Arquivo da tag: secult

Grupos Artísticos de Cubatão passam por reestruturação

A Secretaria Municipal de Cultura imprime um novo olhar sobre os Grupos Artísticos de Cubatão e promove mudanças significativas em seus comandos a partir desta quinta-feira (8). Banda Sinfônica, Programa Banda Escola – BEC e Grupo Rinascita passam a ter novos regentes e coordenador.

A decisão de reestruturar os Grupos Artísticos vai ao encontro à uma nova tendência no meio musical erudito, que abrange a modificação nos comandos de tempos em tempos, novas formulações para escolha de regentes, resgate das características originais das formações musicais, de acordo com Roberto Farias, coordenador dos Grupos Artísticos de Cubatão. Para ele, “a proposta é inovadora e um desafio mas se faz necessário neste momento. Nossa ideia é sempre promover a excelência artística das equipes e o compromisso com o trabalho”.

> Confira entrevista com o maestro Marcos Sadao

Depois de 12 anos frente à Sinfônica de Cubatão, o maestro Marcos Sadao Shirakawa deixa o comando da Banda. O estilo ímpar de conduzir o Grupo, divulgando novos repertórios e realizando espetáculos de qualidade inquestionável foi a marca registrada de Sadao neste tempo. Quem assume interinamente o cargo é o regente-assistente, Ulysses Damacena.

02“A Banda Sinfônica de Cubatão deu um salto de qualidade nesse período. Por conta do valioso trabalho do maestro Sadao, a equipe manteve a referência de qualidade que Cubatão conquistou ao longo dos tempos no aspecto musical e na difusão de repertório específico para bandas sinfônicas. Espetáculos como ‘Queen Sinfônico’, ‘Sheherazade’, ‘Concertango’, ‘Quadros de uma Exposição’, entrem muitos outros, merecem ser lembrados sempre”, comentou o secretário de Cultura, Welington Borges, isso, sem esquecer as parcerias com os Demônios da Garoa, Raíces de América, presença de regentes estrangeiros como o húngaro Laszlo Marosi.

O próximo regente da Sinfônica deverá ser escolhido por meio de um processo seletivo, sem indicações, de acordo com Farias. Haverá seleção de currículos, provas e a garantia de dois anos de atuação do profissional. A renovação desse período dependerá do desempenho do regente, de acordo com Farias. “Já realizamos essa ação de busca em outro cargo, o de transcritor musical. O resultado foi bastante positivo”, disse.

03O Programa Banda Escola de Cubatão, que também era coordenado pelo maestro Marcos, passa a ser administrado, interinamente, por Germano Blume, músico da Sinfônica e, até então, monitor do BEC. A escola musical vai ampliar o atendimento – que hoje chega a 500 alunos, firmando novas parcerias com a Secretaria de Educação e com a Escola Técnica de Música e Dança da cidade (o Conservatório Municipal). Todo o corpo docente passará por avaliações. A ideia é que o BEC continue sendo um núcleo formador de bons músicos para todos os Corpos Estáveis do município, como já vem acontecendo. Atualmente, 15% dos instrumentistas da Banda Sinfônica vieram da Banda Escola do muncípio. A intenção é que esta porcentagem aumente ainda mais.

Grupo Rinascita e Banda Marcial

O Grupo Rinascita de Música Antiga também contará com um novo regente, a partir do início de fevereiro. Albino de Oliveira deixa o cargo depois de 7 anos no comando do Rinascita. A modificação não é novidade. De acordo com Roberto Farias, é uma prática na Música Antiga ter essa rotatividade.

01Mas desta vez, a escolha do novo coordenador do Grupo começou internamente. Os próprios integrantes do Rinascita tiveram a oportunidade de apresentar projetos artísticos. Dois foram escolhidos pela consistência artística e pedagógica que apresentaram. Em uma forma inédita de condução, um dos projetos será aplicado em 2015 e o outro, em 2016, sendo que cada músico assume o Grupo no ano em que o projeto estará em prática. Os novos nomes serão anunciados em 1º de fevereiro.

Já a Banda Marcial passará por um processo de resgate de suas características originais. Segundo Farias, o grupo atuará não somente na formação para concerto, mas com apresentações para a comunidade junto com o Corpo Coreográfico em formação de desfile, que a tornou conhecida em toda a Região e até mesmo fora dela. O objetivo é que a Marcial torne-se, novamente, referência nacional.

Segundo o secretário de Cultura, todos os outros Corpos Estáveis mantidos pela administração municipal passarão por esse novo olhar da Secult. “A ideia é que as pessoas estejam disponíveis para melhorar a maneira de atuação, abrangendo novos públicos e sempre fomentando a cultura da cidade, seja aqui ou em outras cidades, estados ou países. O Coral Zanzalá, por exemplo, teve a experiência fantástica de cantar Handel em Nova Iorque, ano passado. Cubatão continua sendo um celeiro de talentos”, afirmou Welington Borges.

Entre as novidades está, ainda, a realização de um concurso de regência, envolvendo artistas brasileiros e estrangeiros, uma maneira de colocar os Corpos Estáveis e o município de Cubatão em evidência. A previsão é de que aconteça ainda este ano.

*Prefeitura Municipal de Cubatão

 

Entrevista: A autoavaliação de Raul Christiano na Secult

Longe por mais de 30 anos do dia a dia de Santos, o midiático Raul Christiano Sanchez retornou ao município abraçando o papel de secretário da Cultura da Cidade. E alcançou um inegável feito na sua gestão de 2013 e 2014: levou às políticas culturais para a imprensa e Internet.

A transparência na gestão reflete em números neste biênio. São 900 fotos no Instagram, 2,1 mil publicações no Facebook e outros 14 mil tweets. Se desde 2000 era incógnita a presença de um secretário da Cultura em festivais, Raul preferia registrar cada ação que envolvia a pasta: reuniões, exposições, shows… Enfim, o membro da Academia Santista de Letras se fez um livro aberto.

Principalmente em entrevistas a veículos, e eu – admirado com esse modo aberto de fazer política –, provavelmente fui o que mais acompanhei seus passos pelo jornal A Tribuna. De anúncios a reformas de teatros públicos a polêmicas com o movimento artístico, jamais me escondeu as informações e também a sua opinião. Mais uma vez, Raul avalia nesta entrevista virtual sobre os principais pontos de sua gestão.

ENTREVISTA

A sua gestão iniciou com a fatalidade em fevereiro no Carnaval de 2013, com quatro mortes e o seu indiciamento além de mais cinco pessoas. A partir daí, foi remodelada a segurança, organização e capacitação das escolas de samba por meio do Centro Cultural da Zona Noroeste. Como avalia essas mudanças no evento e na relação da Secult com as agremiações nestes dois anos? E o processo jurídico sobre esta tragédia já foi resolvido?

00Executamos um projeto de Carnaval do governo anterior ao do prefeito Paulo Alexandre Barbosa, não tivemos tempo de modificar nada, principalmente porque ele foi concebido para ser o primeiro utilizando a nova estrutura da Passarela do Samba, concluída em dezembro de 2012. O acidente foi uma fatalidade e o processo ainda está em andamento.

Para realizar o primeiro evento do começo ao fim, em 2014, nosso segundo Desfile de Escolas de Samba, planejamos todos os detalhes, aprimorando o que estava bom e mudamos a característica de antes, com exigências radicais com a segurança, conforto do público e diálogo permanente com as escolas.

Nosso objetivo sempre foi reduzir ao máximo os investimentos públicos no Carnaval, porque temos essa festa de volta ao cenário nacional com possibilidade de ser tratada como um produto de marketing e turismo fortes e com um leque de vantagens para Santos. A Secult pode ter papel de fomento e regulação num futuro próximo, se a Prefeitura continuar insistindo em manter esse evento sob a responsabilidade da secretaria.

Logo no primeiro ano, também você anunciou o fechamento do Teatro Coliseu por problemas no telhado e no sistema de ar-condicionado. A reabertura contou com a iniciativa privada sem ônus para a Prefeitura e até com garantia para futuros ajustes. Em quais projetos você se inspirou para essa parceria e quais foram os argumentos de contrapartida dados às empresas? 

04O Teatro Coliseu é um patrimônio da Cidade e da região. Por suas características históricas e por ser um bem tombado, qualquer intervenção em sua infraestrutura depende de muitas autorizações e de recursos maiores, porque os serviços especializados para a sua manutenção são mais caros. A reforma do Coliseu foi cara, descontinuada e longa, porque quando esse projeto foi decidido há vários anos, ele foi com base numa construção normal. E não é.

Os defeitos que corrigimos na atual gestão foram constatados na própria reinauguração em 2006. O sistema de ar condicionado, contam, não funcionou naquela noite de gala. E o telhado apresentava defeitos por causa de furtos de telhas e da própria estrutura defeituosa. Isso provocava interferências nos sistemas elétricos, algumas paredes davam choque, inclusive.

Quando assumimos fizemos um relatório pormenorizado desses problemas e solicitamos que o Corpo de Bombeiros emitisse o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), antes de qualquer providência de adequação. Resultado: uma lista de solicitações. Começamos a cuidar de resolver essa lista de pendências com um pedido para que técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) verificassem as condições das torres de resfriamento do ar condicionado. Tudo muito precário. Tubulações com alto grau de corrosão e sistemas de controle e de distribuição do ar superados e frágeis.

Não tínhamos previsão orçamentária para realizar essas obras de recuperação, mas também não tínhamos condições de manter o teatro funcionando com risco à vida das pessoas que o frequentavam. Tomamos a decisão de fechá-lo e buscar alternativas inspiradas em outros países, quando empresas atuantes nas cidades investem em bens públicos e de interesse de toda a sociedade. Lá fora chamam isso de responsabilidade social, que fortalece a imagem das empresas no mercado de atuação delas. Aqui, batizamos de responsabilidade cultural.

A contrapartida da Prefeitura foi divulgar, sempre que havia uma avaliação sobre o andamento da obra, a importância da atitude da Franz Construtora/Grupo Odebrecht e da Inaplan/Grupo Mendes, que investiram R$ 2 milhões em material, equipamentos e profissionais especializados, entregando em condições de uso melhores e com garantia dos serviços realizados.

Com a tragédia do Carnaval e o fechamento do Coliseu, a Secult não tinha verba para o edital do Facult em 2013. Nestes dois anos também foram mencionados outros atrasos financeiros, como cachês de artistas nas tendas de verão, salários dos professores da Escola de Artes Cênicas, repasse de verbas ao Festa e a parcela final do Facult de 2014.

Quais são as causas: má gestão, excesso de funcionários, excesso de equipamentos, excesso de eventos no calendário municipal? Hoje, você lidaria de outro jeito para evitar situações assim?

0Santos cresceu em todos os sentidos, mas os recursos para as necessidades do setor cultural continuam sendo atendidos por demandas. O cobertor é curto, mas o prefeito sempre procurou atender às nossas necessidades emergenciais. O Orçamento da Secult estava em R$ 22 milhões, em 2013; R$ 25 milhões, em 2014; e terá R$ 31,5 milhões, em 2015. Só de folha de pagamento dos servidores estatutários, os valores variam de R$ 15 a R$ 18 milhões de reais. O Projeto Verão e o Carnaval, por exemplo, consomem um terço do orçamento.

Daí, gerir é um desafio e tanto. Não há excesso de funcionários ou de equipamentos. Há demandas cobradas com justiça pela população e eventos tradicionais que dependem quase que 100% de verbas públicas. Como as torneiras de algumas empresas estatais estão fechando, certos ativistas, antes de buscarem outras alternativas, voltam-se para a Prefeitura e, por consequência, para as suas secretarias de Cultura. Não há como atender.

Os atrasos foram pontuais, no início do governo, em 2013, porque alguns artistas atrasaram na apresentação das suas documentações, que conseguimos resolver para os eventos seguintes com um cadastro confiável de artistas, grupos etc. Um outro fator, para justificar essas falhas, tem a ver com a evolução da receita municipal, com a crise econômica.

Os desenhos eram feitos para uma realidade de superávits orçamentários e a condição financeira do país não respondeu a isso. O caminho é ter projetos elaborados com antecedência, prevendo a parcela de verbas públicas, os patrocínios e as contrapartidas, além de somente inserir o logotipo da Prefeitura como apoiadora.

É inegável que seu mandato foi marcado pela sua ampla participação no calendário cultural e pela transparência e, com isso, debates e embates com a classe artística em relação ao Facult de 2013, às OSs e verbas de festivais. O que você leva dessa experiência na transparência e no relacionamento com os artistas da Cidade?

09No meu histórico de vida e militância cultural, social, ambiental e política, o diálogo sempre predominou. Senti que alguns defendem a democracia, mas a querem sem respeitar as regras do jogo democrático. Falta um pouco mais de Educação na Cultura. Agir à luz do dia, por exemplo, sem arapucas e sem populismo, ajudaria mais nessa relação. Contudo, os debates e embates só foram possíveis porque estivemos dispostos a isso, abrindo portas, oferecendo espaço ao diálogo, criando condições institucionais para isso.

Além de estar sempre prontos para ouvir a todos os segmentos, valorizamos o Concult (Conselho Municipal de Cultura), promovemos reuniões com os segmentos, quase por inteiro (música, por exemplo), realizamos a Conferência Municipal de Cultura, aderimos ao Sistema Nacional de Cultura, definimos o calendário para elaboração do primeiro Plano Municipal de Cultura de Santos, com um horizonte de 10 anos. Estamos no jogo.

Outra marca de sua gestão foi a atenção aos AVCBs e às reformas: no MISS, no Teatro Braz Cubas, no Teatro Guarany, no Teatro Rosinha Mastrângelo e na Concha Acústica. Destas iniciativas, pode citar brevemente o andamento de cada uma? E quais foram as causas do adiamento das obras do Rosinha e da Concha, aliás, o atraso desta renderá multa da Prefeitura?

06Nossa gestão foi marcada por chamar a atenção de todos, principalmente do setor público, no caso a Prefeitura, para mudar o tipo de tratamento dado aos equipamentos culturais. Não há no Brasil uma política de manutenção e por isso Santos não é privilegiada em ter quase que todos os seus equipamentos deteriorados, carecendo de melhorias, mais do que paliativas.

Nossa gestão foi marcada pela busca do AVCB para teatros locais, as tendas de verão, a Passarela do Samba. Fechamos o Teatro Municipal, por exemplo, porque o urdimento do palco necessitava da urgente substituição de seus tirantes, e de acordo com o IPT a colocação de cargas de som, iluminação e cenários poderia colocar em risco os artistas e a plateia.

11Acabamos de resolver esse problema, em dezembro, depois de ter consertado o mau funcionamento do ar condicionado, que gerou desconforto às pessoas no verão passado. Viabilizamos a contratação do arquiteto Julio Katinsky, um dos autores do projeto de construção do Centro de Cultura Patrícia Galvão, que abriga o Teatro Municipal, o Teatro Rosinha Mastrângelo, o MISS (Museu de Imagem e do Som), a Hemeroteca Roldão Mendes Rosa, as Galerias de Artes Braz Cubas e as dependências da Secult, e o prefeito Paulo Alexandre Barbosa já aprovou o investimento de R$ 5 milhões (de recursos do DADE – Departamento de Apoio às Estâncias do Estado), em 2015, para iniciar a reforma completa.

Antes disso, e das obras já citadas do Teatro Municipal, realizamos reformas pontuais no MISS e na Hemeroteca. O Teatro Rosinha Mastrângelo teve as reformas suspensas por falta de recursos e pela demanda alta de reformas pela Secretaria de Serviços Públicos, que estava fazendo esse trabalho com orçamento próprio. As obras de revitalização da Concha Acústica estão praticamente prontas, dependendo agora dos acabamentos e equipamentos necessários para o monitoramento de som no local.

Em sua gestão, gostaria de ressaltar a criação do Letras Santistas, reeditando obras de autores da Cidade, e dos Portos de Cultura, descentralizando a formação em cada região da Cidade, além do projeto de catalogação do acervo artístico da Secult. Quais são as principais contribuições dessas três diferentes iniciativas para a Cidade?

08O Projeto Letras Santistas vai possibilitar que a cidade acesse livros raros ou fora de catálogos das editoras convencionais. Inicialmente a Secult editará 12 autores e títulos, após uma seleção feita por escritores importantes e atuantes em Santos.

Os Portos de Cultura inovaram com a descentralização dos cursos, oficinas e espetáculos, antes concentrados no Centro de Cultura Patrícia Galvão, para chegar mais perto do povo, na Zona Noroeste, Morro, Área Continental, população de rua. Além da iniciação e de formação artísticas, há também um trabalho de formação de plateias.

Num dos Portos de Cultura, no Morro São Bento, instalamos a primeira unidade descentralizada da Escola de Bailado Municipal, sob a coordenação da Renata Pacheco. No Centro Cultural da Zona Noroeste, implantamos a primeira Sala de Cinema da região, o Cine ZN.

E em relação ao inventário do acervo artístico da Secult, cujas obras somam cerca de 847, vamos ter uma catalogação de cada quadro ou escultura, iniciando também a restauração dos mesmo, para depois disponibilizar o acesso para todos digitalmente.

Também durante a sua gestão, ocorreu a regulamentação para Organizações Sociais (OSs) em várias iniciativas, hoje financiadas e mantidas pela Secult. Qual será o legado desses futuros convênios com as entidades? Como a sociedade pode colaborar na fiscalização dessas parcerias?

05A Cultura era a única área que podia compartilhar a gestão com OSs, porque havia uma lei de 2005, garantindo essa condição. No entanto ela nunca saiu do papel, mesmo sabendo do interesse dos responsáveis pela dança, pela Orquestra Sinfônica Municipal e pelo Teatro Coliseu. Nosso papel foi tirar da gaveta esse assunto e levar ao Concult para debater e conseguir as autorizações necessárias.

A repercussão foi tão positiva, que o governo municipal resolveu ampliar para outras áreas. Hoje a Secult é a secretaria em estágio mais avançado para viabilizar essas parcerias, que não significam abrir mão das responsabilidades, mas ter um contrato de metas a serem alcançadas e suprir setores como o de formação cultural, as bibliotecas, a música, o Teatro Coliseu, a dança e o Teatro Guarany com a Escola de Artes Cênicas, de maior agilidade e eficiência na solução dos problemas enfrentados atualmente.

O legado é a melhoria da qualidade da prestação de serviço público e a adoção de uma cultura de manutenção que as estruturas atuais não permitem. A sociedade poderá fiscalizar através do Concult, da Câmara Municipal e do MP (Ministério Público).

A última ação no Diário Oficial da Secult é referente ao planejamento do Plano Municipal de Cultura. Você também foi relator do Plano Estadual de Cultura. Como foi a sua experiência no processo estadual e como você avalia a necessidade de um plano em âmbito municipal?

02Definimos e aprovamos no Concult um calendário e um cronograma para elaborarmos o primeiro Plano Municipal de Cultura da história de Santos. As ações serão desenvolvidas a partir do dia 12 de janeiro e preveem instâncias participativas, que serão valorizadas pelo Poder Público e reconhecidas como um norte a ser cumprido nos próximos 10 anos.

Sou membro-relator do Plano Estadual de Cultura, escolhido pela região para representá-la lá. Não estarei mais Secretário de Cultura de Santos durante esse processo, mas me coloco desde já à disposição dos participantes locais, oferecendo subsídios, com base no Plano Estadual e as diretrizes do Sistema Nacional de Cultura, que é a razão dessa nossa iniciativa.

Um Plano Municipal para 10 anos, podendo ser atualizado durante o seu cumprimento, significa um norte para o planejamento e para as expectativas da sociedade em relação à importância da Cultura no futuro.

A primeira promessa que anunciou em A Tribuna foi a digitalização de acervos da Secult. Como anda este projeto? E como este, que outras iniciativas que você projetava realizar entre 2015 e 2016?

01Na Secult elaboramos o projeto para a digitalização dos acervos de periódicos (jornais e revistas) e nos associamos com a FAMS (Fundação Arquivo e Memória de Santos) para apresentá-lo ao Ministério da Cultura. O diretor técnico da Fundação, Sérgio Willians, que foi nosso secretário-adjunto até março de 2014, coordenou esse procedimento, aprovado com a possibilidade de captação de recursos da ordem de R$ 1,3 milhões com incentivo da Lei Rouanet.

Nossa ideia é digitalizar e, ao mesmo tempo, criar um setor de digitalização na FAMS, que a tornará uma prestadora de serviços nessa área para toda a região, principalmente. Outras iniciativas estavam associadas ao acompanhamento da realização ou execução de tudo o que planejamos e projetamos. Também estimávamos conquistar a autossuficiência do Carnaval e de alguns eventos tradicionais, articulando em escala parcerias com os governos do Estado e Federal, bem como com a iniciativa privada.

Você é categórico que estes foram os dois melhores anos de sua vida e, segundo jornais, já foi chamado para trabalhar no Governo Alckmin. Afinal, qual será seu novo trabalho?

12Tive grandes experiências em minha vida. Sem dúvida, a oportunidade que tive em Santos é tão importante quanto a que tive, na década de 1990, sendo o primeiro secretário municipal do Meio Ambiente em Cubatão.

No entanto, ambas foram diferentes da experiência no Ministério da Educação, durante 8 anos como um dos principais assessores do ministro Paulo Renato Souza, no Governo do Presidente Fernando Henrique. Estar em Santos, 24 horas por dia, nesses dois anos, foi maravilhoso. Porque foi a minha primeira vez nos últimos 33 anos.

Foi muito bom me sentir em casa, perto da família, dos amigos e dos concidadãos. Aliás, a Câmara de Vereadores, me outorgou essa honra no início de dezembro passado – agora sou cidadão santista de direito, porque até então era apenas de fato.

Não fui chamado para trabalhar no Governo Alckmin, que é um companheiro de partido e que já servi em outras oportunidades. No momento preciso de uma trégua para comigo, tomar fôlego e prosseguir. Há muito a fazer!

Fabião Nunes é o novo secretário de Cultura de Santos

O professor Fábio Nunes, o Fabião, será o novo secretário da Cultura de Santos, de acordo com jornais da Região. A Tribuna revelou que o titular da pasta, Raul Christiano, terá sua exoneração anunciada até o próximo sábado, dia 10. Segundo o Jornal da Orla, o secretário “tem dito que aceita com naturalidade a alteração e que já recebeu convites para integrar a equipe do governador Geraldo Alckmin”.

A mudança também é acompanhada da saída da secretária-adjunta, Cristina Barletta. Já o jornalista Luiz Gustavo Klein Carlan foi transferido no último dia 30 do gabinete do prefeito para a coordenação de Museus e Galerias, Departamento de Cine, Teatro e Espaços Culturais de Santos. O atual responsável por este departamento também é jornalista: Murilo Netto, que, por sua vez, vai chefiar o Departamento de Formação e Pesquisa Cultural.

[Errata dia 4/jan às 12h49: errei anunciando que o jornalista Sérgio Willians também sairia da presidência da Fundação Arquivo e Memória de Santos. Ele é diretor técnico. Vera Raphaelli é quem está a frente da instituição]

O novo secretário é uma indicação do PSB, que recém integra a base de governo do prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). A alteração foi confirmada segundo A Tribuna em reunião na manhã do dia 2 de janeiro, em que o partido também garantiu a Secretaria de Meio Ambiente. As posses devem ocorrer na próxima semana.

Gestão de Raul Christiano

01Durante a gestão de Raul Christiano na Secretaria da Cultura, ocorreram a reforma do Teatro Coliseu, primeiro com AVCB em Santos, e o início de obras pontuais no Teatro Gurany e de revitalização do Teatro Braz Cubas. Também começou a revitalização do Teatro Rosinha Mastrângelo e da Concha Acústica, fechados respectivamente desde 2010 e 2001. Houve ainda a modernização do Museu da Imagem e do Som de Santos e projeto teatral no Casa Trem Bélico.

Na formação cultural, a Secult celebrou convênio com a organização social Poiesis – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura, beneficiando 1200 alunos de atividades artísticas em Santos. Além disso, foram lançados os Portos de Cultura da Caruara, Morro São Bento e Zona Noroeste, sendo este inaugurando o Centro Cultural da Zona Noroeste, onde há destaque para o primeiro cinema público da região e para capacitações de carnavalescos.

Também estão previstos Portos de Cultura na Vila Progresso, na Praça da Paz Universal (Zona Noroeste), na Vila Nova (região do Mercado) e no Morro da Penha. Cada um deles contará com cinema, teatro, biblioteca, cursos e oficinas. Ainda, foi avançada a Lei Municipal de compartilhamento de gestão com Organizações Sociais (OS) nas seguintes áreas:

A música, que compreende a Orquestra Sinfônica Municipal, o Quarteto de Cordas Martins Fontes, a Camerata Villa Lobos, o Coral Municipal e a Orquestra Jovem; a dança, com o Corpo de Baile de Santos, a Escola de Bailado Municipal, a Escola Livre de Dança, a Escola de Dança Contemporânea e a Escola de Dança em Cadeira de Rodas; os cursos e oficinas, que incluem a formação e o desenvolvimento das atividades de iniciação e aperfeiçoamento artísticos, com as bibliotecas de suporte; o Teatro Guarany com a Escola de Artes Cênicas; e o Teatro Coliseu.

 

Cinco razões para Cadeia Velha não se prender a um museu

A partir de setembro de 2015, a Cadeia Velha de Santos poderá ser reaberta como Museu da Baixada Santista. A possibilidade se deu numa reunião do conselho do Sistema Estadual de Museus de São Paulo. Segundo matéria de A Tribuna, o Governo Estadual já estaria sondando o repasse da gestão compartilhada (SP e Prefeitura) para uma organização social, o Instituto de Preservação e Difusão da História do Café e da Imigração (Inci).

Por sua vez, em nota, o instituto garantiu no jornal que “há projetos em discussão para 2015 e, quando se tornarem uma realidade, com cronograma e recursos associados, ambas as partes terão o maior prazer em trazer a púbico a novidade”. Diante desse panorama, sou contrário a essa decisão ainda não ter sido amplamente discutida pela Baixada Santista.  Explico abaixo.

Seria o quinto museu em um raio de 2 Km

foto_jaqueCom a oficialização do Museu da Baixada Santista, este seria o quinto museu num raio de 2 Km no Centro da Cidade – já há o Museu Pelé (Ama Brasil), Casa do Trem Bélico (Prefeitura de Santos), Palácio Saturnino de Brito (Sabesp) e Bolsa do Café (também da Inci), todos instalados em equipamentos restaurados e antigos, volumosos, de indiscutível valor.

Mas qual é a demanda da centralização de mais um prédio do gênero, se sabemos que nem todos estes locais recebem públicos a centenas por mês?  Se há necessidade de um museu regional sobre o assunto e se é uma política de governo incentivar o turismo regional, não seria mais apropriado repassar este projeto a outras cidades, onde não desfrutam de um espaço para guardar sua memória?

Baixada Santista perde um espaço de formação cultural

Durante as últimas décadas, a Cadeia Velha sediou a Delegacia Regional de Cultura e, em seguida, a Oficina Cultural Pagu, gerenciada pelo Instituto Poiesis. Foi a partir daí que aproximou gerações de anônimos com as artes. De fato, pode-se discutir se o amplo espaço não podia ser melhor aproveitado pela organização, mas também ressaltemos que o prédio por anos necessitava de restauro e o salão do piso superior estava tomado de mais de 80 baldes por questão de goteiras. E precisava funcionar.

39681Os cursos da Oficina Cultural Pagu têm uma qualificação inegável. Para Santos, o município há mais tempo com cursos livres de artes da região, talvez seja mais interessante a política de descentralização das atividades formativas.

No entanto, os outros três quartos da população regional precisam de um local central para se aprofundarem nas artes, e a Cadeia Velha é o prédio centenário ao lado da Rodoviária Municipal, onde circulam ônibus de Santos e Litoral Sul, além de ser a duas quadras próximo de pontos de ônibus do Litoral Centro e São Vicente. Ou seja, enquanto a Oficina fazia morada lá, tornava-se em uma casa de fomento cultural para toda a Baixada.

Após a reforma da Cadeia Velha, continuar a manter a sede das Oficinas Culturais numa bela casa (e põe bela nisso) próxima à Avenida Ana 2Costa, no Campo Grande, em Santos, é facilitar o acesso das atividades aos santistas, mas afastá-la  o mesmo direito aos moradores de outras cidades – algo em torno de 1,2 milhão de pessoas. Porque por mais que haja atividades em outros municípios, a centralidade geralmente ocorre na sede regional.

É bom lembrar também que o entorno da Cadeia Velha, na Praça dos Andradas, é formado pelo Terminal Rodoviário, pela Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo – Teatro Guarany, pela Vila do Teatro e pelo futuro prédio da Secretaria da Educação. Ou seja, o público que circula o espaço aproveitaria muito mais o prédio enquanto ponto de fomento artístico qualificado e formação de público, do que no papel de espaço de patrimônio público e formação de público.

Museus do Inci não têm cursos livres artísticos

02Se a gestão da Cadeia Velha for repassada ao Inci, o histórico efervescente de cursos livres artísticos pode ficar no passado. Apesar do Museu da Imigração e da Bolsa do Café promoverem oficinas, workshops e palestras, não têm prioridade, costume e know-how de gerir cursos livres artísticos. Portanto, por mais que no Museu da Baixada Santista se promovam atividades assim, haveria um tempo natural de transição para que essas experiências tenham o devido resultado adequado.

Santistas recusaram três vezes fazer da Cadeia Velha um museu 

Já ocorreram três recusas da Cidade em tornar a Cadeia Velha em museu. Enquanto Museu Santista, Museu dos Andradas (entre as décadas de 60 até 80) e, no ano passado, pela própria Secretaria da Cultura de Santos que propôs em tornar o espaço multiuso em vez de um prédio para acervos. A própria classe artística também refutou a ideia em protestos e manifestações no ano passado.

Aliás, a ideia do secretário municipal Raul Christiano em tornar a Cadeia em um espaço plural sempre me foi mais atraente do que o museu. Em abril de 2013, ele propôs que o local mantivesse auditório e cafeteria, além de uma livraria, o Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), uma oficina de restauro, uma parte do Museu da Língua Portuguesa e salas livres para cursos artísticos. Com exceção do MISS, podendo ser trocado pela sede da Oficina Pagu, creio pessoalmente que todos os outros espaços poderiam ser instalados lá com maior êxito e fluxo do que no provável Museu da Baixada Santista.

PSDB deve respeitar a sua trajetória democrática

???????????????????????Não sou filiado a partidos, mas entendo que são poucos que despontam com popularidade em nível nacional como o PT, PSDB e PMDB há tantas décadas. A principal bandeira destes partidos é a democracia, portanto, o exercício de escutar a população para tomada de decisões.

Estamos falando do futuro rumo de um dos prédios centenários mais antigos de Santos e, provavelmente, até então o mais importante politicamente – desde a sua localização, como a sua trajetória em sediar os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ao longo dos séculos 19 e 20.

Portanto, pela relevância do prédio e pela bandeira do partido e dos governantes, é mais que necessário o processo de transparência sobre a discussão do uso da Cadeia Velha, até mesmo porque essa foi uma questão da Secult a ser discutida com os artistas em 2015. Ao meu ver, não deveria ser debatida apenas pelo movimento cultural, Prefeitura e Governo de SP – a gestão será compartilhada na reabertura do espaço.

Na terra natal de Mário Covas, ex-governador e padrinho do atual governador Alckmin, o debate sobre o uso e futuro da Cadeia deveria ser ainda mais ampliado também em audiências públicas, junto a conselhos municipais e estaduais, à Comissão Especial de Vereadores e às instâncias do legislativo estadual e atender o que a população de Santos e região decidir qual o melhor projeto de ocupação da Cadeia Velha de Santos.

*Lincoln Spada

Espaço Tuim e O Frame abrem vagas para curso de fotografia

O Espaço Tuim e o Foto Clube São Vicente – O Frame abrem inscrições para a turma de seu curso de fotografia ampliado, a iniciar em janeiro de 2015. A partir do dia 13, as 20 aulas serão às terças e quintas-feiras, das 19h30 às 22 horas, totalizando 50 horas. Elas serão ministradas pelos fotógrafos Stan e Ivy Freitas. Esta parafraseia Cartier-Bresson para justificar esta capacitação: “De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo”.

A proposta do curso de é que os alunos tenham uma maior experiência com estúdio, efeitos de iluminação, flash, técnicas fotográficas e tratamento básico de imagens. Entre as saídas fotográficas, os participantes também terão noções sobre a história da profissão e a teoria das cores, além de entender movimentos artísticos e seus destaques.

“Admiro o trabalho do pintor italiano Caravaggio, deixando de lado sua vida desregrada, enigmático abusava de sombra e luz em seus quadros. O fotógrafo Sebastião Salgado por suas características retrata uma situação mas também a emoção de pessoas em preto e branco”, explica Ivy que iniciou sua carreira a partir de uma exploração fotográfica há seis anos no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

01A paixão que ela tem pela arte também é compartilhada por dezenas de participantes de outras atividades formativas do Frame. A fotógrafa comenta o seu orgulho de ver o sucesso de muitos alunos que se profissionalizam e abriram seu próprio estúdio em São Vicente e Região.

O curso tem valor de duas parcelas de R$ 350,00. Em parceria com a Secretaria de Cultura, há a cessão de uma bolsa integral para a formação. O interessado pela bolsa deve enviar uma carta ao Frame. A organização reserva o direito de adiar ou cancelar o curso caso não atingir o mínimo de 10 participantes, comprometendo-se a transferir a bolsa para a próxima edição. O Espaço Tuim se localiza na Av. Marechal Deodoro, 705, Vila Valença. Informações: 3323-8053 ou contato@fotoclubesaovicente.com.br.

Inscrições para conselho cultural de São Vicente encerram sexta

Os artistas de diversos segmentos de São Vicente podem até sexta-feira (dia 12), candidatar-se ao Conselho Municipal de Política Cultural da Cidade (CMPC-SV) para a gestão de 2014/2016. Estão abertas vagas em 13 áreas: artes circenses, artes plásticas, artes visuais, artesanato, audiovisual, cultura negra, culturas populares, culturas tradicionais, dança, literatura, música, pontos de cultura e teatro.

A eleição dos novos conselheiros será no próximo dia 20, das 9 às 14 horas, nas Oficinas Culturais de São Vicente. Interessados precisam comparecer ainda nesta semana, das 9 às 17 horas, na sede da Secretaria da Cultura (Av. Emb. Pedro de Toledo, 593, Gonzaguinha), ou por e-mail: culturasv2014@gmail.com.

Todas as pessoas podem se inscrever como eleitoras ou candidatas ao CMPC-SV, desde que comprove residência na Cidade há pelo menos dois anos e apresente documento de identidade oficial com foto (RG, CNH, carteira de trabalho ou Identidade Profissional).

*Secretaria de Cultura de São Vicente