (Rua Amador Bueno, 237/Santos). A co-direção é de Cininha de Paula e o elenco conta com Arlete Salles, Marcello Picchi, Alessandra Verney, Ubiracy Paraná do Brasil e Magno Bandarz. Ingressos de R$ 50 a R$ 150.

‘O que o mordomo viu’ é uma farsa escrita em 1967 pelo inglês Joe Orton, considerado o melhor texto concebido no período mais amadurecido do autor. Orton, que foi assassinado, se fixou como um ícone dos anos 60. O espetáculo, que estreou no Queen´s Theatre em Londres em 1969 e desde então tem sido sucesso absoluto, chega finalmente ao Brasil e promete divertir a plateia, falando de temas atuais como sexualidade, poder, mentiras, traições e corrupção.

A história gira em torno do psiquiatra Dr. Arnaldo (Miguel Falabella) e sua atraente secretaria, Denise Barcca (Alessandra Verney). O espetáculo começa com a secretária sendo examinada pelo doutor, durante uma entrevista de emprego. Como parte da entrevista ele a convence a se despir. A situação vai se tornando mais intensa, à medida que a entrevista avança, até a entrada em cena da Sra. Mirta (Arlete Salles), esposa de Dr. Arnaldo.

Neste momento ele tenta encobrir o que se passava e, sem tempo para pensar, esconde a secretária Denise atrás de uma cortina. A partir daí se desenrola um grande jogo de erros, pois sua esposa também está escondendo algo: a promessa do cargo de secretário a Nico (Magno Bandarz), por quem está sendo chantageada.

Aos poucos vão aparecendo outros personagens, enriquecendo ainda mais a trama. Como se não bastasse a trapalhada instaurada, a clínica de Dr. Arnaldo passa por uma inspeção do governo liderado por Dr. Ranço (Marcello Picchi), revelando então o caos na clínica. Situação essa que além de atrair o Detetive Matos (Ubiracy Paraná do Brasil) para uma investigação, também será usada pelo Dr. Ranço ara desenvolver um novo livro.

O espetáculo de Joe aborda com muito humor, as atitudes sociais em relação à sexualidade, como homens e mulheres se sentem e se comunicam, sobre seu desejo pelo poder e como lidam com esse poder. E tem todos os ingredientes de uma brincadeira muito agradável: manias dos personagens, enredos tortuosos, confusão de identidades, portas batendo, roupas que desaparecem, e, acima de tudo, a sagacidade subversiva de Orton, que foi considerado um dos dramaturgos mais criativos do século 20.

Dany Romano comemora aniversário com CD no Sesc-Santos

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O músico santista Dany Romano que comemorou 43 anos no último sábado vai dar o presente de aniversário ao público com o lançamento do CD ‘Carne, Osso & Coração’, nesta quinta-feira, às 21h30, na Comedoria do Sesc-Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136). Ingressos de R$ 3 a R$ 15. A apresentação faz parte do projeto Santos de Casa.

Quarto álbum do artista, o disco apresenta quinze faixas inéditas, em que se alternam os gêneros que têm marcado a trajetória de 15 anos de carreira do músico: pop folk, rock e rythm’n’blues. O cantor também apresenta canções de seus três álbuns anteriores Desencanado (2006), O Meu Sonho (2008) e Contato (2012), além de releituras de artistas que o influenciam. Além de cantar, Dany Romano toca gaita e violão no show e é acompanhado por Paulo Faria no baixo, Enrico Bagnato na bateria e Marcus Wood na guitarra.

Circuito Brasil FestInFolk nesta semana na Baixada

02O Circuito Brasil FestInFolk, festival internacional do folclore ocorre nesta semana em Santos e Bertioga, com grupos folclóricos da Colômbia, França e Venezuela. A iniciativa da ONG AbrasoFFA percorre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

A presidente da entidade, Helena Lourenço, comenta ao site do G1: “Teremos também o grupo da França, que realiza uma dança inusitada, se apresenta usando pernas de pau com cerca de um metro de altura. E temos também um grupo da Colômbia, que mostra um pouco do folclore tradicional do país”.

Programação

Dia 25/08 (segunda), em Santos
– 18h, Feira de Artensanato na UNIP (Endereço: Av. Francisco Manoel, s/n, Jabaquara, Santos)
– 19h, Abertura Oficial no auditório da UNIP (Endereço: Av. Francisco Manoel, s/n, Jabaquara, Santos)

Dia 26/08 (terça-feira), em Bertioga
– 10h – Apresentação Projeto Escola, na escola José Carlos Buzinaro, em Bertioga (Endereço: Quadra A, 15 Costa Sol)
– 14h e 19h – Apresentação Projeto Escola, em Boraceia, em Bertioga (Endereço: Av Deputado Emílio Justo, s/n)

Dia 27/08 (quarta-feira), em Santos
– 12h – Apresentação dos grupos na Praça Mauá, em Santos
– 13h30 – Projeto Escola, na Escola Edméa, em Santos (Endereço: Rua Bahia, 49)
– 19h – Projeto Escola, na Escola Cidade de Santos (Endereço: Rua Senador Dantas, 410, Santos)

Dia 28/08 (quinta-feira), em Bertioga
– 10h – Projeto Escola, na Escola José Emririo, em Bertioga (Endereço: Rua Aprovada, 154)
– 14h e 19h – Projeto Escola, na Escola Mario Covas, em Bertioga (Endereço: Av São Lourenço, 2160, Riviera)
– 16h – Apresentação no Paço Municipal de Bertioga

Dia 29/08 (sexta-feira), em Bertioga
– 10h, 14h e 19h – Projeto Escola, na Escola Vista Linda, em Bertioga (Endereço: Av. Anchieta, 8619)

Dia 30/08 (sábado), em Santos
– 9h – Desfile na Zona Noroeste
– 14h – Apresentação na Zona Noroeste

Comédia Oficina dos Farrandantes animará as praças de Santos

Rodrigo Alves, Letícia Barbosa, Witany Alexandre, Andressa Amaral, Roberto Gomes e Val Nascimento (1)Atrasada pra festa, sozinha dentro de um carro quebrado e, ainda por cima, vítima de um assalto. O que pode ser muito bem um drama para muita gente se torna em uma verdadeira comédia no espetáculo de rua “Oficina dos Farrandantes”, culminando nos próprios ladrões a consertar o veículo da moça. Esta cena um tanto inusitada e outras mais acontecerão nesta segunda-feira, dia 18, às 16h, na Praça da Capela (Vila Gilda), terça-feira, às 16h, na Praça Guadalajara (Nova Cintra) e quarta-feira, às 16h, na Praça José Bonifácio (Centro Histórico).

O humor permeia toda a montagem, resultado da oficina gratuita de iniciação ao teatro popular realizada pelo Projeto Ciclocênico no Mercado Municipal faz uns três meses com os professores Daniel Valverde, Ernani Sequinel e Fabíola Moraes. Em plena praça pública, os sete alunos-atores se revezarão em cinco cenas, envolvendo a farsa, a comédia dell’arte e o melodrama. Portanto, espere um teatro de rua caricato, exagerado e também inteligente, ingredientes mais que suficientes para arrancar risos dos espectadores.

E nada de cenários ou figurinos. Apenas as máscaras dos teatros clássicos restarão como adereços do elenco de roupas neutras em sua semana de estreia ao ar livre. Portanto, a interpretação é o ponto alto das esquetes, que, aliás, foram criadas pelos próprios atores. “O elenco teve uma evolução muito grande com essa iniciação teatral”, anima-se Platão. “Se antes eram tímidos em encenar na rua, hoje eles apresentam com grande energia e vontade a população”.

Mas certamente o entrosamento deles após tantas semanas também se deve ao fato de que o teatro estimula o protagonismo das pessoas. “As discussões, trocas, o estímulo da sensibilidade e da capacidade crítica, além das buscas coletivas e solitárias que envolvem um processo de criação artística… Todos esses são meios de conquista da autonomia e de mudanças no campo individual e social”, já me disse Platão noutra oportunidade.

Entre os alunos-atores, há uma mesca de adolescentes e idosos de várias cidades da Baixada Santista, como Santos, São Vicente e Mongaguá. A proposta é de que eles permaneçam nas companhias teatrais do Ciclocênico. Em breve, novas turmas de teatro popular serão abertas pelo projeto na futura sede da entidade.

O projeto Ciclocênico é uma parceria dos dois grupos Teatro Wídia e Coisas de Teatro Cia. de Arte. A iniciativa criou o espetáculo “Farrandança”, sucesso de público e crítica na Região e que fará temporada em várias escolas dos municípios de São Paulo neste ano. Essa oficina é uma contrapartida da peça contemplada pelo Facult – Fundo de Apoio à Cultura de Santos.

A estética da arte e loucura no ‘Projeto Bispo’

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São quase nove da noite quando um ator sussurra para o público “Qual a diferença entre vocês e eles?”, apontando com a lanterna a um bando de nus surtando na Casa da Frontaria Azulejada. E é lá, após duas horas com tantos personagens alienados e anônimos da peça ‘Projeto Bispo’, que se percebe que eles são tão humanos quanto eu, você e o artista plástico Arthur Bispo do Rosário.

As situações encenadas por cada um dos dez artistas de O Coletivo retratam partes da genialidade e loucura do falecido Arthur. Genial, pois ele concebeu mais de 900 objetos de arte contemporânea. Louco, porque o acervo foi criado com retalhos e peças descartáveis que achava no antigo Hospital Nacional dos Alienados, no Rio, onde viveu por 50 anos.

O ex-marinheiro e ex-pugilista sergipano perambulava pelas ruas antes de ser internado. É o mesmo caso da personagem conterrânea no teatro, interpretada por Malvina Costa. Hoje e na próxima segunda-feira, na Praça Mauá, às 20 horas, lá estará ela com um alto-falante chamando a todos para o início da sessão.

Dramas de quem vive na rua

Na primeira parte da obra, o público anda lado a lado com ela e outros moradores em situação de rua que surgem em cena. Palavrões e insultos são constantes e improvisados entre eles, mas justamente essa marginalidade faz os papéis serem críveis, humanos.

Destaque para o encontro dos personagens de Rony Magno e Junior Brassalotti na escadaria da Prefeitura. Enquanto o primeiro veste um similar do Manto da Apresentação (principal peça bordada por Bispo) se nomeando Filho do Pai, o outro faz o papel de um Deus irônico, criticando as exclusões sociais geradas por cor, classe econômica e orientação sexual.

Por vezes, algumas situações até geram risos na plateia. Como quando Wendell Medeiros protagoniza o caso de um indigente que dorme na marquise de uma agência bancária, responsabilizando-a pelo seu fracasso financeiro. E não é que essa cena surgiu quando uma mulher em situação de rua contou esse fato para o elenco?

Aliás, os momentos mais fortes estão nos dramas femininos. Seja com a cena de estupro de Juliana Sucila e Rafael de Souza, ou a revolta de uma prostituta, rejeitada pelos clientes por ser travesti, interpretada por Renata Carvalho.

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Cresce a insanidade

No entanto, a insanidade dos personagens cresce dentro do hospital psiquiátrico ambientado na Casa da Frontaria Azulejada. Lá, as falas realmente perdem força para as ações representadas pelo elenco.

A iluminação apenas por lanternas e a trilha sonora de rock até músicas românticas colaboram nas esquetes, apresentando as técnicas de internação, medicação e choques elétricos nos pacientes, tão comum em antigos hospícios do Brasil.

Todos os espaços da casa se tornam em cenário para a loucura, que também corresponde as vontades de Bispo. Por exemplo, quando os personagens de Cícero Santos e Lucas Oliveira brigam sobre cores e Vanúzia Moreira sonha ter uma faixa e uma coroa. É que a cor predileta de Arthur era o azul, e seu maior desejo era casar com Ieda Maria Vargas, a Miss Universo de 1963.

Enfim, sob a direção de Kadu Veríssimo, é nítido o entrosamento de O Coletivo em mostrar o universo marginalizado de um artista plástico ainda não tão conhecido pelo grande público. O que torna o ‘Projeto Bispo’ em um teatro de forte estética e crítica social, e, nós, espectadores, mais humanos.

*Texto publicado originalmente no jornal A Tribuna em 3/dez/13
Fotos de Patrícia Garoni e Rodrigo MMorales