Arquivo da tag: secretário

Conheça o perfil dos novos gestores municipais de cultura da Baixada Santista

Por Lincoln Spada

Além dos nove prefeitos da Baixada Santista, as cerimônias também empossaram as novas equipes de governo no último domingo (dia 1º). As mudanças administrativas afetaram os gestores da Cultura de seis municípios, e a crise financeira reduziu ou igualou a maioria dos orçamentos do setor, além de ser justificativa para a pasta ser atrelada a outros segmentos que exigem prioridade igual (Turismo) ou maior (Educação) em relação às demandas.

> Acesse: Promessas dos novos prefeitos para a cultura

Na Baixada Santista, não foram considerados perfis técnicos para a pasta de cultura. Das nove cidades, os três que seguem em seus papéis são ex-vereadores ou candidatos à Câmara. Já onde haverá novos quadros, apenas um já tem trajetória em políticas culturais. Se um gestor de Saúde ou Finanças geralmente é técnico, comandará a Cultura quem teve carreira como empresário ou advogado. Aliás, dos nomes já anunciados, apenas um não tem filiação partidária – é presidente municipal da OAB.

Enquanto o PSDB tem a hegemonia regional (sete prefeitos e uma vice), o campo cultural será conduzido também por PMDB, PPS, PSB e PSD. A transição com novos nomes partidários e de atuação inexpressiva no setor obriga que se reinicie a sensibilização pelas políticas culturais das cidades. E se nos municípios, o segmento tem que dividir a atenção do gestor com outros temas, no plano regional, o Governo Estadual reduziu o investimento, cortando programas formativos (Oficina Cultural Pagu e unidades do Projeto Guri) e verbas de editais para grupos artísticos.

Secretarias exclusivas

Desfeita a hipótese de fusão da pasta da Cultura com Turismo em Santos, Fábio Alexandre Nunes (PSB) se mantém como titular da secretaria. Ex-vereador e ex-secretário de Meio Ambiente, o educador está na função desde 2015. Em sua gestão, o Conselho Municipal de Cultura foi presidido pela sociedade civil, efetivou a Lei do Sistema Municipal de Cultura e levou à Câmara o Plano Decenal de Cultura.

Em São Vicente, a Secult será dirigida por Fabio Lopez (PPS). O advogado não tem experiência na área cultural, mas na vertente política. Mais recentemente, foi secretário de Governo e de Esportes de São Sebastião. Já em Guarujá, o presidente da OAB Guarujá, Paulo Roberto Fiorotto, assume a Secult. A sua breve atuação no setor cultural foi durante enquanto OAB apoiando o Acervo Histórico e Cultural de Guarujá.

Anexo a Turismo ou Educação

Quem se mantém na função de secretário de Cultura e Turismo de Praia Grande é Esmeraldo Vicente dos Santos (PMDB), que está à frente da pasta desde 2015. O administrador de empresas já foi secretário de Administração, de Educação, atuou no gabinete do prefeito, e vice-presidente da Câmara de Vereadores. Em sua gestão, ainda não efetivou as leis que aderem a cidade ao Sistema Nacional de Cultura.

Argumentando sobre a crise econômica, em Cubatão, a pasta da cultura estará sendo atrelada à secretaria da Educação. O titular é Raul Christiano (PSDB), jornalista que já foi professor universitário, pró-reitor comunitário da Unimes e assessor especial do MEC, entre outras funções. Desde 2014, foi secretário de Cultura de Santos e diretor das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo.

Atenção tripla

Em Itanhaém, a situação é semelhante, mas o novo titular não tem experiência na área cultural. O atual vice-prefeito, o advogado Tiago Cervantes (PSD) deixou a presidência da Câmara de Vereadores e assume a secretaria de Educação, Cultura e Esportes. Por sua vez, em Bertioga, pasta da cultura deve continuar junta de outras áreas, na Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura. Ali, o titular é o empresário e jornalista Ney Rocha (PMDB). Em suas entrevistas, atentou-se ao turismo da cidade.

Em Mongaguá, não há secretarias, mas diretorias. No site oficial, mantém-se na função José Ricardo Pettine (PSDB), que dirige a pasta desde 2013. Por sua vez, a nova administração de Peruíbe indicava tornar a diretoria cultural numa secretaria exclusiva, mas nem o site oficial da Prefeitura, nem assessoria do novo prefeito confirmam o nome do cargo.

Secretários de Cultura da região debatem no Sesc Santos nesta quinta

Por André Azenha

Com o objetivo de traçar uma reflexão sobre os últimos quatro anos na cultura da Baixada Santista e um prognóstico para o futuro, o 5º CulturalMente Santista – Fórum Cultural de Santos, evento que integra o calendário oficial do município, promove um debate com os Secretários de Cultura da Região, quinta-feira, 16h, na sala 1 do Sesc Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida). A entrada é franca.

Já estão confirmados os secretários Fabião Nunes (Santos), Amauri Alves (São Vicente) e Wellington Borges (Cubatão), Odair Dias Filho (Guarujá), além do diretor executivo da Agência Metropolitana de Santos, Hélio Hamilton. A mediação será da jornalista Nara Assunção.

 

Revista Relevo entrevista secretário de cultura de Guarujá, Odair Dias Filho

Por Lincoln Spada

Desde que a então secretária de cultura Mariângela Duarte aceitou a candidatura à Assembleia Legislativa de SP, a pasta foi assumida pelo seu adjunto, Odair Dias Filho, em abril de 2014. Aos 40 anos, ele também já presidiu o Film Comission na Cidade, e particia da diretoria do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra.

Assistente social e ex-candidato ao Legislativo pelo PCB, Odair marcou sua gestão com a busca por políticas públicas culturais e a criação de equipamentos e programas descentralizados que ampliassem a viés cidadã da cultura. Em entrevista virtual à Revista Relevo, o atual secretário faz um balanço sobre o mandato durante a gestão da prefeita Maria Antonieta.

As artes urbanas e a cultura negra tiveram relevância na atual gestão da Secult, principalmente com a entrega da Usina de Hip Hop com estúdio municipal. Como se deu a criação deste equipamento e como a Secult observa o panorama deste segmento em Guarujá?

a3A atual gestão da Secretaria de Cultura de Guarujá sempre manteve diálogos constantes com todas as classes artísticas da Cidade, fomentando a Cultura em toda sua plenitude. Em reuniões com o movimento negro e o movimento hip hop, entregamos recentemente a Usina no Hip Hop, em uma área de alta vulnerabilidade social.

O surgimento do equipamento se deu por conta de uma reivindicação e ao mesmo tempo uma necessidade do movimento de expressar sua cultura e sua arte tão importantes nas relações sociais contemporâneas. Diante disso, as intervenções urbanas com ênfase nos quatro elementos do hip hop têm papel relevante na construção de uma sociedade mais justa e na autonomia popular, do jovem negro e da periferia.

O desafio exitoso foi planejar e transformar essas demandas em política pública. Hoje, o equipamento oferece oficinas de Grafite, Aerografia, Dança, Rima, DJ Break Dance, além de um estúdio de gravação próprio. Nos próximos dias, deverá ser publicado um decreto que institui a gestão compartilhada da Usina, com o movimento inclusive na curadoria do estúdio, que em breve será inaugurado.

Após hiato desde 2011, o Teatro Procópio Ferreira foi reaberto há pouco mais de um ano. Neste período, pode-se considerar que o equipamento já retomou as produções artísticas locais e conta com bom público em suas atividades?

a5O Teatro Municipal Procópio Ferreira tem cumprido seu papel no processo de democratização de seu espaço entre as companhias e grupos locais. Por meio de editais, os artistas de teatro, música e dança têm tido a oportunidade de mostrar seu trabalho de forma profissional e com a devida estrutura, que este equipamento completo oferece.

Nesta gestão, um destaque foi o Ateliê Artes do Palco, proporcionado via emenda parlamentar no Congresso. Como a comunidade respondeu ao projeto e até que ponto os deputados da região colaboram com a cultura no âmbito local?

a1O Ateliê Artes do Palco cumpre um importante papel na formação artística inicial e também no uso do seu espaço através de edital. Entendemos que a sua aceitação foi a melhor, pois a população procura sempre participar dos seus cursos.

A Secult ampliou nestes anos a rede de bibliotecas e gibitecas em várias escolas e espaços pela cidade, também realiza concurso literário e um festival municipal para o setor, sendo uma das cidades que mais valoriza este segmento. Que exemplos a secretaria pode demonstrar um possível resultado sobre estas ações de incentivo à leitura?

a1O estímulo à leitura e a produção literária devem ser ferramentas na política pública de cultura e foi explorada de forma constante por esta Administração. A Secult promoveu constantemente festivais literários, como o “Pérolas da Literatura”, feiras de troca de livros, contação de histórias; participação no Pro-ler e ainda as Geladeiras Bibliotecas distribuídas em algumas unidades de saúde do Município.

No atual mandato, a Prefeitura reassumiu a Fortaleza da Barra Grande, a comunidade abriu o Museu Joias da Natureza e ainda há patrimônios públicos a restaurar. Quais são as principais conquistas e entraves do Poder Público em relação aos patrimônios históricos da cidade?

a4A política de Patrimônio Histórico teve seu impulso inicial nessa gestão e caminha de forma ainda tímida, por ser tão especifica. Tivemos grandes conquistas na área, que hoje é coordenada pela secretaria-adjunta, a arquiteta Patrícia Lima, pós-graduada em restauro.

A Fortaleza da Barra virou museu e vem implementando atividades e oficinas constantes em várias áreas de Educação Patrimonial. Além disso, foram aprovados na Agência Metropolitana da Baixada Santista dois projetos de prospecção arqueológica (um da Fortaleza da Barra e um do Forte São Felipe). As licitações estão sendo preparadas.

Outra novidade é a cessão do Forte Itapema restaurado à Prefeitura, pela Receita Federal, sonho antigo da população de Vicente de Carvalho.

Uma discussão frequente na mídia e até em campanhas eleitorais é sobre os Planos Municipais de Cultura. Desenvolvido desde 2014, como está sendo o processo de construção do plano e há previsão dele já estar em vigor até o fim do ano?

a2O Sistema Municipal de Cultura de Guarujá já existe. Temos ainda o Fundo Municipal de Cultura e o Sistema Municipal de Financiamento à Cultura. O próximo passo é a aprovação pela Câmara Municipal, do Plano Municipal de Cultura, que está em fase final pelo Conselho Municipal de Políticas Culturais e a Secult.

No atual mandato, houve um movimento na cidade sobre a emancipação de Vicente de Carvalho e que haveria pouca participação da Prefeitura na região. No setor cultural, também deveria ter maior descentralização de atividades para a população do distrito?

A Secult tem dois equipamentos culturais em Vicente de Carvalho: a Usina Hip Hop e o Anfiteatro Ferreira Sampaio, que oferecem diversas oficinas e cursos, atendendo centenas de munícipes. Além de ações decentralizadas em praças e equipamentos de outras secretarias.

Cidade vizinha, Santos conta com uma verba periódica de cerca de R$ 350 mil para financiamento para dezenas de grupos artísticos locais desde 2010. Se lá é por bilheteria dos teatros municipais, em Guarujá os prefeituráveis desejam leis de incentivo.  Mas com o atual mandato, a Secult vê demanda e alternativas para edital de fomento à cultura na cidade? Qual seria o modelo mais apropriado?

Com o Sistema de Financiamento à Cultura instituído e o Fundo de Cultura também, a partir do próximo ano, Guarujá terá instrumentos legais para publicação de editais de arte e cultura, atingindo os artistas e grupos da Cidade.

 

Revista Relevo entrevista secretário de cultura de São Vicente, Amauri Alves

Por Lincoln Spada

Um dos principais nomes da trajetória da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, Amauri Alves participou da produção das primeiras edições dos anos 80, foi um dos articuladores da sua recriação em lei municipal nos anos 90, e, na mesma década, capitaneou o atual formato do maior teatro em areia de praia do mundo: atores globais, mil atores da comunidade, temporada de sessões, etc.

Premiado internacionalmente como diretor da Cia Histórias do Baú, Amauri assumiu a Secult na virada do milênio, durante os ‘500 anos do Brasil’ – época em que as ações culturais evidenciaram historicamente a Cidade. Desde que Bili chegou a Prefeitura em 2013, Amauri retornou à pasta. E em entrevista virtual à Revista Relevo, o gestor aborda sobre a atuação de uma das raras secretarias que não mudou o titular durante todo o mandato do prefeito.

Na atual gestão, a Secult conseguiu reabrir as Oficinas Culturais Prof. Oswaldo Névola Filho e manter diversas atividades formativas, seja convênio com OSs, comissionados, professores voluntários ou parcerias com coletivos da cidade. A transferência do prédio foi benéfica? E a partir das experiências, qual seria o melhor modelo de gestão para o local?

a8A adequação do espaço com conforto, acessibilidade, praticidade e segurança foi essencial para a realização das atividades nas Oficinas Culturais durante nossa gestão. O local atraiu centenas de interessados nas atividades formativas, eventos e apresentações artísticas.

Sobre o modelo de gestão, acredito que uma equipe de técnicos da Secretaria da Cultura pode gerenciar as oficinas em parceria com uma OS, que efetuaria as contratações dos professores e atividades e compra de materiais de consumo. Nesse formato, temos agilidade para substituir modalidades, fornecer material para o desenvolvimento das atividades e programar apresentações artisticas.

Já é muito forte a relação da Encenação de São Vicente com o calendário municipal e a Secult. O secretário já iniciou com elas nos anos 80 e, nestes anos, dirigiu-a enquanto musicais. Neste ano, a crise financeira gerou o cancelamento da edição e o IHGSV decidiu criar o seu próprio evento na sede. Como a Secult vê a alternativa dada pelo instituto e como observa a gestão e o rumo das próximas edições?

Toda e qualquer manifestação cultural é importante para o desenvolvimento do cidadão e da cidade. Qualquer grupo ou instituição pode contar teatralmente uma mesma história. Tradicionalmente, a Encenação da Fundação da Vila de São Vicente é o maior espetáculo de teatro realizado em areia de praia do mundo, no local, onde hipoteticamente os fatos históricos aconteceram. O espetáculo do Instituto Histórico teve outro formato e foi realizado em outro local.

De toda a região, a Secult de São Vicente foi a que mais investiu em ações de intercâmbio, seja com as cidades-irmãs Zacatecas (México) e Naha (Japão), seja com atividades com artistas da Espanha, Portugal, Argentina e Paraguai, tendo vivenciado um festival internacional de teatro infantil. Como a secretaria analisa o legado desse intercâmbio para os artistas locais?

a2Acrescento ainda Peru, Equador, Suécia e Nigéria. Essa política gera muitas possibilidades. A possibilidade de troca de saberes, aperfeiçoando o conhecimento de artistas locais e potencializando currículos e projetos futuros. A possibilidade de intercâmbios com apresentações, exposições e formações em outros países, fortalecendo o movimento cultural de São Vicente que ganha notoriedade e repercussão também em terras brasileiras.

A possibilidade de divulgação de nossa cidade através da circulação dos artistas estrangeiros que, ao passarem por São Vicente, divulgam suas realizações na imprensa de seus países de origem, gerando mídia espontânea e fomentando nosso turismo. E a possibilidade de divulgação de nossa cidade através da circulação dos artistas vicentinos em outros países, divulgando nossa arte, nossa história e fomentando a cultura da paz.

a4Nossa gestão proporcionou possibilidades para diversos artistas dos mais variados segmentos, onde alguns deles viajaram para outros países e outros criaram vínculos profissionais e afetivos com artistas que por nossa cidade passaram.

As artes urbanas e a dança foram os segmentos que mais despontaram em projetos de apoio, como o Vias Vivas, Festival de Quadrilhas Juninas, cursos e intercâmbios. Neste ano, a tatuagem ganhou agenda e o artesanato reocupou o Parque Vila de SV. Na avaliação da Secult, o que mudou no panorama dessas quatro áreas nos últimos anos?

a3A grande mudança aconteceu na organização do movimento cultural. Todos tiveram voz e foram ouvidos. Os que se organizaram conseguiram maiores apoios, pois estavam mais envolvidos em busca de resultados e melhorias contínuas em suas áreas de atuação.

Além das novas Oficinas Culturais, a Prefeitura reabriu a Casa da Cultura Afro-Brasileira, mas iniciou ou continuou obras ainda não previstas. Está prevista a entrega neste ano do Cine 3D, Teatro Municipal ou CEU das Artes no Humaitá? Se sim, já há alguma discussão sobre como deve ser o uso desses espaços?

A atual gestão não somente reabriu espaços. Eles foram reestruturados na forma física e no conteúdo. As Oficinas Culturais são o melhor exemplo, e após o restauro do antigo Museu do Escravo, atendendo os anseios da comunidade e entidades envolvidas do seguimento da cultura negra, o local foi rebatizado como Casa da Cultura Afro-Brasileira – Memorial ao Escravizado, que, além da exposição permanente, passou a contar com palestras, encontros, sessões de cinema e eventos relacionados ao tema.

a5Já o Parque Cultural Vila de São Vicente abriu suas portas para o desenvolvimento do artesão local, com espaços para venda e oficinas permanentes, além de reestruturar a Casa da Encenação conforme foi concebida, com exposições de figurinos, fotos, vídeos e adereços do espetáculo.

A reforma no Cine 3D, que estava com sua estrutura totalmente comprometida, teve início com recursos oriundos do DADE, mas não há previsão para o término da obra, da mesma forma que o CEU das Artes no Humaitá. Acredito que a sociedade civil organizada, por meio dos coletivos artísticos e do Conselho Municipal de Políticas Culturais devam participar de discussões para o direcionamento dos novos espaços quando estiverem prontos.

Desde 2013, reportagens citam que São Vicente sofre com vandalismo em patrimônios públicos. Mais recentemente, o Conselho de Defesa do Patrimônio foi à imprensa abordar sobre a Casa Martim Afonso e estátuas na orla. De fato, há uma situação de abandono por parte do Poder Público aos patrimônios históricos?

a3Há uma situação de vandalismo generalizada em todo o Brasil. Cotidianamente recebemos notícias sobre depredação de patrimônios históricos, mobiliário urbano, esculturas, etc, inclusive em nossas cidades vizinhas. O que faltou em São Vicente foram recursos (tanto materiais, quanto humanos) para que as repostas aos atos de vandalismo fossem feitas de forma rápida.

Acredito que um trabalho de educação deva ser realizado nas escolas, tanto públicas quanto privadas, para tentar fazer com que crianças, jovens e adultos compreendam que o que é público é um bem que pertence a todos. Somente assim, através da educação, o problema de vandalismo será resolvido.

A Prefeitura reduziu a verba prevista para a Secult nestes quatro anos em 40%. Ainda assim, do montante estimado na lei em R$ 37 mi, só foram investidos nesse período R$ 14 mi (menos de dois terços). Neste ano, dos R$ 7,8 mi previstos, a Secult só recebeu R$ 1,2 mi (corte de 85%), segundo Portal da Transparência. Até que ponto pode ser atribuído esses índices pela crise financeira, erro de gestão ou a cultura não ser prioridade do prefeito?

O orçamento da pasta de cultura quase nunca é respeitado, municipal, estadual ou de forma federal. É uma das primeiras pastas a sofrer cortes em momentos de crise. Em meu entendimento, o grande problema da falta de recursos para a área da cultura em São Vicente foi decorrente da crise financeira municipal, amplificada pela crise nacional.

Ao reativar o Conselho de Políticas Culturais, a Secult conseguiu articular as leis do Sistema e do Plano Municipal de Cultura, a efetivação do Fundo Pró-Cultura e de legislações sobre o Film Comission e a permissão de bilheteria nos auditórios municipais. Como a secretaria avalia a relação com a sociedade civil e como são oportunas essas leis aprovadas?

a2Desde nossos primeiros meses de gestão, procuramos abrir canais de diálogo entre os fazedores e consumidores de cultura em São Vicente. O desenvolvimento e crescimento do setor está intrinsecamente ligado à organização desses segmentos. Um movimento de cultura onde os objetivos principais sejam coletivos, e não individuais.

Estimulamos o Conselho Municipal de Politicas Culturais a atuar de forma correta, sem a intromissão direta do Poder Público. Em parceria com a equipe da Secult, a cidade ganhou e avançou muito e em pouco tempo na elaboração de leis para o setor cultural. E o mais importante, de forma horizontal.