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Entrevista: Thamyres Matarozzi avalia Valongo Festival e anuncia centro de artes visuais em 2017

Por Lincoln Spada | Foto de capa: Sara Santis; Foto de perfil: Iatã Cannabrava

Comprometido em revitalizar a região central e portuária de Santos, o Projeto Valongo iniciou o seu processo por meio do festival que reuniu 4 mil pessoas em meados de outubro. Com mais de 70 atividades espalhadas pela região central da Cidade, o evento reuniu mais de 60 coletivos e artistas nacionais e internacionais convidados para uma extensa programação, como exposições de artes visuais, exibições de filmes, workshops, oficinas, entrevistas, rodas de conversa, leitura de portfólios e lançamentos de livros.

d1Assim, já na primeira edição, o evento nasceu com grande porte. Dando continuidade às entrevistas da Revista Relevo com realizadores de festivais na cidade, a diretora do Valongo Festival, Thamyres Matarozzi, avalia o trabalho realizado em outubro, como também os desdobramentos da iniciativa já no próximo ano. Confira a seguir a entrevista virtual na íntegra com a realizadora.

Apesar da crise econômica que interferiu no orçamento do Valongo Festival, ele já nasceu em grande porte. O objetivo é manter esse ritmo em futuras edições e já há uma periodicidade prevista para o evento?

Sim, o objetivo é que o festival aconteça todo ano em outubro. O festival sofreu grande abalo não só devido à crise econômica que assolou o país, mas também pela instabilidade que o setor cultural e ministério da cultura demonstraram ao longo do ano.

Começamos a produzir o festival em dezembro de 2015, mas foram muitos meses até as aprovações nas leis de incentivo acontecerem e as primeiras verbas caírem. Tamanho foi o atraso de cronograma que não sabíamos se o festival aconteceria até a véspera do mesmo. Tivemos menos de um terço da captação prevista, e com isso grandes dificuldades estruturais e contratempos.

Em cinco dias, o festival produzido em poucos meses conseguiu reunir 4 mil pessoas, numa cidade de mais de 400 mil habitantes, e com parte considerável do público sendo de fora da região. Com esses números, é oportuno um investimento futuro do Projeto Valongo em Santos?

Sim! O Projeto Valongo nasce em duas frentes que se complementam e fundem: o Valongo Festival Internacional da Imagem e os Núcleos Permanentes. O festival é a grande celebração que concentra diversas atividades e agentes culturais em um mesmo ambiente, um verdadeiro intensivo de pensamento e reflexão sobre o mundo da imagem, com muitos intercâmbios e grandes dimensões.

Mas grande parte do Projeto Valongo se dá através dos Núcleos Permanentes que são atividades que acontecem ao longo do ano no Valongo. Nosso próximo passo é a abertura do Centro de Pesquisa das Narrativas Visuais do Valongo (Rua Tuiuti, 26) que sediará grande parte dessas atividades, já estamos trabalhando em uma programação que deve ser lançada no começo do próximo ano.

Após o festival, o Projeto Valongo pretende manter um centro de pesquisa sobre a imagem, vindo a sediar graduações ou cursos de extensão universitária. Já há parcerias e até outras ações previstas para o prédio recém-aberto?

Sim, hoje temos parceria com a Unimes que tem nos apoiado desde a concepção do projeto e estamos desenvolvendo junto a eles cursos livres e de extensão para o próximo ano. É importante frisar que também estamos em negociações com outras universidades da Baixada para que sejam desenvolvidos cursos voltados para o setor cultural ou de comunicação e que sejam ministrados no Valongo. Acreditamos na forte aliança entre o setor cultural e educativo, no Projeto Valongo indissociáveis.

Durante o evento, alguns ruídos aconteceram na produção e diálogo com artistas locais. Em seguida, o festival dialogou com eles, mas vocês observam algo de positivo a partir dessa experiência? E há pretensão de estar mais inserido no panorama regional?

Os contratempos sofridos pelo festival foram muitos, típicos de um projeto novo, em novo território. Através do festival passamos a conhecer uma classe artística forte e atuante que nos recebeu muito bem e que infelizmente frustramos por diversas razões. Temos como meta para os próximos anos não só um diálogo maior e mais eficiente, mas também mais trabalho em conjunto tanto em termos de equipe (os fazedores culturais) como em termos artísticos.

Ao mesmo tempo, o Valongo Festival reuniu fotógrafos, roteiristas e editores de outras nacionalidades, como já havia no Paraty em Foco, produzido noutros anos pelo Estúdio Madalena. Qual foi a percepção geral dos profissionais convidados e dos realizadores ao fazer o evento em Santos?

Foi muito positivo. Inclusive os próprios brasileiros que já conheciam Santos, mas um outro lado da cidade, ficaram maravilhados com o que viram. O Valongo é de fato um lugar muito especial, com características únicas e infraestrutura para um projeto como este.

 

Com artes visuais e audiovisual, Valongo Festival será realizado em outubro

O Valongo Festival Internacional da Imagem é o momento em que todas as atividades desenvolvidas no Projeto Valongo se encontram e se expandem em novas conexões. De 12 a 16 de outubro, a região portuária de Santos se transforma em uma grande arena onde convidados e público discutem, refletem, incendeiam os diferentes aspectos da produção de imagens e narrativas visuais contemporâneas.

“Fotógrafos, cineastas, vídeo artistas, roteiristas, críticos, acadêmicos, curadores, curiosos, pesquisadores, estudantes, e todo e qualquer interessado no mundo da imagem. Queremos ver, ouvir, interagir com todos vocês!”, comentam os organizadores. A coordenação geral é de Iatã Cannabrava, responsável noutros anos pelas edições do Paraty em Foco, principal festival de fotografia do País.

O evento

Comprometido com a ação transformadora da região portuária e do Valongo, o Projeto Valongo se propõe a elaborar uma programação de atividades culturais e educativas de impacto social, reafirmando Santos como protagonista do cenário cultural brasileiro.

Trabalhamos em duas frentes complementares: as atividades dos núcleos permanentes, que possibilitam um canal aberto de comunicação, diálogo e intercâmbio com a sociedade; e o Valongo Festival, que é ponto de convergência e expansão destas ações.

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Conectando Santos com outras cidades portuárias ao redor do mundo, vamos potencializar as ações e promover movimentos artisticos migratórios. A partir destas ações vamos construir e consolidar uma nova imagem urbana portuária atraindo um novo hub de usuários para requalificar espaços existentes, potencializar o patrimônio instalado e valorizar o patrimônio material, bem como o histórico cultural.

*Informações do Projeto Valongo