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Guarujá realiza mostra em alusão ao mês da Consciência Negra

Por Prefeitura de Guarujá

A Secretaria de Coordenação Governamental de Guarujá, por meio da Assessoria de Igualdade Racial e do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Guarujá, realiza neste mês de novembro uma extensa programação em alusão ao mês da Consciência Negra – “Novembro Negro”.

As atividades começaram na última sexta-feira (17) e prosseguem até o domingo (26). A data é marcada por diversas manifestações em todo o País, que promovem a reflexão sobre as conquistas e lutas dos negros pela igualdade.

O Dia Nacional da Consciência Negra será celebrado na próxima segunda-feira (20), data que foi instituída oficialmente pela Lei no 12.519 (de 10 de novembro de 2011) e faz referência à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.

Na segunda-feira (20/nov), às 9h, há a visita do Busto do Zumbi dos Palmares, na Praça Horácio Lafer (Enseada), com lavagem do monumento, roda de conversa com lideranças do movimento negro, apresentações de capoeira, dança afro, afoxé, escola de samba, entre outros.

No dia seguinte, às 8h, na E.E. Prof. Waldemar da Silva Rigotto (Rua 1º de Maio, 574, Sítio Paecará), acontece intervenção cultural, com capoeira, conversa com Mestre Cícero e palestras sobre cotas raciais, genocídio negro, racismo e desigualdade.

Na quarta-feira, das 18h às 22h, no Teatro Procópio Ferreira (Av. Dom Pedro 1º, 350, Tejereba), acontecem palestras, apresentações de grupos folclóricos, Coral Municipal, entre outros. A União de Negras e Negros pela Igualidade, na quinta, às 19h, realiza palestra e ação cultural no Colégio Adélia Camargo Corrêa (Av. Miguel Mussa Gaze, 247, Vila Santa Rosa).

Por fim, a programação encerra no domingo, das 8h às 22h, no CAEC Ver. André Luiz Gonzalez (Travessa 268, Quadra 77, Morrinhos II), com calendário de capoeira, organizado pelo Centro de Cultura Herança de Palmares Omo Oba Zumbi, Mestre Sandro, participação de Grupo Afroketu.

 

Prêmio Zumbi dos Palmares é entregue em Cubatão

Por Prefeitura de Cubatão

Nesta segunda-feira (20), a Prefeitura de Cubatão e entidades do Movimento Negro da cidade realizam a Solenidade de Entrega de Prêmio Zumbi dos Palmares. O evento começa às 9 horas, no Bloco Cultural (Praça dos Emancipadores, s/nº, Centro).

A data é uma lembrança à morte de Zumbi dos Palmares, no dia 20 de novembro de 1695. Nascido em um Quilombo – aldeia onde viviam os escravos fugitivos – lutou até a morte para defender seu povo da escravidão. A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888.

A solenidade conta com indicações da Sociedade Civil: Esnilsa Jacinto de Oliveira – Educafro; Matheus Ponciano Costa – Movimento A Cara do Brasil; Ana Carolina Torres Azevedo – Afoxé Filhos de Ganga e Zumba; e Eliane de Souza Castro – Samba do Mumu. São os indicados do Poder Público: Lucélia Ana Soares – Semas; Maria Gelialda dos Santos Silva – SMS; Seleida Barbosa Estevan – Seges; e André Carlos dos Santos – Assessor Parlamentar.

Programação:
>> 9h30: Mesa de Abertura Institucional (com a fala das autoridades);
>> 9h45: Intervenção Cultural – Espetáculo “Vozes”, Direção de Walter Rodrigues;
>> 10h30: Palestra “A Consciência Negra e a luta pela igualdade: de Zumbi e Dandara a Quintino e Maria Liberata!”, por Renato Azevedo;
>> 11h: Entrega da premiação aos homenageados.

 

No Brasil, pesquisas abordam baixa representatividade de negros nas artes e entretenimento

Por Lincoln Spada

No Brasil, o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) sempre vale à uma reflexão da população sobre as formas de desigualdade racial ainda presentes na sociedade. Em um país escravocrata até menos de 130 anos, é comum ainda observar que os negros tenham pouco espaço para apresentar suas narrativas, trajetórias e identidades culturais no universo das artes e do entretenimento.

Se despontam eventualmente negros no mainstream musical, além de toda a contribuição da cultura negra nos ritmos que movem o país, faltam indicadores no segmento e também nas artes cênicas sobre a questão racial. No teatro, o máximo encontrado foi o recente repúdio de artistas à Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, que ao divulgar em maio a curadoria do Festival Internacional de Teatro Palco & Rua (FIT-BH), não continha sequer um ator negro no elenco das 25 apresentações anunciadas.

Televisão

Ainda em 2001, no livro ‘A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira‘, o cineasta e roteirista Joel Zito Araújo aborda que, na constatação de sociólogos e acadêmicos, a falta de representatividade do negro na TV, maior veículo de comunicação de massa do país, “influencia ativamente na constituição da identidade desta população e na forma como ela é vista pelos demais”.

Assim, pelos entrevistados da pesquisa, a teledramaturgia nacional em relação aos negros observa: o reforço de estereótipos negativos; a cultura negra enquanto folclore, e não como parte da cultura popular e do imaginário brasileiro; o negro como elemento de diversão para os brancos; além do noticiário reforçar o negro como pobre e favelado.

“Ao persistir retratando o negro como subalterno, a telenovela traz, para o mundo da ficção, um aspecto da realidade da situação social da pessoa negra, mas também revela um imaginário, um universo simbólico que não modernizou as relações interétnicas na nossa sociedade”, avaliou a antropóloga da USP, Solange Martins Couceiro de Lima na revista universitária em 2001.

Segundo o economista da USP, o professor Hélio Santos, a TV da Dinamarca e da Europa em geral têm mais negros que a do Brasil. E de acordo com Paulo Rogério Nenes, o publicitário e diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, em 2007, pesquisas “mostram que as televisões têm apenas 5,5% de apresentadores e profissionais que aparecem no vídeo que são negros”. Até em TVs públicas, foi constatado que 9,4% dos apresentadores e 6,7% dos jornalistas são negros ou indígenas, em levantamento no mesmo ano organizado por Joel Zito, em relação às TV Cultura, TVE e TV Nacional.

Cinema

Em 2014, ganhou destaque a pesquisa ‘A Cara do Cinema Nacional‘, conduzida pela UERJ. A análise dos lançamentos brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012 concluiu que o cinema nacional tem cor e gênero: é branco e masculino. Com dados da Ancine e critérios do IBGE, apenas 31% dos filmes avaliados tinham atores negros (quase sempre em estereótipos de pobreza ou criminalidade).

Ao todo, 59% dos atores são homens (destes, 14% são negros). As mulheres são 41% (4% são negras). No caso da direção, 84% dos filmes foram dirigidos por homens brancos; 13% por mulheres brancas; 2% por homens negros. Nenhum dos filmes foi dirigido por uma mulher negra. Entre os roteiristas a diferença permanece: 74% deles são homens; destes, 4% são negros. Entre o restante, de mulheres roteiristas, não há sequer uma negra.

“Os dados notabilizam o problema da questão racial no país. Se as mulheres brancas encontram participação desigual em relação à predominância dos homens de cor branca, os negros e as negras são ainda mais atingidos por esse contexto assimétrico”, comenta uma das responsáveis pela pesquisa, a mestre em ciência política, Marcia Rangel Cândido.

Literatura

No universo literário, a acadêmica Regina Dalcastagnè, da UnB, lançou a pesquisa ‘Literatura Brasileira Contemporânea — Um Território Contestado’ sobre 258 romances publicados entre 1990 e 2004 pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco. A pesquisa revelou que os autores, na maioria, são brancos (93,9%), homens (72,7%), moram no Rio de Janeiro e em São Paulo (47,3% e 21,2%, respectivamente).

O perfil médio dos escritores se assemelha à representação dos personagens nos romances brasileiros contemporâneos. Eles são, em sua maioria, homens (62,1%) e heterossexuais (81%). A assimetria prossegue no que diz respeito à cor. Os personagens negros são 7,9% e têm pouca voz: são apenas 5,8% dos protagonistas e 2,7% dos narradores.

No levantamento, os negros são retratados geralmente como bandidos ou contraventores (20,4%), empregados(as) domésticos(as) (12,2%) ou escravos (9,2%). A violência contra negros também está nas páginas das publicações. Enquanto a maioria dos brancos morre, na ficção, por acidente ou doença (60,7%), os negros são geralmente vítimas de assassinato (61,1%).

No dia 13 de maio, Casa Afro de São Vicente faz reflexão

Em cerimônia aberta a população, no dia 13 às 15 horas, homenagens e intervenções artísticas serão realizadas em conjunto pela Prefeitura de São Vicente através da Secretaria Municipal da Cultura, a Sumira – Superintendência de Política para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial e o Conselho Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, na Rua Dona Anita Costa, s/nº, Vila Voturuá.

No evento, haverá o descerramento de placa em homenagem a Pai Ivan Marcos Neto e Diogo Ferraz de Arruda, na fachada do equipamento tombado como patrimônio da Cidade. Ambos já foram conselheiros do então Conselho Municipal da Comunidade Negra. Diogo foi presidente da Casa de Angola de São Vicente, difundindo as tradições da comunidade negra e, principalmente, promovendo assistência a africanos refugiados no litoral paulista.

Por sua vez, Pai Ivan foi iniciado ao culto dos orixás nos anos 70, tornando-se babalorixá e baba kerere opa otun de Oxum. Participou do Balé Afro de Santos, da Academia Vicentina de Letras e foi articulador dos conselhos municipais de promoção à Igualdade Racial em São Vicente, Mongaguá, Praia Grande e Peruíbe. Além disso, fundou o Ilé Otá Odô Odésassanha e o núcleo regional do Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro Brasileira.

Também será entregue um busto do líder dos quilombolas, Zumbi dos Palmares, esculpido por Gaspar Mariano e Rosangela Castro com a colaboração dos alunos das Oficinas de Escultura. A obra será instalada no jardim frontal da casa.

Em seguida, será aberta a exposição ‘Africanidades e Suas Influências’, da artesã Rose Britto. Dezenas de máscaras entalhadas em madeira estarão no local para visitação gratuita até o dia 31. “Estas obras remontam a história de um rei da tribo iorubana fundadora do Oyó, na Nigéria. Da madeira se fez a arte que virou cultura, e de culto passou a fazer parte do nosso cotidiano atual”, justifica a autora da mostra.

*Prefeitura de São Vicente