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Comédia Oficina dos Farrandantes animará as praças de Santos

Rodrigo Alves, Letícia Barbosa, Witany Alexandre, Andressa Amaral, Roberto Gomes e Val Nascimento (1)Atrasada pra festa, sozinha dentro de um carro quebrado e, ainda por cima, vítima de um assalto. O que pode ser muito bem um drama para muita gente se torna em uma verdadeira comédia no espetáculo de rua “Oficina dos Farrandantes”, culminando nos próprios ladrões a consertar o veículo da moça. Esta cena um tanto inusitada e outras mais acontecerão nesta segunda-feira, dia 18, às 16h, na Praça da Capela (Vila Gilda), terça-feira, às 16h, na Praça Guadalajara (Nova Cintra) e quarta-feira, às 16h, na Praça José Bonifácio (Centro Histórico).

O humor permeia toda a montagem, resultado da oficina gratuita de iniciação ao teatro popular realizada pelo Projeto Ciclocênico no Mercado Municipal faz uns três meses com os professores Daniel Valverde, Ernani Sequinel e Fabíola Moraes. Em plena praça pública, os sete alunos-atores se revezarão em cinco cenas, envolvendo a farsa, a comédia dell’arte e o melodrama. Portanto, espere um teatro de rua caricato, exagerado e também inteligente, ingredientes mais que suficientes para arrancar risos dos espectadores.

E nada de cenários ou figurinos. Apenas as máscaras dos teatros clássicos restarão como adereços do elenco de roupas neutras em sua semana de estreia ao ar livre. Portanto, a interpretação é o ponto alto das esquetes, que, aliás, foram criadas pelos próprios atores. “O elenco teve uma evolução muito grande com essa iniciação teatral”, anima-se Platão. “Se antes eram tímidos em encenar na rua, hoje eles apresentam com grande energia e vontade a população”.

Mas certamente o entrosamento deles após tantas semanas também se deve ao fato de que o teatro estimula o protagonismo das pessoas. “As discussões, trocas, o estímulo da sensibilidade e da capacidade crítica, além das buscas coletivas e solitárias que envolvem um processo de criação artística… Todos esses são meios de conquista da autonomia e de mudanças no campo individual e social”, já me disse Platão noutra oportunidade.

Entre os alunos-atores, há uma mesca de adolescentes e idosos de várias cidades da Baixada Santista, como Santos, São Vicente e Mongaguá. A proposta é de que eles permaneçam nas companhias teatrais do Ciclocênico. Em breve, novas turmas de teatro popular serão abertas pelo projeto na futura sede da entidade.

O projeto Ciclocênico é uma parceria dos dois grupos Teatro Wídia e Coisas de Teatro Cia. de Arte. A iniciativa criou o espetáculo “Farrandança”, sucesso de público e crítica na Região e que fará temporada em várias escolas dos municípios de São Paulo neste ano. Essa oficina é uma contrapartida da peça contemplada pelo Facult – Fundo de Apoio à Cultura de Santos.

A estética da arte e loucura no ‘Projeto Bispo’

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São quase nove da noite quando um ator sussurra para o público “Qual a diferença entre vocês e eles?”, apontando com a lanterna a um bando de nus surtando na Casa da Frontaria Azulejada. E é lá, após duas horas com tantos personagens alienados e anônimos da peça ‘Projeto Bispo’, que se percebe que eles são tão humanos quanto eu, você e o artista plástico Arthur Bispo do Rosário.

As situações encenadas por cada um dos dez artistas de O Coletivo retratam partes da genialidade e loucura do falecido Arthur. Genial, pois ele concebeu mais de 900 objetos de arte contemporânea. Louco, porque o acervo foi criado com retalhos e peças descartáveis que achava no antigo Hospital Nacional dos Alienados, no Rio, onde viveu por 50 anos.

O ex-marinheiro e ex-pugilista sergipano perambulava pelas ruas antes de ser internado. É o mesmo caso da personagem conterrânea no teatro, interpretada por Malvina Costa. Hoje e na próxima segunda-feira, na Praça Mauá, às 20 horas, lá estará ela com um alto-falante chamando a todos para o início da sessão.

Dramas de quem vive na rua

Na primeira parte da obra, o público anda lado a lado com ela e outros moradores em situação de rua que surgem em cena. Palavrões e insultos são constantes e improvisados entre eles, mas justamente essa marginalidade faz os papéis serem críveis, humanos.

Destaque para o encontro dos personagens de Rony Magno e Junior Brassalotti na escadaria da Prefeitura. Enquanto o primeiro veste um similar do Manto da Apresentação (principal peça bordada por Bispo) se nomeando Filho do Pai, o outro faz o papel de um Deus irônico, criticando as exclusões sociais geradas por cor, classe econômica e orientação sexual.

Por vezes, algumas situações até geram risos na plateia. Como quando Wendell Medeiros protagoniza o caso de um indigente que dorme na marquise de uma agência bancária, responsabilizando-a pelo seu fracasso financeiro. E não é que essa cena surgiu quando uma mulher em situação de rua contou esse fato para o elenco?

Aliás, os momentos mais fortes estão nos dramas femininos. Seja com a cena de estupro de Juliana Sucila e Rafael de Souza, ou a revolta de uma prostituta, rejeitada pelos clientes por ser travesti, interpretada por Renata Carvalho.

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Cresce a insanidade

No entanto, a insanidade dos personagens cresce dentro do hospital psiquiátrico ambientado na Casa da Frontaria Azulejada. Lá, as falas realmente perdem força para as ações representadas pelo elenco.

A iluminação apenas por lanternas e a trilha sonora de rock até músicas românticas colaboram nas esquetes, apresentando as técnicas de internação, medicação e choques elétricos nos pacientes, tão comum em antigos hospícios do Brasil.

Todos os espaços da casa se tornam em cenário para a loucura, que também corresponde as vontades de Bispo. Por exemplo, quando os personagens de Cícero Santos e Lucas Oliveira brigam sobre cores e Vanúzia Moreira sonha ter uma faixa e uma coroa. É que a cor predileta de Arthur era o azul, e seu maior desejo era casar com Ieda Maria Vargas, a Miss Universo de 1963.

Enfim, sob a direção de Kadu Veríssimo, é nítido o entrosamento de O Coletivo em mostrar o universo marginalizado de um artista plástico ainda não tão conhecido pelo grande público. O que torna o ‘Projeto Bispo’ em um teatro de forte estética e crítica social, e, nós, espectadores, mais humanos.

*Texto publicado originalmente no jornal A Tribuna em 3/dez/13
Fotos de Patrícia Garoni e Rodrigo MMorales

Santos e Região, 26 de agosto

ANTÔNIO BARKER E ZÉLI SILVA NO SESC-SANTOS
20h | Sesc-Santos – Rua Cons. Ribas, 136/Santos | Grátis
a1O compositor, arranjador e baixista Zéli Silva junta-se ao pianista Antônio Barker para apresentar um repertório variado de clássicos da MPB, Bossa Nova e Jazz, além de composições autorais. O duo apresenta arranjos próprios para obras de compositores como Moacir Santos, Tom Jobim, Cartola, Chico Buarque, Miles Davis, Duke Ellington e Victor Young.

VITROLADA NO TORTO MPBAR
22h | Torto MPBar – Av. Siqueira Campos, 800/Santos | Até 23h R$ 6, depois R$ 12
DJ Wagner Parra convida como DJ acidental desta noite Alexei Schenin.